Escola da Noite com nova serie





A Escola da Noite apresenta
NOVA SÉRIE DE ESPECTÁCULOS
na Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra, de 12 a 28 de Junho, de quinta-feira a sábado, às 21h30.

Depois do sucesso alcançado com a primeira temporada de "Bonecos & Farelos" em Coimbra, A Escola da Noite regressa à cena com a sua mais recente produção, numa nova curta série de espectáculos, na Oficina Municipal do Teatro, de 12 a 28 de Junho, de quinta a sábado, às 21h30.
Confirmando o especial prazer e a importância que atribui à exploração da matéria teatral vicentina, a companhia volta a apresentar um novo espectáculo a partir da obra de Mestre Gil: com este “Bonecos & Farelos”, 11 dos 44 espectáculos d'A Escola da Noite exploram a sua obra.
E, desta vez, com uma inovação relativamente à linha de trabalho que a companhia tem vindo a desenvolver sobre Gil Vicente, já que se explora a técnica dos bonecos: no espectáculo as diversas personagens desmultiplicam-se através do cruzamento de bonecos e actores, num trânsito entre diferentes escalas e registos de representação de modo a apoiar a estrutura sequencial da peça, esclarecer e animar o jogo farsesco e, sobretudo, celebrar o gosto e a riqueza da palavra vicentina.
A propósito deste espectáculo, num texto intitulado "Gil Vicente para todos", escreveu José Augusto Cardoso Bernardes, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, especialista na obra vicentina


"... a Escola da Noite possui um invulgar traquejo com os clássicos. No que toca a Gil Vicente, de resto, esse traquejo foi já posto à prova por mais de uma dezena de vezes. E assim, aquilo que para outros seria um desafio comprometedor, traduziu-se numa clara demonstração de virtuosismo artístico. A farsa (é de uma farsa que se trata) requer um registo de encenação especial, onde o riso e a sátira convivem entre si, a cada passo.
[...]
aquilo que poderia ser um exercício teatral para entendidos ou, em alternativa, um espectáculo sem ambições estéticas, dirigido ao grande público, acaba por ser uma magnífica realização que aproxima Gil Vicente de todos: aproxima-o dos que já o conhecem (e nunca se conhece bem um autor desta extensão e desta intensidade); mas leva-o também junto de todos aqueles que não o conhecem dos palcos, dele conservando apenas a (curta) visão que a leitura escolar pode dar. Para os primeiros, Farelos e Bonecos (uma nova denominação para uma peça cujo título original se desconhece) constitui a oportunidade de confirmar a profunda teatralidade de um texto que não é só literário; para a maioria dos espectadores (com destaque para os mais novos), a mais recente aventura da Escola da Noite pode funcionar como excelente iniciação ao universo vicentino, despertando uma perdurável relação de afecto e conhecimento."


Para além da encenação, António Jorge é responsável pela cenografia e bonecos, Ana Rosa Assunção pelos figurinos, Eduardo Gama pela música e Danilo Pinto assina o desenho de luz. Do elenco fazem parte António Jorge, Eduardo Gama, Maria João Robalo, Miguel Magalhães, Ricardo Kalash e Sílvia Brito.

Dois escudeiros, Apariço e Ordoño, queixam-se de seus amos. O comportamento do amo do primeiro, Aires Rosado, confirma o que tinha sido descrito: só quer bailar e cantar e nada atenta aos seus deveres. Na serenata que faz à amada Isabel, desperta a sua mãe, uma velha que lhe lançará uma praga.

“Quem tem farelos?” inicia-se com um pregão a duas vozes, aquele que acabou por dar nome ao auto, e o seu assunto é a paródia ao comportamento lunático de um escudeiro enamorado que não quer senão trovar e que descura a sua subsistência bem como a do criado e a da montada. É apresentado ao leitor/espectador pelo criado que ao descrevê-lo a um seu companheiro espanhol prepara a entrada do amo e, por conseguinte, o confronto entre o retrato e o original. A estratégia de base consiste em explorar nesse confronto a distância entre as acções narradas e as acções em directo.
(…) o auto divide-se em quatro momentos: a conversa entre criados retratando parodicamente os amos; a serenata que Aires Rosado faz a Isabel e onde está inserida a praga da Velha lançada sobre o escudeiro; a discussão entre a Velha (mãe) e Isabel (filha). Esta estrutura de números quase autónomos, ainda que ligados pela figura do escudeiro pelintra e enamorado, integra um outro modo de organização da acção, agora espácio-temporal, que me parece importante destacar, não só para a leitura do texto que chegou até nós, mas também para o estudo do teatro de que o texto é memória.
(…) uma abordagem da escrita sonora nos autos de Gil Vicente revelará que ela participa da dramaturgia dos autos. Em Quem tem farelos? o tópico do escudeiro pobre e ridículo parece-me menos estruturador da farsa que a exploração das potencialidades da matéria sonora na produção de espaço visual e de espaço sonoro. A performance do escudeiro atravessada por interferências ruidosas da mais variada ordem (sons de animais, apartes do criado, invectivas da Velha) é o motivo organizador da farsa, preparado pelo convite de Apariço a Ordoño escuta tu e verás. (…)”

Maria João Brilhante, "Espaço sonoro, espaço visual, em Quem tem farelos?"
in Gil Vicente 500 anos depois, vol. II, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2003

NOVA SÉRIE DE ESPECTÁCULOS
de 12 a 28 de Junho, de Quinta a Sábado, às 21h30
informações e reservas pelo telefone 239718238, telemóvel 966302488 ou e-mail geral@aescoladanoite.pt
Preço dos bilhetes entre 6 e 10 Euros

"Bonecos & Farelos"
"Quem tem Farelos?" de Gil Vicente
encenação, espaço cénico e bonecos António Jorge figurinos Ana Rosa Assunção música Eduardo Gama elenco António Jorge, Eduardo Gama, Maria João Robalo, Miguel Magalhães, Ricardo Kalash e Sílvia Brito.
Espectáculo para maiores de 12 anos. Duração aproximada de 50 minutos. Bilhetes entre 6 e 10 Euros.

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