Adeus a Pedro Pinheiro








O actor Pedro Pinheiro, que morreu quinta-feira, foi "o artista mais completo do espectáculo até hoje", disse à agência Lusa Luciano Reis, que escreveu a biografia "Actor de mil palcos".

Apesar da memória recente fixar o trabalho de Pedro Pinheiro na série televisiva de humor "Os malucos do riso", o actor foi "um incansável autor com uma grande capacidade criativa em todas as áreas", sublinhou Luciano Reis.

Foi em Abrigada, Alenquer, onde nasceu a 27 de Novembro de 1939, que Pedro Pinheiro deu os primeiros passos no teatro amador.

Já em Lisboa, enquanto aluno do Conservatório, estreou-se profissionalmente no Teatro da Trindade em 1963 na peça "O mercador de Veneza", de Shakespeare.

Este ano celebrou 45 anos de carreira dedicados à representação, com a edição da biografia "Actor de mil palcos", título escolhido precisamente pela diversidade de trabalho nesta área.

Segundo Luciano Reis, Pedro Pinheiro escreveu mais de uma centena de peças para teatro radiofónico, foi autor de "milhares de anedotas" interpretadas na série "Os malucos do riso", e deixou inéditos doze textos de teatro e um romance.

"Foi um exímio encenador, um extraordinário autor, um actor que dominou muito bem as emoções humanas", elogiou Luciano Reis.

Na televisão, entrou em dezenas de séries e telenovelas e no cinema contam-se participações em filmes como "O passado e o presente", de Manoel de Oliveira, "A vida é bela", de Luís Galvão Teles, e "Amália, o filme", de Carlos Coelho da Silva, que estreará a 04 de Dezembro.

Pedro Pinheiro, 68 anos, morreu quinta-feira em Lisboa vítima de cancro.

O funeral do actor realiza-se sábado às 12:30 para o Cemitério dos Olivais onde será cremado.
Lusa

Foto de Joaquim Gromicho



A actriz Alina Vaz, que contracenou várias vezes com Pedro Pinheiro, falecido quinta-feira à noite, recordou-o como "um colega simpático, bom escritor, e muito regular em cena".

"Escreveu várias peças. Uma delas, `Logo à noite meu amor`, que integrei o elenco, esteve três meses em palco no Maria Matos", disse.

A actriz voltou a encontrar-se com Pedro Pinheiro na série "Os malucos do riso" na SIC, "que teve sempre grande popularidade, tendo criado personagens muito características, que ganharam notoriedade junto do público".

Pedro Pinheiro estreou-se profissionalmente em 30 de Novembro de 1963, no Teatro da Trindade, em Lisboa, integrando o elenco de "O Mercador de Veneza", de Shakespeare.

Na televisão além da série "Os malucos do riso", em que contracenou com Alina Vaz, o actor participou nas telenovelas "Tudo por amor", "Anjo selvagem", "Fascínios" e em séries como "Maré alta", "A minha família é uma animação" e "Capitão Roby".

O corpo do actor está a ser velado na Basílica da Estrela, de onde sairá o funeral, sábado pelas 12:30, em direcção ao cemitério dos Olivais, onde se realizará a cerimónia de cremação.
site RTP


JOAQUIM JOSÉ, JOSÉ PEDRO, PEDRO DA SILVA. TANTAS HIPÓTESES PARA UM NOME ARTÍSTICO; PORQUÊ O PEDRO PINHEIRO?
Era necessário arranjar um nome artístico e PEDRO PINHEIRO surgiu por PEDRO ser um nome da minha mãe e PINHEIRO ser também um nome do meu pai.

FALE-NOS UM POUCO DE SI. O QUE É QUE O INFLUENCIOU A SER ACTOR?
Não sei. Desde miúdo nunca quis ser outra coisa. Nunca tive outro oficio.

E A SER ESCRITOR?
Pode aplicar se o mesmo designio. Muito miúdo ainda, tentei escrever uma peça de teatro. Felizmente não passou disso, de simples tentativa. Mais tarde escrevi comédias e revistas em Abrigada. O meu percurso de actor acompanhou sempre o de escritor.

QUANDO ESCREVE, É TUDO FICÇÃO OU FAZ ALGUMA INVESTIGAÇÃO?
A base é ficção mas quando preciso faço investigação a sério.

O SEU PODER CRIATIVO NÃO DÁ PARA A POESIA?
Faço alguma mas é só para mim. Não dá para a expôr.

ALGUM DOS SEUS LIVROS TEM SIGNIFICADO ESPECIAL?
São todos meus filhos, não diferencio nenhum.

E AS SUAS INTERPRETAÇÕES? HÁ ALGUMA QUE LHE TENHA DEIXADO A “BOCA DOCE”?
Igualmente gosto de todas elas, pois sempre fiz o meu o trabalho com muita entrega.

COMO SE DEFINE COMO AUTOR?
Para mim TEATRO não é só representar. E as outras actividades que eu desempenho, todas elas estão ligadas ao TEATRO, e todas elas contribuiem de alguma maneira para eu me realizar.

COMEÇOU COM SHAKESPEARE. ACHA UMA EVOLUÇÃO ARTÍSTICA A SUA CAMINHADA COMO COMEDIANTE?
Tenho formação do teatro clássico, onde há a comédia, indubitavelmente o meu género favorito.

