Thursday, June 26, 2008

"Quarteto" na Casa Conveniente







“QUARTETO” de Heiner Müller

Valmont e Merteuil são como dois deuses mitológicos presos no Inferno onde nada têm para fazer a não ser passar o tempo com os seus jogos pelo poder, através da sedução e da violência psicológica, da encenação da falsidade.
Um medir de forças entre dois animais selvagens, sem valores éticos ou noção do bem e do mal, até ao aniquilamento de um e a consequente sobrevivência do outro.

26 de Junho a 13 de Julho
5a a Domingo, 22h
Casa Conveniente - Cais do Sodré
Reservas: 96 346 51 12

Direcção artística de Bruno Simão
Interpretação de Bruno Simão e Sofia Ribeiro
Apoio à cenografia de Rita Guerreiro
Fotografia de cena e telões de Maria Azevedo
Reservas e acolhimento de Susana Realista
Uma co-produção Bruno Simão e Casa Conveniente
Espectáculo subsidiado pela Fundação Calouste Gulbenkian

Mais informações em www.casaconveniente.pt

Casa Conveniente
Rua Nova do Carvalho, 11 (ao Cais do Sodré)
1200-291 Lisboa
teatro.casaconveniente@gmail.com

XXV Festival Internacional de Teatro de Almada






Vinte e três espectáculos, de companhias de oito países, desfilam no Festival de Almada, em cena de 4 a 18 de Julho em vários espaços de Almada e Lisboa. Uma programação especial para a comemoração do quarto de século do festival de teatro mais conhecido da Grande Lisboa.
Para a celebração deste 25º aniversário a organização decidiu oferecer ao público uma prenda maior: pela primeira vez no programa do festival surge uma peça do Berliner Ensemble, o mítico colectivo teatral alemão fundado no pós-guerra (1949) pelo dramaturgo Bertold Brecht e pela sua mulher, Helene Weigel. O acontecimento vai traduzir-se em duas representações de Peer Gynt (1867), obra épica do norueguês Henrik Ibsen, sob a direcção de Peter Zadek, nos dias 12 e 13 no palco principal do Teatro Municipal de Almada.
A abertura do festival faz-se com duas estreias teatrais - "Gengis Entre os Pigmeus", de Gregory Motton, com encenação de Pedro Marques, e "Numa Certa Noite", de Luís Mestre, dirigida por António Simão - e um espectáculo de dança, "Dentro de Mim Outra Ilha", com coreografia do moçambicano Panaibra Gabriel.
Ao longo de duas semanas, o festival acolhe sete criações nacionais em estreia absoluta e, à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, uma personalidade do mundo artístico será homenageada - o escolhido deste ano é o pintor e cenógrafo João Vieira.
in Público

"Omnisciência" no Teatro Aberto





Encontra-se em cena na Sala Vermelha do Teatro Aberto, o espectáculo "Omnisciência", do autor canadiano Tim Carlson

SINOPSE
Quantas liberdades se perderam desde que, com a ameaça do terrorismo, a segurança dos indivíduos a oferta de protecção passaram a estar na ordem do dia? As paredes ganharam olhos e ouvidos, não há movimento nem voz que fique por registar, não só na esfera pública, mas também na esfera privada.Programas informáticos e as chefias militares não concebem pensamentos ou acções que não se enquadrem nos esquemas definidos à partida e os media aguardam material para os habituais programas de impacto, notícias e directos.Traçando um ambiente de suspeição e mistério, o autor canadiano Tim Carlson apresenta em Omnisciência, estreada em 2004, uma análise do mal-estar civilizacional pós 11 de Setembro sem perder de vista que o amor continua a existir e com ele a vontade de lutar por uma vida e um mundo diferentes.

Tradução e Dramaturgia de Nuno Carinhas e Pedro Filipe Marques
Encenação, Cenografia e Figurinos de Nuno Carinhas
Realização, Fotografia e Montagem de Pedro Filipe Marques
Sonoplastia de Francisco Leal
Desenho de Luz de Melim Teixeira
Com Albano Jerónimo, Cristina Carvalhal, Inês Rosado e João Reis

Quartas a Sábados às 21h30
Domingos - Matinée às 16h00
Reservas / Compra - Bilheteira: 21 388 00 89
Sítio: http://www.teatroaberto.com

"Isto Não é Um Concurso" dos Artistas Unidos








ISTO NÃO É UM CONCURSO
TRÊS PEÇAS INÉDITAS de Luís Mestre, Ana Mendes e Inês Leitão

Não, não é um concurso, é só uma hipótese. Não, não queremos concorrência, nem competitividade, nem empurrões uns aos outros. Queremos peças de teatro. De pessoas que conhecemos ou que não conhecemos. Queríamos que tivessem voz própria. Que fossem únicas. Frágeis, fortes, conseguidas, por acabar, por resolver, com interesse para nós.

Com António Filipe, Cândido Ferreira, Custódia Gallego, João Delgado, Luís Godinho, Rosa Villa e Sofia Correia
Cenografia e figurinos Rita Lopes Alves
Luz Pedro Domingos
Direcção dos espectáculos António Simão, João Meireles e João Miguel Rodrigues
Direcção de produção António Filipe e Luís Godinho
Coordenação Jorge Silva Melo e Andreia Bento

Projecto integrado no Festival de Teatro de Almada
No Instituto Franco-Português de 4 a 18 de Julho


NUMA CERTA NOITE de Luís Mestre M16
4 e 5 de Julho às 21h30 6 e 7 de Julho às 19h00

O LAGO de Ana Mendes M12
9 e 10 de Julho às 21h30 11 e 12 de Julho às 19h00

A ÚLTIMA HISTÓRIA DE WERTHER de Inês Leitão M16
15 e 16 de Julho às 21h30 17 e 18 de Julho às 19h00

Instituto Franco-Português
Av. Luís Bívar, 91
1050-143 LISBOA
Reservas e informações: 961 960 281 (Artistas Unidos)

"Stabat Mater" no S. Luiz








STABAT MATER de Antonio Tarantino
Maria, à procura do filho desaparecido. Miserável, sozinha, resignada e cheia de ódio. O texto é uma longa diatribe, a heresia de uma dor que não serve nem salva, e da história que impiedosamente repete o seu ciclo sem evoluir.

Tradução de Tereza Bento
Com Maria João Luís
Cenografia e figurinos de Rita Lopes Alves
Luz de Pedro Domingos
Encenação de Jorge Silva Melo
M18

Integrado no Festival de Teatro de Almada
No São Luiz Teatro Municipal de 9 a 13 de Julho
9, 10, 11 e 12 de Julho às 21h00
13 de Julho às 17h30

O texto está editado nos Livrinhos de Teatro (nº 11).
A tradução teve o apoio do ATELIER EUROPÉEN DE LA TRADUCTION / SCÈNE NATIONAL D’ORLÉANS com o apoio da UNIÃO EUROPEIA Comissão de Educação e Cultura – Programa Cultura 2000 e do Ministero degli Affari Esteri de Itália.

Reservas e informações: 213 257 650
bilheteira.teatrosaoluiz@egeac.pt

Saturday, June 21, 2008

Últimos dias n'A BARRACA








"A Disputa" no balleteatro









FIAAP 08 - Menos de um mês para o Fim das Inscrições


Prestes a Estrear nas Aguncheiras!

"A Penultima Lição" no Trindade





O INATEL/Teatro da Trindade e Mariana Afreixo apresentam

“A PENULTIMA LIÇÃO”de Mariana Afreixo
Estreia a 25 de Junho na Sala Estúdio do Teatro da Trindade às 22h15.

A Sala Estúdio do Teatro da Trindade recebe A Penúltima Lição, de Mariana Afreixo, adaptação de A Lição de Eugène Ionesco, um dos grandes autores do teatro do absurdo

Sinopse
Um sinistro professor e a sua igualmente sinistra governanta encarregam-se da árdua tarefa que é preparar uma jovem estudante para os exames que se aproximam. Porém, confrontados com as adversidades, a Aluna começa a perder a vontade de aprender e o Professor a vontade de a deixar viver.

“A Penúltima Lição” – uma adaptação d’ “A Lição”, do dramaturgo do teatro do Absurdo Eugène Ionesco – é uma comédia sobre o desespero em que se torna, por vezes, o processo de aprendizagem – a eterna tortura mútua entre professores e alunos.

