Thursday, July 29, 2010

Morreu António Feio







António Feio morreu, esta quinta-feira, em Lisboa. O actor sofria de cancro e faleceu no hospital da Luz, às 23.25 horas.

António Feio nasceu em Lourenço Marques a 6 de Dezembro de 1954. Morreu, esta quinta-feira, aos 55 anos, em Lisboa, cidade de acolhimento desde os sete anos.

Wednesday, July 28, 2010

Festlip encerra 3ª edição!






FESTLIP ENCERRA SUA TERCEIRA EDIÇÃO
COM PÚBLICO RECORDE DE 23 MIL PESSOAS

“Contos em viagem – Cabo Verde ganha o Prêmio Revelação do Festlip 2010

O Festlip 2010 encerrou sua programação contabilizando um público recorde de 23 mil pessoas que, durante 12 dias, assistiu gratuitamente a 40 sessões de 15 peças inéditas no Rio; duas oficinas teatrais; duas mesas de debates e uma exposição fotográfica nos teatros da Rede Sesc (Ginástico, Espaço Sesc, Tijuca e Casa da Gávea) e da Caixa Cultural – Teatro Nelson Rodrigues, além do Festlipshow que reuniu diversos artistas da música lusófona no Teatro Odisséia. Na cerimônia de encerramento realizada neste domingo, dia 25, no Espaço Sesc, a companhia portuguesa Teatro Meridional, dirigida por Miguel Seabra, recebeu o Prêmio Revelação do Festlip 2010, pela peça Contos em Viagem – Cabo Verde”, através de voto popular.

A partir de dramaturgia de Natália Luíza, a peça reúne textos em língua portuguesa e crioulo que, ao contar a história de Cabo Verde através de poemas e trechos de histórias do lugar, tratam de emoções e sentimentos universais. Com direção e projeto de luz de Miguel Seabra e cenário e figurinos de Marta Carreiras, o espetáculo é encenado pelo ator e músico Fernando Mota – que assina também a trilha musical – e pela atriz Carla Galvão. “Aqui sou representante de todos vocês e me orgulho muito disto. Este sonho agora não é só da Tânia, é de todos nós”, disse Miguel Seabra ao receber o troféu do Festlip 2010.

Primeiro festival a promover o intercâmbio teatral entre países da língua portuguesa, o Festlip já tinha batido outro recorde antes mesmo de começar sua terceira edição: pela primeira vez, contou com a participação maciça das oito nações lusófonas – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. “Este ano foi importante para sedimentarmos o Festlip no calendário cultural da cidade. Além de contarmos com todos os oito países de língua portuguesa, vimos que o Festlip tem crescido ano a ano e tem potencial para ainda mais”, comemora a atriz e produtora Tânia Pires, idealizadora do Festlip. O evento reuniu em seu ano de estréia um público de 13 mil pessoas e chegou às 18 mil em 2009.

Realizado pela Talu Produções em parceria com a Rede SESC Rio e com patrocínio da Oi e da Caixa, além de apoio cultural do Oi Futuro. o festival homenageou este ano com o troféu Festlip 2010 a atriz e diretora portuguesa Maria do Céu Guerra, que trouxe a premiada Cia de Teatro A Barraca para encenar a peça Agosto - Contos de Emigração”– sucesso de público e crítica no Festlip – e ainda ministrou uma concorrida oficina teatral para os grupos participantes e ouvintes: “A troca de experiências é fundamental para o crescimento do teatro lusófono”, endossa a encenadora. “É uma experiência rica e emocionante para todos”, completa.

Portugal foi o país que compareceu este ano com o maior número de companhias. Além de A Barraca e do Teatro Meridional, vieram ainda as companhias Trigo Limpo – que apresentou “Chovem amores na rua do matador” com dramaturgia de Mia Couto e do angolano José Eduardo Agualusa –, e Binólogos, com o espetáculo “Filhas da mãe - Fantasias eróticas das mulheres portuguesas”. O Brasil foi representado por três companhias: os paulistas Os Fofos Encenam, com a peça “Ferro em Brasa” e Barracão Cultural, com “A mulher que ri”, e a goiana Cia de Teatro Novo Ato, com “Drummond 4 tempos”. Angola e Moçambique trouxeram dois grupos cada: do primeiro vieram a Companhia de Teatro Dadaísmo, apresentando “Olímias, e Miragens Teatro, com “4 e 30”. Do segundo, a Cia de Teatro Gungu encenou “A demissão de Sô Ministro”, e a Kudumba veio com “Só Cheira Borracha”. Guiné-Bissau retorna ao Festlip com o GTO – Grupo de Teatro do Oprimido, que trouxe a peça “Maria – Ritual das Parideiras”; assim como Cabo Verde, representado pelo Centro Cultural de Mindelo, com o espetáculo “Androginia”. Os estreantes Timor Leste e São Tomé e Príncipe marcaram presença no Festlip 2010 com o Grupo Arte Lorosae e a peça “Saramau”, e o Grupo Fôlô Blagi, que levou aos palcos “O pagador de promessas”, respectivamente.

