1ª Mostra Anual de Dramaturgia






MAD’09 – 1ª Mostra Anual de Dramaturgia

Um projecto inovador, uma nova iniciativa do Teatro Art' Imagem, este ano integrado no “Fazer a Festa”, coordenado pelo dramaturgo Jorge Louraço Figueira que tem como objectivo incentivar a nova dramaturgia portuguesa, permitindo a sua divulgação e experimentação cénica.

Um fórum teatral, especialmente dedicado à divulgação de novos textos dramáticos portugueses, respondendo, por um lado, ao interesse do público por obras originais e, por outro, ao interesse dos criadores em explorar novos textos com vista à sua eventual encenação, promovendo o encontro e debate entre dramaturgos, encenadores, tradutores, críticos, estudantes, artistas de teatro em geral e demais públicos interessados.

A Mostra Anual de Dramaturgia consiste principalmente na apresentação pública, sob a forma de leituras encenadas, de uma série de peças de teatro inéditas, não estreadas na cidade do Porto.
A MAD não se propõe produzir as peças, mas apenas divulgá-las entre criadores e produtores.

O Teatro Art' Imagem compromete-se a partir da MAD de 2010, a encenar anualmente um dos textos apresentados em cada edição.
José Leitão
Teatro Art' Imagem



Terras de Ninguém
As cinco peças escolhidas para esta primeira edição da Mostra Anual de Dramaturgia têm em comum um interesse dos autores nas relações matrimoniais de uma certa classe média. Os tratamentos deste tema são muito diferentes, porém.
Em Testa-de-Ferro, de Jorge Palinhos, uma esposa traz o amante para casa, com o objectivo de matar o marido. Disfarçado de marioneta, como se isso fosse possível, o amante e o marido acabam por fazer amizade, por assim dizer. As três personagens vão alternando no papel de manipuladores, revelando que nem sempre quem puxa os cordelinhos domina o jogo da manipulação.
Em A Irrisão das Flores, Rui Pina Coelho faz uma crónica das entradas e saídas de um grupo de amigos entre 1998 e 2008, com as personagens recordando os abandonos, as separações, os filhos e os casamentos que se sucederam sem que eles soubessem muito bem como e ainda menos porquê.
Ida e Volta, de Tiago Rodrigues, um monólogo de uma mulher relatando uma viagem de separação, de comboio, acompanhada pelo insistente marido, revela a distância entre o mundo interior feminino, por um lado, e as ideias simples do género masculino, por outro.
Em Uma Carta a Cassandra, de Pedro Eiras, essa distância torna-se intransponível: um soldado das democracias ocidentais tenta ocultar à amada a verdade sobre os actos de guerra que cometeu. A mulher, porém, consegue ver o que aconteceu, deduzindo das palavras dele o não dito, a violência obscena.
A Minha Mulher, de José Maria Vieira Mendes, encerra a mostra, com o retrato de uma família numas longas férias da vida, dir-se-ia, os papéis de homem e mulher baralhando-se nos casais Pai e Mãe, Nuno e Laura, agravada a mistura pela chegada de um amigo de Nuno, carta fora de baralho. Vencedora do prémio António José da Silva, trata-se da única peça deste leque que já foi montada, tendo sido apresentada no Teatro Nacional Dona Maria II em 2007; porém, como nunca foi vista nos palcos portuenses, nem houve notícia de excursões a Lisboa, encaixa-se aqui nos critérios da MAD: mostrar textos originais e inéditos na cidade do Porto.
A perplexidade masculina perante os dons da subjectividade feminina, com os homens a repetirem-se e as mulheres a tentarem imaginar uma saída, elas mais práticas, eles mais incapazes, elas sonhando o futuro, eles enredados nas palavras, é outro traço comum a estes textos. Os cinco autores nasceram entre 1975 e 1977, tendo atingido a maioridade legal na primeira metade dos anos noventa.
Que ansiedades nacionais podemos atribuir a estas dramaturgias pessoais? O problema não é a mobilidade social, aparentemente resolvida, nem a constituição de uma comunidade política, sonho desleixado. O impasse dos casais, materializado num amante fantoche, num jardim intemporal, numa viagem de comboio, nas cartas do soldado à amada, numa casa de férias em chamas (em lume brando, aliás) gera falas de contemplação de actos passados, localizadas em terras de ninguém, que parecem traduzir um impasse mais generalizado, se não do país, pelo menos dos portugueses (classes, géneros, gerações) que aqui são ficcionados.
Jorge Louraço Figueira


Programação da Mostra Anual de Dramaturgia – MAD’ 09

“Testa de Ferro”
dia 27 Abril, segunda-feira – 19.00h
classificação etária M/12 duração 60 minutos
Quinta da Caverneira
[ de JORGE PALINHOS direcção VALDEMAR SANTOS actores AFONSO SANTOS, FLÁVIO HAMILTON, SARA PEREIRA ]

“A Irrisão das Flores”
dia 28 Abril, terça-feira – 19.00h
classificação etária M/12 duração 60 minutos
Quinta da Caverneira
[ de RUI PINA COELHO direcção SILVIA CORREIA actores ANA SOEIRO, AUGUSTO MOREIRA, HÉLIA MARTINS, JOSÉ CARLOS AZEVEDO, MANUEL SANTOS, PEDRO PAIVA, SANDRA PEREIRA, SOFIA PRÍNCIPE ]

“Ida e Volta”
dia 29 Abril, quarta-feira – 19.00h
classificação etária M/12 duração 60 minutos
Quinta da Caverneira
[ de TIAGO RODRIGUES direcção RICARDO CORREIA actores MARTA NUNES ]

“Uma Carta a Cassandra”
dia 30 Abril, quinta-feira – 19.00h
classificação etária M/12 duração 60 minutos
Auditório da Quinta da Caverneira
[ de PEDRO EIRAS direcção ARMANDO PINHO actores MIGUEL RAMOS, TERESA CHAVES ]

“A Minha Mulher”
dia 01 Maio, sexta-feira – 19.00h
classificação etária M/12 duração 60 minutos
Quinta da Caverneira
[ de JOSÉ MARIA VIEIRA MENDES direcção FERNANDO MOREIRA actores FÁBIO ALVES, FLÁVIO HAMILTON, SARA REIS, TERESA ALPENDURADA, VALDEMAR SANTOS ]

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