Ficha Técnica
Adaptação Mariana Afreixo
Encenação Salmo Faria
Interpretação Paulo Nery, Mariana Afreixo e Marta Morais
Cenografia Alexandre Almeida
Figurinos Nuno Tiago
Desenho de Luz Salmo Faria
Fotografia Filipa Larangeira
Produção Mariana Afreixo

Dração: 75 minutos
Classificação Etária : Maiores de 16 anos
Preço único 8€
Desconto 30% Sócios do INATEL, Grupos + 10 pax, Jovens c/ – 25 anos, Pin Cultura, Profissionais do Espectáculo e Seniores c/ + de 65 anos
Teatro da Trindade Sala Estúdio
25 Junho a 20 Julho / / 4ª a Sábado 22h15 e Domingo 17h00
Foto de Filipa Larengeira

Cão Solteiro apresenta "Stange Fruit"






Strange Fruit é um espectáculo de teatro que se constrói a partir do pressuposto ÁRVORE, no seu mínimo denominador comum : Planta / Verde/ Tempo/ Natureza / Mistério / Queda/ Balanço / Altura / Generosidade / Maçãs / Pássaro / Mobília / Copa / Raiz / Estrela / Sombra / Movimento / Música / Guilherme Tell / Arco e Flecha / Verticalidade

… mas também naquilo que da ÁRVORE é difuso e nosso: Sorriso Particular / Cézanne / A huge and birdless silence / A figueira seca / Sam who walked alone by night / 21 Março / Chapéu de palha com 2 cerejinhas ao lado / In the room women come and go talking about Michelangelo / Hora do Almoço / Coentros a exalarem na charneca / somos os Decadentes do Início do Século /Yellow Mellow / antes do Primeiro Amor / Código Trivulzianus / Henri Moore/ Cy Twombly / Father's Black Tree /Verticalidade

Um espectáculo construído por : Paula Sá Nogueira, Miguel Loureiro, Mariana Sá Nogueira, Nuno Carinhas, André Godinho, Nuno Tomaz, Steve Stoer, Joana Dilão.

Companhia : CÃO SOLTEIRO
Espaço : POÇO DOS NEGROS 120
Morada: Rua Poço dos Negros , nº 120
Datas : 28 de Junho a 02 de Agosto
Horário: 22h de terça a domingo
Preço : 10€ / 5€
Reservas de bilhetes: 96 01 747 98 das 15h às 22h
Entrada Livre nos 3 primeiros dias
http://caosolteiro-strangefruit.blogspot.com/

"Saga" em estreia






"Le Cirque Invisible" na Culturgeste






Na sexta-feira, dia 27 de Junho, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest, terá lugar Le Cirque Invisible, projecto de Jean-Baptiste Thierrée e Victoria Chaplin, filha de Charlie Chaplin. Com uma simplicidade desarmante e uma imaginação sem limites, os dois intérpretes levam-nos, fantasia após fantasia, a um mundo mágico que tanto tem de fascinante como de familiar.

Le Cirque Invisible vai estar em cena até 1 de Julho.

Os bilhetes têm o preço de 25 Euros; jovens até aos 30 anos têm o preço único de 5 Euros.

“Não somos capazes, com as nossas pobres palavras, de vos dar uma ideia do que é este momento de graça que nos lava de toda a maldade do mundo e nos remete para o que de melhor palpita em cada um de nós, a infância.”
Armelle Herliot, Le Figaro


Victoria Chaplin é a quarta filha de Oona e Charlie Chaplin. Estudou dança e música clássica. Em 1969 encontra-se com Jean-Baptiste Thiérrée, filho de operários, aprendiz de tipógrafo, mais tarde actor. Juntos fundam, em 1971, o Cirque Bonjour, o primeiro exemplo do que veio a chamar-se “Novo Circo”.

Ao longo de trinta anos produziram apenas três espectáculos: o Cirque Bonjour, o Cirque imaginaire e, desde 1990, o Cirque invisible. Thiérrée teria preferido ter feito só um, e aperfeiçoá-lo constantemente.

“O seu circo é invisível porque se limita ao círculo da pista, desenhado no palco. Estão sozinhos. Atrás das cortinas pretas, pessoas encarregues do guarda-roupa, dos acessórios e maquinistas estão numa roda-viva, porque tudo repousa na metamorfose, num movimento perpétuo das formas. A palavra-chave podia ser a magia, porque Thierrée é um grande prestidigitador que faz surgir mil objectos, pássaros, ratos, coelhos […]. Mas esta prática da ilusão integra-se num conceito mais largo, um vasto jogo, burlesco e estético, com as regras que regem o mundo. As aparições de Jean-Baptiste movem-se num registo de fantasia cómica, mas nada aí se passa como na vida, as leis da atracção terrestre aí não funcionam. Até a proeza anunciada pode não acontecer, dando lugar a uma graça. As entradas em cena de Victoria, bailarina, equilibrista e escultora do seu corpo até às curvas extremas do contorcionista, criam universos plásticos em que compõe quadros fantásticos, frequentemente com formas de animais, jogando com objectos cujos aspecto e sentido são invertidos.”
Gilles Costaz, Les Echos


Nasci em Maio de 1937. Fui concebido a 15 de Agosto de 1936, quando houve as primeiras férias pagas. Isto significa que sou um filho da utopia: sem a Frente Popular e as novas esperanças da classe operária o meu pai – que era torneiro numa fábrica da Renault – não teria considerado a possibilidade de ter outro filho depois do meu irmão (que já tinha oito anos em 1936). Mas os tempos eram optimistas naquele Verão de 1936 (…). Quando nasci, em 1937, o desencantamento social já tinha chegado. O meu avô materno tem uma origem misteriosa… porque foi encontrado num caixote do lixo no n.º 130 da Rua d’Aboukir. A porteira primeiro assustou-se quando viu o caixote a mexer, pensando que se tratava de um gato! Leva então o bébé à polícia, onde o baptizam com o apelido do comissário – “Clément”. Quanto aos nomes, atribuem-lhe nada menos que os dos sete sargentos que ali estavam! Depois foi entregue a uma família de camponeses de Morvan , como era normal nessa época. Aliás, o meu pai, igualmente uma criança abandonada, foi, também ele, deixado numa quinta. Foi assim que os meus pais se encontraram, ele órfão, ela filha de órfão, numa aldeia de Morvan.

Ambos sem terra (as crianças recolhidas no campo não herdam as terras), vão para Paris à procura de trabalho. O meu pai trabalhou em vários pequenos ofícios. Um dia, quando era moço de recados de um banco nos Campos Elíseos, cruza-se, em frente do Hotel Claridge, com Charlie Chaplin e o boxeur Georges Carpentier. Uma fotografia imortaliza esse momento, e nela se vê o meu futuro sogro com o olhar fixo na multidão e precisamente dirigido a um homem de fato-macaco azul: o meu pai. Os dois homens olham-se nos olhos, como se tivessem, um e outro, a memória do futuro. O meu pai estava sempre a falar-me de Chaplin, era doido por ele. Dizia-me muitas vezes que esse homem compreendia o mundo da fábrica e que tinha o dom de fazer filmes que comoviam toda a humanidade.

A minha mãe tornou-se então vendedora de luvas e o meu pai entrou na Renault como torneiro. Em 1943 foi levado para a Alemanha pelo STO (Serviço de Trabalho Obrigatório) para substituir operários alemães que tinham sido enviados para a frente de combate russa. O meu pai viveu, assim, em Hamburgo debaixo dos bombardeamentos e entre ruínas. Quando voltou para França dois anos mais tarde, estava magro e faminto, mal o reconheci.

Neste ambiente onde nasci, absolutamente nada me destinava ao mundo do espectáculo! Com catorze anos, um teste de orientação profissional envia-me para uma tipografia! (…). Uma cerimónia escabrosa - asquerosa - por que me fizeram passar por ser caloiro, mudou brutalmente o meu destino… Humilhado, furioso, parti a cara ao meu chefe de oficina e fui imediatamente despedido. Decidi voltar a pé para a praça Voltaire onde vivia então com os meus pais num minúsculo T1. (…). Estava muito chateado porque não sabia como dizer aos meus pais que tinha sido despedido. Ao passar pelo Théâtre de la Porte Saint-Martin, li um anúncio: o teatro procura um ponto. Candidatei-me, mas disseram-me que era muito novo. Fui-me embora com as mãos a abanar mas deixando, apesar de tudo, a minha morada. Nessa mesma tarde vieram procurar-me: tinha sido o único a responder ao anúncio.
No dia seguinte descobri um novo universo. Eu, que nunca tinha ido ao teatro, estava a trabalhar como ponto numa opereta, dentro de um cubículo, na parte da frente do palco. Durante algumas semanas vi tudo de baixo para cima! (…). Assim introduzido – ou, se me posso exprimir desse modo, lançado no mundo do teatro através da caixa do ponto –, tentei arranjar um lugar nesse mundo (…). Aos vinte anos de idade encontrei René Planchon que durante quatro anos me integrou como actor nas peças que encenou; Alain Resnais deu-me um papel importante no seu filme Muriel e Peter Brook na peça La Dance du sergent Musgrave de John Arden. Depressa me cansei de ser actor. Quando a minha carreira no teatro e no cinema começava a afirmar-se, acabei com ela abruptamente e decidi fundar uma companhia. Criei cinco espectáculos em três anos (…).