Festlipshow aumentou seu público em 150%

Como tem sido desde sua primeira edição, o FestlipShow é um dos eventos mais concorridos da programação e ganhou este ano um espaço maior, o Teatro Odisséia, na Lapa. No sábado, 17 de julho, cerca de 2.500 pessoas – 1.500 a mais que no ano passado – foram conferir os shows dos brasileiros Teresa Cristina e Orquestra Voadora; do angolano Abel Duerê; do moçambicano Cheny Wa Gune, e do músico cabo-verdiano Hélio Ramalho, além de DJ MAM e da atriz Elisa Lucinda, que fez participação especial declamando Fernando Pessoa.

Entre as concorridas atividades paralelas, o Espaço Sesc recebeu no dia 20, a mesa de debates formada por Carlos Bequengue (Angola), Daniele Ávila (Brasil), João Dias (Portugal), Rosa Langa (Moçambique) e Rui Pina Coelho (Portugal), com mediação da crítica, ensaísta e professora Tânia Brandão, para falar sobre ‘A imprensa no universo teatral da língua portuguesa’. No dia seguinte, o Teatro Sesc Ginástico abrigou ‘O diálogo do teatro dos países da língua portuguesa’, mediado pelo dramaturgo e roteirista Bosco Brasil e com a participação dos brasileiros Domingos de Oliveira, Márcia Zanelatto e Lucianno Maza e Cândida Bila (Moçambique), José Menna Abrantes (Angola) e Pompeu José (Portugal).

Outra novidade da edição 2010 foi a exposição fotográfica itinerante “Teatro sem fronteira”, que percorreu os foyers dos teatros do Festlip. A mostra é o registro da oficina teatral itinerante conduzida de outubro a dezembro de 2009 pela atriz Tânia Pires nos oito países da CPLP, reunindo grupos de diversas formações para encenar textos de Ibsen.

Pelo terceiro ano seguido, o restaurante 0 Cozinha Contemporânea ofereceu um menu especial entre os dias 3 e 31 de julho, com pratos inspirados na culinária dos países participantes. Nesta edição, a Mostra Gourmet, batizada “O sabor da língua portuguesa”, foi criada pela chef Joana Carvalho e recebeu mais de 500 pessoas ao longo do mês.

O Festlip conta com apoio do Ministério da Cultura do Brasil, Secretarias de Cultura do Estado e Município do Rio de Janeiro, Oi Futuro, FUNARTE, DGArtes - Ministério da Cultura de Portugal, Instituto Camões, CPLP - Comunidade dos Países da Língua Portuguesa e todas as embaixadas dos países participantes.

A TALU PRODUÇÕES E MARKETING foi fundada pela atriz e produtora cultural Tânia Pires e pela jornalista e publicitária Luciana Rodriguez, a partir da idéia comum de desenvolver um trabalho abrangente e diferenciado de viver a cultura.

A proposta do trabalho se sustenta no modelo de transformação, através do investimento na diversidade e na fomentação da criação do artista. A filosofia da TALU se apóia na possibilidade de incentivar, divulgar e disseminar talentos nas mais diversas manifestações.

Com transparência nas relações e ousadia a TALU cria, planeja, desenvolve, produz e executa projetos culturais e sociais, desempenhando seu papel no mercado de forma ética, compromissada e singular.

A idéia do Festlip surgiu quando em uma viagem a Moçambique, África, Tânia Pires teve a oportunidade de dar aulas de teatro e conhecer de perto a manifestação artística de seu povo. A experiência de ver a diversidade das artes cênicas, através da língua portuguesa, motivou uma pesquisa sobre o teatro em todos os países que falam o português, nascendo então o Festival de Teatro da Língua Portuguesa, o Festlip.

