Saturday, January 10, 2009

A MEMÓRIA DE PINTER #3






Continuando o Dossier que o Guia dos Teatros tem vindo a dedicar ao dramaturgo Harold Pinter (ver link) aqui ficam mais alguns textos e uma detalhada filmografia feita quando o autor foi homenageado em 2006 pelo FamaFest em Vila Nova de Famalicão e que foram publicados no blog do festival.

A MORTE DE HAROL PINTER
Dia 25 de Dezembro de 2008, morreu Harold Pinter, com 78 anos, prémio Nobel da Literatura de 2005, e um dos mais importantes escritores, dramaturgos, intelectuais europeus. Em 2006 foi homenageado no Famafest - Festival de Famalicão - Cinema e Literatura. Aqui deixamos alguns dos textos então publicados no programa do festival, onde se destaca uma filmografia de Harold Pinter como escritor (adaptado), argumentista, realizador e actor.

O QUE NÃO DIZ
"Harold Pinter é alguém atento ao quotidiano do nosso tempo. A sua obra é um espelho de uma situação que não é necessariamente simples", diz João Barrento

Ouviram-se aplausos, ontem, em Estocolmo, quando o secretário da Academia Sueca anunciou a decisão de atribuir o Prémio Nobel da Literatura de 2005 ao dramaturgo inglês Harold Pinter. O galardão surge meses depois de Pinter ter anunciado que não iria escrever mais teatro e pouco tempo antes de estar agendado o seu regresso aos palcos, enquanto actor, para representar uma peça de Samuel Beckett no Royal Court Theatre, em Londres.
Aos 75 anos, Harold Pinter é o décimo autor britânico, e o segundo em cinco anos, a ser distinguido com o mais prestigiante e lucrativo prémio das letras, no valor de 1,1 milhões de euros. É também o segundo dramaturgo premiado na história recente do Nobel, depois do italiano Dario Fo, em 1999. Em relação a Fo, Pinter representa "uma subida de escalão", segundo declarou à Lusa Ricardo Pais, director do Teatro de S. João. A Academia justifica a escolha pelo facto de Pinter ser "o principal representante da dramaturgia britânica da segunda metade do século XX" e de ter recriado o teatro como forma de arte. Um autor que fez uma síntese inovadora das principais correntes do teatro - clássico e contemporâneo -, criando "uma atmosfera e ambiência específicas" que o próprio baptizou com um adjectivo adaptado do seu nome "pintaresco". Nas suas obras típica - e para citar mais uma vez a Academia - "encontramos pessoas que se defendem de intrusões estranhas ou das suas próprias pulsões, refugiando-se numa existência reduzida e controlada".
São palavras de quem tem necessidade de classificar uma obra. Sobre ela, o autor diz apenas "Não consigo resumir nenhuma das minhas peças. Não consigo descrever nenhuma. O que sei dizer: foi assim que se passou, foi isto o que disseram, isto o que fizeram."
A "auto-apreciação" encaixa no que sobre ele João Barrento, o catedrático que assinou, em 1964, uma tese precisamente sobre o teatro de Harold Pinter "É alguém atento ao quotidiano do nosso tempo, que ia beber informação aos autocarros de Londres. A sua obra é um espelho de uma situação que não é necessariamente simples, ainda que os problemas de que fala possam ser os vividos por qualquer um de nós." Um teatro onde o não dito é mais importante do que o que se diz. "Ele consegue, entre duas frases comuns, criar uma rede e fazer vir o perigo. No que apaga revela o mundo", declarou também o encenador Jorge Silva Melo, mostrando-se bastante satisfeito com a escolha: "O teatro quase não entra nas páginas literárias da actualidade. É interessante que um autor de teatro seja consagrado com o Nobel. Neste caso, um autor que tem marcado a uma posição contrária à actual política mundial."
O nome de Harold Pinter constava da longa "lista" dos candidatos ao Nobel deste ano, que incluía ainda os escritores norte-americanos Philip Roth e Joyce Carol Oates, o poeta sueco Thomas Transtromer, o checo Milan Kundera ou o poeta sul-coreano Ko Un. Embora o favoritismo recaísse sobre o turco Orhan Pamuk ou o poeta sírio Adonis (cujo nome verdadeiro é Ali Ahmad Said), não se pode dizer que o anúncio do nome de Pinter como vencedor deste ano tivesse causado tanta surpresa como a que provocou Elfriede Jelinek, a escritora austríaca que ganhou o Nobel em 2004.
Natural de Hackney, Londres, onde nasceu a 10 de Outubro de 1930, filho de imigrantes judeus, Harold Pinter frequentou a Real Academia de Artes Dramáticas e publicou os primeiros poemas em 1950. A sua carreira no teatro começou nos palcos, como actor. Em 1957, estreia-se como dramaturgo, com a peça “The Room”, mas só se afirmaria como autor em 1960 com aquela que é considerada uma "obra-prima do absurdo", “The Caretaker” (peça que os Artistas Unidos produziram em 2002, com o título “O Encarregado”).
Foi o princípio de um percurso onde se contabilizam mais de trinta peças teatrais, mas também obras para rádio, televisão e cinema. Numas e noutras, destacam-se as marcas do mestre. A começar por aquilo a que o realizador de cinema Alberto Seixas Santos chama de a incerteza do sentido", num artigo que escreveu sobre a obra de Pinter no n.º 8 da revista Artistas Unidos. "Nunca sabemos exactamente qual o grau de veracidade, de 'realismo', por assim dizer, que ali há, e o que ali há é fruto de estratégias de competitividade e de poder (...) No fundo do trabalho dele está sempre a questão do poder. E o poder é sempre violência", afirmou Seixas Santos numa altura em que projectava encenar “Comemorações”, de Harold Pinter, para os Artistas Unidos (2004).
"Imprensa: Senhor ministro, antes de ser Ministro da Cultura, creio que o senhor foi chefe da Polícia Secreta. Ministro: Correcto. Imprensa: vê alguma contradição entre estes dois papéis? Ministro: Absolutamente nenhuma."
Este é o início do último texto de Harold Pinter levado à cena em Portugal, no Teatro D. Maria II, numa produção dos Artistas Unidos. Foi em Junho deste ano. Em Março, Pinter anunciara a intenção de abandonar a escrita para teatro, três anos depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro no esófago. Foi um período em que ficou conhecido, sobretudo, pelas suas posições políticas. Crítico acérrimo da Administração Bush e de Tony Blair, manifestou-se contra a intervenção no Iraque. Uma oposição que deixou registada em poema. A sua intervenção política estendeu-se a Portugal. Em 2002, dirigiu um telegrama a Pedro Santana Lopes, então presidente da Câmara de Lisboa, contestando a decisão de retirar os Artistas Unidos do espaço A Capital.
Agora, diz que quer dedicar-se apenas à poesia. Ao saber que tinha vencido o Nobel da Literatura declarou "Estou estupefacto. (...) tenho de parar de me sentir assim quando chegar a Estocolmo."
Isabel Lucas, in DN


PINTER, O RETICENTE
As peças de Harold Pinter cultivam uma fascinante noção de economia. Como em “Old Times” (1971), jogo de memórias e confrontos que nos deixa muito poucas certezas mas que capta com inteligência uma inegável nebulosidade nos nossos afectos e lembranças. O dramaturgo inglês é um realista com um domínio da linguagem que ultrapassa o simples naturalismo, de tão cuidada (mas não artificial), de tão atenta aos ritmos, repetições, pausas, saltos lógicos, banalidades. Como escreve Martin Esslin num estudo clássico, se em teatro o diálogo é acção, então nas peças pinterianas as situações concretas com pessoas concretas existem acima de tudo através dos diálogos lacónicos mas extremamente precisos. É como se as comédias burguesas amáveis de Noël Coward se cruzassem com as tragicomédias inóspitas de Beckett. Dotado de um ouvido excepcional, Pinter usa diálogos oblíquos como imagem cirúrgica de personagens e situações oblíquas, sobre as quais sabemos pouco. O dramaturgo esconde as motivações porque isso é assim mesmo nós sabemos pouco acerca das motivações próprias e alheias, e o teatro explicativo é um teatro infiel ao mundo tal como o conhecemos. Assim, pausas e silêncios são essenciais: Esslin explica que Pinter joga com o que já sabemos para que os silêncios sejam produtivos, e joga com o que não sabemos para que as ambiguidades se confundam com a situação "O diálogo e as personagens são reais, mas o efeito total é de mistério, de incerteza, de ambiguidade poética", escreveu o falecido crítico teatral. Esse é "o segredo do seu impacto". O dramaturgo confirma: "As minhas personagens dizem-me alguma coisa, mas não muito, sobre a sua experiência, as suas aspirações, as suas motivações, a sua história. Entre a minha escassez de dados biográficos sobre elas e a ambiguidade do que elas dizem está um território que não só vale a pena explorar mas que é obrigatório que exploremos". É que nós somos muitas vezes esquivos e evasivos, "mas é desses atributos que nasce uma linguagem".
O Nobel atribuído ontem a Harold Pinter premeia com justiça inatacável o maior dramaturgo vivo, o mais incansavelmente subtil no cruzamento entre violências e reticências quotidianas.
Pedro Mexia, in DN

O PSEUDÓNIMO PORTUGUÊS DO DRAMATURGO INGLÊS
Durante mais de vinte anos, Harold Pinter julgou ser de origem portuguesa. A história é contada por Jorge Silva Melo, o actor e encenador que organizou em 2001 um ciclo com Os Artistas Unidos sobre o dramaturgo - então no espaço A Capital - e que tem sido um dos principais responsáveis pela divulgação da obra de Pinter em Portugal.
Filho de judeus, Pinter atribuiu a origem do seu apelido a Portugal, uma variação de Pinto ou Pinta, como adianta Silva Melo. "O primeiro pseudónimo que usou foi Harold da Pinta, porque achava que, como Espinosa, descendia de portugueses." O aprofundar da pesquisa sobre Portugal levou-o a dedicar algumas páginas da sua dramaturgia ao galo de Barcelos. O equívoco só seria desfeito pela escritora Antónia Fraser, com quem viria a casar, que descobriu que Pinter, afinal, descende de polacos.
Um episódio que acentua a relação entre o mais recente Nobel da Literatura e Portugal, um dramaturgo de quem Silva Melo sublinha "a capacidade de desequilibrar, de pôr em perigo as relações mais evidentes, de colocar uma ferida na superfície mais lisa". Desde 1964, que Harold Pinter é representado em português. A peça em causa foi “Monta-Cargas”. Mas Silva Melo lembra, sobretudo, “O Porteiro” (1967) e o desempenho "inesquecível" do actor Augusto de Figueiredo, na que considera a melhor interpretação de todas (não só as de Pinter) a que já assistiu na vida .
Harold Pinter não foi a Estocolmo receber o prémio.



