Wednesday, December 31, 2008

"Imperador" faz obra de dois milhões







Foi adjudicada a recuperação do Cine-Teatro Imperador, emblemática casa de espectáculos que há uma década se encontra devoluta e em avançado estado de degradação. Vai dar lugar à futura Casa das Artes e da Criatividade.

Na reunião da Câmara de S. João da Madeira, ontem, que se realizou naquele edifício, foi aprovada, por unanimidade, a adjudicação da empreitada, por dois milhões de euros, a proposta mais barata apresentada pela empresa Patrícios S.A. De acordo com o presidente da Câmara, Castro Almeida, as obras deverão iniciar-se em Março e terminam em 2010.

"É uma data importante na história do edifício e da cidade", referiu Castro Almeida, lembrando que o espaço estava "totalmente degradado e sem uso".

O autarca referiu que a obra de requalificação vai garantir a preservação da traça original, além de que o projecto vai ser uma "âncora" da nova "indústria das artes e criatividade". Especificou que, além desse espaço, também alguns edifícios devolutos da antiga metalúrgica Oliva terão como destino este tipo de actividade.

A obra recebeu o aplauso unânime da Oposição. O vereador Socialista, Américo Santos, realçou o seu "apreço" para com o ex-presidente da Câmara, Manuel Cambra, responsável pela aquisição do "Imperador" a um particular, e a todos os que "lutaram para que o edifício não fosse demolido", uma solução em tempos equacionada.

Manuel Cambra, agora vereador do CDS PP, mostrou-se igualmente agradado com a obra, lembrando que a opinião de Filipe La Féria sobre o espaço "teve uma influência muito grande" na decisão da autarquia em adquiri-lo.

A futura Casa das Artes e da Criatividade consistirá num moderno teatro multifuncional, o primeiro no país, mas com sólida experiência em diversas cidades europeias, como Berlim e Paris.

Permitirá a realização de eventos culturais como ópera, teatro, concertos sinfónicos, rock, artes circenses, congressos, passagens de modelos e, ainda, de estúdio para gravar séries televisivas.

A reconversão do Cinema Imperador foi entregue ao arquitecto projectista Filipe Oliveira Dias, autor dos projectos do Teatro Helena Sá e Costa, no Porto, e Teatro Municipal de Bragança, entre outros.
In JN

Tuesday, December 30, 2008

Fernanda Serrano interpreta “Viva La Vida – Frida Kahlo” no Casino Lisboa






A peça “Viva La Vida – Frida Kahlo” estará em cena no Casino Lisboa, entre os dias 18 de Fevereiro e 15 de Março, numa interpretação de Fernanda Serrano

Com encenação de António Feio, esta peça é um monólogo escrito pelo mexicano Humberto Robles e relata a vida de uma das mais importantes pintoras de sempre, Frida Kahlo, cuja vida foi breve e marcada pelo sofrimento.

A tradução é da responsabilidade de Tereza Bento, o espaço cénico de Marta Carreiras, os figurinos de Bárbara Gonzalez Feio, o desenho de luz de Paulo Sabino e a caracterização de Sérgio Alxeredo. Sónia Aragão é assistente de encenação.

Na sinopse enviada à Comunicação Social salienta-se que "Viva La Vida - Frida Kahlo" é, acima de tudo, um retrato autêntico e comovente do lado mais humano e íntimo desta mulher”.

E conclui-se: “Um marido infiel, as dores crónicas na perna e coluna, as deformidades físicas e a incapacidade de ser mãe são os aspectos trágicos de uma vida retratada num texto maravilhosamente único. Apesar de dramático na essência, o público deixa a sala com um sorriso nos lábios”.

Diogo Infante confirmado director artístico





O actor e encenador Diogo Infante é o director artístico do Teatro Nacional D. Maria II, segundo nota divugada, hoje, pelo Conselho de Administração.

"Oficializada a nomeação de Diogo Infante como Director artístico do TNDM II e assinado o Contrato-programa que regula os compromissos do Conselho de Administração e das tutelas - Cultura e Finanças - na gestão do Teatro, está para breve o anúncio da programação para 2009", lê-se na mesma nota.

O Conselho adianta ainda que "começaram, entretanto, os ensaios de 'Esta noite improvisa-se' de Luigi Pirandello, com encenação de Jorge Silva Melo".


Lusa

"Wiked", no Apollo Victoria Theatre, em Londres






Eram sete horas, de um final de tarde cansado e frio; mal adivinhava eu que arrepios me consumiriam naquelas horas seguintes. Entrava expectante, de bilhete na mão, e deliciava-me pelas inúmeras lojas de merchandise espalhadas por todo o foyer.
A entrada para a sala era ordeira apesar das mais de 2.000 pessoas que lá se encontravam, na sua maioria adolescentes, fotografando-se animadamente em conversas casuais. A surpresa em ver um cenário surgir à minha frente deixou-me de boca aberta pela sumptuosidade e pela imponência do que se erguia ao fundo da sala. Um majestoso cenário pormenorizadamente detalhado com inúmeras rodas dentadas, as escadas que se elevavam até ao topo, as eras ressequidas pelo tempo agarradas às paredes, lâmpadas aqui e acolá que iluminavam pontos singulares, a cortina desenhada por um mapa da Terra de Oz, onde bem ao centro brilhava de verde a esplendorosa Cidade Esmeralda e, a encimar toda esta estrutura, o Dragão do Tempo, com olhar de malvadez, a sobrevoar um público rejubilante, de garras afiadas e dentes raivosos e sedentos de morte.