Em Maio de 1968 fiz a minha própria revolução e mergulhei de cabeça no que então se chamava de “acontecimentos” (..). As minhas façanhas irrisórias levaram-me mesmo à prisão – mas apenas por um dia, para dizer a verdade… Maio acabou e senti-me idiota, tonto, vazio. Eu, filho de operário, tomo consciência de que me tinha desencaminhado para o mundo burguês do teatro, quando o meu lugar não era esse. Tive então uma iluminação: o circo! Que me atraía desde a infância. Meti na cabeça que tinha que agir ideologicamente, abalando esse dinossauro.


Ora, naquela altura, o circo era um mundo muito fechado sobre si próprio. Para me introduzir nesse mundo decidi propor-me como artista. Construí um número burlesco mudo, com uma nítida tendência surrealista que propus a cabarets. Faço uma audição em L’Écluse que me contrataram por um salário irrisório, comparado com o que ganhava no teatro e no cinema. Mas estava feliz. Aproximava-me do meu novo sonho.

Um dia fui a Reims assistir a um congresso de magia. Estava a passear pela cidade e oiço ao longe os metais de uma orquestra. Vou-me aproximando do som e, no fim, descubro um circo. Imenso. Usado. “O Grande Circo de França”. Quis comprar um bilhete mas disseram-me que estava esgotado, não havia nem um. Numa súbita intuição pedi para falar com o director. Chegou, furioso por estar a ser incomodado por um desconhecido. (…) Sabe Deus porquê, a Alexis Gruss apetecia-lhe falar. Pegou numa cadeira junto a mim num camarim e começou a contar-me a sua vida… Continuou a contá-la durante mais de um ano.

Tornei-me confidente de Alexis e, rapidamente, o seu factotum, um homem para todas as tarefas – o seu “cavalo”, na terminologia pejorativa das pessoas nómadas. Estava ele longe de imaginar que tinha ao pé de si um agente maoista!. Todos os dias Alexis me contava a sua vida e escutava, entusiasmado, as minhas ideias sobre a renovação do circo… Na noite de 21 de Julho de 1969, em Cavalaire, enquanto dois homens punham o pé na Lua, nós conversámos até de manhã na sua caravana vermelha… Nessa noite singular nasceu o projecto de um novo circo, totalmente revolucionário. Mas Alexis não tinha dinheiro para o fazer. Propus-lhe então que se começasse com uma tenda pequena, com oitocentos ou mil lugares, mas ele recusou: para ele havia uma só verdade, “pequeno ofício, pequena receita”.
Então, pela primeira vez, fui ao Ministério pedir dinheiro. Mandaram-me passear. Retomei, por isso, os meus números em L’Ecluse.

Durante uma gala num hospital psiquiátrico onde eu estava a apresentar o meu número, tive um encontro que se veio a revelar decisivo na minha vida, com Félix Guattari, psicanalista e co-director da clínica de La Borde. Guattari estava então a desenvolver uma nova aproximação aos distúrbios mentais, advogando a abertura dos asilos ao mundo exterior e defendendo a liberdade do paciente. Em La Borde, por exemplo, organizava todo o género de actividades para os pacientes, e determinou que não deveria haver nenhuma diferença, na forma de vestir, entre eles e quem os tratava….O que era totalmente novo. Enquanto guardava o meu material de magia, ele propôs-me que viesse todas as semanas a La Borde trabalhar com os internados…O meu investimento na clínica era, para ele, uma forma de agitar a instituição e procurar novas ideias. Em La Borde animo ateliers com os pacientes. Tínhamos também grandes discussões. Criámos mesmo uma peça de teatro em Paris, no Lucernaire (..). Naquela época era muito marginal fazer teatro com doentes. Dez ou vinte anos mais tarde isso se tornou-se quase institucional.
O meu encontro com Guattari foi para mim verdadeiramente subversivo, bem mais libertador do que Maio de 68. O trabalho com doentes mentais desenvolveu a minha sensibilidade à imaginação. Escutava o que eles dizem e deixava penetrar-me por aquele universo. Os meus espectáculos são muitas vezes um reflexo desses momentos, daquilo que têm de livre, de incoerente. Sem esta súbita vaga de imaginário na minha vida sem dúvida que nunca teria feito o percurso que fiz, não teria encontrado Victoria de uma maneira tão estranha, nem criado o primeiro novo circo…La Borde e Guattari deram-me a sensação de que tudo era possível, mas de uma forma diferente.

A minha dividiu-se então entre os meus números em L’Ecluse e a minha colaboração informal e onírica com Guattari. Mas não renunciei à ideia de criar enfim esse “novo circo”. Só que, sem meios financeiros e sem material, o que fazer? Pensei, num primeiro momento, montar um circo sem tenda (…). Guattari encorajou-me muito a criar esse circo, ainda que, no fim, ficasse um pouco desiludido por a aventura não ter ido mais longe de um ponto de vista psicanalítico.

Entre 1966 e 1969 a família Chaplin viveu em torno de um projecto de filme, The Freak (o monstro). Victoria devia ficar com o papel principal: o de uma rapariga que nascera com asas. Uma espécie de santa, uma justiceira alada que tinha o poder de arrastar multidões (…). A preparação do filme estava já muito avançada, os figurinos e a música concebidos, os estúdios reservados. Mas o filme nunca se faria, nomeadamente por causa do meu encontro com Victoria (…), embora o filme esteja na origem do nosso encontro. Em Setembro de 1969, numa revista feminina aberta por acaso vejo uma fotografia de Charlie Chaplin com a sua filha. A jovem Victoria declarava ao jornalista que gostava muito do circo e sonhava ser…palhaço (é possível que o jornalista tenha inventado isso). Olhei longamente para a fotografia de Victoria e nessa mesma noite escrevi-lhe para a Suíça. Logicamente, não esperava resposta à minha carta e julguei sonhar quando, alguns dias mais tarde, o porteiro me estendeu um sobrescrito no verso do qual pude ler: Victoria Chaplin – Corsier-sur-Vevey, Suíça. Muito rapidamente passámos a escrever-nos todos os dias e na primeira semana de Janeiro de 1970 Victoria veio juntar-se a mim, na minha casa em Paris.

Victoria teve uma infância oposta à minha. Chegou à Suíça com dois anos e viveu uma infância dourada. O seu pai, perseguido pelos ataques do maccarthysmo decidira sair dos Estados Unidos. O humanismo profundo da sua arte foi assimilado ao comunismo. Charlie Chaplin tornara-se um dos alvos da “caça às bruxas” que assola nesse tempo Hollywood: foram-lhe movidos processos, os seus filmes foram proibidos… Depois de terem hesitado, os Chaplin escolheram a Suíça para viver, procurando, antes de mais nada, tranquilidade.



Os Chaplin não eram mundanos, pelo contrário, e viviam num mundo relativamente fechado. Em todo o caso, artistas e amigos visitavam-nos frequentemente e marcaram a infância de Victoria que conheceu a Callas, Pablo Casals, Cocteau, Truman Capote, Brando, Noureev, os Beatles, Sofia Loren, Clara Haskil… Além disso os Chaplin tinham o hábito de ir todos os anos em família ao circo Knie . Victoria foi educada na tradição artística, com formação em música e dança clássicas. Viajou imenso com os seus pais e desde muito nova demonstrou ser muito dotada. Teve várias propostas para o cinema entra as quais uma de Visconti e Carlo Ponti, mas o seu pai queria que se estreasse num filme que ele escrevesse para ela. Por outro lado, fazia os seus estudos escolares no convento de Montalivet, ao pé de Lausanne.

Durante o primeiro ano em que vivemos juntos conseguimos dissimular a identidade de Victora. Mas depois de uma indiscrição de uma vizinha, um jornalista inglês soube da nossa história e de repente passámos a ser perseguidos por todos os lados pela pior das imprensas, a “de escândalos”. Recusámos colaborar, o que teve como consequência um chorrilho de insultos que vieram de todos os lados. Para essa imprensa eu era um clochard , um vagabundo, um aventureiro sem escrúpulos que raptara uma herdeira rica. Para eles eu só tinha actuado nas ruas, mendigando algumas moedas aos passantes (Planchon, Peter Brook, Resnais, são esquecidos por esses jornalistas). Estes artigos, evidentemente, só envenenam a situação – já tensa – com o meu ilustre sogro.

Apesar da súbita revelação pública da identidade de Victoria, não abandono o meu projecto de novo circo. Escrevo então a Vilar que, para minha grande surpresa, me telefonou de volta. A ideia seduziu-o. “Vamos divertir-nos os dois, disse ele, convido-te e ao teu circo (que na altura só existia na nossa imaginação, coisa que ele não sabia) para Avignon!” Julgo que Vilar não compreendia bem em que consistia o meu projecto, mas achava-o formidável. Uma noite telefonou-me para me dizer como estava encantado…mas morreu no dia seguinte. Já não não nos recebeu em Avignon onde, graças a ele, o primeiro novo circo nasceu (..). Durante o Festival o entusiasmo da imprensa e do público por Le Cirque Bonjour foi imediato. Todas as noites tínhamos que recusar público e o mesmo aconteceu depois em numerosas cidades.