A CARTA QUE O NOBEL DA LITERATURA ESCREVEU AO JÚRI
Em 1958 escrevi: «não há uma grande diferença entre aquilo que é real e aquilo que é irreal, nem entre aquilo que é verdade e aquilo que é falso. Uma coisa pode não ser nem verdadeira nem falsa. Pode ser ao mesmo tempo verdadeira e falsa.»
Acho que esta afirmação ainda faz sentido e se aplica ainda à exploração de realidade através da arte. Por isso, enquanto escritor defendo esta afirmação. Por isso o defendo enquanto artista. Mas enquanto cidadão não, enquanto cidadão tenho de perguntar: o que é que é verdade? O que é que é falso?"
No teatro, a verdade esquiva-se sempre. Quase nunca a encontramos, mas é forçoso andar em sua busca. A busca é claramente aquilo que guia os nossos esforços. A procura é o nosso trabalho. É muitas vezes no escuro que tropeçamos na verdade, esbarramos com ela, ou vislumbramos uma imagem ou uma forma que parece corresponder à verdade, mas muitas vezes também acontece não sabermos que o fizemos. Mas a verdade mesmo é que não há nunca uma só verdade que possamos encontrar na arte do teatro. Há muitas. Estas verdades desafiam-se umas às outras, repercutem, reflectem-se, ignoram-se, espicaçam-se, são insensíveis umas às outras. Às vezes, pensamos que temos a verdade de um momento na mão, e ela escapa-se-nos por entre os dedos e perde-se.
Muitas vezes me perguntam como nascem as minhas peças. Não sei dizer. Nem sei resumir nenhuma das minhas peças. Não sei descrever nenhuma. Só sei dizer: foi isto o que aconteceu, foi isto o que disseram, foi isto o que fizeram.
Muitas das peças começaram com uma frase, uma palavra ou uma imagem. À palavra junta-se quase logo uma imagem. Vou dar o exemplo de duas frases que me vieram à cabeça sei lá de onde e a que logo se seguiu uma imagem, a que logo se seguiu eu.
As peças são “O Regresso a Casa” e “Há Tanto Tempo”. A primeira frase de “O Regresso a Casa” é: «Onde é que puseste a tesoura?». A primeira frase de “Há Tanto Tempo” é «Escuro».
Em nenhum dos casos, eu não tinha mais informações.
No primeiro, era evidente que alguém estaria à procura de uma tesoura e estava a perguntar o que lhe fizera alguém que suspeita tê-la roubado. Mas eu, de certa maneira, sabia que a pessoa a quem a pergunta era feira se estava nas tintas para a tesoura ou mesmo para quem lhe fazia a pergunta.
“Escuro” achei que era a descrição do cabelo de alguém, o cabelo de uma mulher, e era a resposta a alguma pergunta. Em qualquer dos casos, senti-me obrigado a prosseguir. Isto passou-se visualmente, uma entrada lenta na luz, da sombra à luz.
Quando começo uma peça, chamo sempre A, B ou C às minhas personagens.
Na peça que viria a ser “O Regresso a Casa”, vi um homem entrar numa sala e fazer uma pergunta a um homem mais novo que estaria sentado num feio sofá a ler um jornal de apostas de cavalos. Tinha a ideia que A seria um pai e B um filho, mas não tinha provas. Isso, no entanto, seria confirmado daí a nada quando B (que viria a ser Lenny) diz a A (que viria a ser Max), «O pai importa-se que eu mude de assunto? Queria fazer-lhe uma pergunta. Aquele jantar que nós comemos, como é que se chamava a comida? Qual é o nome que o pai dá àquilo? Porque é que não compra um cão? É um cozinheiro de cães. A sério. O pai acha que cozinha para cães.»
Ou seja, a partir do momento em que B chama «Pai» a A, pareceu-me aceitável que fossem pai e filho. Também A é claramente o cozinheiro e a sua arte não é muito apreciada. Quererá isto dizer que não há mãe? Não sabia. Mas, tal como para mim mesmo me disse, os nossos princípios não sabem dos nossos desenlaces.
“Escuro.' Uma janela grande. Um céu nocturno. Um homem, A (que viria a ser Deeley), e uma mulher, B (que viria a ser Kate), sentados a beber. 'Gorda ou magra?' pergunta o homem. De quem é que estariam a falar? E nessa altura vejo, de pé, junto a uma janela, uma mulher, C (que viria a ser Anna), iluminada de outra maneira, de costas para eles, cabelo escuro.
É um momento estranho, o momento de criar personagens que nunca existiram até essa altura. Aquilo que se segue é incerto, inseguro, ás vezes alucinante - e às vezes mesmo uma avalanche que não pára. A posição do autor é estranha. Num certo sentido, as personagens não o querem por lá. As personagens resistem, não são de convívio fácil, são de difícil definição. De certa forma, estamos num jogo sem fim com elas, gato e rato, à cabra-cega, às escondidas. E acabamos por ter nas nossas mãos pessoas de carne e osso, pessoas com desejos e com sensibilidade própria, feitas de elementos que já não conseguimos alterar, manipular ou distorcer.
É assim que a linguagem na arte continua a ser uma transacção extremamente ambígua, uma areia movediça, um trampolim, um lago gelado que a qualquer momento pode ceder ao nosso peso, ao peso do autor.
Mas, como disse, a busca da verdade não pode parar. Não pode ser adiada, não pode ser suspensa. Tem de ser afrontada, e logo.
O teatro político tem toda uma outra série de problemas. Tem de se evitar os sermões a todo o custo. A objectividade é essencial. As personagens têm de poder respirar o seu próprio ar. O autor não pode confiná-las nem obrigá-las a satisfazer-lhe o seu gosto ou as preferências e tendências que são as suas suas. Tem de estar preparado para as observar sob uma grande variedade de ângulos, um leque de perspectivas diversas e sem preconceitos, apanhá-las de surpresa, talvez, de vez em quando, mas deixando-lhes a liberdade de seguirem o seu próprio caminho. Nem sempre funciona. E a sátira política, é evidente, não obedece a nenhum destes preceitos, está exactamente no lado oposto, e essa a sua função principal.
Na minha peça “Feliz Aniversário”, creio ter lançado um grande leque de pistas que nos guiam por uma densa floresta de possibilidades, até me concentrar, no final, num acto de submisssão.
Língua de Montanha não funciona numa escala tão aberta. É brutal, breve e feia. Mas os soldados da peça conseguem divertir-se com a situação. As pessoas esquecem-se que os torturadores se aborrecem facilmente. Precisam de gargalhadas para manter o moral. Isto vimo-lo em Abu Ghraib em Bagdade. Língua de Montanha dura só 20 minutos, mas podia prolongar-se, horas e horas, com o mesmo padrão a repetir-se e repetir-se, hora após hora.
“Cinza às Cinzas”, por outro lado, parece-me passar-se debaixo de água. Uma mulher que se afoga, a mão dela que emerge das vagas, que cai fora do alcance da nossa vista, tentando alcançar outras mãos, mas sem encontrar ninguém, nem por baixo nem por cima da água, só sombras, reflexos. A mulher é uma silhueta perdida numa paisagem que se afoga, uma mulher que não é capaz de escapar ao trágico destino que parecia pertencer apenas aos outros.
Mas tal como eles morreram, também ela morrerá.
A linguagem política, tal como é usada pelos políticos, não se aventura por nenhum destes territórios, dado que, na generalidade, os políticos, naquilo que deles podemos ver com clareza, estão interessados não na verdade mas no poder e na manutenção desse poder. Para manter esse poder, é fundamental que as pessoas continuem ignorantes, que vivam na ignorância da verdade, e até da verdade das suas próprias vidas. Aquilo que nos rodeia é uma vasta tapeçaria de mentiras, sobre a qual nos vamos alimentando.
Como qualquer um de nós sabe, a invasão do Iraque foi justificada pelo facto de Saddam Hussein possuir um grande arsenal de armas de destruição em massa, algumas das quais poderiam ser activadas em 45 minutos, com efeito terrivelmente devastador. Garantiram que era verdade. Não era verdade. Disseram-nos que o Iraque tinha ligações com a Al Quaeda e partilhava a responsabilidade pelas atrocidades ocorridas em Nova Iorque a 11 de Setembro de 2001. Garantiram que era verdade. Não era verdade. Disseram-nos que o Iraque era uma ameaça para a segurança mundial. Garantiram que era verdade. Não era verdade.
A verdade é uma coisa inteiramente diferente. A verdade tem a ver com o papel que os Estados Unidos julgam ter no mundo e como escolhem encarná-lo.
Mas antes de voltar ao presente, quero ir atrás, até ao passado recente. Quero eu dizer à política externa dos Estados Unidos desde a II Guerra Mundial. Acho que temos a obrigação de analisar este período de forma rigorosa, embora limitada pelo tempo de que aqui dispomos.
Todos sabemos o que aconteceu na União Soviética e em toda a Europa de Leste durante o período do pós-guerra: a brutalidade sistemática, as atrocidades largamente difundidas, a brutal irradicação do pensamento independente. E tudo isso foi amplamente documentado e verificado.
Mas eu defendo aqui que os crimes que os Estados Unidos cometeram nesse mesmo período só superficialmente foram retidos, quanto mais documentados, e é se alguém os reconheceu como crimes. Creio que esta questão tem de ser colocada e que a verdade tem uma relação evidente com o estado actual do mundo. Embora, até certo ponto, condicionadas pela acção da União Soviética, as acções levadas a cabo pelos Estados Unidos no mundo inteiro dão claramente a entender que eles se tinham autorizado uma carta branca para fazer aquilo que queriam.
A invasão directa de um estado soberano nunca foi, de facto, o método preferido da América. Na maior parte dos casos, sempre preferiu aquilo que qualifica como «conflito de baixa intensidade». «Conflto de baixa intensidade» quer dizer que há milhares de pessoas que morrem mas mais devagar do que se se lhes atirasse uma bomba para cima. Quer dizer que se lhes infecta o coração do país, que se lhes injecta um tumor maligno e se fica a ver o crescimento da gangrena. Quando o povo se rende - ou é espancado até à morte, o que é a mesma coisa - e que os amigos, os militares e as grandes empresas, se sentam comodamente no poder, avançam para frente das câmaras e dizem que a democracia venceu. Isto foi um lugar comum recorrente na política externa dos EU nos anos a que me refiro.
A tragédia da Nicarágua é particularmente significativa. Escolho-a aqui como exemplo claro da visão que a América tem do seu papel no mundo, nessa altura como agora.
No final dos anos 80, estive numa reunião na Embaixada Americana em Londres.
O Congresso dos EUA ia decidir nessa altura se iria dar mais dinheiro aos Contras na sua campanha contra o estado da Nicarágua. Eu integrava uma delegação que representava a Nicarágua mas o membro mais importante desta delegação era um Padre John Metcalf. O chefe do campo americano era Raymond Seitz (nessa altura numero dois da embaixada, mais tarde, embaixador ele próprio). O Padre Metcalf disse: "Tenho a meu cargo uma paróquia no norte da Nicarágua. Os meus paroquianos construíram uma escola, um centro de saúde, um centro cultural. Vivemos em paz. Há uns meses atrás uma força dos Contra atacou a nossa paróquia. Destruíram tudo: a escola, o centro de saúde, o centro cultural. Violaram enfermeiras e professoras, massacraram os médicos da forma mais brutal. Actuaram como selvagens. Por favor, peça ao Governo dos Estados Unidos que retire o apoio que dá a esta actividade terrorista."
Raymond Seitz tinha fama de ser um homem particularmente inteligente, responsável e altamente sofisticado. Era muito respeitado nos círculos diplomáticos. Ouviu, calou-se e depois disse com alguma gravidade: "Padre", disse ele "deixe-me eu dizer-lhe uma coisa. Numa guerra, as pessoas inocentes sofrem sempre." Houve um silêncio glacial. Olhámo-lo nos olhos. Ele nem pestanejou.
As pessoas inocentes, realmente, sofrem sempre.
Até que, por fim, alguém disse: 'Mas neste caso, as pessoas inocentes são vítimas de uma atrocidade sem nome financiada pelo seu governo, e uma entre muitas. Se o Congresso conceder mais dinheiro aos Contras, haverá mais atrocidades deste género Não é assim? Não ficará o seu governo com a culpa de apoiar crimes de morte e destruição de cidadãos de um estado soberano?'
Seitz imperturbável. ' Não creio que os factos referidos demonstrem a vossa asserção”, disse.
Ao sairmos da Embaixada, um conselheiro americano disse-me que ele apreciava o meu teatro. Não respondi.
Devo lembrar-vos que nessa altura o Presidente Reagan afirmou o seguinte: 'Os Contras são o equivalente moral dos nossos Pais Fundadores.'
Os EUA apoiaram a brutal ditadura de Somoza na Nicarágua por mais de 40 anos. O povo da Nicarágua, liderado pelos Sandinistas, fez cair este regime em 1979, uma arrebatadora revolução popular.
Os Sandinistas não eram perfeitos. Tinham a sua parte de arrogância e a sua filosofia política continha inúmeras contradições. Mas eram inteligentes, racionais e civilizados. Queriam instaurar uma sociedade decente, pluralista, estável. Aboliram a pena de morte. Centenas de milhares de camponeses marginalizados pela miséria viram renascer a esperança. Mais de 100.000 famílias tiveram direito a terra. Foram construídas 2.000 escolas. Uma brilhante campanha de alfabetização reduziu a iliteracia até menos de 7%. Foi criada a educação gratuita e o serviço de saúde gratuito. A mortalidade infantil foi reduzida de um terço. A poliomielite foi erradicada.
Os EUA acusaram estes feitos de subversão marxista-leninista. De acordo com o governo dos EUA, a Nicarágua estava a dar um exemplo perigoso. Se continuasse a estabelecer normas elementares de justiça social e económica, se continuasse a elevar o grau dos cuidados de saúde e educação, se conseguisse atingir uma união social e um auto-respeito nacional, os países limítrofes haveriam de levantar as mesmas perguntas e fazer as mesmas coisas. Em El Salvador, havia, simultaneamente, uma bizarra resistência ao statuo quo.
Falei já de uma "tapeçaria de mentiras" que nos envolve a todos. O Presidente Reagan qualificava a Nicarágua como 'uma masmorra totalitária.” Isto acabou por ser aceite pelos média - e certamente pelo governo britânico - como um comentário adequado. Não havia, no entanto, traça de esquadrões da morte no governo sandinista. Não havia traça de torturas. Não havia traça de brutalidade militar, sistemática e oficial. Nenhum padre foi assassinado na Nicarágua. Havia mesmo três padres no governo, dois Jesuitas e um missionário Maryknoll. As masmorras totalitárias estavam mesmo ao lado, em El Salvador e na Guatemala. Os EUA tinham feito cair o governo democraticamente eleito da Guatemala em 1954 e estima-se em mais de 200.000 o número de vitimas das sucessivas ditaduras militares.
Seis dos mais eminentes jesuítas do mundo foram traiçoeiramente assassinados na Universidade de San Salvador em 1989 por um batalhão do regimento Alcatl treinado em Fort Benning, Georgia, EUA. Aquele homem particularmente corajoso, o Arcebispo Romero foi assassinado ao dizer missa. Estima-se em 75,000 o número de mortos. Porque é que foram mortos? Foram mortos porque acreditaram que era possível uma vida melhor e que se devia lutar por ela. Essa convicção fez com que fossem acusados de ser comunistas. Morreram porque ousaram questionar o status quo, o interminável horizonte de pobreza, doença, decadência e opressão que foi o que tiveram como direitos ao nascer.
Os Estados Unidos acabaram por fazer cair o governo Sandinista. Demorou uns anos, encontrou uma resistência considerável mas a perseguição económica sem tréguas e os 30.000 mortos acabaram por fazer quebrar a determinação do povo da Nicarágua. Estavam exaustos e a miséria regressara. Os casinos voltaram. A educação e a saúde gratuitas acabaram. As grandes empresas voltaram, vingativas. A "democracia" venceu”.
Mas esta "política" não diz apenas respeito ao que se passa na América Central. Foi levada a cabo em todo o mundo. Não tem fim. E é como se nunca tivesse acontecido.
Os Estados Unidos apoiaram e em muitos casos estiveram na origem de todas as ditaduras militares da direita no mundo desde o final da II Guerra Mundial. Estou a falar da Indonésia, Grécia, Uruguay, Brazil, Paraguay, Haiti, Turquia, Fiilipinas, Guatemala, El Salvador, e, é claro, do Chile. O horror que os EUA fizeram abater sobre o Chile em 1973 não poderá nunca ser expiado nem esquecido.
Ocorreram centenas de milhares de mortes nestes países. Mas ocorreram? E podem ser atribuídas à política externa dos EUA? A resposta é sim e que elas são da responsabilidade da política externa dos EUA. Mas nunca o saberíamos.
Nunca nada aconteceu. Nada aconteceu. Mesmo quando estava a acontecer, não aconteceu. Não tinha importância, Não tinha interesse. Os crimes dos EUA são sistemáticos, regulares, viciosos, sem remorso mas poucos são os que falam deles. E a responsabilidade é da América. Exerceu uma manipulação de poder mundial a um nível quase cirúrgico ao mesmo tempo que se disfarçava em força do bem universal. É uma hipnose brilhante, esperta, altamente conseguida.
Afirmo-vos que os EUA são sem sombra de dúvida quem, neste momento, tem em cena o maior espectáculo do mundo. Poderá parecer brutal, indiferente, desdenhoso e impiedoso mas é inegavelmente muito esperto. Tal como um caixeiro-viajante, trabalha por conta própria e a mercadoria com mais saída é a auto-estima. É um vencedor. Ouçam como os presidentes dos EUA dizem na televisão "o povo americano", como na frase "Digo ao povo americano que é tempo de rezar e de defender os direitos do povo americano e peço ao povo americano que confie no seu presidente na acção que vai iniciar em defesa do povo americano.”
O estratagema é brilhante. A linguagem é realmente usada para obscurecer o pensamento. A expressão "o povo americano" comporta em si uma voluptuosa almofada que nos dá confiança. Não é preciso pensar. Basta aconchegarmo-nos sobre a almofada. Pode ser que a almofada esteja a sufocar a inteligência e as faculdades críticas mas é tão confortável. Isto, é claro, não se aplica aos 40 milhões de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza e dos 2 milhões de homens e mulheres que estão presos no vasto gulag de prisões que se estende ao longo dos EUA.
Os EUA já não se preocupam com os conflitos de baixa intensidade. Já não vêm qualquer interesse em dar provas de reserva ou sequer de manhas. Atiram para cima da mesa as cartas sem medo. Estão-se realmente nas tintas para as Nações Unidas, a lei internacional ou as críticas, que consideram não ter qualquer poder ou importância. E ainda levam atrás de si, à trela, o pequeno cordeirinho que é a patética e submetida Grã Bretanha.
O que aconteceu com a nossa sensibilidade moral? Alguma vez a tivemos? O que quer dizer esta expressão? Refere-se a um termo pouco usado nestes dias - consciência? Uma consciência de agir não apenas com os nossos próprios actos mas com a responsabilidade partilhada nas acções dos outros? Já tudo isto morreu? Olhe-se para a Baía de Guantanamo. Estão lá centenas de pessoas presas sem acusação, há mais de três anos, sem representantes legais, tecnicamente em prisão perpétua. Esta estrutura totalmente ilegítima é mantida à revelia da Convenção de Genebra. E é tolerada ou vista como se não existisse por aquilo a que se chama "a comunidade internacional". Este crime escandaloso está a ser perpetrado por um país que se intitula "defensor do mundo livre". Pensamos nos prisioneiros de Guantanamo? O que dizem os média acerca deles? De vez em quando espreitam, dá uma pequena nota na página 6. Foram confinados a uma terra de ninguém de onde provavelmente nunca regressarão. Neste momento, há alguns que estão em greve da fome, alimentados à força, e alguns são britânicos. Não há delicadeza nesta alimentação forçada. Nem sedativos nem anestésicos. Só um tubo enfiado pelo nariz e que vai até à garganta. Vomita-se sangue. Isto é uma tortura. O que dizem os Negócios Estrangeiros britânicos acerca disto? Nada. O que diz o primeiro-ministro britânico? Nada. E porque não? Porque os EUA disseram: criticar a nossa acção em Guantanamo é um acto hostil. Ou estão connosco ou contra nós. E, portanto, Blair cala-se.
A invasão do Iraque foi um acto de banditismo, um acto de terrorismo de estado, demonstrando um total desprezo pela noção de lei internacional. A invasão foi uma acção militar sustentada por uma série de mentiras, enorme manipulação dos media e por conseguinte do público; um acto que deveria consolidar o domínio militar e económico da América no Médio Oriente disfarçado em última instância de libertação - uma vez que todas as outras justificações ruíram. Uma formidável asserção de força militar responsável pela morte e mutilação de milhares e milhares de inocentes.
Levámos tortura, bombas de fragmentação, urânio empobrecido, matanças cometidas ao acaso, miséria, humilhação e morte e chamamos a isso "levar ao Médio Oriente a liberdade e a democracia".
Quantas pessoas é preciso matar até se ser qualificado como um assassino de massas e um criminoso de guerra? Uma centena de milhar? Mais do que o necessário, julgaria eu. Por isso creio que é justo que Bush e Blair sejam levados ao Tribunal Internacional de Justiça Mas Bush foi esperto. Nunca ratificou o Tribunal Internacional. Por isso, se alguma vez um soldado americano ou melhor ainda um político alguma vez estiver no banco dos réus, Bush disse que enviaria os marine. Mas Tony Blair ratificou o Tribunal e está assim sujeito a um processo. Podemos dar a sua morada ao Tribunal, no caso de estarem interessados. É o número 10 da Downing Street, London.
Neste contexto, a morte não tem qualquer importância. Quer Bush quer Blair conseguem muito bem passar ao seu lado. Já pelo menos 100.000 Iraquianos foram mortos por bombas e mísseis americanos - e antes de ter começado a revolta iraquiana. Essas pessoas não são de tempo nenhum. As suas mortes não existem. Nada são. Nem sequer são lembradas como mortas. "Não fazemos contagem de corpos", disse o general americano Tommy Franks.
Mal começou a invasão, surgiu na primeira página dos jornais britânicos uma fotografia de Tony Blair dando um beijo a um menino iraquiano. "Uma criança agradecida", dizia a legenda. Dias depois havia uma história e uma fotografia, numa página interior, de um outro menino de 4 anos sem braços. A família fora dizimada por um míssil. Ele é o único sobrevivente. "Quando é que volto a ter braços?", perguntava. E a história foi esquecida. É que Tony Blair não estava com ele ao colo nem tinha ao colo nenhuma outra criança mutilada, nem nenhum cadáver ensanguentado. O sangue é sujo. Suja a camisa e a gravata e é preciso um discurso sincero na televisão.
Os 2.000 mortos americanos são um embaraço. São transportados para os seus túmulos durante a noite. Os funerais fazem-se na maior discrição, em lugares seguros.
Os mutilados apodrecem nas camas, alguns para o resto das suas vidas. E assim mutilados e mortos apodrecem todos, em diferentes espécies de túmulos.
Eis uma passagem de um poema de Pablo Neruda:

E uma manhã tudo o que ardia
Uma manhã as queimadas
Levantaram-se da terra
Devorando os seres humanos
E deste então foi o fogo
A pólvora desde então
Foi o sangue.
Bandidos com aviões e mouros
Bandidos de aliança e duquesas
Bandidos com monges negros que os benziam
Vieram pelos céus para matar crianças
E o sangue das crianças correu pelas ruas
Simplesmente, como o sangue das crianças.
Chacais que os chacais desprezariam
Pedras em que até os cardos secos cuspiriam
Víboras que as víboras abominariam
Cara a cara contigo tenho visto o sangue
De Espanha levantar-se como uma maré
Que te arrasta numa vaga
De orgulho e facas.
Traiçoeiros
generais:
vede a minha casa morta,
vede a Espanha quebrada:
de cada casa corre metal fundente
em vez de flores
de cada fenda de Espanha
surge a Espanha
mas de cada criança morta levanta-se uma espingarda com olhos
mas de cada crime nascem balas
que um dia hão-de encontrar
o lugar dos vossos corações.
E perguntam; porque não fala a sua poesia
De sonhos e plantas
E dos grandes vulcões da sua terra natal.
Venham ver o sangue nas ruas.
Venham ver
O sangue nas ruas
Venham ver o sangue
Nas ruas! *