A sala enchia a cada minuto que passava; aumentava o bulício, a inquietação, a expectativa em ver um dos musicais mais aclamados dos últimos tempos. Atrás de mim uma senhora dizia aos seus acompanhantes que estava extremamente excitada! «Este é o único musical sobre o qual não conheço nada.», dizia. «Só sei que conta a história das duas Bruxas de Oz.». «Eu também não. O que li sobre o musical não dizia mais do que isso; é interesssante e entusiasmante não saber de nada.», respondia-lhe um dos acompanhantes.
Vendiam-se os últimos manuais de leitura, os últimos gelados, as últimas bebidas; a orquestra afinava os instrumentos embutida no fosso que lhe era devido. Um compasso de espera; um silêncio de alguns segundos brotava debaixo do palco; anunciava-se que o espectáculo ia começar - «… turn off your cell phones please… » - ouviam-se os últimos tossir; as pessoas recostavam-se na cadeira à procura de um maior conforto.
E, mesmo antes de a luz se apagar, com toda a força e vigor, começou “No One Mourns The Wicked”. As luzes apagam-se, subtilmente, e o espectáculo começa.





Wicked é baseado na obra literária homónima de Greggory Maguire, um autor muito peculiar pelas suas recriações dos mundos literários infantis. É conhecido pelos seus embelezamentos e recriações mais adultas de mundos fantásticos como “Alice no País das Maravilhas” e “Branca de Neve e os Sete Anões”. “O Feiticeiro de Oz” não escapou e Maguire trouxe-nos uma história do fantástico onde explica a vida de Elphaba Thropp, descendente de uma família de respeitados Eminentes, que acaba por se tornar na Wicked Witch of the West (A Bruxa Má do Oeste), assumindo-se assim como uma prequela do grande clássico “The Wizard of Oz”.
Se o livro é surpreendente, o musical acaba por ser ainda mais. Não se pode esperar por uma adaptação a par e passo do que se lê. Wicked, o musical, tira o melhor partido do livro, pega no essencial, elimina o supérfluo; as músicas surgem naturalmente e não são impregnadas à força no contexto da cena. Os cenários alteram-se mecanicamente com uma subtilidade impressionante. Os actores, de renome, traçam com afinco a personagem que lhes é afecta. Uma orquestra competíssima brinda a cena com a maior das emoções.


“Wicked” começa brilhantemente, entre bailarinos e cantores, os Cidadãos de Oz, a louvarem a morte da Bruxa com “No One Mourns The Wicked”. O Dragão do Tempo, no topo do cenário, ganha vida e liberta um fumo cinzento pela boca e narinas – “onde há fumo, há fogo”, pensava eu –, uns seres aterrorizadores com asas (mais tarde apercebi-me que eram uma espécie de macacos voadores) desciam por cordas desde o topo até ao palco; invadiam as rodas dentadas, rodavam as roldanas e, ao som da música, o pano ergue-se revelando um cenário deslumbrante onde os Cidadãos de Oz gritavam as boas novas, anunciando a morte da Bruxa Má, que de resto é o final visto em “The Wizard of Oz”.
Como que a amenizar o ambiente, bem lá em cima, dentro de uma bolha, surge Glinda, a Fada Boa do Norte, a conselheira fiel dos Cidadãos. A pedido de muitos, Glinda conta o passado de Elphaba, na continuação da primeira cena musical, desde o seu atribulado nascimento até aos tempos em que passou a frequentar Shiz, a escola universitária de Oz. É nesta escola que Elphaba trava conhecimento com Galinda (futuramente Glinda) ao ser sua companheira de quarto; nesta situação, duas personagens de características e modos de vida totalmente distintos aprendem a conviver e a respeitar-se mutuamente, fazendo crescer uma amizade que terá as suas consenquências (bem gravosas) no futuro.

Mais do que mágico, Wicked transporta-nos para um mundo sem limites, «Unlimited. Together we’re unlimited» dizia Elphaba a Glinda. Um mundo fantástico e irreverente, de sonhos e encantos de esmeralda, onde «Everyone deserves a chance to Fly», dizia O Feiticeiro a Elphaba.
Na linha de acção de “Wicked”, destaque dado à abertura (já explicado) e às sucedentes cenas musicais com “The Wizard and I” – onde Elphaba expressa o sonho e a vontade em se encontrar com esse misterioso homem dito Feiticeiro –, “What is this Feeling” – a primeira cena que introduz as duas personagens Elphaba e Galinda no mesmo espaço – e “Popular” – de um divertimento excepcional, onde Galinda opta por tornar Elphaba numa rapariga atraente e popular em Shiz. Até ao final do Acto I, toda a sequência de músicas são deslumbrantes, salientando “I’m not that Girl” e “One Short Day” – a viagem à Cidade Esmeralda das duas amigas para se encontrarem com o Feticeiro.
Este Acto I é terminado com uma das mais emocionantes cenas que alguma vez vi em palco, fantásticamente orquestrado, um desafiar da gravidade como nunca. Elphaba procura uma fuga possível das garras maliciosas do Feiticeiro que não hesita em ordenar a sua prisão para seu prórpio benefício; no “Grimário” vem essa possível solução, com Glinda (antes Galinda) ao seu lado, pressionadas num beco qualquer de Oz, a guarda do Palácio vibrante e ofensiva e Madame Morrible, interesseira e mesquinha, espalhando pela Cidade a malvadez de Elphaba, ainda que injustamente. Apressada e com medo, Elphaba coloca as suas esperanças numa velha vassoura que a fará voar para bem longe do Feiticeiro e da sua poderosa brigada.
“Defying Gravity” surge imponente, assombrosa, arrepiante, emocionante, mágica, de se ficar sem fôlego, consumidos por um estrondoso e astronómico sobrevoar, pois todos merecemos essa oportunidade, segundo o Feiticeiro – é mesmo caso para dizer que o feitiço se virou contra o Feiticeiro.
Repare-se na despedida das duas amigas, desenjando felicidades mutuas, na esperança de um reencontro futuro; Glinda que coloca um velho trapo negro à volta de Elphaba para não tremer e Elphaba eleva-se, a capa a esvoaçar, cobrindo todo o cenário, em direcção a um topo, sem limites.
A explosão de aplausos é inevitável.
Gritos de excitação, “Bravos” de entusiasmo.