Um dia fomos fazer uma apresentação do Cirque Bonjour a La Borde. A representação tornou-se uma loucura: as serpentes e as feras desencadearam fantasmas nos pacientes que entraram em transe, gritavam….O meu envolvimento com Guattari na clínica de La Borde foi tão importante que Victoria e eu decidimos casar-nos aí. Guattari organizou tudo e foi um momento absolutamente onírico (…)
Depois de Avignon teria sido muito simples prosseguir e desenvolver as nossas actividades de uma forma puramente comercial: grandes famílias do circo vieram propor-nos as suas tendas com 3000 lugares, mas recusámos essas ofertas para teimarmos em querer depender apenas do Estado (o circo “serviço público”, em suma). O Ministério da Cultura da altura não estava sensibilizado para apoiar o circo. Só anos mais tarde, e outros depois de nós, irão aproveitar das nossas iniciativas e lançar-se nessa via.

Olhando para trás na minha vida dou-me conta que tenho um percurso feito de recusas permanentes e que segui por caminhos sem ainda hoje saber porquê. Estive fora da cronologia: pedi apoios num altura em que isso se não fazia, num altura em que ninguém podia imaginar que uma renovação o circo era possível e frutuosa.

Mas esta revolução nem sempre foi fácil. No Cirque Bonjour Victoria e eu dirigimos artistas do antigo mundo do circo. É preciso imaginar quanto essas pessoas nos foram hostis: nós queríamos mudar tudo neles, as suas músicas, os seus figurinos… Tinham sentimentos contraditórios a nosso respeito. Dávamos-lhes trabalho e eles viam o sucesso que tínhamos, mas ao mesmo tempo odivam-nos. Alguns deles tinham feito toda a vida apenas um único númer que herdaram dos seus pais e contavam transmitir aos seus filhos e chego eu e quero mudar tudo! (…) Sei como isto foi cruel para essas pessoas porque se sentiam feridas pelas minhas propostas.(…)

Tinha que manter alguns elementos clássicos do circo. Ora eu tenho horror, por exemplo, aos números com animais amestrados, tigres, ursos.. É um velho mundo feito de regras e de famílias despóticas. Não resultou entrar nesse mundo como artista, pelo degrau mais baixo da escada: os meus números burlescos estavam, demasiado deslocados, não se percebia o que estava eu a fazer entre elefantes e macacos! E impondo-me como director, pelo cimo da escala, também não resultou. Não estava bem em lugar nenhum.

Em Dijon, em 1974, Victoria e eu decidimos parar tudo e fechar Le Cirque Bonjour para criar um novo espectáculo com uma logística mais leve. De uma trintena de pessoas, de uma dúzia de camiões a que se juntavam uma cavalaria, feras, macacos, cães que jogavam o futebol e serpentes, passámos só para duas pessoas, nós os dois, e depois paraa quatro, com os nossos dois filhos. (…). Criámos Le Cirque Imaginaire em residência na Bélgica e apresentámo-lo pela primeira vez em Bruxelas.

James e Aurélia, os nossos dois filhos, tiveram a infância mais peculiar! Com dois anos de idade eu transformava-os em coelhos ou colocava-os dentro de máquinas mágicas… Havia um número em que eu entrava em palco com uma mala em cada mão quando as punha no chão elas fugiam a correr com as suas perninhas! James criou rapidamente um número de bicicleta acrobático. Professores vinham durante o dia dar-lhes aulas e à tarde trabalhavam connosco. É por isso que se pode dizer que James e Aurélia têm uma carreira quase tão longa como a sua vida! Le Cirque Imaginaire existiu durante quinze anos. Entretanto os filhos cresceram. Em todo o mundo o espectáculo teve um sucesso considerável. Apresentámo-lo algumas vezes em França, a uma última vez no Bobino, em Paris, em 1981. E depois a cortina fechou-se para nós em França. Até que Jean-Michel Ribes, que tinha vindo ver o espectáculo várias vezes, nos propôs que nos apresentássemos no Théâtre du Rond-Point. (…)

Em 1990, ano da Guerra do Golfo, criámos em Florença um novo espectáculo Le Cirque Invisible. Passeamos com esse espectáculo desde essa altura, com a necessidade de aperfeiçoar uma coisa, mais do que fazer uma outra nova. Em certos países somos uma instituição familiar. E no entanto, sempre categoricamente recusámos e fugimos dos média, das reportagens, das entrevistas, das conferências de imprensa, das televisões e outras recepções(…).

O espectáculo está sempre a evoluir. Há gavetas que tiramos ou que acrescentamos segundo os países, segundo os humores… É um trabalho que se relaciona com a alquimia, com a procura da pedra filosofal. Mas uma procura que não se leva a sério: não perdemos de vista que é, antes de tudo, um divertimento. (…)

Em trinta anos produzimos apenas três espectáculos: o do Cirque Bonjour, Le Cirque Imaginaire durante quinze anos e Le Cirque Invisible, desde 1990.

De facto, teria gostado de ter feito apenas um e aperfeiçoá-lo permanentemente.

(Tradução de excertos de uma entrevista a Jean-Baptiste Thierrée conduzida por Anne Brest e Camille Kiejman em Janeiro de 2007 e publicada, com fotografias e numerosos desenhos de Thierré, num número especial de Les Carnets du Rond-Point, dedicado a Le Cirque Invisible; notas acrescentadas pela Culturgest)

Festival de Teatro da Língua Portuguesa de 2009 será itinerante





O evento inédito, que terminou no último fim de semana, acontecerá de novo e de forma simultânea no Brasil e em Angola no segundo semestre do ano que vem.

Rio de Janeiro – 14 mil pessoas. Essa foi a média geral de público da primeira edição do Festival de Teatro da Língua Portuguesa (Festilip) que movimentou o Rio de Janeiro por duas semanas. As apresentações foram encerradas no último domingo e os promotores comemoram os resultados. Ao Portugal Digital, a coordenadora do evento, Tânia Pires, disse que o retorno foi maior do que o esperado. “Só nas apresentações teatrais, tivemos uma média de 5 mil pessoas, além da divulgação que alcançou a imprensa em toda a Europa”.

O festival, inédito no mundo, foi criado com o objetivo de enriquecer as características comuns aos diversos países - Angola, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Brasil - além de promover o intercâmbio cultural entre os artistas. “Nós celebramos a riqueza e a diversidade teatral dos países lusófonos através do teatro, arte mais primitiva da expressão cultural”, avalia Tânia Pires.

Por 12 dias, o público pode assistir, a preços populares, espetáculos de dez companhias, duas de cada país participante, e participar de oficinas de teatro, palestras, exposição no Espaço SESC, além de uma programação musical no Circo Voador, na Lapa, e uma mostra gastronômica no restaurante 00, na Gávea.

A exposição “O Teatro no Brasil e a chegada da Família Real”, com curadoria de Álvaro de Sá, foi um dos destaques da programação. A mostra, composta por gravuras e ambientação cênica, traçou um breve painel do teatro no Brasil no século XVIII, com suas casas de ópera e sua transformação a partir da chegada da família Real em 1808.

Para a próxima edição, Tânia revela que se pretende adotar o modelo itinerante. “A mesmas atrações que serão apresentadas no Rio de Janeiro vão ser levadas até Angola em 2009. E assim será sucessivamente até que todos os países participantes sejam contemplados”, explica a coordenadora. As inscrições dos espetáculos já estão abertas pela internet no site do Festival www.festlip.com A seleção será feita por uma comissão mista com representantes dos cinco países.
Marina Rievers para Portugal Digital

Wok em Digressão







Sunday, June 15, 2008

"As Coisas" no Trindade






“AS COISAS” de JOANA CRAVEIRO
Estreia a 19 de Junho, no Teatro Bar do Teatro da Trindade às 23h00.

O Teatro-Bar acolhe As Coisas, um texto de Joana Craveiro, dramaturga e encenadora, directora do Teatro O Vestido, uma das vozes mais actuantes da dramaturgia portuguesa contemporânea.