Que fique bem claro que ao citar este Neruda, não estou de modo algum a comparar a Espanha Republicana ao Iraque de Saddam Hussein. Cito Neruda porque em mais nenhuma poesia contemporânea consegui eu ler uma tão poderosa e visceral descrição do que é um bombardeamento de civis.
Disse antes que agora os EUA já são totalmente francos ao atirarem as cartas para a mesa. É assim mesmo. A sua política oficial define-se como um "'full spectrum dominance'. (domínio total em todas as frentes). Os termos não são meus, são deles. E 'full spectrum dominance' significa domínio da terra, mar, ar e espaço e de todos os bens neles existentes.
Os EUA ocupam hoje 702 instalações militares espalhada pelo mundo em 132 países, com a honrosa excepção da Suécia, claro. Não sabemos como conseguiram chegar lá, mas que lá estão, lá isso estão.
Os EUA possuem 8.000 ogivas nucleares activas e operacionais. 2.000 estão em alerta máximo, prontas a serem lançadas em 15 minutos. Estão a desenvolver novos sistemas nucleares chamados "bunker busters" (destruidores de bunkers). Os britânicos, sempre cooperantes, tencionam substituir o seu próprio míssil nuclear, o Trident. Quem, pergunto-me eu, querem eles atingir? Osama bin Laden? Tu? Eu? O Zé da esquina? China? Paris? Quem sabe? O que sabemos é que esta insânia infantil - a posse e a ameaça ao recurso de armas nucleares está no próprio coração da actual filosofia política americana. Temos de nos lembrar que os EUA estão em permanente pé de guerra e não se vê sinais de que isso abrande.
Muitos milhares, se é que não milhões de pessoas nos próprios EUA, estão manifestamente cheios de vergonha e irados contra as acções do seu governo mas de momento ainda não são uma força política coerente - de momento. Mas a incerteza, a ansiedade, o medo que vemos diariamente crescer nos EUA não parece ir diminuir tão cedo.
Sei que o Presidente Bush tem muitos autores dos seus discursos extremamente competentes. Mas eu gostava de me candidatar também a esse lugar. E proponho esta breve alocução que ele pode fazer à Nação através da Televisão. Vejo-o com um ar grave, cabelo muito penteado, sério, combativo, sincero, às vezes encantador, com um sorrisinho forçado, com certo poder de sedução, homem comum entre os homens comuns.
“Deus é bom. Deus é grande. Deus é bom. O meu Deus é bom. O Deus de Bin Laden é mau. É um mau Deus. O Deus de Saddam era mau, só que ele não tinha nenhum. Era um bárbaro. Nós não somos bárbaros. Não cortamos a cabeça das pessoas. Acreditamos na liberdade. E Deus também acredita. Eu não sou um bárbaro. Sou o chefe democraticamente eleito de uma democracia amante da liberdade. Somos uma sociedade tolerante. Damos electrocussão tolerante e injecções letais tolerantes. Somos uma grande nação. Não sou um ditador. Ele é. Não sou um bárbaro. Ele é. E ele. Eles todos. Eu tenho autoridade moral. Vês este punho fechado? É esta a minha autoridade moral. E não se esqueçam disso."
A vida de um escritor é uma actividade muito vulnerável, quase nua. Não vamos ter pena dela. O escritor escolheu isso e mantém-se aí. Mas é verdade dizermos que fica exposto a todos os ventos, e alguns são glaciais. Está-se realmente sozinho. Sem amparo. Sem protecção - a menos que se minta, e terás com isso construído a tua protecção, e poderíamos passar a dizer, tornaste-te político.
Já esta noite me referi várias vezes à morte. Vou então ler-vos um poema meu chamado
Morte