No segundo Acto, “Wicked” traz novos ambientes, novos cenários e novos ânimos. A acção é mais tenebrosa, os Cidadãos de Oz odeiam injustamente a Bruxa; Nessarose, irmã de Elphaba sobe ao trono como Eminente Thropp, de carácter severo, injusto, apelidada de Bruxa Má do Este. Apesar de tudo, não se deixará de referir a importância que Fiyero tem na vida de Elphaba, que o ama mas não quer deixar transparecer, por amizade a Glinda.
Fiyero acaba por ser detido sob ordens do Feiticeiro, tocando no coração de Elphaba; sente-se angustiada, quer chegar até ele, salvá-lo, mas em vão. “No Good Deed” revela-se como a cena mais surpreendente deste Acto, entre magias negras, proferidas sob um cenário tenebroso, de fumos e azuis de meia-noite-no-cemitério, eleva-se Elphaba e eleva-se o Grimário.
Tiram-lhe o que mais falta lhe faz e Elphaba admite-se como Wicked, Malvada, disposta a enfrentar tudo e todos para reaver quem ama. «I’m WICKED, through and through, since I cannot succeed, Fiyero saving you I promise no good deed».
A interação com “O Feiticeiro de Oz” é bastante evidente, interligando-se estas duas histórias quando uma tempestade atinge Oz e Dorothy, acompanhada do irritante cãozinho, cai com a casa em cima de Nessarose, irmã de Elphaba; As histórias cruzam-se mas, tudo o que se vê n’ “O Feiticeiro de Oz” é agora acompanhado sobre o ponto de vista da Bruxa e não de Dorothy na sua demanda até à Cidade Esmeralda.
Como Wicked acaba já todos o sabemos:
«Water will melt her» balbuciava-se por toda a Terra de Oz…

Wicked está em cena no Apollo Victoria Theatre, em Londres, desde 2006 e já arrecadou inúmeros prémios, incluindo Emmy e Grammy Awards, sendo actualmente considerado o “Espectáculo Nº1 de Londres”.


De Terça - feira a Domingo às 19.30h; Quarta-feira às 14.30h e 19.30h.
Mais informações em http://www.wickedthemusical.co.uk/
colaboração de Helder Magalhães

Monday, December 29, 2008

Portuguesa Sofia Escobar entre as candidatas para o Prémio de Melhor Actriz de Teatro Musical em Londres







A portuguesa Sofia Escobar é candidata ao título de Melhor Actriz de Teatro Musical em Inglaterra. A sua representação de Maria, em "West Side Story", valeu-lhe a nomeação, de acordo com o portal de espectáculos britânico Whatsonstage.

"Tenho consciência de que, em Portugal, era impossível fazer o trabalho que faço", disse Sofia Escobar, actriz que representa a personagem Maria no musical West Side Story, no Her Majesty's Theatre, em Londres, peça no quinquagésimo ano de representações.

Sofia Escobar está nomeada para o prémio de Melhor Actriz de Teatro Musical na eleição organizada pelo portal de espectáculos britânico Whatsonstage. As nomeações, feitas por um conjunto de críticos musicais, elegeram-na para votação, lado a lado, com Connie Fisher, Elena Roger, Leila Benn Harris e Ruthie Henshall.

Na votação, feita online, a actriz portuguesa encontra-se em segundo lugar, um pouco atrás de Connie Fisher, uma actriz de musicais muitos popular em Inglaterra.

"Fiquei muito contente e surpreendida com a nomeação. Foi mesmo uma surpresa", referiu Sofia Escobar.

“O Fantasma da Ópera” deu-lhe o primeiro grande papel

Natural de Guimarães onde estudou música e interpretação, Sofia, de 28 anos, decidiu há três anos ir estudar canto e representação para a Guildhall, a "mais conhecida" escola de artes londrina.

"Entre ir estudar para Lisboa ou para Londres, tentei a que me pareceu ser a melhor escola", disse.

Oriunda de uma família de "classe média, sem possibilidades de ter uma filha a estudar no estrangeiro", Sofia Escobar recorreu a um empréstimo bancário para suportar as despesas londrinas. Contudo, a qualidade das provas realizadas para ser admitida na escola permitiu-lhe ficar isenta de pagar propinas durante todo o curso.

Um anúncio num jornal para encontrar uma actriz que desempenhasse o papel de Christine Daae, a personagem principal do musical "O Fantasma da Ópera" levou-a a oito meses de provas e audições.