Friday, July 2, 2010

Cornucópia estreia em co-produção com a companhia Nao D'Amores












Motivado mais por verdadeiras relações artísticas que integrado numa estratégia de internacionalização da Companhia, ainda que naturalmente ela acabe por acontecer, o Teatro da Cornucópia fecha a sua temporada 2009/2010, com uma co-produção com a Companhia Nao D’Amores (Espanha): DANÇA DA MORTE/ DANÇA DE LA MUERTE espectáculo bilingue, encenado por Ana Zamora, em que participam elementos de ambas as companhias.

Nao D’Amores é uma estrutura profissional independente, criada em 2001 e dirigida por Ana Zamora, que tem vindo a apresentar com enorme sucesso espectáculos que pretendem ser a reinvenção de um teatro primitivo com uma qualidade lírica muito particular, a partir de textos e música antiga peninsulares, e recuperando várias formas de expressão artísticas de influência tradicional popular como danças, marionetas, música ao vivo com réplicas de instrumentos antigos, e elementos vários inspirados no folclore tradicional. A companhia já apresentou em Portugal, convidada pelo Festival de Almada, O Auto dos Quatro Tempos de Gil Vicente, e no Teatro do Bairro Alto, o Misterio del Cristo de los Gascones. Desta vez e a convite da Cornucópia, faz uma criação em Portugal, ensaiada e estreada no Teatro do Bairro Alto, com a colaboração do Festival de Almada e nele integrada, que parte do texto Castelhano do século XV Dança General de la Muerte e que integra também textos vários de Gil Vicente. Trata-se de uma nova abordagem do tema das Danças Macabras tão tratado por toda a Europa no fim da Idade Média. Segundo Ana Zamora, Dança da Morte/Dança de la Muerte é uma fantasia da imaginação popular, uma viagem no tempo para reviver os mitos que ajudaram a mitigar o absurdo da morte, nascida no actual contexto cultural, em que se tende a negá-la e a afastar a sua lembrança, substituindo o ancestral anseio de imortalidade por uma imatura ficção de “a-mortalidade”.

No espectáculo intervêm 3 actores (Luis Miguel Cintra, Sofia Marques e Elena Rayos) e 3 músicos (Eva Jornet - Flautas, Cromornos e Chirimía, Juan Ramón Lara - Viola da Gamba e Fídula e Isabel Zamora - Órgão) que formam um pequeno conjunto de executantes de uma nova e festiva “dança macabra” para a qual foi fundamental o trabalho de Alícia Lázaro na Direcção e Selecção Musical, de Javier García Ávila na Coreografia e Vicente Fuentes como assessor para a dicção do verso. A cenografia é de David Faraco e os figurinos de Deborah Macias, também habituais colaboradores de Nao D’Amores.

Dança da Morte/Dança de la Muerte tem a sua primeira série de representações de 6 a 13 de Julho no Teatro do Bairro Alto, integrada no Festival de Almada. Parte depois para a primeira digressão em Espanha onde estará nos Festivais de Olmedo, Almagro e em Gijón, e volta ao Teatro do Bairro Alto para uma segunda série de representações de 30 de Setembro a 17 de Outubro.
Entretanto, de 22 a 26 de Setembro, a Companhia irá repor o seu espectáculo IFIGÉNIA NA TÁURIDA de Goethe no Teatro Municipal de Almada.

DANÇA DA MORTE/DANÇA DE LA MUERTE
Dramaturgia e encenação
ANA ZAMORA
Intérpretes
LUIS MIGUEL CINTRA
SOFIA MARQUES
ELENA RAYOS
Interpretação musical
EVA JORNET (flautas, cromorno e chirímia)
JUAN RAMÓN LARA (viola de gamba)
ISABEL ZAMORA (órgão)
Arranjos e direcção musical
ALICIA LÁZARO
Coreografia
JAVIER GARCÍA ÁVILA
Assessor para a dicção do verso
VICENTE FUENTES
Cenário e Figurinos
DAVID FARACO
DEBORAH MACÍAS
Desenho de luz
MIGUEL ÁNGEL CAMACHO (A.A.I)e PEDRO YAGÜE
Montagem e operação de luz
RUI SEABRA
Assistente de encenação
MANUEL ROMANO
Desenho gráfico
CRISTINA REIS
Director técnico em Lisboa
JORGE ESTEVES
Director de produção de Nao d´amores
GERMÁN H. SOLÍS
Secretária do Teatro da Cornucópia
AMÁLIA BARRIGA