Onde foi o corpo morto encontrado?
Quem encontrou o corpo morto?
Estava morto o corpo morto quando foi encontrado?
Como foi o corpo morto encontrado?
Quem era o corpo morto?
Quem era o pai ou filha ou irmão
Ou tio ou irmã ou mãe ou filho
Do corpo morto e abandonado?
Estava morto o corpo quando foi abandonado?
O corpo foi abandonado?
Por quem foi ele abandonado?
Estava o corpo morto nu ou vestido para viagem?
O que te fez declarar morto o corpo morto?
Declaraste morto o corpo morto?
Conhecias bem o corpo morto?
Como soubeste que o corpo morto estava morto?
Será que lavaste o corpo morto
Será que lhe fechaste ambos os olhos
Será que enterraste o corpo
Será que o deixaste abandonado
Será que beijaste o corpo morto

Quando olhamos um espelho, pensamos que a imagem à nossa frente é exacta. Mas basta movermo-nos um milímetro e a imagem altera-se. Aquilo que estamos realmente a ver é uma série infindável de reflexos. Mas às vezes o escritor tem de quebrar o espelho - porque é do outro lado do espelho que a verdade nos espera de frente.
Estou convicto de que, apesar de dos inúmeros obstáculos que existem, nós, cidadãos, com uma feroz determinação intelectual, inquebrável, sem desviar, conseguiremos definir a verdade real das nossas vidas e das nossas sociedades - e essa é uma obrigação crucial que nos diz respeito. É de facto obrigatória.
Se essa vontade não estiver incorporada na nossa visão política, não tenhamos esperança de restaurar aquilo que já quase se perdeu para nós - a dignidade do homem.
Harold Pinter
Tradução de Jorge Silva Melo, 16 Dezembro 2005


FILMOGRAFIA
Como escritor e argumentista:
A Night Out
Episódio 30 da série "Armchair Theatre" (Inglaterra, 1956-1973)
Realização: Philip Saville (Inglaterra, 1960); Argumento: Harold Pinter
Intérpretes: Tom Bell (Albert Stokes), Madge Ryan (Mrs. Stokes), Harold Pinter (assinando como David Baron) (Seeley), Philip Locke, Arthur Lowe, Edmond Bennett, Mary Duddy, Walter Hall, Maria Lennard, Edward Malin, Stanley Meadows, Vivien Merchant, Gordon Phillott, Jose Read, Stanley Segal, etc.
Duração: 60 min (457 episódios); Emissão: 24 de Abril de 1960 (3 Temporada, Episódio 85)

Die Geburtstagsfeier (TV)
Realização: Wolfgang Spier (RFA, 1961); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Maria Krasna, Hugo Schrader, Eva-Maria Werth, Paul Albert Krumm, Paul Esser, Helmut Hildebrand

Muotinäytös (TV)
Realização: Seppo Wallin (Finlândia, 1962); Argumento: Harold Pinter (peça).
Intérpretes: Marita Nordberg

Kollektionen (TV)
Realização: Palle Kjærulff-Schmidt (Dinamarca, 1962I); Argumento: Klaus Rifbjerg, Harold Pinter (peça).
Intérpretes: Holger Juul Hansen (James), Hugo Herrestrup, Kjeld Jacobsen (Harry), Preben Neergaard (Bill), Lise Ringheim (Stella), etc.

Kollektionen (TV)
Realização: Bengt Lagerkvist (Suécia, 1962); Argumento: Carl-Olof Lång, Harold Pinter (peça).
Intérpretes: Maude Adelson (Clerk), Kristina Adolphson (Stella), Heinz Hopf (Bill), Lars Lind (James), Curt Masreliez (Harry), Eric Stolpe, etc.
Duração: 70 min

The Lover (TV)
Realização: Joan Kemp-Welch (Inglaterra, 1963); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Alan Badel (Richard), Vivien Merchant (Sarah), Michael Forrest (Milkman) etc.
Duração: 60 min

The Caretaker ou The Guest
Realização: Clive Donner (Inglaterra, 1963); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Alan Bates (Mick), Donald Pleasence (Mac Davies/Bernard Jenkins), Robert Shaw (Aston),
Duração: 105 min

O CRIADO
The Servant
Realização: Joseph Losey (Inglaterra, 1963); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Robin Maugham;
Intérpretes: Dirk Bogarde (Hugo Barrett), Sarah Miles (Vera), Wendy Craig (Susan), James Fox (Tony), Catherine Lacey (Lady Mounset), Richard Vernon (Lord Mounset), Anne Firbank, Doris Knox, Patrick Magee, Jill Melford, Alun Owen, Harold Pinter (Homem de sociedade), Derek Tansley, Brian Phelan, Hazel Terry, etc.
Duração: 112 min

Elskeren (TV)
Realização: Palle Kjærulff-Schmidt (Noruega, Dinamarca, 1964); Argumento: Harold Pinter, Klaus Rifbjerg;
Intérpretes: Rut Tellefsen, Lars Nordrum, Ingolf David, Henning Moritzen, Lise Ringheim, etc.

The Pumpkin Eater
Realização: Jack Clayton (Inglaterra, 1964); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Penelope Mortimer;
Intérpretes: Anne Bancroft (Jo Armitage), Peter Finch (Jake Armitage), James Mason (Bob Conway), Janine Gray (Beth), Cedric Hardwicke, Rosalind Atkinson, Alan Webb, Richard Johnson, Maggie Smith, Eric Porter, Cyril Luckham, Anthony Nicholls, John Franklyn-Robbins, John Junkin, Yootha Joyce, etc.
Duração: 118 min

Älskaren (TV)
Realização: Bengt Lagerkvist (Suécia, 1964); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Gerd Hagman (a amante), Curt Masreliez (o apaixonado), Eric Stolpe (o leiteiro), etc

En Kopp te (TV)
Realização: Håkan Ersgård (Suécia, 1965); Argumento: Harold Pinter
Intérpretes: Gunnel Broström (Diana), Sigge Fürst (Sisson), Christer Holmgren (John), Heinz Hopf (Willy), Jan-Eric Lindquist (Disley), Gunnar Nielsen, Gun Robertson, Dagny Stenius, Thomas Ungewitter, Catrin Westerlund, Carl-Gunnar Wingård, etc.

Teekutsut (TV)
Realização: Seppo Wallin (Finlândia, 1965); Argumento: Harold Pinter (peça);
Intérpretes: Ossi Hyvönen, Teuvo Hyvönen, Toivo Mäkelä, Marita Nordberg, Anja Pohjola, Lasse Pöysti, Ville-Veikko Salminen, Pehr-Olof Sirén, Tauno Söder, Birgitta Ulfsson, etc.
Duração: 75 min

Tea Party (TV)
Realização: Charles Jarrott (Inglaterra, 1965); Argumento: Harold Pinter
Intérpretes: Charles Gray, John Le Mesurier, Leo McKern, Vivien Merchant, Jennifer Wright, etc.
Duração: 75 min

Het Verjaardagsfeest (TV)
Realização: Ton Lensink (Bélgica, 1966); Argumento: Harold Pinter, Gerard Revê;
Intérpretes: Els Cornelissen (Lulu), Ward de Ravet (Mc Cann), Dick Scheffer (Goldberg), Julien Schoenaerts (Stanley), Helene van Herck, Gerard Vermeersch, etc.

Abendkurs (TV)
Realização: Rainer Wolffhardt (RFA, 1966); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Peer Schmidt (Walter Street), Karin Hübner (Sally Gibbs), Rose Renée Roth, Martin Hirthe, Klaus Miedel, etc.
Duração: 75 min

TV Playhouse (Série de TV)
Realização: Stuart Latham (Inglaterra, 1955)
Duração: 60 min
The Dumb Waiter (1961)
Argumento: Harold Pinter
Episódio 9 de 13 (emissão: 10 de Agosto de 1961)
The Room (1961)
Realização: Alvin Rakoff; Argumento: Harold Pinter
Episódio 13 de 13 (emissão: 5 de Outubro de 1961)
The Caretaker (1966)
Argumento: Harold Pinter
Episódio 7 de 13 (emissão: 25 de Outubro de 1966)

The Quiller Memorandum
Realização: Michael Anderson (Inglaterra, 1966); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Trevor Dudley Smith;
Intérpretes: George Segal (Quiller), Alec Guinness (Pol), Max von Sydow (Oktober), Senta Berger (Inge Lindt), George Sanders (Gibbs), Robert Helpmann (Weng), Robert Flemyng, Peter Carsten, Edith Schneider, Günter Meisner, Ernst Walder, Philip Madoc, John Rees, Victor Beaumont, Herbert Fux, etc.
Duração: 105 min

A Slight Ache ou Theatre 625: A Slight Ache (TV)
(Inglaterra, 1967)
Argumento: Harold Pinter (peça de rádio)
Intérpretes: Maurice Denham

ACIDENTE
Accident
Realização: Joseph Losey (Inglaterra, 1967); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Nicholas Mosley;
Intérpretes: Dirk Bogarde (Stephen), Stanley Baker (Charley), Jacqueline Sassard (Anna), Michael York (William), Vivien Merchant (Rosalind), Delphine Seyrig (Francesca), Alexander Knox, Anne Firbank, Brian Phelan, Terence Rigby, Freddie Jones, Jill Johnson, Jane Hillary, Maxwell Findlater, Carole Caplin, etc.
Duração: 105 min

Rommet (TV)
Realização: Lars Löfgren (Noruega, 1968)
Argumento: Harold Pinter (play)
Intérpretes: Frimann Falck Clausen (Bert), Else Heiberg (Rose), Egil Hjorth-Jenssen (Mr. Kidd), Thor Hjorth-Jenssen (Mr. Sands), Ingebjørg Sem, Rolf Søder, etc.

Beryl Reid Says Good Evening (série de TV)
(Inglaterra, 1968) Argumento: Harold Pinter, Paul Dehn, Robert Gould,
Intérpretes: Beryl Reid, Hugh Paddick, Jake Thackeray, etc.