"Quando me telefonaram a dizer que tinha sido escolhida, estava numa paragem de autocarro e fiquei lá mais de meia hora a digerir a notícia", salientou Sofia Escobar.


Após "O Fantasma da Opera", Sofia é agora a terna, mas enérgica, Maria no "West Side Story".

"Passei de uma personagem onde não podia ter qualquer pronúncia portuguesa para uma em que tenho que ter um ligeiro sotaque porto-riquenho", salientou a actriz-cantora que continua a ter aulas de canto e a ajuda de um professor de inglês, disponibilizado pela produção do musical.

"Em Londres existe uma enorme tradição em musicais que estão em cena anos e anos. Os actores entram e saem mas o musical continua em exibição", frisou.

O Fantasma da Ópera estreou-se em Londres em 1986, quando Sofia Escobar tinha cinco anos, vivia em Guimarães e não sabia da existência de Andrew Lloyd Webber, o autor do musical.
Lusa

Harold Pinter, Nobel da Literatura 2005, morreu aos 78 anos







O Prémio Nobel da Literatura 2005 Harold Pinter morreu dia 24 de Dezembro, aos 78 anos de idade, segundo anunciou a sua mulher, Antonia Fraser, citada pelo diário britânico “The Guardian”.

Pinter era um pilar da literatura britânica e um intelectual comprometido; um poeta e dramaturgo, autor de mais de 30 peças de teatro.

O dramaturgo, que sofria de um cancro, assinou peças como "The Room", "The Birthday Party", "The Dumb Waiter" e "The Caretaker", todos traduzidos para português pela editora Relógio de Água.

Nascido em Londres a 10 de Outubro de 1930, Pinter, que começou a sua carreira como actor e escreveu a sua primeira peça em 1957, é geralmente considerado como o maior representante do teatro dramático inglês da segunda metade do século XX.

Um dos factos mais marcantes da sua vida ocorreu quando tinha apenas nove anos de idade e foi obrigado a sair de Londres por causa dos bombardeamentos da II Guerra Mundial. Só regressou três anos depois. A experiência da fuga debaixo dos bombardeamentos nunca o abandonou, confessaria mais tarde.

Pinter escreveu igualmente peças radiofónicas e guiões para cinema e televisão. Os seus filmes mais conhecidos são “The Servant” (1963), “The Accident” (1967), “The Go-Between” (1971) e "La Femme du Lieutenant Français" (1981).

Desde 1973, Pinter revelou-se também como um dedicado defensor dos direitos do homem.

Aquando do anúncio do Prémio Nobel para Pinter, a academia sueca descreveu-o como um escritor "que, nas suas peças, descobre o precipício sob a conversa fútil do dia-a-dia e força a entrada nas salas fechadas da opressão".

Harold Pinter "devolveu o teatro aos seus elementos básicos: um espaço fechado e diálogos imprevisíveis onde as pessoas estão à mercê umas das outras e em que o presente se desmorona", indicou a academia sueca.
Público, 25.12.2008

"Juanita Castro" na Casa Conveniente






O actor e encenador Miguel Loureiro leva à Casa Conveniente, Lisboa (21 a 30 Dezembro), um espectáculo que tem como referente a figura de Juanita Castro, a contestatária irmã do lendário líder cubano, Fidel.

O encenador pegou no texto de Ronald Tavel "The Life of Juanita Castro", uma paródia à Revolução Cubana e à própria ideia de revolução. Miguel Loureiro conheceu o texto através do filme que Andy Warhol fez, em 1965, sobre Juanita.

Tal como Tavel e Warhol preconizaram, não interessou a Miguel Loureiro o conteúdo da obra, mas antes "quem está disposto a pô-la em cena, porquê e para quê".

O projecto em cartaz na Casa Conveniente fala sobretudo do que é "extra-ficcional" e da "família teatral" que se reúne à sua volta, no seguimento de "Os Persas", projecto recente do encenador.

A peça - uma espécie de experiência de laboratório - é falada em castelhano e inglês (seguindo o texto), teve poucos ensaios (o autor defendia que não fosse ensaiada) e todas as noites terá figurantes diferentes "que não sabem o que os espera".

O conceito cenográfico de José Capela implicou importar o cenário de outra peça, uma escolha que quis tornar o espectáculo "ainda mais disfuncional".

Em "Juanita Castro", o espectador tentará descortinar se está em Cuba ou no Cais do Sodré? E perguntará: fala-se de revoluções políticas ou de devaneios teatrais? Afinal, o que é a "arte útil"?


Grupo/Actores: Álvaro Correia, Luz Câmara, Patrícia Andrade, Luísa Brandão, Gonçalo Ferreira de Almeida
Autor: Ronald Tavel
Encenador: Miguel Loureiro
Rua Nova do Carvalho 11 Cais do Sodré,
1200-291 LISBOA
Telefone: 963511971
www.casaconveniente.pt
Reservas: 926059342

Bonecos de Santo Aleixo no Teatro Garcia de Resende






De 5 a 10 de Janeiro

“…A magia dos títeres é ainda mais surpreendente quando estes pequenos bonecos de madeira saltam para o cenário do retábulo de madeira e tecidos floridos e conseguem encantar o público ultrapassando até mesmo a barreira do idioma. Entre a improvisação que resulta da interacção com o público e a fusão entre a cultura popular e a escrita erudita, estas marionetas conseguem, na penumbra da sala, uma atmosfera que parece proceder de séculos atrás.
Estes Bonecos conseguem divertir e entreter o público do século XXI com um reportório que abrange autos como o “Passo do Barbeiro” e as divertidas “Saiadas”, entre outros.
A música, interpretada ao vivo com uma guitarra portuguesa, é outro dos seus atractivos.”
Maio de 2008
in Jornal El Adelantado de Segóvia (Espanha)

De 5 a 10 de Janeiro, enquadrado na quadra festiva dos Reis, os divertidos “Bonecos de Santo Aleixo” irão apresentar o “Auto do Nascimento do Menino Jesus”, na Sala Estúdio do Teatro Garcia de Resende, sempre às 18h30.

