Cine-Teatro S. Pedro "renasce" para a cultura 20 anos depois


O cine-teatro São Pedro, em Alcanena, reabre quinta-feira ao público, depois de mais de duas décadas de inactividade e de obras de remodelação, com a promessa de uma programação regular e diversificada.

Luís Azevedo, presidente da Câmara Municipal de Alcanena (independente), disse hoje à agência Lusa que o espaço, há uns anos em ruína e agora "dignificado", será "uma referência para a actividade cultural" do concelho.

A inaugurar pelo ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, no dia que assinala os 94 anos da elevação de Alcanena a concelho, o cine-teatro São Pedro acolherá, na noite de 08 de Maio, uma gala de ópera pela Orquestra Sinfónica Juvenil, que vai integrar alguns alunos do Conservatório de Minde.

Segundo Luís Azevedo, a autarquia fez questão de associar à reabertura deste espaço cultural duas figuras ilustres da terra.

A pintora Maria Lucília Moita inaugura a Galeria de Exposições do Cine-Teatro com a exposição "Em Alcanena, minha terra" e estará presente, domingo, num "encontro com o público".

Anastácio Gonçalves, um dos maiores coleccionadores portugueses de arte do século XX, vai ter presente uma mostra/divulgação da Casa Museu que tem em Lisboa.

Tiago Guedes, que passou a sua infância e juventude em Minde, encerra domingo a programação que assinala a inauguração do cine-teatro com um espectáculo de dança.

Luís Azevedo disse à Lusa que o concelho poderá agora beneficiar em pleno da adesão do município à ArtemRede, empresa intermunicipal criada no âmbito da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo que gere a programação de um vasto conjunto de teatros da região.

Do cine-teatro mandado construir em 1947 pela Sociedade de Melhoramentos de Alcanena, e inaugurado em Novembro de 1954, fica apenas a fachada da autoria do arquitecto José de Lima Franco e a imponente estrutura de palco/boca de cena.

A sala passa a acolher 300 espectadores (contra os 588 iniciais), reunindo condições técnicas adequadas para a realização de espectáculos de teatro, música e dança, disse.

O espaço, da autoria do arquitecto Filipe Teixeira Diniz, da Arquibúzios, Arquitectura e Paisagismo, conta ainda com uma galeria de exposições, em dois pisos, camarins com capacidade para 20 artistas e um bar/cafetaria com condições para a realização de cafés-concerto.

Iniciada em 2005, a obra, que terá de estar concluída até quinta-feira, foi adjudicada por 1,4 milhões de euros, tendo contado com 75 por cento de financiamento comunitário.

A obra foi promovida pela Sociedade de Melhoramentos de Alcanena, detida actualmente, praticamente na totalidade, pela autarquia, a única entidade que participou nos sucessivos aumentos de capital depois do principal accionista, um industrial de curtumes, António Mota, ter doado a sua participação ao município em 1995.

O espaço entrou em decadência a partir de finais dos anos 1970, ficando quase em ruína na sequência do desabamento do telhado em 1996.

O primeiro projecto de recuperação do que era considerado "uma ferida aberta na malha urbana da vila e na memória da população" foi aprovado pelo Ministério da Cultura em 1997, mas só em 2002 foi aprovada a candidatura a fundos comunitários.

Dia 20 de Novembro, 54 anos depois da inauguração, o Grupo de Teatro de Minde leva à cena a peça com que a Companhia de Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro abriu o Cine-Teatro de Alcanena, "Prémio Nobel", de Fernando Santos e Leitão de Barros.
Lusa/fim

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