Público x Lorca


criação colectiva a partir d’O Público de Federico García Lorca
Coimbra, Teatro da Cerca de São Bernardo
16 a 18 de Novembro de 2017

interpretação Arturo Campo (CR), Matilde Javier Ciria (ES), Rafaela Bidarra (PT), Eduardo Retamar (ES) direcção Matilde Javier Ciria (ES) assistência de dramaturgia e contexto literário Pablo de las Vecillas (ES) direcção plástica Carolina Santos (PT) máscaras Maxence Thireau (FR), Carolina Santos (PT) música - composição original Fabian Arroyo (CR) desenho de luz e direcção técnica Jorge Ribeiro (PT) assistência técnica Vera Silva (PT) grafismo e fotografia Carolina Santos (PT), Rafaela Bidarra (PT), Eduardo Retamar (ES), Matilde Javier Ciria (ES), Stephanie Campos (CR)
M/14 > 6 a 10 Euros
https://www.facebook.com/pg/publicoxlorca
Informações e reservas:
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt

“O Público”, de Federico Garcia Lorca, “é poesia pura traduzida em texto dramático”, afirmou hoje Matilde Javier Ciria, director artístico do projecto “Público x Lorca”, que terá a sua estreia mundial em Coimbra, no Teatro da Cerca de São Bernardo, a 16 de Novembro. O trabalho é uma co-produção internacional, financiada pelo programa Iberescena, que reúne artistas costa-riquenhos, espanhóis, franceses e portugueses.

Matilde Javier Círia, “artista multidisciplinar” nascido em Murcia, Espanha, em 1978, tem desenvolvido trabalho de pesquisa em torno do teatro físico e da dança butoh, áreas em que é professor desde 2011. Assume a direcção artística do projecto “Público x Lorca”, uma criação colectiva a partir da peça “O Público”, do dramaturgo espanhol Federico García Lorca. Na conferência de imprensa realizada esta quarta-feira no Bar/Livraria do TCSB, referiu-se ao texto escolhido como “a obra perfeita” para trabalhar em conjunto “as diferentes linguagens do teatro físico, da dança e do teatro de texto”. A peça – afirmou – “não pára de dar-me imagens”. Salientando ainda as “infinitas camadas” que é possível encontrar na peça que o próprio Lorca considerou “irrepresentável” em 1933, logo depois de a ter escrito, Matilde destacou as interrogações que ela suscita. À cabeça, destacou, está a questão de “o que fazes tu com a tua liberdade – tanto como pessoa como enquanto artista no palco?” Ainda no que respeita aos conceitos-chave para a construção e interpretação do espectáculo, o encenador lembrou duas ideias muito presentes no trabalho de Lorca, que transportou para esta criação: “transformação e morte”.

Carolina Santos, responsável pela direcção plástica do espectáculo, começou o seu percurso artístico no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), tendo nos últimos anos desenvolvido uma intensa carreira internacional, em particular a partir de França. Com Maxence Thireau, assegura a construção das máscaras e a concepção dos figurinos. Assumindo o “enorme desafio”, provocado tanto pelo texto como pelo facto de apenas três actores terem de dar corpo a 37 personagens, referiu a “emoção” e o “instinto” como linhas mestras do trabalho que está a desenvolver, que procura “servir a dinâmica do movimento” que é exigida aos intérpretes. Desafio idêntico terá Jorge Ribeiro, responsável pelo desenho de luz e pela direcção técnica.

O espectáculo está a ser construído por um colectivo de 10 artistas oriundos de quatro países: Costa Rica, Espanha, França e Portugal. Depois de uma primeira residência artística realizada em Espanha, o grupo está em Coimbra há cerca de duas semanas, ensaiando no Teatro de Bolso do TEUC, um dos parceiros do projecto, antes de “se mudar” para o TCSB, onde acontecerá a estreia e a temporada inaugural de 3 dias, entre 16 e 18 de Novembro. Rafaela Bidarra, actriz e produtora do espectáculo, também TEUC antiga, lembrou as origens do projecto, que situou na Costa Rica, quando Matilde Ciria foi convidado a dirigir o espectáculo “Frankestein”, de Mary Shelly, no Teatro Nacional daquele país. Aí se deu o primeiro contacto com Arturo Campos, actor costa-riquenho que integra o elenco. O projecto foi submetido a concurso no âmbito do programa Iberescena e obteve assim o financiamento necessário à sua concretização. Depois da estreia em Coimbra, o espectáculo partirá para uma digressão internacional, pelos restantes três países representados e “por outros países da América Latina”.

Na abertura da conferência de imprensa (que reuniu praticamente todo o colectivo), Pedro Rodrigues, produtor d'A Escola da Noite – companhia residente e responsável pela gestão e programação do TCSB – afirmou ser um privilégio para a companhia poder associar-se a este projecto internacional. Nos nove anos que A Escola da Noite leva à frente do Teatro, esta é “a 20.ª estreia externa à companhia que aqui acontece e isso é algo de que nos orgulhamos: queremos que esta casa seja uma casa amiga da criação artística e gostamos de a colocar à disposição de outros artistas e de outras estruturas”. Para além disso, neste caso, há várias singularidades, destacadas pelo produtor: o facto de ser um projecto internacional, cuja estreia mundial acontece em Coimbra; a juventude da esmagadora maioria dos artistas envolvidos (quase todos abaixo dos 40 anos); as ligações a Coimbra de vários dos membros do colectivo; o contexto de intercâmbio entre diferentes países, no qual também A Escola da Noite está empenhada há muito; e, ainda, Lorca – “um dos nossos autores” e autor de “dois espectáculos emblemáticos do percurso da companhia”: “Amores” (1996) e “Amor de Don Perlimplín con Belisa en su Jardín” (2002).

“Público x Lorca” é o principal destaque da programação de Novembro do Teatro da Cerca de São Bernardo. Atendendo à sua curta temporada (apenas 3 sessões), é altamente recomendável a reserva antecipada de lugares, o que pode ser feito pelos contactos habituais do Teatro: 239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt.

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