The Birthday Party
Realização: William Friedkin (Inglaterra, 1968); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Robert Shaw (Stanley Webber), Patrick Magee (Shamus McCann); Dandy Nichols (Meg Bowles), Sydney Tafler (Nat Goldberg), Moultrie Kelsall, Helen Fraser, etc.
Duração: 123 min

De Modeshow Ou The Collection (TV)
Realização: Kris Betz (Bélgica, 1969); Argumento: Harold Pinter, Gerard Revê;
Intérpretes: Walter Claessens (Harry), Hilde Uitterlinden (Stella), Willy Vandermeulen (James), Martin Van Zundert

Källarvåningen (TV)
Realização: Håkan Ersgård (Suécia, 1969); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Lis Nilheim (Jane), Kåre Sigurdsson (Stott), Leif Sundberg (Law), etc.

De Dienstlift (TV)
Realização: Luc Philips (Bélgica, 1969); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Bert André (Gus), Hector Camerlynck (Bem), etc.

O MENSAGEIRO
The Go-Between
Realização: Joseph Losey (Inglaterra, 1970); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de L.P. Hartley;
Intérpretes: Julie Christie (Marian - Lady Trimingham), Alan Bates (Ted Burgess), Margaret Leighton (Mrs. Maudsley), Michael Redgrave (Leo Colston), Dominic Guard ('Leo' Colston), Michael Gough (Mr. Maudsley), Edward Fox (Hugh Trimingham), Richard Gibson, Simon Hume-Kendall, Roger Lloyd-Pack, Amaryllis Garnett, Keith Buckley, John Rees, Gordon Richardson, Duração: 118 min

Gemengd dubbel (TV)
Realização: Yvonne Lex (Bélgica, 1971); Argumento: Alan Ayckbourn. John Bowen, Harold Pinter;
Intérpretes: Chris Boni, Daniel De Cock, Jo De Meyere, Lieve Moorthamer.

Viceværten (TV)
Realização: Palle Wolfsberg (Dinamarca, 1971); Argumento: Harold Pinter (pelça)
Intérpretes: Paul Hagen (Davies), Bent Mejding (Aston), Baard Owe (Mick), etc.
Duração: 92 min

Het Souterrain (TV)
Realização: Kris Betz (Bélgica, 1972); Argumento: Harold Pinter, Fried Zuidweg;
Intérpretes: Rik Andries (Stott), Bob Van der Veken (Law), Veerle Wijffels (Jane), etc.

O REGRESSO
The Homecoming
Realização: Peter Hall (Inglaterra, 1973); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Cyril Cusack, Ian Holm, Michael Jayston, Vivien Merchant, etc.
Duração: 111 min;

Provod (TV)
Realização: Aleksandar Mandic (Jugoslávia, 1974); Argumento: Harold Pinter, Milica Mint;
Intérpretes: Olga Spiridonovic (Albertova), Predrag Ejdus (Albert Stokes), Branislav Zogovic (Seeley), Branko Cvejic (Kedge), Petar Slovenski, Zorica Sumadinac, Dusica Zegarac, Petar Bozovic, Nadezda Vukicevic, Miodrag Andric, Milan Jelic, Milivoje Tomic, Slobodanka Zugic,
Duração: 47 min

Gamle dage (TV)
Realização: Søren Melson (Dinamarca, 1974); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Birgitte Bruun (Kate), Jørgen Buckhøj (Deeley), Ghita Nørby (Anna), etc.
Duração: 80 min

The Collection ou Laurence Olivier Presents: The Collection (TV)
Realização: Michael Apted (Inglaterra, 1976); Argumento: Harold Pinter
Intérpretes: Laurence Olivier (Harry), Alan Bates (James), Malcolm McDowell (Bill), Helen Mirren (Stella), etc.
Duração: 64 min

O ÚLTIMO MAGNATE
The Last Tycoon
Realização: Elia Kazan (EUA, 1976); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de F. Scott Fitzgerald;
Intérpretes: Robert De Niro (Monroe Stahr), Tony Curtis (Rodriguez), Robert Mitchum (Pat Brady), Jeanne Moreau (Didi), Jack Nicholson (Brimmer), Donald Pleasence (Boxley), Ray Milland, Dana Andrews, Ingrid Boulting, Peter Strauss, Theresa Russell, Tige Andrews, Morgan Farley, John Carradine, Jeff Corey, etc.
Duração: 122 min

Vroeger (TV)
Realização: Jef Demedts (Bélgica, 1977); Argumento: Harold Pinter (peça), Gilbert Van Vlaanderen;
Intérpretes: Chris Boni (Kate), Chris Lomme (Anna), Hugo Van Den Berghe (Deeley), etc.

No Man's Land (Inglaterra, 1978) (TV)
Intérpretes: John Gielgud, Ralph Richardson, etc.

Niemandsland (TV)
Realização: Hans Lietzau, Heribert Wenk (RFA, 1978); Argumento: Harold Pinter
Intérpretes: Martin Held (Hirst), Bernhard Minetti (Spooner), Friedhelm Ptok (Foster), Hans Peter Hallwachs (Briggs), etc.

Langrishe Go Down ou BBC2 Play of the Week: Langrishe Go Down (TV)
Realização: David Hugh Jones (Inglaterra, 1978); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Aidan Higgins;
Intérpretes: Judi Dench (Imogen Langrishe), Jeremy Irons (Otto Beck), Annette Crosbie (Helen Langrishe), Susan Williamson (Lily Langrishe), Margaret Whiting, Harold Pinter, John Molloy, Niall O'Brien, Arthur O'Sullivan, Michael O'Brian, Liam O'Callaghan, Joan O'Hara, etc.
Duração: 105 min

A AMANTE DO TENENTE FRANCÊS
The French Lieutenant's Woman
Realização: Karel Reisz (Inglaterra, 1981); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de John Fowles;
Intérpretes Meryl Streep (Sarah/Anna), Jeremy Irons (Charles Henry Smithson/Mike), Hilton McRae (Sam), Emily Morgan (Mary), Charlotte Mitchell (Mrs. Tranter), Lynsey Baxter, Jean Faulds, Peter Vaughan, Colin Jeavons, Liz Smith, Patience Collier, John Barrett, Leo McKern, Arabella Weir, Ben Forster, etc.
Duração: 127 min

Betrayal
Realização: David Hugh Jones (Inglaterra, 1983); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Jeremy Irons (Jerry), Ben Kingsley (Robert), Patricia Hodge (Emma), Avril Elgar (Mrs. Banks), Ray Marioni, Caspar Norman, Chloe Billington, Hannah Davies, Michael König, Alexander McIntosh, etc.
Duração: 95 min

Le Gardien (TV)
Realização: Yves-André Hubert (França, 1984); Argumento: Eric Kahane, Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Jacques Dufilho (Davies), Georges Claisse (Aston), Alain Fourès (Mick), etc.

De Huisbewaarder ( (TV)
Realização: Vincent Rouffaer, Walter Tillemans Bélgica, 1984); Argumento: Harold Pinter, Gerard Reve;
Intérpretes: Bert André (Aston), Leslie de Gruyter (Mick), Julien Schoenaerts (Davies),

Turtle Diary
Realização: John Irvin (Inglaterra, EUA, 1985); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Russell Hoban;
Intérpretes: Glenda Jackson (Neaera Duncan), Ben Kingsley (William Snow), Richard Johnson (Mr. Johnson), Michael Gambon (George Fairbairn), Rosemary Leach, Eleanor Bron, Harriet Walter, Jeroen Krabbé, Nigel Hawthorne, Michael Aldridge, Rom Anderson, Tony Melody, Gary Olsen, Peter Capaldi, Harold Pinter, etc.
Duração: 96 min

The Birthday Party (TV)
Realização: Kenneth Ives (Inglaterra, 1986); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Colin Blakely (McCann), Kenneth Cranham (Stanley), Robert Lang (Petey), Harold Pinter (Goldberg), Joan Plowright (Meg), Julie Walters (Lulu), etc.

Basements (TV)
Realização: Robert Altman (Canadá, 1987); Argumento: Harold Pinter (peças)
Harold Pinter;
Intérpretes: John Travolta (Ben (episódio "The Dumb Waiter"), Tom Conti (Gus (episódio "The Dumb Waiter"), Linda Hunt (Rose (episódio "The Room"), Annie Lennox (Mrs. Sands (episódio "The Room"), Julian Sands (Mr. Sands (episódio "The Room"), David Hemblen (Mr. Hudd (episódio "The Room"), Abbott Anderson (episódio "The Room"), Donald Pleasence Mr. Kidd (episódio "The Room"), etc.
Duração: 108 min

The Heat of the Day (TV)
Realização: Christopher Morahan (Inglaterra, 1989); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Elizabeth Bowen;
Intérpretes: Peggy Ashcroft (Nettie), Anna Carteret (Ernestine), Michael Gambon (Harrison), Patricia Hodge (Stella), Grant Parsons (Roderick), Michael York (Robert), etc.
Duração: 106 min

Reunion ou Der Wiedergefundene Freund
Realização: Jerry Schatzberg (França, Inglaterra, Alemanha, 1989); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Fred Uhlman;
Intérpretes: Jason Robards (Henry Strauss), Christien Anholt (Hans Strauss, jovem), Samuel West, Françoise Fabian, Maureen Kerwin, Dorothea Alexander, Frank Baker, Tim Barker, Imke Barnstedt, Gideon Boulting, Alan Bowyer, Jacques Brunet, Rupert Degas, Robert Dietl, Luc-Antoine Diquéro,
Duração: 110 min

ESTRANHA SEDUÇÂO
The Confort of Strangers ou Cortesie per gli ospiti
Realização: Paul Schrader (Inglaterra, 1990); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Ian McEwan;
Intérpretes: Christopher Walken (Robert), Rupert Everett (Colin), Natasha Richardson (Mary), Helen Mirren (Caroline), Manfredi Aliquo, David Ford, Daniel Franco, Rossana Canghiari, Fabrizio Castellani, Mario Cotone, Giancarlo Previati, Antonio Serrano, etc.
Duração: 107 min