Conhecidos e apreciados em todo o país e em muitos lugares do mundo, os Bonecos de Santo Aleixo são manipulados por uma “família” de actores do CENDREV, constituída por Ana Meira, Gil Salgueiro Nave, Isabel Bilou, José Russo e Victor Zambujo, estando o acompanhamento musical a cargo de Gil Salgueiro Nave.

Não perca esta excelente oportunidade de ver ou rever estes Bonecos, uma vez que contagiam alegria, festa e boa disposição.

CENDREV
Teatro Garcia de Resende
Praça Joaquim António de Aguiar
7000-510 Évora
Telef: (00351) 266703112
Fax: (00351) 266741181
http://www.cendrev.com/

"Acamarrados" no Teatro Municipal de Almada





Artistas Unidos apresentam no Teatro Municipal de Almada a partir de 7 de Janeiro "Acamarrados"


"ACAMARRADOS" de Enda Walsh
Tradução Joana Frazão
Com Carla Galvão e António Simão
Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves
Luz Pedro Domingos
Direcção de Produção António Simão
Assistência Pedro Carraca

Estreia no Centro Cultural Malaposta a 27 de Março de 2008
No Convento das Mónicas nos dias 24, 25, 26 de Abril e de 14 a 25 de Maio de 2008
No Teatro Municipal de Almada a partir de 7 de Janeiro de 2009

Um pai e uma filha presos a uma cama suja. Cada um deles conta compulsivamente a sua história: o pai fala da ascensão e queda no Empório de Mobília Robinson, a filha de um dia de passeio na praia, das histórias que a mãe lhe lia - do que quer que seja, desde que encha o silêncio. Até que as histórias se cruzam, neste momento e nesta cama, onde é tudo frenético, cruel e feio, mas onde talvez seja finalmente possível uma verdadeira conversa entre os dois, e talvez consigam então parar e dormir.


PAI Estás a fazer com que eu me vá embora!
FILHA Não!
PAI Posso ir. (Está a sangrar da boca.)
FILHA Não vás!
PAI O que interessa é que era capaz! O que interessa é que era capaz de ir! O que interessa é o que interessa… (Ligeira pausa.) Estou a sangrar!
FILHA O quê?
PAI (destroçado) Estou vivo. (Pausa.) Ainda estou vivo. Foda-se.
FILHA (para si própria, maravilhada) Estou viva!

Joaquim Monchique e Maria Vieira homenageados no Brasil









Os actores portugueses Maria Vieira e Joaquim Monchique receberam uma homenagem da Casa de Portugal em São Paulo pela actual participação na novela "Negócios da China", da Rede Globo de Televisão.
Os actores receberam quinta-feira a "Medalha de Mérito Comendador Pereira Queiroz" pelo presidente da instituição, Júlio Rodrigues.
"Maria Vieira e Joaquim Monchique são merecedores desta homenagem da comunidade luso-brasileira da cidade de São Paulo pelo excelente trabalho na novela, além da brilhante e já consagrada carreira artística que ambos desenvolvem em Portugal", salientou o presidente da Casa de Portugal.
Júlio Rodrigues realçou que, através da Rede Globo de Televisão, os telespectadores brasileiros estão a ter a oportunidade de "desfrutar" dos talentos dos dois actores.
"Aproveito para dar os parabéns aos actores, à direcção da TV Globo e ao autor da novela, Miguel Falabella, sem o qual nada seria possível, por dignificarem as relações culturais entre Brasil e Portugal", disse Júlio Rodrigues.
Lusa

Wednesday, December 10, 2008

"Segundo Plano" de Né Barros estreia em Dezembro













A Escola da Noite estreia “700 máscaras à procura de um rosto ou Um artista da fome”








Hoje, dia 11 de Dezembro, quinta-feira, pelas 21h30, no Teatro da Cerca de São Bernardo, vai estrear “700 máscaras à procura de um rosto ou Um artista da fome”, uma instalação teatral na qual estão expostas mais de 700 máscaras concebidas e construídas por António Jorge e que inclui a abordagem do texto “Um artista da fome”, de Franz Kafka.
Um primeiro acto inaugural de um conjunto de iniciativas pensadas propositadamente para o novo Teatro, iniciativas de apresentação do Teatro e de re-apresentação da companhia à cidade, nomeadamente através do percurso/obra dos seus criadores. Um modo de mostrar outras dimensões criativas exploradas na companhia para além do teatro, mas com o teatro como ponto de partida para novas linguagens e propostas artísticas. Neste caso, com os objectos criados por António Jorge, resultantes de um percurso artístico paralelo e complementar à sua actividade na companhia como actor, encenador, cenógrafo e aderecista. Numa sequência lógica da experimentalidade e artesania perseguidas na companhia, António Jorge desde há quase dez anos, num processo de exploração de diferentes técnicas e diferentes materiais (ráfia, papel, metal, cabedal, etc.) construiu estes muitos objectos que agora são expostos.
Um convite para percorrer um Teatro habitualmente invisível: com a memória dos espaços, sons, imagens e afazeres que nunca estão à vista dos espectadores; mas mais do que uma mera visita aos bastidores, com esta instalação teatral, propõe-se um percurso ao interior desconhecido dos Teatros num Teatro que Coimbra começa agora a conhecer com A Escola da Noite.
Para além da direcção artística, António Jorge participa como actor juntamente com Eduardo Gama. A tradução do texto de Franz Kafka é de José Maria Vieira Mendes, a banda sonora é de Eduardo Gama, a luz de Danilo Pinto e o vídeo de Rui Valente e Sílvia Brito, a fotografia de Augusto Baptista e a imagem de Ana Rosa Assunção.
“700 máscaras à procura de um rosto ou Um artista da fome” vai estar em cena até 20 de Dezembro, de terça a sábado, em sessões duplas às 18h30 e às 21h30.

