"Os Produtores" - O musical que goza com os musicais






Chega a Lisboa a versão nacional de Os Produtores, enorme sucesso da Broadway.

É um musical com o pior musical do mundo lá dentro. E dentro do pior musical do mundo está Hitler, na versão mais efeminada e drag queen de sempre, estão homens que falam com pombas e outros que comem velhinhas para lhes ficar com o dinheiro. Parece uma ideia maluca mas é a receita de um dos espectáculos mais famosos do mundo, enorme êxito da Broadway e alvo de duas versões em cinema.
Os Produtores, musical de Mel Brooks e Thomas Meeha, chega esta sexta-feira a Lisboa, ao Teatro Tivoli, com encenação de Claudio Hochman. E chega com cinco camiões TIR para transportar o cenário, e com um elenco onde se contam 25 actores e 22 músicos: uma grande produção onde foram investidos dois milhões de euros.

O investimento é da Cherry Entertainment, produtora de Pedro Costa, Gonçalo Castel-Branco e Francisco Penim, que assim se estreia no universo dos musicais.



“Em Portugal, musical é Filipe La Féria”, diz Gonçalo Castel-Branco, “e embora nós tenhamos o maior respeito por ele, o que queremos fazer é completamente diferente”. A comparação, continua o produtor, nem sequer interessa. “O que queremos é que venham ver o espectáculo e digam ‘vi em Londres e este não fica nada atrás’.”

O burburinho sobre a versão portuguesa começou há vários meses, fruto não só da campanha de marketing mas essencialmente da escolha do elenco. Rita Pereira, actriz protagonista de telenovelas e famosa desde os Morangos com Açúcar, foi a escolhida para interpretar o papel de Ulla, a sueca “boazona” que sonha representar e não tem pudores em “tudo mostrar”. A acompanhar Rita Pereira estão Manuel Marques, da série Os Contemporâneos, que aqui interpreta o papel do contabilista corrupto Leo Bloom; Miguel Dias, que faz de produtor Max Bialystock e está ligado ao musical mais tradicional (foi o protagonista de A Canção de Lisboa no Teatro Politeama, por exemplo); e ainda Pedro Pernas, Rui Mello, Rodrigo Saraiva e Custódia Gallego.


Antes da estreia propriamente dita, no Tivoli, o espectáculo fez uma pequena digressão em Portimão, Coimbra e Leiria, “uma espécie de tour off-Broadway, como fazem os musicais em Nova Iorque, para aperfeiçoar o espectáculo antes da grande estreia”, diz Castel-Branco.

Em termos de história, tudo começa na noite de estreia de um espectáculo que se revela um enorme flop. Max Bialystock é um produtor com o dom de falhar em tudo o que faz, e que sobrevive do dinheiro das velhas endinheiradas com quem dorme. Até ao dia em que Bloom, o contabilista que sonha ser produtor e vestir fatos italianos, aparece com o plano fatal para enriquecer: pedir dinheiro a investidores para fazer um espectáculo, gastar um décimo e fazer o maior fracasso de sempre, de modo a haver o mínimo de apresentações e poder ficar com o resto do dinheiro. É assim que a dupla se põe a produzir o pior musical do mundo: um espectáculo neo-nazi de louvor a Hitler que acaba a ser representado por um encenador gay.

Politicamente incorrecto? Sim. Mel Brooks, ele próprio judeu e autor de séries como Olho Vivo, não poupa ninguém. O resultado, resume Claudio Hochman, o encenador, é “um espectáculo popular, com temas musicais de grande qualidade e escrito por um dos mais interessantes humoristas contemporâneos”.

Os Produtores no Teatro Tivoli, às 21.30. Ter-Sáb 21.30, Sáb e Dom às 17.00.
27,50 a 45€. Até 31 de Março.
Ana Dias Ferreira in Time Out


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