Sinopse
A acção decorre entre dois caixeiros-viajantes, as suas esperanças, anseios, sonhos, mas principalmente o amor que têm pelas coisas. Serão as coisas mais importantes do que as pessoas ou as pessoas é que se esquecem delas próprias e tornam-se coisas? A condição humana! Desta forma, dão nos a descobrir o significado e o valor das relações num mundo onde não existe espaço nem tempo físico para estabelecer ligações com os outros, onde o trabalho e a azáfama das cidades nos engole até sermos dados como mortos.
Ficha Técnica
Texto Joana Craveiro
Encenação projecto de Helena Salazar e Joana Duarte Silva
Colaboração criativa de Joana Craveiro e Tanêa Guerreiro
Interpretação Helena Salazar e Joana Duarte Silva
Cenografia e Figurinos Criação colectiva
Desenho de Luz Anaísa Guerreiro
Produção Executiva Catarina dos Santos

AS COISAS
NOTAS BIOGRÁFICAS
Joana Craveiro
Nasceu em Lisboa, em 1974. É directora artística e co-fundadora do Teatro do Vestido. Dirigiu e escreveu todos os seus espectáculos, até ao momento. Concluiu, em 2004, o Master of Drama em Encenação, da Royal Scottish Academy of Music and Drama, de Glasgow. Licenciada em Antropologia pelaUniversidade Nova de Lisboa, FCSH, foi professora de Interpretação na Escola Superior de Teatroe Cinema, entre 2004 e 2006, e na Royal Scottish Academy of Music and Drama, em 2004. Nesteano, ganhou o prémio de encenação Avrom Greenbaum, da Royal Scottish Academy of Musicand Drama. Concluiu, em 2006, o 2º Curso de Encenação da Fundação CalousteGulbenkian,sob a direcção do Professor Alexander Kelly, da companhia Third Angel. Na Escócia, em 2003,foi assistente de encenação de Graham Eatough, da Suspect Culture Theatre Company. Tem trabalhadocomo dramaturga para diversos criadores. Dirige, desde Outubro de 2006, juntamente com os membros do Teatro do Vestido, o projecto pedagógico Zonas, no Hospital Júlio de Matos.

Helena Salazar
Concluiu o curso de formação de actores da Universidade Moderna. Participou em diversos workshops de Cinema, Expressão Dramática e Movimento com Leonel Vieira, Cláudia Tomaz, André Maia, Filipe Crawford, Nuno Loureiro e Peter Michel Dietz. Teve aulas de Técnica Vocal e Canto Lírico. Em 2002 estreou-se profissionalmente em A Casa de Bernarda Alba, no Auditório Carlos Paredes. Fez teatro para a infância, integrando o elenco das peças A Quinta da Lua Cheia e Aladino e a Lâmpada Mágica no Tivoli. Em cinema foi a protagonista na longa-metragem Incógnito, apresentada no Fantasporto e no Village Lisbon Festival. Participou também em algumas curtas-metragens de âmbito académico. Em televisão fez algumas participações. Frequenta actualmente as aulas de interpretação do Projecto Zonas do Teatro do Vestido, ministradas por Joana Craveiro.

Joana Duarte Silva
Concluiu o curso de Expressão Dramática, ministrado por Bruno Schiappa, no Chapitô. Participou em workshops de teatro com Beatriz Batarda, André Maia e Helena Flor. No teatro, estreou-se profissionalmente em 2003 na peça Menina e Moça, encenação de Maria Emília Correia, no Teatro Aberto, onde trabalhou mais tarde, com João Lourenço, em Ópera de 3 Vinténs e Galileu. Integrou o elenco de Oito Olhos para quatro vozes e A Queda das Naus, de António J. de Oliveira e do musical Scents of Light, no teatro Rivoli. Em televisão, integrou o elenco da série O Bairro da Fonte e da telenovela Filha do Mar. Tem aulas de técnica vocal regulares com o Professor Rui de Matos. Frequenta actualmente as aulas de interpretação do Projecto Zonas do Teatro do Vestido, ministradas por Joana Craveiro.

"AS COISAS"
Teatro da Trindade Teatro- Bar
19 de Junho a 19 de Julho // 5ª a Sáb. 23h00
Lotação limitada a 60 lugares
Preço 8€
Descontos
30% - Jovens c/ – 25 anos, Seniores, Pin Cultura, Grupos + 10 pax e Sócios INATEL
Bilheteira » Tel. 21.342.00.00
3ª 14h-18h e 4ª a sábado 14h-20h, nos dias de espectáculo encerra meia hora depois do início do mesmo

Marionetas em Exposição







Cabo Verde volta ao palco do Meridional





CONTOS EM VIAGEM – Cabo Verde
a partir de textos de autores Caboverdianos

TEATRO MERIDIONAL
25 de JUNHO a 3 DE AGOSTO 2008
Quarta a Domingo às 22h00

Depois do sucesso em 2007, Contos em Viagem – Cabo Verde volta ao palco.

SINOPSE
Contos em Viagem – Cabo Verde é um espectáculo baseado em textos que, apesar de terem um contexto e geografia particulares, dizem da universalidade das emoções e neste espectáculo, especificamente, falaremos de Cabo Verde, em língua portuguesa e também no seu crioulo.

No cais imenso que é a ilha, contam-se “pedaços” de estórias e poemas, como quem canta e reza.
Uma actriz e um músico fazem da literatura o pretexto da viagem e, como itinerário, as palavras de autores caboverdianos.


FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Selecção de Textos e Dramaturgia Natália Luíza
Direcção Cénica e Desenho de Luz Miguel Seabra
Espaço Cénico e Figurinos Marta Carreiras
Música Original e Espaço Sonoro Fernando Mota
Interpretação Carla Galvão (texto), Fernando Mota (música)
Produção Teatro Meridional
Apoios Câmara Municipal de Lisboa, Instituto Camões
Duração [1h]
Classificação etária Maiores de 6 anos

BILHETES:
Normal >> 10€
Menores 25 anos + Maiores de 65 anos + Grupos com mais de 10 pessoas + Prof. Espectáculo >> 8€
Deficientes + Estudantes de Artes Cénicas >> 5€

VENDA E RESERVA DE BILHETES:
Abertura da bilheteira 1h antes do espectáculo
Reservas através do tlf 218689245 ou e-mail geral@teatromeridional.net

CONTACTOS:
TEATRO MERIDIONAL
Rua do Açucar 64 - Beco da Mitra
Poço do Bispo
1950-009 Lisboa
Tlf. 218689245 / Fax 218689247
www.teatromeridional.net
geral@teatromeridional.net

Autocarros: 28, 210, 718
Ver mapa de localização do Teatro no site: www.teatromeridional.net

Mimarte a Norte






MIMARTE APRESENTA DEZ TRABALHOS
A abertura do Mimarte 2008 - Festival de Teatro de Braga’ está marcada para o próximo dia 27. Até o dia 6 de Julho, dia do encerramento do certame, marcam presença dez trabalhos, de diversos géneros.

Popular, contemporâneo ou clássico, nacional ou estrangeiro, são os géneros onde se integram os dez trabalhos dramáticos que compõem o cartaz do ‘Mimarte – Festival de Teatro de Braga’, iniciativa do Pelouro Municipal da Cultura que acontece de 27 de Junho a 6 de Julho.
A abertura do ‘Mimarte 2008 - Festival de Teatro de Braga’, a 27 de Junho, faz-se às 21.30 horas, na sala principal do Theatro Circo, com ‘O Anjo de Montemuro’. Interpretado pelo Teatro Regional da Serra de Montemuro, o trabalho dramático baseado no texto de Peter Cann e encenado por Steve Johnstone tem por cenário a Lisboa de 1755, atingida pela tragédia de um grande terramoto.

Do sul, concretamente de Sines, chega à Arcada, a 28 de Junho (21.45 horas), a peça ‘Nusquam’, de Julieta Aurora Santos, pela Companhia Teatro do Mar. Interpretado por Carlos Campos, Luís Mosteias, Sandra Santos e Sérgio Vieira, ‘Nusquam’ coloca nas ruas do centro histórico “o retrato possível do homem contemporâneo na busca de si próprio e sa sua razão de ser no mundo”.
Uma outra estreia no ‘Festival de Teatro de Braga’ – o Grupo de Etnogtrafia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) – apresenta, a 29 de Junho (21.45 horas), no Rossio da Sé, a ‘Comédia do Verdadeiro Santo Antó- nio que Livrou o Seu Pai da Morte em Lisboa’.

Em pleno desenvolvimento desta nona edição, o Teatro da Rainha (Caldas da Rai- nha) leva ao Rossio da Sé (30, 21.45 horas) a comédia ‘O Fim do Princípio’, de Sean O’Casey, centrada na vida matrimonial em cenário rural e em todas as consequências que daí advêm.
Dando seguimento à dra- matização de textos nacionais, a Jangada Teatro (Lousada) apresenta a 1 de Julho (21.45 horas), no Ros- sio da Sé, ‘Os Filhos do Esfolador’, resultado de uma inesperada adaptação de textos de Camilo Castelo Branco.

Habitual participante do ‘Festival de Teatro de Braga’, o ‘Teatro Ao Largo’, de Vila Nova de Mil Fontes (Beja), regressa este ano ao Rossio da Sé (2 de Julho, 21.45 horas) com mais um clássico de Moliére – ‘Escola de Mulheres’. Com encenação de Steve Johnston, é protagonizada por Arnolfo, libertino pertinaz de meia-idade, que, ao fim de muitos anos a zombar dos maridos enganados pelas mulheres astutas, anuncia o seu casamento com a donzela Inês.
‘Que Seca!’, em versão ‘Revista e Aumentada’, é a peça que o bracarense PIFH - Produções Ilimitadas Fora d’Horas apresenta mais uma vez no palco do Rossio da Sé (3 de Julho, 21.45 horas).