Isabel Campante
A Escola da Noite
Coimbra, 10 de Dezembro de 2008.


António Jorge
Membro fundador d'A Escola da Noite. Iniciou a actividade teatral no TEUC em 1987. Integrou a organização da BUC, em 1990. N'A Escola da Noite encenou “Amado monstro”, de Javier Tomeo (1992, com José Neves), “Além do infinito”, de Abel Neves (2004, com Ana Rosa Assunção, António Augusto Barros e Sílvia Brito), “Noivas”, de Cleise Mendes (2005), “Prometeu 06”, a partir de Ésquilo, Kafka e Heiner Müller (2006), “Auto da Índia: aula prática” (2007, com António Augusto Barros, Sílvia Brito e Sofia Lobo) e “Bonecos & farelos”, de Gil Vicente (2008). Participou como actor em praticamente todos os espectáculos da companhia, sendo ainda responsável pela cenografia e adereços em muitos deles. Formador em iniciativas da companhia como o “III estágio internacional de actores”, “Tchékhov em um acto”, “Oficina de artes” e “Uma aula vicentina”.

A Escola da Noite
Teatro da Cerca de São Bernardo
Cerca de São Bernardo
3000-097 COIMBRA
telefone 239718238
telemóvel 966302488
fax 239 703761
e-mail geral@aescoladanoite.pt
www.aescoladanoite.pt

Piratada à Portuguesa em breve no Maria Vitória







Para não deixar morrer o Parque Mayer o Teatro Maria Vitória vai estrear em breve mais uma revista.

Helder Freire Costa, o único empresário que investe no Parque Mayer, leva à cena a Revista à Portuguesa em conjunto com Marina Mota que também estará à frente de um grande elenco.

O elenco conta ainda com Carlos Cunha, Vera Mónica, Telmo Miranda, Paulo Vasco, Melânia Gomes, Sara Brás, Marisa Carvalho, Cristina Aurélio e Flávio Gil. O corpo de baile é coreografado por Marco de Camillis, a orquestra será dirigida por Francisco Correia Martins, sendo a música do próprio, de José Cabeleira e de Braga Santos. O texto é da responsabilidade de Francisco Nicholson e Marina Mota. Os figurinos e cenografia de Helena Reis. A encenação e direcção de Marina Mota.

“Piratada à Portuguesa!” aborda os momentos mais importantes da actualidade política e social, como é característica da revista à portuguesa, com especial destaque para casos que nos rodeiam e a que nem sempre damos a devida atenção, para além de todo um aparato cenográfico e um moderno guarda-roupa, num com muita luz e cor e agradável música, segundo nota de imprensa.

António Manuel Teixeira
In HardMusica

"O Meu Pé de Laranja Lima" no Teatro Politeama







Estreou no Teatro Politeama, paralelamente com o musical “West Side Story – Amor sem Barreiras”, a obra de José Mauro de Vasconcelos “O Meu Pé de Laranja Lima” que é representado de Terça a Sexta, às 11h e às 14h, em espectáculos dedicados aos estabelecimentos de ensino e aos Sábados e Domingos, à 15h, para o público em geral.
“O Meu Pé de Laranja Lima” é uma obra da literatura juvenil e tem na encenação de Rui Luís Brás uma leitura comovente. Com música de Pedro Bargado “O Meu Pé de Laranja Lima” é interpretado pelo elenco do Teatro Politeama, levando àquele teatro diariamente mais de mil e seiscentas crianças vindas de todos os pontos do país.

“O Meu Pé de Laranja Lima” é uma história de ternura que conta a amizade entre um português e uma criança dum bairro podre do Rio de Janeiro, que fala com uma pequena árvore de laranja lima, papel magistralmente interpretado pelo grande actor Ruy de Carvalho, que empresta a sua voz e o seu talento a esta maravilhosa história para crianças e adultos.