Charlote Rampling no palco do São João









"Yourcenar / Cavafy"
16 de Julho
no Teatro Nacional de São João
O Festival de Almada no São João

No interior de um dispositivo cenográfico minimalista, a actriz britânica Charlotte Rampling e o actor grego Polydoros Vogiatzis ficcionam uma inesperada conversa literária entre Marguerite Yourcenar e Konstandinos Kavafis, dois tremendos poetas das vozes do presente e das vozes do passado, duas figuras fascinadas pelo esplendor da Antiguidade Clássica. Fragmentos de romances e ensaios de Yourcenar (Memórias de Adriano, Fogos, A Obra ao Negro) cruzam-se com poemas de Kavafis, um “esteta melancólico” que alguém já considerou, a par de Eliot, “o maior poeta da primeira metade do séc. XX”. Yourcenar / Cavafy ou a confirmação do teatro como porto de abrigo destes artesãos da palavra que fingem “tão completamente”.

concepção Jean-Claude Feugnet interpretação Charlotte Rampling, Polydoros Vogiatzis, Varvara Gyra produção Les Visiteurs du Soir (França)

"O Dia de Todos os Pescadores" no Carlos Alberto








15 a 31 de Julho
no Teatro Carlos Alberto

Felizes aqueles que lêem e encenam publicamente o trabalho de alguém que nos diz que “não ser feliz, nos tempos que correm, é uma precaução necessária”, ou que “há já demasiada felicidade no mundo da cultura”. É um lugar sem vagar para a complacência, este de onde nos fala Francisco Luís Parreira, um investigador universitário que é também um homem de teatro, por via das palavras que escreve, enquanto dramaturgo e tradutor, ou que coloca em situação, na qualidade de actor ou encenador. Exercita a escrita dramática para lhe restituir mundo, que é como quem diz que o teatro é primordialmente um lugar de pensamento e de conhecimento. Depois de ter assinado a tradução de dois textos de Mark O’Rowe (Terminus e Ossário), regressa agora, em discurso directo, ao convívio com a ASSéDIO, companhia que promove a estreia absoluta de O Dia de Todos os Pescadores (onde interna a psicopátria no serviço de cuidados intensivos) e a leitura encenada do inédito O Terceiro Recordado (onde um casal no domingo da vida, ao serão, tenta recuperar a memória de um amigo remoto e desaparecido). A terminar esta dupla jornada, lugar ainda para uma conversa com o autor, outra oportunidade para nos familiarizarmos com a corrosiva (e necessária) voz de Francisco Luís Parreira.

de Francisco Luís Parreira encenação João Cardoso cenografia Sissa Afonso figurinos Bernardo Monteiro desenho de luz Nuno Meira sonoplastia Francisco Leal interpretação João Cardoso, Jorge Mota, Micaela Cardoso, Pedro Frias, Rosa Quiroga co-produção ASSéDIO – Associação de Ideias Obscuras, TNSJ

"Casimir et Caroline" no Teatro Nacional de São João






Dia 9 de Julho

Munique, anos 1930, uma noite na festa da cerveja, posto de observação que Ödön von Horváth escolheu para contar, em Casimir et Caroline, a euforia angustiada de uma geração a viver o pesadelo do período entre as duas Guerras Mundiais. Uma peça política, sem “mensagem” e sem moralismos de circunstância, que permite a Emmanuel Demarcy-Mota prosseguir a sua pessoalíssima reflexão sobre a condição dos heróis contemporâneos, homens sem qualidades submersos em violentas crises identitárias, primos direitos do Bérenger de Rhinocéros, de Ionesco (que o TNSJ acolheu em 2006), ou do Galy Gay de Homme pour homme, de Brecht. “Carrossel fúnebre”, lemos numa recensão crítica a este espectáculo rigoroso e feérico, de uma tristeza serena, o primeiro que Demarcy-Mota assinou na qualidade de director do parisiense Théâtre de la Ville.

de de Ödön von Horváth encenação Emmanuel Demarcy-Mota co-produção Théâtre de la Ville – Paris, La Comédie de Reims, Le Grand T – Scène Conventionnée de Loire-Atlantique (França) duração aproximada 1:40 classificação etária M/12 anos

Câmara quer demolir Teatro Maria Vitória







A Câmara de Lisboa quer demolir o Teatro Maria Vitória e construir uma sala de espetáculos maior naquele local, segundo a proposta de Plano de Pormenor para o Parque Mayer aprovada quarta feira em reunião de câmara.
Em declarações à Lusa, o presidente da autarquia, que quando confrontado quarta feira com o assunto pelo vereador Pedro Santana Lopes não respondeu, acabou por confirmar: «Vai tudo abaixo e constrói-se um novo».