Da vizinha Galiza chega ao palco da sala principal do Theatro Circo, a 4 de Junho (21.45 horas) mais um clássico das artes teatrais – ‘Noite de Reis’ – do dramaturgo britânico William Shakespeare. Interpretado pelo Centro Dramático Galego, de Santiago de Compostela, ‘Noite de Reis’ coloca em cena o naufrágio dos gémeos Sebastião e Violeta, na costa da ilha Ilíria.
Também de Espanha, o Grupo Acutema apresenta-se a 5 de Julho (21.45 horas) no Museu de Arqueologia Dom Diogo de Sousa com a tragédia ‘As Bacantes’, de Eurípides.
In “Correio do Minho”

MIMARTE - TEATRO PARA TODOS OS GOSTOS
Popular, contemporâneo ou clássico, nacional ou estrangeiro, são os géneros onde se integram os dez trabalhos dramáticos que compõem o cartaz do “Mimarte – Festival de Teatro de Braga”, iniciativa do Pelouro Municipal da Cultura que acontece de 27 de Junho a 6 de Julho. Marco firmado do ciclo cultural bracarense, o certame, em nona edição, destaca-se pela elevada adesão de público, que acaba por lotar completamente as plateias do Rossio da Sé, Arcada, Átrio do Museu D. Diogo de Sousa e, agora também, o Theatro Circo.
Radicando na convicção de que há um só público de teatro, já que «esta arte intemporal, na sua origem e natureza, é feita para um só homem, para um homem universal que inventou a mimésis quando quis entender a essência da natureza e o governo divino do mundo», o Festival de Teatro de Braga constitui-se em princípios que o levam à criação de uma manifestação teatral global que sublinham o carácter festivo do evento e o aproximam do espírito popular.


O certame ganha, aliás, foros de originalidade e inovação, porque em mais nenhum evento do género em Portugal o cidadão é surpreendido pelo discurso criativo dos amadores e profissionais, de todos os pontos do país e do estrangeiro, pela tenda do bonecreiro, pelo apólogo mimético, pelo jogo malabar ou pirotécnico e pela saudável irreverência dos cómicos.
É com base nestes princípios que o Município de Braga, através do seu Pelouro da Cultura, programa o festival nos núcleos urbanos tradicionais, carregados de memória, como o Rossio da Sé, a Arcada ou mesmo o Theatro Circo, para que neles aconteça uma relação de comunhão com o património edificado e com o espírito popular que lhe dá sentido.

Comédias clássicas e contemporâneas
A abertura do “Mimarte 2008 - Festival de Teatro de Braga”, a 27 de Junho (21h30), faz-se às 21h30 de 27 de Junho, na sala principal do Theatro Circo, com “O Anjo de Montemuro”. Interpretado pelo Teatro Regional da Serra de Montemuro, o trabalho dramático baseado no texto de Peter Cann e encenado por Steve Johnstone tem por cenário a Lisboa de 1755, atingida pela tragédia de um grande terramoto.

Do meio dos destroços, uma figura branca, ferida, acorda e começa a caminhar sem destino, deixando a cidade para trás. Passados muitos dias subiu a serra onde encontrou Álvaro, pastor cego que guardava o seu rebanho e que, no momento em que se cruzou com o estranho forasteiro, recuperou a visão. Naquele instante o milagre acontece e, com ele, o início das aventuras de «um anjo na serra».
Do sul, concretamente de Sines, chega à Arcada, a 28 de Junho (21h45), a peça “Nusquam”, de Julieta Aurora Santos, pela Companhia Teatro do Mar. Interpretado por Carlos Campos, Luís Mosteias, Sandra Santos e Sérgio Vieira, “Nusquam” coloca nas ruas do centro histórico «o retrato possível do homem contemporâneo na busca de si próprio e sa sua razão de ser no mundo».
Uma outra estreia no “Festival de Teatro de Braga” – o Grupo de Etnogtrafia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) – apresenta, a 29 de Junho (21h45), no Rossio da Sé, a “Comédia do Verdadeiro Santo António que Livrou o Seu Pai da Morte em Lisboa”.
Baseada no Teatro Popular Mirandês, a comédia deste quarto dia do festival concentra as atenções na importância de Fernando de Pádua junto da população portuguesa, mostrando como os milagres que o canonizaram se misturam com a lenda, mitos e história.
Em pleno desenvolvimento desta nona edição, o Teatro da Rainha (Caldas da Rainha) leva ao Rossio da Sé (30, 21h45) a comédia “O Fim do Princípio”, de Sean O’Casey, centrada na vida matrimonial em cenário rural e em todas as consequências que daí advêm. Não satisfeitos com as tarefas que cada um desempenha, marido e mulher, resolvem um dia inverter os papéis: ela parte para a lavoura enquanto ele fica a fazer o trabalho doméstico. Em resumo: um guião, uma peça para um conjunto de números burlescos, inspirados na estética do cómico «clownesco».
Dando seguimento à dramatização de textos nacionais, a Jangada Teatro (Lousada) apresenta a1 de Julho (21h45), no Rossio da Sé, “Os Filhos do Esfolador”, resultado de uma inesperada adaptação de textos de Camilo Castelo Branco e do galardoado valter hugo mãe que narra a história de António Pinto Monteiro, personagem que cedo se faz à vida através da mais fina ladroagem.

Habitual participante do “Festival de Teatro de Braga”, o “Teatro Ao Largo”, de Vila Nova de Mil Fontes (Beja), regressa este ano ao Rossio da Sé (2 de Julho, 21h45) com mais um clássico de Moliére – “Escola de Mulheres”. Com encenação de Steve Johnston, é protagonizada por Arnolfo, libertino pertinaz de meia-idade, que, ao fim de muitos anos a zombar dos maridos enganados pelas mulheres astutas, anuncia o seu casamento com a jovem donzela Inês. Contudo, a inocência de Inês não é a que Arnolfo espera e os contratempos começam a surgir…
“Que Seca!”, em versão “Revista e Aumentada”, é a peça que o bracarense PIFH - Produções Ilimitadas Fora d’Horas apresenta mais uma vez no palco do Rossio da Sé (3 de Julho, 21h45).
Da vizinha Galiza chega ao palco da sala principal do Theatro Circo, a 4 de Junho (21h45) mais um clássico das artes teatrais – “Noite de Reis” – do dramaturgo britânico William Shakespeare.
Interpretado pelo Centro Dramático Galego, de Santiago de Compostela, “Noite de Reis” coloca em cena o naufrágio dos gémeos Sebastião e Violeta, na costa da ilha Ilíria. Crendo que seu irmão morreu, Violeta faz-se passar por um jovem pagem e passa a servir na corte do duque Orsino, irremediavelmente apaixonado por Olívia. Contudo as trocas de identidade são mais do que aquelas que no início se revelam e os equívocos, enganos e situações hilariantes são uma constante até ao desfecho da comédia.
Também de Espanha, desta vez de Málaga, o Grupo Acutema apresenta-se a 5 de Julho (21h45) no Museu de Arqueologia Dom Diogo de Sousa com a tragédia “As Bacantes”, de Eurípides.
A encerrar o “Festival de Teatro de Braga” (6 de Julho, 21h45), o teatro clássico volta ao palco do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa com a comédia “As Vespas”, de Aristófanes, pelo Grupo Thíasos da Universidade de Coimbra.
Nesta comédia, encenada por Carlos Jesus, Aristófanes satiriza o mau funcionamento das instituições democráticas, centrando-se sobretudo, na situação dos tribunais atenienses.
Os ingressos para os espectáculos apresentados no Theatro Circo, a 2 euros, já se encontram disponíveis. Os espectáculos apresentados no Rossio da Sé têm acesso livre, sendo os cerca de 400 lugares sentados ocupados por ordem de chegada ao recinto.
Informações Câmara Municipal de Braga

Muna x 2






MUNA - Estreia absoluta, no Porto
o espectáculo que se desdobra em dois: "Muna" para a infância (M4) e "Muna" para adultos (M12)
As apresentações começam já no dia 18 de Junho no Teatro Carlos Alberto, no Porto.
Muna para a infância pode ser visto às quartas e quintas às 10h30 e 15h, e às sextas e sábados às 15h.
Muna para adultos pode ser visto às sextas e sábados às 21h30 e aos domingos às 16h.
A temporada no Porto acaba dia 29 de Junho.

