Friday, September 3, 2010

"Is You Me" na Culturgest







Na terça e quarta-feira, 14 e 15 de Setembro, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest, será apresentada a coreografia Is You Me, em colaboração com o Festival Materiais Diversos / Teatro Virgínia, Torres Novas e o Centro Cultural Vila Flor, Guimarães.
Estreado em 2008, Is You Me é o resultado de uma colaboração entre Benoît Lachambre, coreógrafo e performer de que o público da Culturgest se recordará em Forgeries, love and other matters (de e com Meg Stuart), cuja interpretação lhe valeu um Bessie Award em 2006, Louise Lecavalier, ex-estrela da companhia La La La Human Steps e considerada por muitos um dos ícones da dança contemporânea, o artista visual Laurent Goldring e o músico, compositor e produtor musical nova-iorquino Hahn Rowe, que o público da Culturgest igualmente conhece de Forgeries, love and other matters.
Num palco branco dinamicamente pincelado de linhas, cores e formas pelas projecções vídeo de Laurent Goldring, dois performers excepcionais constroem uma autêntica festa visual. Como diz Laurent Goldring, “O Benoît e a Louise tornaram-se gradualmente numa espécie de desenhos, mas desenhos animados, e começaram a brincar com a sua terceira dimensão, divertindo-se a livrarem-se dela e a recuperá-la, a passar de um estado de volume a um de plano e vice-versa.”
Os bilhetes têm o preço de 18 Euros; jovens até aos 30 anos têm um preço único de 5 Euros.
Is You Me será também apresentado no dia 11 de Setembro no Teatro Virgínia e no dia 17 no Centro Cultural Vila-Flor.

“No final dos 75 minutos deste inventivo dueto (...) o público estava de pé aos gritos, e a cena da dança parecia estranhamente nova. (...) O movimento muda de lugar por contágio, transmitido de um bailarino ao outro por contacto, ou de um corpo vivo para uma representação gráfica, já que os desenhos de Laurent Goldring – digitalmente projectados na área de representação – respondiam às formas que eram executadas em palco. (...) ‘Is You Me’ traz elegância ao fugaz, ao virtuoso e ao estranho.” MJ Thompson, Dance Magazine, Julho 2008

Laurent Goldring fala assim do processo de criação deste espectáculo:
“Is You Me é o resultado de vários encontros. O encontro entre o Benoît (Lachambre) e a Louise (Lecavalier), claro, mas também a história que eu tenho vindo a tecer entre as imagens e a dança, uma história em que me cruzei muitas vezes com o Benoît.
Desta vez o Benoît propôs-me que continuasse com ele uma experiência começada com a Mathilde Monnier: com um único projector criar simultaneamente o espaço teatral, o palco, as luzes e o cenário.
A experiência com a Mathilde tinha-me ensinado que isso implicava trabalhar desde o início numa óptica de co-criação, coisa que o Benoît compreendeu de imediato.
A dança não teria podido ser concebida separadamente do espaço desenhado, da mesma forma que as projecções não teriam podido ser concebidas como um simples enquadramento neutro e acolhedor.
(...) Quanto às projecções, a intenção de partida foi também inflectida para a utilização progressivamente maior do desenho. O desenho, em vez de se tornar numa imagem final imóvel, pôs-se ele próprio em movimento, pôs-se a narrar a sua própria construção, a mostrar a forma como um traço engendra outro, como a gestualidade do desenho se assemelha ou distingue da gestualidade da dança: fui pondo a tónica cada vez mais na temporalidade do traço do que na imobilidade da forma.
(...) Outro gesto simples, mas que mudou radicalmente os dados, foi a abertura do ecrã e a possibilidade de ter os corpos literalmente dentro do ecrã, na fissura entre o ecrã do fundo e o palco inclinado (que é também ecrã), fissura que foi sendo usada cada vez mais durante o processo de criação de Is You Me.
Esta re-materialização, este voltar a ser gesto da imaterialidade informática, é também verdade em relação ao trabalho do Hahn Rowe, que me ajudou a compreender o que se estava a passar. A nossa dupla presença nas margens do palco, que se impôs por si própria, conduziu naturalmente a um desenho-música que se ia fazendo ao mesmo tempo que a dança. O Hahn propôs narrativas e ritmos que se encontram quase tal qual no desenho. (...)
A sinergia foi igualmente forte com a figurinista (Lim) Seononc, que reagiu prontamente a este devir-desenho dos bailarinos e ao devir-dança do desenho, com os seus figurinos que sublinham simultaneamente a fisicalidade e o grafismo das presenças. Para mim um dos momentos mais importantes é quando as silhuetas amarelas e verdes que construímos podem passar completamente sem o desenho porque se tornaram desenho elas próprias…”

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