Tradução de peças estrangeiras sobre Pedro e Inês lançada no festival Folio, em Óbidos



A primeira tradução das cinco principais peças de teatro sobre D. Pedro e D. Inês publicada em língua estrangeira vai ser lançada no Folio, no âmbito da programação que assinala os 650 anos da morte do monarca.

A tradução da peça de teatro "Coroa de Amor e Morte", de Alejandro Casona, será no sábado apresentada no Folio - Festival Literário Internacional de Óbidos, marcando o arranque de um projeto que visa editar em Portugal "as cinco principais peças de teatro sobre a temática inesiana publicadas em língua estrangeira", disse à agência Lusa Jorge Sampaio.

O comissário-geral das comemorações dos 650 anos da morte de D. Pedro I, que no Folio coordena um programa específico para assinalar a efeméride, adiantou que para além desta serão publicadas, pela editora Caleidoscópio, as peças "La reine morte", de Henry de Montherlant; "Reinar despues de morir", Luis Vélez de Guevara, "Inês de Castro", de Victor Hugo, e uma outra obra com o mesmo nome de Antoine Houdar de la Motte.

Para além desta "marca", as comemorações dos 650 anos da morte de D. Pedro, ficam, no âmbito do Folio, marcadas pelo "objetivo de tornar a forma de contar a história de Pedro e Inês mais inclusiva, chegando a pessoas com todos os tipo de necessidades especiais", acrescentou Jorge Sampaio.

Para isso a Associação Amigos de D. Pedro e D. Inês promovem, na quinta-feira, uma mesa redonda com a participação de especialistas de instituições ligadas a pessoas com necessidades especiais, "para nos transmitirem as suas ideias do que pode ser feito para tornar a história mais acessível".

Um filme para surdos é uma das ideias que irá ser debatida, mas Jorge Sampaio pretende avançar com iniciativas para cegos e eventos abertos à dramatização de Pedro e Inês por utentes de centros de Educação Especial, como foi já feito em Alcobaça.

A associação que entre hoje e quinta-feira promove cursos sobre a história e a lenda de Pedro e Inês pretende ainda contactar com várias autarquias das "80 cidades, vilas e aldeias onde D. Pedro despachou, enquanto rei", e promover "debates com historiadores" e outras iniciativas que ajudem as populações a entender os acontecimentos que celebrizaram o par.

Tanto mais que, explicou hoje no Folio a investigadora Leonor Machado de Sousa, Pedro e Inês protagonizaram "a primeira guerra civil em Portugal", com a amada de D. Pedro a ser considerada traidora e suspeita de conspirar contra a Pátria.

O amor, os motivos de Estado, as guerras políticas, os factos e as lendas associados ao mais famoso romance proibido em Portugal, vão estar em destaque até ao final do Folio em mesas redondas, documentários, espetáculos de teatro e bailados.

Sob o tema "Revoluções Revoltas e Rebeldias", o Folio desenvolve-se em cinco capítulos: Autores, Folia, Educa, Ilustra e Folio Mais.

Vinte e nove mesas de autores, dez exposições, 15 conversas e um seminário internacional marcam o programa da terceira e mais internacional edição do festival que se prolonga até ao dia 29.

Lusa

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