Estreias Em Março no Teatro Nacional









Sala Garrett
“ESTA NOITE IMPROVISA-SE”, de Luigi Pirandello
encenação Jorge Silva Melo
de 5 de Março a 5 de Abril
4ª a sáb. 21H30 dom. 16H

Os Artistas Unidos regressam ao Teatro Nacional D. Maria II (TNDM II) com o espectáculo Esta Noite Improvisa-se (1929), de Luigi Pirandello, um texto da última fase do autor, que conclui a sua trilogia do “teatro no teatro”, revolucionário no modo de representação no palco.

A peça estreou em Portugal em 1964, numa produção da Companhia de Teatro de Atenas dirigida por Dimitri Murat, e ganhou o primeiro prémio do Festival da Casa da Imprensa.

Produções dirigidas por João Brites e Fernando Mora Ramos inauguraram, em 1993, o espaço da Culturgest. A última versão do texto foi a produção italiana dirigida por Luca Ronconi, no TNDM II, em 1998.

A partir da tradução de Osório Mateus e Luís Miguel Cintra (publicada em 1974), revista por Jorge Silva Melo e José Maria Vieira Mendes, apresenta-se uma obra que se desenvolve numa despudorada relação entre os espectadores e os actores. Perante os espectadores de uma estreia, um encenador propõe aos seus actores uma improvisação a partir de uma pequena novela de Pirandello, Leonora, Addio! Será esse o ponto de partida para um labirinto de dúvidas, incertezas e contradições que se desenrolam diante dos espectadores e anunciam a ficção da própria realidade.

Segue-se aqui a triste história da família La Croce, numa cidadezinha de província, com a sua mãe casamenteira, filhas casadoiras, resignado pai que se entrega a delírios extra-conjugais, rapazes de arribação. E a vida que se fecha para a mais abnegada das quatro filhas da família La Croce, essa Mommina que sonhava vir a cantar Verdi nos grandes teatros e acaba fechada em casa, na tremenda teia de ciúmes que sobre ela foi construindo o marido, o tenebroso Rico Verri. E a vida, o que foi, a não ser um sonho, dirá Pirandello, um sonho de teatro?

Tradução Luís Miguel Cintra e Osório Mateus Encenação Jorge Silva Melo Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Música Rui Rebelo Desenho de Luz Pedro Domingos Interpretação António Simão, Cândido Ferreira, Lia Gama, Pedro Lacerda, Sílvia Filipe, Alexandre Ferreira, Andreia Bento, Cecília Henriques, João Meireles, John Romão, Pedro Luzindro, Sara Belo, Victor Gonçalves, Crista Alfaiate, João Miguel Rodrigues, Joaquim Pedro, Alexandra Viveiros, Luís Godinho, Pedro Carraça, Miguel Telmo, Miguel Aguiar, Carlos Marques, Jéssica Anne, João Abel, António Rodrigues, Ricardo Batista, Sara Moura e Vânia Rodrigues Músicos Antóniopedro, Gonçalo Lopes, João Cabrita, José Raminhos e Miguel Tapadas Co-produção Artistas Unidos e TNDM II M/12


Sala Estúdio
“A NOITE”, a partir de AL BERTO
encenação João Brites
de 12 de Março a 5 de Abril
4ª a sáb. 21H45 dom. 16H15

«Apresentação da Noite nasceu, a um dado momento, da necessidade de tornar audível esse silêncio onde se perde todo e qualquer desejo de escrever.»
Al Berto, Dezembro de 1984

Isto não é Al Berto.
É um longo e demorado gesto de despedida.
Isto não é Al Berto.
É a tentativa de adiar a nossa ausência.
Isto não é Al Berto.
São duas faces se um mesmo espelho que se dissipam.
Isto não é Al Berto.
É a nossa condição de sermos breves.
Isto não é o Al Berto.
Isto não é a Al Berto.
Isto é a distracção antes da morte.

João Brites encena A Noite, a partir do texto Apresentação da Noite, de Al Berto, uma montagem de excertos gravados entre 1981 e 1983, textos inéditos e outras obras como O Medo, Lunário ou À Procura do Vento num Jardim d'Agosto. Poeta surgido nos finais dos anos 70, Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares (1948-1997), distingue-se por uma lírica confessional e reflexiva, marcada pelos afectos.
Em mais de vinte anos de actividade literária, a expressão poética assumida pelo autor é marcada pela disforia que parece cercar o homem num ambiente que lhe é hostil e que contamina a sua escrita. A palavra ganha um poder exorcizante mostrando-se necessário tornar audível o silêncio onde, como disse Al Berto, “se perde todo e qualquer desejo de escrever”.
“Um longo e demorado gesto de despedida. Uma série de jogos, ornamentos inúteis, tentativas de adiar a inevitável ausência que pauta todas as relações. Talvez a vida seja a distracção antes da morte, como um espaço que vai diminuindo, desaparecendo. Talvez, como duas faces de um mesmo espelho que se acompanham nos últimos momentos, o masculino e o feminino se invertam, se desloquem, se dissipem nesta condição humana de sermos breves.”

a partir de Apresentação da Noite e outros textos de Al Berto Dramaturgia, encenação e espaço cénico João Brites Corporalidade Vânia Rovisco Oralidade Teresa Lima Figurinos e adereços Clara Bento Desenho e operação de luz João Cachulo interpretação Ana Lúcia Palminha e Pedro Gil co-produção Teatro O Bando e Teatro Nacional D. Maria II

Comments

Rui said…
espectativa...

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