Muna é o nome que damos ao que não sabemos designar, mas suspeitamos que existe. Muna é o território onde essas coisas habitam e onde a nossa lógica não se aplica. Muna é uma tentativa de definição daquilo que nos causa simultaneamente fascínio e medo. Muna é a energia que não vemos mas cujas consequências sentimos. Muna não é observável, nem mensurável, mas altera tudo à sua volta. Nas duas versões de espectáculo que criamos exploramos as reacções a Muna em idades diferentes. No que têm de comum e naquilo em que se distinguem: o medo, o desejo, a entrega ao mergulho, a fuga, a necessidade de domínio, a procura de um porto de abrigo...

Em Muna seguimos o trilho de "O Rei dos Elfos" de Goethe através das ilustrações de Júlio Vanzeler. E habitamos um espaço de geografias variáveis em que a única constante é o som. Em cena cinco actores, um músico, uma multiplicidade de personagens, um piano despido e uma bicicleta musical.

Muna para a infância
Num quarto uma criança está deitada na cama. Está doente e os pais vigiam-na. No seu sono de febre a criança mergulha num território estranho e desconhecido, onde se imagina um super-herói. Os objectos e vozes do quarto confundem-se com as personagens excêntricas desse mundo sonhado. O nosso herói vive uma aventura inesperada com um pé na realidade e outro na fantasia. Enquanto luta com o Rei dos Elfos para salvar a lua roubada, toma o xarope que o pai lhe dá.
Duração 40 minutos. Classificação etária M4.



Muna para adultos
Num quarto um pai que perdeu um filho está deitado na cama. No seu delírio de dor mergulha num território estranho e desconhecido de onde não consegue fugir. As memórias e os remorsos confundem-se com as personagens bizarras desse mundo que inexplicavelmente o interpela. Numa batalha perdida à partida, o pai tenta dominar a sua esmagadora impotência. Num mundo que foge a qualquer lógica, tenta encontrar o caminho de volta à realidade.
Duração 75 minutos. Classificação etária M12.

Muna - versão para a infância e versão para adultos
Ficha Artística:
Dramaturgia e direcção:
Ana Vitorino, Carlos Costa e Catarina Martins
Cenografia e adereços:
João Calvário, a partir de Ilustrações Originais de Júlio Vanzeler
Figurinos:
Ana Luena, a partir de Ilustrações Originais de Júlio Vanzeler
Banda Sonora Original e Sonoplastia:
João Martins
Desenho de Luz:
José Carlos Coelho

Interpretação:
Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins, João Martins, Rui Queirós de Matos e Pedro Carreira.

Muna está em cena no Porto de 18 a 29 de Junho, no Teatro Carlos Alberto, integrado na programação do Teatro Nacional São João. Em Outubro estará em cena em Lisboa, na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II. Em Novembro será a vez do Teatro Aveirense, em Aveiro.

Rua do Bolhão, 65 - 6º
4000-112 Porto PORTUGAL

Tuesday, June 10, 2008

"O Canto do Bode" no Palácio da Independência






ORESTÉIA – O CANTO DO BODE
a partir da trilogia de Ésquilo
encenação Marco Antônio Rodrigues

13 A 17 JUN
22h
PALÁCIO DA INDEPENDÊNCIA


O Teatro Nacional orgulha-se de receber, no Palácio da Independência e em parceria com o FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, o espectáculo com que a companhia brasileira Folias d’Arte, de Marco Antônio Rodrigues, celebra o seu 10º aniversário. Trata-se de uma leitura inovadora da “Oresteia”, trilogia composta pelas peças “Agamémnon”, “Coéforas” e “Euménides” com que Ésquilo retomou a história de Orestes, o homem a quem os deuses determinaram que vingaria a morte do pai matando a própria mãe.
Dois anos depois de ter apresentado, na MITE’06, uma leitura idiossincrática da tragédia shakespeariana “Otelo”, Marco Antônio relê esta história clássica transpondo-a para o universo da contemporaneidade latino-americana. Ao longo de três horas, o encenador brasileiro propõe-nos olharmos para o mito antigo com olhos modernos, e questionarmos, inclusivamente, as convenções literárias da peça.


Sinopse
A “Oresteia” inicia-se com o crime de Agamémnon, filho de Atreu e irmão de Menelau que, para respeitar as previsões do Oráculo, se dispõe a sacrificar a filha, Ifigénia, para que os Gregos possam ganhar a Guerra de Tróia. Ao regressar à Pátria, aguarda-o a vingança da mulher: com a ajuda do amante, Egisto, Clitemnestra mata o marido quando este está desprotegido, no banho.
Caberá então aos irmãos de Ifigénia, Orestes e Electra, arquitectarem um plano para punir o crime da mãe e vingar o pai, assassinado cobardemente.
O derramamento de sangue na família é inevitável e só os deuses, numa intervenção final, conseguirão parar a sucessão de vinganças, salvando Orestes in extremis.
Na sua leitura do clássico, Marco Antônio Rodrigues levanta a questão: "O que é uma tragédia? É uma estrutura de impedimento colectivo. Existe um impedimento colectivo. Qual é o dos gregos, qual é o nosso? O que havia no céu deles? O Olimpo, Zeus. O nosso está cheio de antenas parabólicas, de satélites. Que são deuses também. São intransponíveis. Essa é a tragédia".

dramaturgia de Reinaldo Maia
direcção musical Dagoberto Feliz
cenografia Ulisses Cohn
coreografia Joana Mattel
figurinos Atílio Belice Vaz
desenho de luz Carlos Gaúcho
vídeo Osmar Guerra
produção Folias d’Arte
com ATÍLIO BELINE VAZ BIRA NOGUEIRA BRUNA BRESSANI
CARLOS FRANCISCO DAGOBERTO FELIZ DANILO GRANGHEIA
FLÁVIO TOLEZANI GISELE VALERI NANI DE OLIVEIRA
PALOMA GALASSO PATRÍCIA BARROS ZECA RODRIGUES

Marco Antônio Rodrigues
Marco Antônio Rodrigues (n. 1955), director e artista identificado com um teatro de cunho popular e brechtiano, é um dos fundadores do grupo Folias d'Arte e do teatro Galpão do Folias. Formou-se em Psicologia, em Santos (Brasil), onde se inicia no teatro amador, e estreia-se profissionalmente em São Paulo com a direcção de “O Menino Maluquinho”, a partir do texto infantil de Ziraldo, em 1984. Tem encenado textos de Carlos Drummond de Andrade, Jérôme Savary, César Vieira, Rodolfo Santana, Reinaldo Maio, Chico de Assis, Bertolt Brecht, William Shakespeare, entre outros. Em 1991, ganha o Prémio Molière na categoria especial de melhor direcção por “Enq, o Gnomo”, de Marcos de Abreu e, em 1996 e 1997, recebe o Prémio Mambembe. Em 1998, funda, com outros artistas, o grupo Folias d'Arte, um novo ponto de referência na geografia cultural da cidade. Em 2001, montou o célebre texto de Michael Frayn, “Copenhagen”, e “Babilónia”, de Reinaldo Maia. Depois de ter apresentado, na MITE’06, “Otelo”, de William Shakespeare, Marco Antônio regressa a Portugal com uma encenação da clássica trilogia de Ésquilo, “Oresteia”, com dramaturgia de Reinaldo Maia.

Folias d’Arte
O núcleo fundador do grupo de teatro Folias d'Arte teve início em 1995 quando um pequeno grupo de pessoas, entre eles a actriz Renata Zhaneta, o dramaturgo Reinaldo Maia e o encenador Marco Antônio Rodrigues, estrearam o espectáculo “Verás que Tudo é Mentira”, adaptação livre de Reinaldo Maia do livro de Théophile Gautier. A partir da montagem, em 1996, de “Cantos Peregrinos”, de José Antônio de Souza, em 1996, o grupo sentiu necessidade de se estruturar fisicamente. Em 1998, esse grupo de pessoas assume-se como uma companhia e surge o Folias D'Arte. Num galpão abandonado, no Bairro de Santa Cecília, São Paulo, também conhecido como Bairro do Bexiga, a companhia conquistou o espaço para construir sua sede e, em Abril de 2000, inaugurou o Galpão do Folias, com a assinatura do cenógrafo J.C. Serroni. A companhia é hoje constituída por mais de sessenta pessoas, assumindo-se como uma das mais importantes escolas de formação de actores e de intervenção social, pela forma como interfere directamente no imaginário dos cidadãos. Assumindo-se como um equipamento público, o Folias d’Arte vincula, já com ecos um pouco por toda a Europa, a cidade de São Paulo com o movimento teatral que tem lugar em salas de espectáculo, mas também nas ruas, albergues, no circo, em praças ou espaços públicos. A fixação de grupos e colectivos teatrais nos seus respectivos espaços, fomentando a excelência da produção contemporânea, têm sido dois dos objectivos deste grupo de teatro que tem marcado presença em festivais e circuitos cénicos internacionais de prestígio.

"Cabaret de Ofélia" no Trindade"









O INATEL/Teatro da Trindade e o CENDREV apresentam

"Cabaret de Ofélia" de
Armando Nascimento Rosa

A 18 de Junho na Sala Principal do Teatro da Trindade às 22h.

