teatromosca ganha prémio em França








A leitura encenada "As Três Vidas de Lucie Cabrol", com texto do escritor inglês John Berger e direcção de Pedro Alves, foi apresentada em Lille (França), no Festival Les Eurotopiques, no dia 3 de Junho, onde foi distinguida com um Prémio Especial do Júri do Festival (num certame que premiou a obra "Hidden Birds", texto de Ewan Downie com direcção de Abigail Anderson), depois de ter sido estreada no passado dia 30 de Maio, no Festival de Sintra. O teatromosca participará ainda na iniciativa "Teatro aos Molhos" promovida pelo Teatro o Bando em Vale dos Barris, no dia 4 de Julho.
trilogia "dos seus trabalhos", a partir dos romances "Pig Earth" (1979), "Once in Europa" (1983) e "Lillac and Flag" (1990), do aclamado escritor e crítico de arte inglês, inicia-se com a criação do espectáculo "As Três Vidas de Lucie Cabrol", que estreará, em versão final, no dia 18 de Novembro de 2010 no Instituto Franco Português, em Lisboa.

Durante o mês de Junho, continuarão a apresentar "Retratinho de Darwin", em escolas do concelho de Sintra, e "Retratinho de Paula Rego", no Forum Cultural de Alcochete, e, simultaneamente, preparam já a criação de quatro novos espectáculos inseridos neste projecto para a infância e juventude.



As Três Vidas de Lucie Cabrol
leitura encenada a partir de Pig Earth, de John Berger
direcção| Pedro Alves

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI

no Festival Les Eurotopiques
Lille [França]


Lucie Cabrol é uma pequena mulher, filha de camponeses, na França do princípio do século XX. Abandonada pelo seu amante, Jean, e banida pela família, Lucie vive à margem e sobrevive durante a sua segunda vida contrabandeando mercadorias para o outro lado da fronteira. Mas só na sua terceira vida - na morte - descobre a esperança e o amor.

«As Três Vidas de Lucie Cabrol», será o primeiro espectáculo da trilogia «dos seus trabalhos», que o teatromosca começará por produzir em 2010, a partir de textos de John Berger. No âmbito desta trilogia, em 2011, estrearão os espectáculos «Europa» e «Tróia». Depois de, em 2002, ter estreado «Dog Art», o teatromosca regressa ao universo do celebrado escritor inglês, com um conjunto de textos que documentam a vida dos camponeses, num estilo literário que mistura ficção e não-ficção, falando do quotidiano de uma pequena comunidade rural nas montanhas, elaborando um retrato provocador do modo de vida camponês, reflectindo sobre a sua cultura e o seu progressivo desaparecimento.

As Três Vidas de Lucie Cabrol
Texto|John Berger Tradução, adaptação e direcção|Pedro Alves Assistência de direcção|Diana Alves Música original|Irina Tuvalkina Figurinos|Catarina Varatojo Cenografia|Pedro Silva Grafismo|Alex Gozblau Produção|teatromosca Co-produção|Festival Les Eurotopiques (Lille), Festival de Sintra, Centro Cultural Olga Cadaval (Sintra), Instituto Franco Português (Lisboa), Teatro O Bando (Palmela), GEIC (Castro Daire) e Teatro Punto (Girona)

Interpretação|Filipe Araújo, Joana Manaças, Yolanda Santos e João Vicente (actores) e Irina Tuvalkina (música)

JOHN BERGER [autor]
Nasceu em Londres em 1926, neto de um comerciante húngaro emigrado de Trieste e filho de um antigo oficial da Primeira Grande Guerra e de uma sufragista londrina de família proletária. As marcas da guerra no futuro incerto do seu pai, o radicalismo político da mãe e a dureza da escolaridade britânica, fariam dele anarquista aos quinze anos, desertor do preparatório de Oxford aos dezasseis e aluno rebelde, mais tarde, na Escola Central de Belas Artes. “No meio dos escombros dos bombardeamentos e das sirenes de alarmes de ataques aéreos, perseguia-me uma única ideia: queria desenhar mulheres nuas. Todo o dia", escreve num ensaio. Depois do fim da guerra, a fé Marxista (que nunca a filiação partidária), outra escola de arte - desta vez em Chelsea, com professores como Henry Moore - e o primeiro ofício, com uma coluna semanal de crítica de arte no New Statesman e no Tribune, editado por George Orwell. Depois seguiu-se uma mescla de crítica, ficção e política: o escândalo do seu primeiro romance, A Paintor Of Our Time, duramente criticado pela sua aparente simpatia com a Hungria pró soviética; o êxito inesperado do seu ensaio Modos de Ver; o Booker Prize pelo seu romance G, com o prémio doado, em parte, às Panteras Negras; o seu exílio definitivo no continente, numa comunidade de camponeses nos Alpes franceses e a sua actual dupla vida pendular, dividida entre um subúrbio parisiense durante o Inverno e a povoação alpina no Verão. Afastado, por decisão própria, da casa familiar, instituições escolares, da vida académica, da comunidade literária e da pátria, John Berger é um exilado reincidente e voluntário. A sua inadequação natural aos limites da própria cultura, dos credos religiosos e dos dogmas partidários deriva em intensidade e corresponde-se com um diletantismo deliberado entre o ensaio, a ficção, o desenho, o cinema, a poesia, o drama, como se também na arte, na tensão entre a imaginação e a razão, imagem ou palavra, buscasse um território mais livre. Escreveu, entre outras obras, Art And Revolution; The Sucess And Failure of Picasso; To The Wedding: A Novel; A Fortunate Man: The Story of a Country Doctor; a trilogia Into Their Labours (Pig Earth, Once in Europa e Lilac and Flag); King – A Street Story; E os Nossos Rostos, Meu Amor, Fugazes como Fotografias (editado em Portugal pela Quasi Edições); Aqui nos Encontramos (editado pela Civilização); peças de teatro (The Vertical Line e no Theatre de Complicité); poesia; escreveu o argumento para filmes de Alain Tanner (Jonas Que no Ano 2000 Terá 25 Anos; A Salamandra); colaborou com a companhia de dança Mal Pelo (Testimoni de llops; He Visto Caballos), da Catalunha.

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