6º Encontro de Teatro Ibérico

Tuesday, December 9, 2008

"Antigona Gelada" na Comuna






Esta é uma Antígona transgénica, cuja acção decorre na colónia espacial de Tebas 9, em Caronte, o satélite natural de Plutão, planeta despromovido. Os enredos conhecidos estão modificados: Antígona é uma militar de carreira; Jocasta foi clonada e existem em cena duas mulheres com o seu nome; Tirésias é um engenheiro genético que já foi Eurídice; Édipo não se cegou mas, em vez disso, hiberna por vontade própria; Hémon é um performer, viúvo de Polinices; Creonte, o Chefe-maior de Tebas 9, esconde um crime ignóbil; Ismena é amante do tio e dirige o mais poderoso império mediático da colónia; a Esfinge foi uma cobaia híbrida, concebida nos laboratórios do Ministério da Defesa, no intuito de criar o soldado ideal...Nesta peça que homenageia discretamente Philip K. Dick - no ano em que ele faria 80 anos se fosse vivo -, a tragédia de Antígona cruza-se com uma ficção científica, já muito próxima de nós.


Texto de Armando Nascimento Rosa; Encenação de João Mota
Interpretação: Álvaro Corte Real, Ana Meira, Jorge Baião, José Russo, Maria Marrafa, Rosário Gonzaga, Rui Neto, e Victor Zambujo.Cenografia e figurinos: Sara Machado da Graça; Caracterização: Cecília Sousa; Iluminação: António Rebocho e João Mota

Monday, December 8, 2008

Ópera “Amor de Perdição" – 100 anos depois…






“Amor de Perdição”, cantada pela 1ª vez no Real Theatro de S. Carlos na noite de 2 de Março de 1907, é uma ópera em três actos, cujo libreto de Francisco Bernardo, é baseado no romance de Camilo de Castelo Branco, escrito em 1861 e considerado como uma obra-prima do romantismo em Portugal. A versão Portuguesa do libreto é da responsabilidade de Maria João Braga Santos , com música de João Arroyo.

A acção passa-se em Portugal no século XIX, entre Viseu (nos dois primeiros actos) e o Porto (no último acto). Este drama passional bem ao estilo romântico, descreve, como na história de “Romeu e Julieta”, a saga de dois apaixonados que têm como obstáculo à concretização do seu amor a rivalidade existente entre as suas famílias, os Albuquerque e os Botelho. Simão, um dos cinco filhos de Domingos Botelho, um jovem com temperamento explosivo, apaixona-se pela sua vizinha, Teresa Albuquerque. Descoberto o namoro proibido, Domingos Botelho envia seu filho para Coimbra, e assim a Teresa restam-lhe duas opções: ou casar com seu primo, Baltasar, ou ingressar na vida religiosa. Durante algum tempo os jovens apaixonados resistem à sua separação trocando correspondência com a ajuda de Mariana, filha do ferreiro João da Cruz. Inevitavelmente, Mariana acaba por se apaixonar por Simão, embora saiba que esse amor jamais poderá ser correspondido. Depois de ameaças e atentados, Teresa rejeita o casamento, e é enviada para o Convento de Monchique, no Porto. Simão resolve raptá-la acabando por matar o seu rival, Baltasar, e entrega-se à polícia. João da Cruz tenta ajudá-lo a fugir, mas ele recusa, como seria de esperar de um típico herói romântico. Enquanto Simão vai para a cadeia, Teresa vai para o Convento e Mariana opta por se manter ao lado de Simão, ajudando-o sempre que possível. Condenado à forca, Simão vê a sua sentença comutada, e é deportado para a Índia. Ao ver o seu amor partir e com a dor da despedida, Teresa morre de desgosto. Durante a viagem, Mariana mostra a Simão a última carta de Teresa. Simão apercebendo-se da morte de Teresa, tem uma febre inexplicável e morre. Na manhã seguinte o seu corpo é lançado ao mar e Mariana não suportando a dor da sua perda, atira-se ao mar, suicidando-se abraçada ao seu amor.


Director artístico António Salgado
Maestro António Saiote
Encenador Marcos Barbosa

Personagens/Cantores
Rui Silva /António Salgado
Marina Pacheco
José Lourenço
Ana Barros
Soares / Mário João Alves
Luísa Barriga
Ângela Alves
Susana Milena
Coro do Centro de Estudos em Ópera e Teatro Musica da Universidade de Aveiro

Orquestra
Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto

Bailarinos
Ballet Teatro Escola Profissional

Organização e co-produção
Drama per Musica
OperaNorte
CASA das ARTES de V.N. Famalicão

12 de Dezembro, sexta-feira, 21h30, no Grande Auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.
Mais informações em www.casadasartes.org e www.casadasartes.blogspot.com

Monday, December 1, 2008

"West Side Story" estreia no Teatro Politeama






“West Side Story - Amor Sem Barreiras”, de Filipe La Féria, ou no seu original “West Side Story”, um dos melhores musicais alguma vez feitos, sobe agora ao palco do Teatro Politeama, em Lisboa.
Originalmente um musical da Broadway e adaptado a cinema em 1961, WSS parte, evidentemente, da obra-prima de Shakespeare, Romeu e Julieta, onde os criadores Jerome Robbins, Arthur Laurentis, Leonard Bernstein e Stephen Sondheim procuram trazer uma adaptação da obra à realidade nova-iorquina dos anos 50/60 – uma história de amor sem limites nascida da rivalidade entre dois gangues.