De 18 a 29 de Junho sobe ao palco do Teatro da Trindade um espectáculo que se insere num projecto de trabalho inédito e inovador no panorama da escrita teatral portuguesa, protagonizado pelo Cendrev e pelo dramaturgo Armando Nascimento Rosa.

SINOPSE
Cabaré de Ofélia é uma obra inédita, cómica e dramática, poética e musical, que revisita teatralmente o universo do Modernismo português, da geração de Orpheu, trazendo à cena a única poetisa que integrou o primeiro movimento modernista em Portugal: Judith Teixeira.

Cabaré de Ofélia é uma peça de odisseia insubmissa, cosmopolita e lusófona, que respira a atmosfera sociocrítica e poética de um teatro cabarético, onde as canções têm palavras do autor, mas também de Fernando Pessoa (em português e em inglês), e de Judith Teixeira (em português e em Castelhano). Em cena, estarão assim duas actrizes, uma mulata e uma caucasiana que serão Cecília e Ofélia/Judith e, ainda, um actor que fará a transformista Daisy de Álvaro de Campos, «essa lenda viva da poesia e do music-hall», acompanhados por músicos ao vivo numa aventura de imaginação cénica que nos fala daquilo que colectiva e individualmente fomos, somos, e do que sonhamos poder ser.




UM CABARÉ DE POETAS
CABARÉ DE OFÉLIA revisita livre e teatralmente o universo do primeiro e mais decisivo Modernismo português, o da geração de Orpheu, trazendo à cena uma autora quase esquecida, e desconhecida de muitos, que, não obstante isso, foi a única poetisa, em Portugal, que integraria o movimento por afinidade estética (uma vez que nunca pertenceu ao conjunto dos autores que fizeram Orpheu): Judith Teixeira (Viseu, 1873 - Lisboa, 1959). Teve ela ainda a glória infeliz de ver livros seus apreendidos e queimados em praça pública, na Lisboa de 1923, juntamente com obras de António Botto e Raul Leal. O perfil libertário e provocatório de Judith faz dela, só por si, uma personalidade fascinante para que a cena a reinvente.
Neste cabaré de poetas, há um paralelismo dramatúrgico e sequencial para com o imaginário de AUDIÇÃO - Com Daisy ao Vivo no Odre Marítimo (2002), peça centrada num actor que, ao interpretar em travesti a escocesa Daisy Mason de Soneto já antigo, recriava o universo pessoano, com um destaque especial para a figura de Álvaro de Campos. A personagem transgender de Daisy Mason volta a ser convocada, no espaço do Odre Marítimo, mas o eixo das máscaras em cena mudou de rumo e será Ofélia Queiroz, a namorada vitalícia de Pessoa que, inesperadamente, dá nome a este peculiar cabaré. Ofélia pretende recordar na cena a Judith Teixeira que conheceu no passado, e por isso ela própria interpretará a personagem da escritora; ao mesmo tempo, desafiará ainda uma jovem actriz para recriar uma outra sua amiga, também nomeada em Soneto já Antigo: a «estranha» Cecily. Nesta ficção cénica, Cecily teria começado por ser Cecília, menina mulata que Daisy adopta, arrancando-a à vida das ruas do Rio de Janeiro, em 1915, quando Daisy apresenta em digressão um show/recital na cidade brasileira, dedicado aos poetas de Orpheu, então apelidados de loucos pela imprensa portuguesa. Cecília/Cecily revelar-se-á uma talentosa actriz-cantora, seguindo as pisadas da «mãe» adoptiva no mundo do espectáculo no Portugal dos anos vinte, e é ela a cicerone que chamará à cena a sua amiga Judith Teixeira, a sáfica poetisa censurada e maldita.
CABARÉ DE OFÉLIA é uma peça de odisseia insubmissa, cosmopolita e lusófona, que respira a atmosfera sociocrítica e poética de um teatro cabarético, onde as canções têm por vezes palavras de Fernando Pessoa (em inglês), e de Judith Teixeira (em português e em tradução castelhana do judithiano René Pedro Garay). Em cena estarão duas actrizes, Catarina Matos e Rosário Gonzaga, que serão, respectivamente, Cecília e Ofélia/Judith e, ainda, o actor Hugo Sovelas que fará, uma vez mais, o papel da transformista Daisy de Álvaro de Campos, «essa lenda viva da poesia e do music-hall». Um trio que Cláudio Hochman encena, na companhia de três músicos ao vivo, liderados pelo alemão lusófilo Ulf Ding, numa aventura de imaginação cénica que nos fala daquilo que colectiva e individualmente fomos, somos, e do que sonhamos poder ser.
Este cabaré constitui ainda uma outra estreia no domínio das parcerias artísticas; visto tratar-se da primeira co-produção entre o Cendrev – Centro Dramático de Évora, com o qual mantenho uma grata colaboração autoral desde 2004, e do Teatro da Trindade, em Lisboa. No seu trânsito entre cidades, CABARÉ DE OFÉLIA lança o repto por um teatro vivo de portuguesa origem que arrisque e reinvente a comunicação cénica com palavras e música.
Armando Nascimento Rosa


FICHA ARTÍSTICA
TEXTO Armando Nascimento Rosa
ENCENAÇÃO Claudio Hochman
CENOGRAFIA e FIGURINOS Sara Machado da Graça
DESENHO de LUZ João Carlos Marques
DIRECÇÃO MUSICAL Ulf Ding
MÚSICOS Ulf Ding, João Bastos, Luís Cardoso
INTERPRETAÇÃO Catarina Matos, Hugo Sovelas e Rosário Gonzaga
ASSISTENCIA DE ENCENAÇÃO Miguel Fragata
ASSISTENCIA DE FIGURINOS Andreia Rocha
CO-PRODUÇÃO INATEL/Teatro da Trindade e Centro Dramático de Évora

Duração 75 minutos (s/ intervalo)
Classificação etária M/16
Preço 12€
Descontos
20% - Jovens c/ - 25 anos, Seniores e Sócios FNAC, Pin
CABARÉ DE OFÉLIA
SALA PRINCIPAL DO TEATRO DA TRINDADE
18 a 29 Junho de 2008// 4ª-f a Sáb. 22h00 e Dom. 16h

Santo António ajudou o Parque Mayer em 1932








História. Marchas foram 'criadas' artificialmente
As Marchas Populares tiveram as décadas de ouro nos anos 30, 40 e 50

"(....) e tenho um rapaz aqui dependurado/que é mesmo o retrato do meu namorado/Toca o fungagá/Toca o só--li-dó/vamos lá nesta marcha ao flambó." Estes versos reconhecemo-los cantados por Beatriz Costa no filme "A Canção de Lisboa". E o que nos vem à memória são as marchas populares.

De arquinho e balão, uma pequena comunidade - os vizinhos de um pátio lisboeta - celebrava numa espécie de cortejo os santos populares. Eram assim os primórdios das marchas populares nos anos 30. Numa rua ou num pátio festejava-se espontaneamente o santinho da devoção do mês de Junho. O aparecimento das marchas populares com um cunho verdadeiramente alfacinha deve--se não à espontaneidade dos lisboetas mas à mão de Leitão de Barros, depois de um convite que lhe foi endereçado em 1932 pelo proprietário do Parque Mayer, Campos de Figueiredo, para animar o recinto. Nessa altura, o Parque Mayer era, de facto, o centro da boémia lisboeta.

Participaram nesse "grande concurso de marchas populares", conforme escrevia o Diário de Notícias, os bairros do Alto do Pina, Campo de Ourique e Bairro Alto. A festa foi um sucesso e a entrada no recinto teve de fazer-se com a presença da Polícia e da Guarda Republicana, conforme relata o jornalista Appio Sottomayor numa publicação sobre a história das marchas editada pela Câmara de Lisboa. Do Parque Mayer para a Avenida da Liberdade foi um pulinho. E assim, já com o patrocínio da autarquia de Lisboa, em Junho de 1934, as marchas populares abrilhantaram um desfile com 800 marchantes que partiu (ao contrário dos dias de hoje) do Terreiro do Paço com destino ao Parque Eduardo VII. Na sua reportagem, o Diário de Lisboa descrevia o cortejo composto por um carro alegórico e as marchas representativas de doze bairros. 1935 foi um ano de ouro para as marchas. Pela primeira vez, foi cantada a grande marcha de Lisboa... "Lá vai Lisboa..."

Ao longo do século XX, as marchas, enquanto concurso, foram conhecendo interrupções, consoante a conjuntura económica e política. Na década de 40, a guerra também se repercutiu nos festejos lisboetas. Nos anos 50, os artistas de rádio e teatro passaram a ter parte activa nos desfiles. Nos anos 60, a televisão entrou na festa. Nos anos 70, quase não houve marchas. Até que, em 1988, as marchas voltaram à origem. Desde aí, têm mantido o ritmo anual.


Luisa Botinas in "DN"