The Handmaid's Tale
Realização: Volker Schlöndorff (Alemanha, EUA, 1990); Argumento: Harold Pinter, segundo romance deMargaret Atwood;
Intérpretes: Natasha Richardson (Kate/Offred), Faye Dunaway (Serena Joy), Aidan Quinn (Nick), Elizabeth McGovern (Moira), Victoria Tennant (Tia Lydia), Robert Duvall (Comandante), Blanche Baker, Traci Lind, Zoey Wilson, Kathryn Doby, Reiner Schöne, Lucia Hartpeng, Karma Ibsen Riley, Lucile McIntyre, Gary Bullock, etc.
Duração: 109 min

Old Times (TV)
Realização: Simon Curtis (Inglaterra, 1991); Argumento: Harold Pinter (peça);
Intérpretes: John Malkovich (Deeley), Kate Nelligan (Kate), Miranda Richardson (Anna), etc.
Duração: 78 min

Party Time (TV)
Realização: Harold Pinter (Inglaterra, 1992); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Barry Foster (Gavin), Peter Howitt (Terry), Cordelia Roche (Dusty), Nicola Pagett (Charlotte), Dorothy Tutin (Melissa), Roger Lloyd-Pack, Amelia Blacker, Harry Burton, Julie Christian-Young, Kevin Dignam, Gawn Grainger, Ben Gray, Jill Johnson, Bridget Lynch-Blosse, Tacye Nichols, Roland Oliver, Rebecca Steele, etc.
Duração: 35 min

The Trial
Realização: David Hugh Jones (Inglaterra, 1993); Argumento: Harold Pinter , segundo romance de Franz Kafka;
Intérpretes: Kyle MacLachlan (Josef K.), Anthony Hopkins (padre), Jason Robards (Doctor Huld), Juliet Stevenson (Fräulein Burstner), Polly Walker (Leni), Alfred Molina (Titorelli), David Thewlis (Franz), Michael Kitchen (Block), Tony Haygarth, Douglas Hodge, Jirí Schwarz, David Schneider, Ondrej Vetchý, Valérie Kaplanová, Jirí Ded, etc.
Duração: 120 min

Bez pogovora (TV)
Realização: Slobodan Z. Jovanovic (República da Jugoslávia, 1999); Argumento: Slobodan Z. Jovanovic, segundo Harold Pinter (romance);
Intérpretes: Boris Komnenic (Bem), Dragan Petrovic (Gus)
Duração: 55 min

Against the War (TV)
Realização: Stuart Urban (Inglaterra, 1999); Argumento: Harold Pinter ,Stuart Urban;
Intérpretes: Harold Pinter (apresentador)
Duração: 25 min

Victoria Station
Realização: Douglas Hodge (Inglaterra, 2003); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Robert Glenister, Rufus Sewell, etc.
Duração: 15 min

Fastighetsskötaren (TV)
Realização: Thommy Berggren (Suécia, 2004); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Peter Andersson (Mick), Ingvar Hirdwall (Davies), Johan Rabaeus (Aston), etc.

FILMOGRAFIA
Como actor:
A Night Out
Episódio 30 da série "Armchair Theatre" (Inglaterra, 1956-1973)
Realização: Philip Saville (Inglaterra, 1960); Argumento: Harold Pinter
Intérpretes: Tom Bell (Albert Stokes), Madge Ryan (Mrs. Stokes), Harold Pinter (assinando como David Baron) (Seeley), Philip Locke, Arthur Lowe, Edmond Bennett, Mary Duddy, Walter Hall, Maria Lennard, Edward Malin, Stanley Meadows, Vivien Merchant, Gordon Phillott, Jose Read, Stanley Segal, etc.
Duração: 60 min (457 episódios); Emissão: 24 de Abril de 1960 (3 Temporada, Episódio 85)

O MONTA-CARGAS
The Caretaker ou The Guest
Realização: Clive Donner (Inglaterra, 1963); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Alan Bates (Mick), Donald Pleasence (Mac Davies/Bernard Jenkins), Robert Shaw (Aston),
Duração: 105 min

O CRIADO
The Servant
Realização: Joseph Losey (Inglaterra, 1963); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Robin Maugham;
Intérpretes: Dirk Bogarde (Hugo Barrett), Sarah Miles (Vera), Wendy Craig (Susan), James Fox (Tony), Catherine Lacey (Lady Mounset), Richard Vernon (Lord Mounset), Anne Firbank, Doris Knox, Patrick Magee, Jill Melford, Alun Owen, Harold Pinter (Homem de sociedade), Derek Tansley, Brian Phelan, Hazel Terry, etc.
Duração: 112 min

The Wednesday Play (série de TV 1964-1970)
Criação: Sydney Newman (Inglaterra, 1964)
Duração: 75 min (172 Episódios)
In Camera
Realização: Philip Saville (Inglaterra, 1964); Argumento: Stuart Gilbert, segundo peça de Jean-Paul Sartre;
Intérpretes: Harold Pinter (Garcin), Katherine Woodville, Jonathan Hansen, Jane Arden, etc.
Duração: 85 min; Episódio 3 de 15; Emissão: 4 de Novembro de 1964

ACIDENTE
Accident
Realização: Joseph Losey (Inglaterra, 1967); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Nicholas Mosley;
Intérpretes: Dirk Bogarde (Stephen), Stanley Baker (Charley), Jacqueline Sassard (Anna), Michael York (William), Vivien Merchant (Rosalind), Delphine Seyrig (Francesca), Alexander Knox, Anne Firbank, Brian Phelan, Terence Rigby, Freddie Jones, Jill Johnson, Jane Hillary, Maxwell Findlater, Carole Caplin, etc.
Duração: 105 min

The Troubleshooters (série de TV 1965-1972)
Criação: John Elliot (Inglaterra, 1965);
Intérpretes da série: Geoffrey Keen (Brian Stead), Ray Barrett (Peter Thornton), Philip Latham (Willy Izard), Barry Foster (Robert Driscoll (1965), Ronald Hines (Derek Prentice (1965), Philippa Gail (Jane Webb (1965-1966)
Robert Hardy (Alec Stewart (1966-1970), Deborah Stanford (Roz Stewart (1966-1970), Virginia Wetherell (Julie Serres (1967), Isobel Black (Eileen O'Rourke (1967-1968), Harold Pinter (Mike Szabo (1967), Edward de Souza (Charles Grandmercy (1967-1968), Jayne Sofiano (Dr. Ginny Vickers (1969), John Carson (James Langley (1971-1972);
Duração: 50 min (136 Episódios)
Mr. Know-How (1967)
Intérpretes: Isobel Black (Eileen O'Rourke), Geoffrey Keen (Brian Stead), Philip Latham (Willy Izard), Bernard Lee (Bernard Hart), Trevor Martin, Kate O'Mara, Harold Pinter, John Steiner, Walter Swash, Margaret Ward, etc.
Emissão: 24 de Novembro de 1967 (Temporada 4, Episódio 6); Episódio 58 of 136
A Nice White Girl - Is She for Sale? (1967)
Emissão: 17 de Novembro de 1967 (temporada 4, Episódio 5) Episódio 57 of 136
Intérpretes: Ray Barrett (Peter Thornton), Isobel Black (Eileen O'Rourke), John Bloomfield (Snow), Selma Vaz Dias (Malissa); Donald Hoath, Noel Howlett, Geoffrey Keen, Gertan Klauber, Salmaan Peerzada, Harold Pinter, Cleo Sylvestre, Peter Wyngarde, etc.
Where the Carpet Ends (1967)
Emissão: 27 de Outubro de 1967 (temporada 4, Episódio 3); Episódio 55 of 136
Intérpretes: James Appleby (Bourton, Ray Barrett (Peter Thornton, Isobel Black (Eileen O'Rourke, John Breslin (Ralph Pengilly, Geoffrey Chater, Evie Garratt, Geoffrey Keen, Simon Lack, Philip Latham, Susan Lefton, Marion Mathie, Harold Pinter, Michael Rose, etc.
The Daring Young Man (1967)
Intérpretes: Ray Barrett (Peter Thornton), David Bauer (Andrea Szabo), John Horsley, Barry Keegan, Geoffrey Keen, Philip Latham, Harold Pinter, Robert Pitt, Jayne Sofiano, Mirabelle Thomas, etc.
Emissão: 20 de Outubro de 1967 (Temporada 4, Episódio 2); Episódio 54 of 136

The Rise and Rise of Michael Rimmer
Realização: Kevin Billington (Inglaterra, 1970); Argumento: Peter Cook, John Cleese;
Intérpretes: Peter Cook (Michael Rimmer), Denholm Elliott (Peter Niss), Ronald Fraser (Tom Hutchinson), Vanessa Howard (Patricia Cartwright), Arthur Lowe (Ferret), George A. Cooper, Harold Pinter, James Cossins, Roland Culver, Dudley Foster, Dennis Price, John Cleese, Diana Coupland, Nicholas Phipps, Desmond Walter-Ellis, etc.
Duração: 94 min

A SEMENTE DE TAMARINDO
The Tamarind Seed
Realização: Blake Edwards (EUA, 1974); Argumento: Blake Edwards, segundo romance de Evelyn Anthony;
Intérpretes: Julie Andrews (Judith Farrow), Omar Sharif (Feodor Sverdlov), Anthony Quayle (Jack Loder), Dan O'Herlihy (Fergus Stephenson), Sylvia Syms (Margaret Stephenson), Oskar Homolka (General Golitsyn), Bryan Marshall, Harold Pinter (assina David Baron) (Richard Paterson, Celia Bannerman, Roger Dann, Sharon Duce, George Mikell, Kate O'Mara, Constantine Gregory, John Sullivan, etc.
Duração: 119 min

Rogue Male (TV)
Realização: Clive Donner (Inglaterra, 1976); Argumento: Frederic Raphael, segudn romance de Geoffrey Household;
Intérpretes: Peter O'Toole (Capt. Robert Thorndyke), John Standing (Major Quive-Smith), Harold Pinter (Saul Abrahams), Alastair Sim, Michael Byrne, Mark McManus, Ray Smith, Hugh Manning, Robert Lang, Cyd Hayman, Ian East , Philip Jackson, Nicholas Ball, Maureen Lipman, Ray Mort, etc.
Duração: 103 min