WSS de La Féria não é mais senão um dos melhores espectáculos portugueses actualmente em cena e que, em muitos aspectos, acaba por competir com o que de bom se faz internacionalmente. Sem dúvidas que é um espectáculo merecedor das mais diversas atenções, muito bem produzido e de uma concepção extraordinária. Atreverei mesmo a dizer que o original WSS é dos meus musicais de eleição e que não fiquei, em nada, desiludido com este espectáculo tendo em vistas as já elevadas expectativas. Talvez haja um ou outro pormenor que se aponte, como em tudo mas, na sua globalidade, é um musical de excelência, com muito boa música, muito boa coreografia, muito bom guarda-roupa, muito bons cenografia e muito bons actores.
WSS, à semelhança do filme, começa com uma visão geral da cidade de Nova Iorque, entre a ponte de Brooklyn e os arranha-céus, no horizonte, de semblante definido pelos contrastes de luzes com carros a irem e outros a virem, no passadiço da ponte, aleatoriamente, durante todo o espectáculo valorizam ao máximo o grau de pormenorização do musical. As rivalidades entre os Porto-riquenhos (os “Tubarões”) e os americanos de Nova Iorque (os “Jactos”) são vistas desde o inicio até ao fim, muito constantes, que atravessam pequenas rixas e grandes amores, culminando num desastroso desfecho.


Cenográficamente é impressionante! Desde os edificios de tijolos vermelhos, como abas que deslizam por dobradiças compondo, e ajustando-se entre si, vários e distintos cenários até aos mais simples campos de Basketball e a loja de costura de Anita que se eleva através do fosso. O mesmo não direi da cena em que se dá o Baile entre os grupos de rivais, cujo cenário é muito singular e empobrecido apesar de acabar por ser consumido pela beleza e imponência de todos os outros.
A música e respectiva direcção musical de Telmo Lopes, é muito fiel ao original e, claro, não podia ser mais bem orquestrada do que o que está, acompanhada de algumas belas e outras brilhantes vozes que marcam presença no palco (não esquecendo o trabalho de tradução de Filipe La Féria pelas letras que encaixam muito bem na banda sonora).
Pedro Bargado, num excelente papel de Bernardo, assim como Tiago Diogo no papel de Riff; Destaque para David Ventura como Glad Hand e Tiago Isidro como Sg. Krupke (e Director de Vozes!). Quanto ao par de apaixonados, Tony e Maria, diria que Ricardo Soler é bom e profissional no que faz, tem uma excelente voz, sente o que diz mas falta-lhe na representação; será uma questão de hábito, parece-me, onde menos nervosismo do primeiro dia o levará à quase perfeição. No entanto, Cátia Tavares, em Maria, poderia estar muito melhor do que o que é. Se a nível vocal é muito agudo e desconfortante, a representação acaba por ser ainda pior e, continua-me a parecer, que nem com a prática chegará ao nível mínimo que a personagem exige. Não obstante, continuamos a contar com profissionais como Anabela e Lúcia Moniz, à vez, como Anita – Lúcia Moniz desempenhando muito bem o papel da confiante Anita – incluindo Carlos Quintas como Tenente Schrank.
No meio de tudo isto, apraz-me ainda dizer que as grandes revelações estão mesmo nos mais novos, Jonas Cardoso em Baby John e uma representação surpreendente por Cátia Garcia em Anybodys em que ambas as personagens são martirizadas amigavelmente pelos Jactos, embora por motivos diferentes.
Relativamente à coreografia, diga-se que continua excelente, da autoria de Inna Lisniak, presença constante nos musicais de La Féria e que cada vez se afirma mais e melhor no seu trabalho. O mesmo diria do guarda-roupa que funciona muito bem nos actores e que distingue perfeitamente os vestidos e as sedas dos Porto-riquenhos em contraste com os Jeans dos americanos de gema. De resto, acaba por ser muito fiel ao seu original mas a execução é muito boa e merece ser aqui referido.
Por último, é importante referir que, a nível cénico, o trabalho de La Féria é excepcional apesar de não ser o seu melhor e apenas não concordo com a cena de amor entre Tony e Maria que é feita através de um bailado que se torna desproporcional no contexto de todo o musical. Fora isso, WSS funciona todo ele muito bem como praticamente tudo o que este encenador se dedica fazer, daí que WSS é já de si um espectáculo essêncial e até mesmo obrigatório.

Colaboração de Helder Magalhães GT
Fotos Marta Ferreira

Amanhã Ópera no Convento do Beato







"Ópera Premium" no Convento do Beato a 2 de Dezembro. O Convento do Beato, em Lisboa, vai apresentar no dia 2 de Dezembro, pelas 21:30, o concerto "Ópera Premium", irá reunir temas de Mozart, Strauss, Wagner, Puccini, entre outros.
Subirá ao palco Dora Rodrigues (soprano), Luís Rodrigues (barítono) e Mário Alves (tenor), acompanhados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa sob direcção do maestro João Paulo Santos. O espectáculo vai trazer algumas das óperas de maior sucesso da história da música reunidas num só espectáculo. A RTP irá transmitir o espectáculo como concerto de Ano Novo.

Tous les trois reunis - A Filha do Regimento Donizetti
Largo al factotum - O Barbeiro de Sevilha Rossini
Meine Lippen - Giudita Lehar
La donna e mobile - Rigoletto Verdi
La ci darem la mano - D. Giovanni Mozart
Una furtiva lagrima - O Elixir de Amor Donizetti
Si, mi chiamano Mimi - La Boheme Puccini
Oh du, mein holder Abendstern - Tannhäuser Wagner
Aben, felice io son - Dona Branca Keil
Pieta, rispetto, amore - Macbeth Verdi
Pourquoi me reveiller - Werther Massenet
Ah, je ris de me voir si belle - Faust Gounod
Au fond du temple saint - Os Pescadores de Perolas Bizet
Ich stehe voll Zagen - O Morcego Strauss