Contactado pela Lusa, o arquiteto responsável, Manuel Aires Mateus, explicou: «aqueles edifícios já não têm hipótese de recuperação. Este será maior, até porque aquelas eram salas muito pequenas e não daria para rentabilizar».


Localização
Travessa do Salitre/Parque Mayer

Data
1922

O teatro Maria Vitória, idealizado por Luís Galhardo, foi o primeiro teatro construído no Parque Mayer. De início, um edifício de madeira, abre as portas com a revista Lua Nova, obtendo, desde os primeiros anos, grandes êxitos de bilheteira.
O golpe militar de 1926 e posteriormente a ascenção de Salazar, levam a censura aos textos teatrais. Os jogos de palavras e as metáforas passam a ser usadas como forma de iludir a censura. A primeira revista censurada, "Ás de Espadas", é apresentada, logo em 1926, permitindo-se algumas insinuações políticas ao novo regime.
Numa zona que se encontra em fase de reconversão, o Maria Vitória, é o único teatro que se mantém em funcionamento

Um Dia Dancei SÓ Dancei Um Dia", Emergente em Almada









UM DIA DANCEI SÓ DANCEI UM DIA

7 a 18 Julho
Teatro Municipal de Almada - Sala Experimental

O TNDM II apresenta, numa co-produção com a Rosa74 Teatro e em co-apresentação com o Festival Internacional de Teatro de Almada, um dia dancei SÓ dancei um dia, de Daniel Gorjão, texto vencedor do projecto Emergentes – Ciclo Novos Criadores / Novas Linguagens.

Este espectáculo cruza em cena o trabalho das co-criadoras e intérpretes Katrin Kaasa e Teresa Tavares com depoimentos em vídeo gravados com várias mulheres que lêem cartas de amor que receberam ou escreveram. O amor, tema universal, surge como forma de expressão do “eu” e manifestação de uma experiência individual. É o olhar – como as palavras – das mulheres filmadas, que dá mote à criação do espectáculo.

"U, Due, Três" acolhido no Meridional








7 a 18 de Julho
QUA a DOM às 22h

Um português, um catalão e um italiano encontram-se numa trincheira. Não é uma anedota, é o ponto de partida de U, Due, Três. Num espaço indefinido, que ganha vida à medida que o espectáculo avança, três actores vêem-se imersos numa situação surreal: uma guerra sem um inimigo identificável. O espaço, um quadrado vazio marcado apenas por fita adesiva branca, transforma-se em pátio, trincheira, campo de jogos, de vida e quase de morte, espaço onde cada um dos actores tem um momento biográfico para falar de si e da sua terra, espaço onde os três actores esperam, abrigados da ameaça iminente que parece não acontecer. Cada um vem de um lugar diferente, tem um passado diferente, não sabia que ia encontrar outras pessoas, primeiro isolam-se e depois decidem partilhar tudo o que têm. Um dramaturgo, de fora deste espaço, como um deus ex machina controla os fios de tudo o que acontece dentro do quadrado, manipula através de indicações que escreve e lança para cena. Ordens pouco claras que são cumpridas e que quebram o delicado equilíbrio das três personagens na trincheira. Em U, Due, Três tal como na realidade, a guerra transforma-se em jogo e o jogo em guerra.


Ficha Artística

Companhia Jogijo
Título U, DUE, TRÊS
Línguas italiano, portugués, catalán
Actores Jordi Arqués (CAT), Rui Pedro Cardoso (P), Stefano Panzeri (I)
Dramaturgia Gerard Guix (CAT)
Ideia, desenho cénico e direcção Jogijo
Desenho de luz Toni Font
Música original José Júlio Lopes
Duração 60 minutos
Apoios Instituto Italiano de Cultura de Lisboa; Espaço das Aguncheiras; Teatro Meridional
Classificação etária M/12