Double Exposure
Realização: William Webb (Inglaterra, 1976); Argumento: William Webb;
Intérpretes: Anouska Hempel (Simone), Harold Pinter (James Crompton), Alan Brown (Howard Townsend), Robert Russell ( Russell), Julia Vidler, Dean Harris, Alan Hay, Declan Mulholland, Grahame Mallard, Hugh Martin, Roy Sampson, Mary Maude, Trevor Ainsley, Ishaq Bux, Ali Baba,
Duração: 81 min

Langrishe Go Down ou BBC2 Play of the Week: Langrishe Go Down (TV)
Realização: David Hugh Jones (Inglaterra, 1978); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Aidan Higgins;
Intérpretes: Judi Dench (Imogen Langrishe), Jeremy Irons (Otto Beck), Annette Crosbie (Helen Langrishe), Susan Williamson (Lily Langrishe), Margaret Whiting, Harold Pinter, John Molloy, Niall O'Brien, Arthur O'Sullivan, Michael O'Brian, Liam O'Callaghan, Joan O'Hara, etc.
Duração: 105 min

The Long Days of Summer (TV)
Realização: Dan Curtis (EUA, 1980); Argumento: Hindi Brooks, Lee Hutson;
Intérpretes: Dean Jones (Ed Cooper), Joan Hackett (Millie Cooper), Ronnie Scribner (Daniel Cooper), Louanne (Sarah Cooper), Donald Moffat (Josef Kaplan), Andrew Duggan, Harold Pinter (assina David Baron) (Freddy Landauer Jr.), Michael McGuire, Lee de Broux, Baruch Lumet, Charles Aidman, Leigh French, John Karlen, Joseph G. Medalis, Tiger Williams, etc.
Duração: 100 min

Doll's Eye
Realização: Jan Worth (Inglaterra, 1982)
Intérpretes: Sandy Ratcliff (Maggie), Paul Copley (trabalhador social), Bernice Stegers (Jane), Lynne Worth (Jackie), Nick Ellsworth, Richard Tolan, Lois Baxter, Jean Beith, Deirdre Costello, Geoffrey Cousins, Stewart Harwood, Fraser Kerr, David Milner, Niall Padden, Harold Pinter (executivo), Colin Rix, John Rowe, Jeremy Sinden, Frank Windsor, etc.
Duração: 75 min

Étoiles et toiles (Série de TV 1982-1986)
Realização: Georges Bensoussan (França, 1982); Argumento: Georges Bensoussan;
Intérpretes: Frédéric Mitterrand (apresentdaor)
Dear Harold
Realização: Georges Bensoussan (França, 1982); Argumento: Georges Bensoussan, Colette Godard;
Intérpretes: Ben Kingsley, Harold Pinter, Roger Planchon, etc.
Duração: 17 min; Episódio 2 de 23;

Turtle Diary
Realização: John Irvin (Inglaterra, EUA, 1985); Argumento: Harold Pinter, segundo romance de Russell Hoban;
Intérpretes: Glenda Jackson (Neaera Duncan), Ben Kingsley (William Snow), Richard Johnson (Mr. Johnson), Michael Gambon (George Fairbairn), Rosemary Leach, Eleanor Bron, Harriet Walter, Jeroen Krabbé, Nigel Hawthorne, Michael Aldridge, Rom Anderson, Tony Melody, Gary Olsen, Peter Capaldi, Harold Pinter, etc.
Duração: 96 min

The Birthday Party (TV)
Realização: Kenneth Ives (Inglaterra, 1986); Argumento: Harold Pinter;
Intérpretes: Colin Blakely (McCann), Kenneth Cranham (Stanley), Robert Lang (Petey), Harold Pinter (Goldberg), Joan Plowright (Meg), Julie Walters (Lulu), etc.

Breaking the Code (TV)
Realização: Herbert Wise (Inglaterra, 1996); Argumento: Hugh Whitemore (peça), Andrew Hodges (romance);
Intérpretes: Derek Jacobi (Alan Turing), Alun Armstrong (Mick Ross), Blake Ritson (Christopher Morcom), William Mannering, Prunella Scales, Julian Kerridge, Harold Pinter (John Smith), Richard Johnson, Amanda Root, etc.
Duração: 75 min

Mojo
Realização: Jez Butterworth (Inglaterra, 1997); Argumento: Jez Butterworth, segundo peça sua;
Intérpretes: Ian Hart (Mickey), Ewen Bremner (Skinny), Hans Matheson (Silver Johnny), Alexander Armstrong, David Baukham, Kenneth Bryans, Jason Cheater, Tim Chimes, Paul Ebsworth, Kate Lynn Evans, Al Fiorentini, Aidan Gillen, Harold Pinter (Sam Ross), Andy Serkis, etc.
Duração: 90 min

MANSFIELD PARK
Mansfield Park
Realização: Patricia Rozema (Inglaterra, 1999); Argumento: Patricia Rozema, segundo romance de Jane Austen;
Intérpretes: Hannah Taylor-Gordon (Jovem Fanny), Talya Gordon (Jovem Susan), Lindsay Duncan (Mrs. Price/Lady Bertram), Bruce Byron, James Purefoy, Sheila Gish, Harold Pinter (Sir Thomas Bertram), Elizabeth Eaton, Elizabeth Earl, Philip Sarson, Amelia Warner, Frances O'Connor, Jonny Lee Miller, Victoria Hamilton, Hugh Bonneville, etc.
Duração: 112 min

Catastrophe
Realização: David Mamet (Inglaterra, Irlanda, 2000); Argumento: Samuel Beckett (peça)
Intérpretes: Harold Pinter (Director), Rebecca Pidgeon (Assistente do Director), John Gielgud (protagonista)
Duração: 6 min

ESPIRITO DE CORAGEM
Wit (TV)
Realização: Mike Nichols (EUA, Inglaterra, 2001); Argumento: Emma Thompson, segundo peça de Margaret Edson;
Intérpretes: Emma Thompson (Vivian Bearing), Christopher Lloyd (Dr. Harvey Kelekian), Eileen Atkins (Evelyn 'E.M.' Ashford), Audra McDonald (Susie Monahan), Jonathan M. Woodward (Dr. Jason Posner), Harold Pinter (Mr. Bearing (pai de Vivian), Rebecca Laurie, Su Lin Looi, Raffaello Degruttola, Miquel Brown, Hari Dhillon, Benedict Wong, Alex Gregor, Lachele Carl, David Menkin, etc.
Duração: 98 min

O ALFAIATE DO PANAMÁ
The Tailor of Panama
Realização: John Boorman (EUA, Irlanda, 2001); Argumento: Andrew Davies, segundo romance de John le Carré;
Intérpretes: Pierce Brosnan (Andrew 'Andy' Osnard), Geoffrey Rush (Harold 'Harry' Pendel), Jamie Lee Curtis (Louisa Pendel), Leonor Varela (Marta), Brendan Gleeson (Michelangelo 'Mickie' Abraxas), Harold Pinter (Tio Benny), Catherine McCormack, Daniel Radcliffe, Lola Boorman, David Hayman, Mark Margolis, Martin Ferrero, John Fortune, Martin Savage, Edgardo Molino, Duração: 109 min

FILMOGRAFIA
Como realizador:
BUTLEY
Butley
Realização: Harold Pinter (Inglaterra, Canadá, 1974); Argumento: Simon Gray (peça)
Intérpretes: Alan Bates (Ben Butley), Jessica Tandy (Edna Shaft), Richard O'Callaghan (Joey Keyston), Susan Engel (Anne Butley), Michael Byrne, Georgina Hale, Simon Rouse, John Savident, Oliver Maguire, Darien Angadi, Colin Haigh, Lindsay Ingram, Patti Love, Belinda Low, Derrick O'Connor, Susan Wooldridge, etc.
Duração: 94 min ou 129 min

The Rear Column (TV)
Realização: Harold Pinter (Inglaterra, 1979)

The Hothouse (TV)
Realização: Harold Pinter (Inglaterra, 1982)

Party Time (TV)
Realização: Harold Pinter (Inglaterra,1992); Argumento: Harold Pinter (peça)
Intérpretes: Barry Foster (Gavin), Peter Howitt (Terry), Cordelia Roche (Dusty), Nicola Pagett (Charlotte), Dorothy Tutin (Melissa), Roger Lloyd-Pack, Amelia Blacker, Harry Burton, Julie Christian-Young, Kevin Dignam, Gawn Grainger, Ben Gray, Jill Johnson, Bridget Lynch-Blosse, Tacye Nichols, Roland Oliver, Rebecca Steele, etc.
Duração: 35 min

FILMOGRAFIA
Como autor de letra de canção (não creditado) :
The Servant (1963)

FILMOGRAFIA
Como ele próprio (entrevistas, depoimentos, imagens de arquivo):
Hollywood U.K - A Very British Picture (1993) TV
Venice Report (1997) (TV)
Ritratto di Harold Pinter (1998) (TV)
Against the War (1999) (TV)
Changing Stages (2001) (mini série de TV)
Arena: Harold Pinter (2002) (TV)
Muraren ou he Bricklayer (2002)
Check the Gate: Putting Beckett on Film (2003)
HARDtalk - Episódio de 22 Dezembro de 2004
One Year On: Iraq - A Newsnight Special (2004) (TV)
The Truth About 60s TV (2004) (TV)
The South Bank Show
- Sir Peter Hall: Part 2 (2005) TV Episódio
- Sir Peter Hall: Part 1 (2005) TV Episódio
- Harold Pinter (1978) TV Episódio
The Culture Show - Episódio 3.2 (2005) TV Episódio
La Nit al dia - Episódio de 13 de Outubro de 2005

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