Júlio Cardoso no Palco da Vida








Depois de meio século de vida teatral de Júlio Cardoso que, apesar de ter como lema “hoje e amanhã é que importam, o passado já foi”, evocou alguns passos da sua vida e da sua carreira ao escritor António Rebordão Navarro, o qual escreveu o livro “JÚLIO CARDOSO NO PALCO DA VIDA”.
Na próxima 5ª feira, dia 8, às 21h30 o livro vai ser lançado no Teatro Municipal Constantino Nery, em Matosinhos, e será apresentado pelo Prof. Arnaldo Saraiva.
Na ocasião serão também inauguradas as exposições Fragmentos de um Quimérico Võo e obras do artista Paulo Carteiro, alusivas á carreira do actor, que ali irão permanecer até final de Julho.
Nos dias seguintes – 9 e 10 – às 21h30, naquele mesmo Teatro, haverá representações da obra EU SOU A MINHA PRÓPRIA MULHER, tendo como protagonista Júlio Cardoso, e com encenação de João Mota.

Culturgeste recebe Jorge Silva Melo

Na quinta-feira, 15 de Julho, às 19h30, no Palco do Pequeno Auditório da Culturgest, terá lugar a estreia (nacional) de Um Precipício no Mar (Sea Wall) de Simon Stephens, com encenação de Jorge Silva Melo. No dia seguinte, às 21h30, o Grande Auditório da Culturgest recebe a estreia absoluta da Fala da Criada dos Noailles que no fim de contas vamos descobrir chamar-se também Séverine numa noite de Inverno de 1975, em Hyères, uma paródia inconsequente de Jorge Silva Melo encenada pelo próprio. Estes dois espectáculos dos Artistas Unidos são integrados no Festival de Almada.
Um Precipício no Mar conta a história de Alex, da sua mulher e filha – e de como a felicidade é brutalmente interrompida, num dia de sol e junto ao mar. As marés mais inesperadas podem apanhar os homens mais felizes e levá-los com elas, para o mais escuro nada. “Esta peça é um mar azul enganadoramente calmo debaixo do qual se esconde uma feroz corrente de dor”: assim saudou Lyn Gardner, no Guardian, esta peça breve de Simon Stephens, autor revelado entre nós em 2009 (no Teatro Nacional D. Maria II, com a peça Harper Regan). “O triunfo da narração na sua simplicidade gloriosa”, escreveu Alice Jones no Independent.
Em A fala da criada... uma eterna criada evoca as ricas horas dos mecenas, os bailes loucos, a arte livre, o amor livre, o financiamento de L’Âge d’Or de Luis Buñuel, tudo na altura em que se anuncia a vinda do realizador espanhol ao palacete de Hyères onde ainda vive o Conde de Noailles, mecenas que foi dos surrealistas: estamos a meio dos anos 70 e os anos loucos já se foram, com as jóias da família. Muito livremente inspirado em O Meu Último Suspiro de Buñuel – e nas botinas do seu Diário de Uma Criada de Quarto, é claro. E Séverine era a Belle de Jour do romance de Joseph Kessel de que Buñuel e Oliveira se apropriaram, maliciosos.
Um Precipício no Mar será também apresentado no dia 15 às 21h30, nos dias 16 e 17 às 19h30 e 23h00, e no dia 18 às 16h00 e 18h30. Os bilhetes para este espectáculo têm um preço único de 5 Euros.
A fala da criada... será também apresentado no dia 17 às 21h30 e no dia 18 às 17h00. Os bilhetes têm o preço de 12 Euros; jovens até aos 30 anos têm um preço único de 5 Euros.

Sobre a peça A fala da criada..., Jorge Silva Melo escreveu, já neste mês de Julho, o texto UMA PEÇA SEM QUALQUER IMPORTÂNCIA, que aqui transcrevemos na íntegra:

“Pois é, não tem qualquer importância esta peça, nenhuma mesmo. Nem resolve problemas das periferias, nem integra novas linguagens, a tecnologia é a do pão com manteiga, nem sequer forma, informa, educa para o que quer que seja, nada, nem dá créditos curriculares, nem com ela se aprende a comer à mesa - é só uma horita e não serve para nada, nem é multi-étnica, cultural, nada, nem tem vídeo nenhum, nem o seu título é em inglês, vê-se logo, não tem qualquer importância.
Pois se nem tem filosofia - nenhuma, mas nenhuma mesmo.
Nem frases soltas de antropólogos (que ficam tão bem quase sempre).
É só uma peça de teatro.
E não tem qualquer importância, passa-se em França, só entram mortos, e mesmo os mortos já tinham pouco dinheiro quando vieram ao nosso encontro, mortos que falavam francês, língua de velhos em trem de desaparição, de onde nem já galicismos conseguimos importar, os poucos que ainda tentam ler o falido Le Monde ou mandar vir aquele último cd da Françoise Hardy – que, lembro-me agora, ainda não me chegou.
É uma peça de teatro (Só isso? E porquê mais uma? E para quê?) e foi escrita já lá vão três anos e meio, editada há três, só agora a conseguimos montar, ninguém mais entretanto a quis, o dossier arrastou-se por várias mesas, só agora ensaiamos, só agora a estreamos. E até posso suspeitar que foi por amizade que a escolheram, o Miguel Lobo Antunes e o Francisco Frazão, aqui, na Culturgest, obrigadinhos, pá.
Três dias em Julho em Lisboa, quatro em Setembro no Porto, pronto, fica a coisa arrumada.
Não tem qualquer importância.
É uma peça escrita em casa, eu cá para comigo, com muito café quente, sozinho, sem ser no meio dos ensaios de um hipotético colectivo. Não é porque não ache bem, mas que querem?, gosto de escrever de manhãzinha, antes de o sol se levantar, ainda ninguém está acordado a essas horas que eu possa convidar para vir escrever comigo, quatro-cinco da manhã, e eu depois, à tarde, fico cansado, nos ensaios gosto é de olhar para os actores, se me pusesse a escrever no ensaio, nem via as raparigas, e ainda me enganava, como tantos, com a conjugação do maldito verbo haver.
É uma peça pacatamente escrita em casa, no meu escritório, com muitas saudades, ai tantas – e a pensar numa actriz minha muito amiga, Elsa Galvão (é maravilhosa, marota!), uma actriz que gosto de ver, de ter por perto, maravilhosamente meiga, uma actriz-como-não-há-pessoas-assim, é que não há, não.
São coisas que não têm importância, escrever peças sem prémios para uma actriz sem globo, peças que não aumentam o PIB nem o turismo cultural, peças (mais uma, benza-o Deus!), só isso.
É porque é só uma peça tremendamente fora-de-moda.
Antiquadita, pois.
Como será antiquado este meu gosto pelos actores, gosto tanto deles, mon Dieu, comme je les aime! E com o reumático que avança, olhem, perdi o juízo e gosto de todos, búlgaros, croatas, mexicanos, ribatejanos ou lisboetas, gosto de todos, franceses e italianos, são tão improváveis, tão bonitos de se ver, vaidosinhos, audazes.
Ah, e querem saber uma coisa séria?
“A frivolidade só é frívola para aqueles que não são frívolos”, dizia a Darrieux naquele filme de vir-às-lágrimas que é a Madame De de Max Ophüls.
Mas se já nem o João Bénard da Costa pode vir rir-se connosco, não é? Com aquele riso gutural que lhe sacudia o corpo inteiro, já não vem.
E eu fico triste, sim. Por esta peça ser assim, sem qualquer importância.

Ps.: Esta peça com o seu título e tudo, lembrei-me de a escrever depois de um convite que me fez a Maria João Seixas para organizar a sessão Mecenas. Mecenas na Fundação Calouste Gulbenkian, em 2007. O texto foi editado pelo André Jorge nos Livros Cotovia – e o Pedro Proença fez quatro ilustrações que eu achei belíssimas. Não, não foi uma encomenda, uma tarefa, uma comissão, um mestrado, doutoramento, nada disso. Apeteceu-me. Dão licença?”

Simon Stephens nasceu em 1971, no Reino Unido. Formado pela Universidade de York, é hoje uma voz cada vez mais significante no teatro em inglês. As suas peças são muitas vezes explorações sobre a condição humana da vida familiar. Embora a sua escrita seja muitas vezes brutal, encerra um optimismo e uma autenticidade que o destacam dos autores da geração In-yer-face. Até 2005, Simon Stephens trabalhou no departamento literário do Royal Court Theatre. A sua peça Pornography foi aclamada na estreia em 2008 no Festival de Edimburgo. Das suas peças destacam-se Bluebird (1998), On the shore of the wide world (2005), Motortown (2006), Harper Regan (2007) – que Ana Nave encenou em Maio passado, no Teatro Nacional D. Maria II, com interpretação de Luísa Cruz no papel de Harper Regan – ou Punk rock (2009).