TAMBÉM É COMEDIANTE OU É SOBRETUDO COMEDIANTE?
Sobretudo sou actor, e o teatro inclui o drama, no teatro está a tragedia e a farsa e, como é óbvio, a comedia também tamb[em lá está.

NO TEATRO TEM ALGUMA REFERÊNCIA?
Sim. A minha referência no teatro… é o próprio TEATRO.

EM PORTUGAL O PARQUE MAYER É A “MECA” DO TEATRO OU EXISTEM OUTROS PANTEÕES?
É o símbolo de um certo tipo de teatro, e a Revista é o nosso teatro popular. Ele existe só em Portugal.

DEPOIS DE ESCREVER TANTO SOBRE IMENSAS COISAS É A PRIMEIRA VEZ QUE ESCREVEM SOBRE SI?
É a primeira vez. E Obrigaram-me a mergulhar nas minhas lembranças.

COMO REAGE ÀS CRÍTICAS?
O meu primeiro crítico sou eu. E sou bastante rigoroso. As outras críticas, observo, analiso e faço a minha selecção.

“O SÓLIDO NATAL”, “A GRANDE VIAGEM DO PAI NATAL” ,“O CIRCO DO NATAL”, O “SAPATINHO DE NATAL”; “BOM DIA, NATAL”, “VIVA O NATAL”, “ALEGRIAS DE NATAL”, “O NOSSO AMIGO NATAL”, ETC. ETC. O NATAL ESTÁ MUITO PRESENTE NOS SEUS TRABALHOS. ACREDITA NO MENINO JESUS, OU É SÓ “PLÁSTICA”?
Tenho pena de já não acreditar no Menino Jesus.

45 ANOS, SÃO MUITO ANOS DE “CENA”.E ISSO DÁ-LHE UMA CERTA AUTORIDADE PARA OPINAR SOBRE O TEATRO EM PORTUGAL. O QUE PENSA DELE?
O teatro em Portugal foi sempre muito mal tratatado. Só que o teatro resiste a isso tudo porque tem muita força. Ele nasceu com o primeiro homem.

HÁ PROJECTOS NOVOS? QUAIS SÃO ELES?
Muitos, sempre. No imediato, neste ano que comemoro 45 anos de cena, é voltar a representar em palco, do que tenho muita saudade.


LIVROS:
“As Histórias do Palhaço Casacão”,
“Memórias de um Miúdo de 8 Anos”,
“Circulo do Carnaval”;
“A Última Crónica da Índia”;
“Saudades mil”;
“O cretino que vendeu o Sol”;
"Encontro com Rita Hayworth".

OBRAS. INFANTIS:
“O Brinco de Estimação”
“As Aventuras de Batatinha e Casacão”
“O Zé-Maria, D. Cigarra e a Srª Formiga”
“O Sólido Natal”
“A Grande Viagem do Pai Natal”
“O Cavaleiro da Triste Figura”
“O Professor de Música”
“O Tio Pedro foi à Lua”
“A Gaiola de Cristal”
“Caçada Real”
“O Circo do Natal”
“O Circo do Carnaval”
“Sapatinho de Natal”
“Supermax”
“Paulinho e Solidó”
“Bom Dia, Natal”
“Viva o Natal”
“Alegrias de Natal”
“O Nosso Amigo Natal”
“Gaivotas de Abril”
“A Imperatriz da Mauritânia”

OBRAS JUVENIS
“Histórias da Nossa Terra” (série juvenil de 13 episódios);

OUTRAS OBRAS
“Os sete Pecados Mortais”;
“Avenida da Liberdade”;
“Afinal Inês é viva”
"Encontro com Rita Hayworth", - Data de Estreia: 19 de Setembro de 2002

COMÉDIA:
“Mulher com Marido Longe…”
“Logo à Noite, Meu Amor…”

REVISTA:
“Na Corda Bomba” (revista com Manuel Gírio);
“Em Frente Marche” (revista com Manuel Girio);
“Um Cheirinho a Portugal”

TELEVISÃO:
“Os Malucos do Riso”
Hernâni de Lemos Figueiredo in Jornal D’Alenquer


In Production
2000s
1990s
1980s
1970s
1960s
Amália (2008) (completed) .... Sr. Alfredo

TV e Cinema
“Amália” (2008)
"Conta-me Como Foi" (2008)
"Detective Maravilhas" (2007-2008)
"Malucos no Hospital" (2008)
"Fascínios" (2008)
"Uma Aventura" (2007)
"O Bando dos Quatro" (2006)
"Os Malucos nas Arábias " (2005)
"Clube das Chaves" (2005)
"Inspector Max" (2005)
"Maré Alta" (2004)
"Tudo Por Amor" (2002-2003)
"A Minha Familia É Uma Animação" (2001-2003)
"Não Há Pai" (2002)
"O Bairro da Fonte" (2002)
"Anjo Selvagem" (2002)
"O Olhar da Serpente” (2002)
"Capitão Roby" (2000)
"A Loja de Camilo" (2000)
"Jornalistas" (2000)
"Ajuste de Contas" (2000)
"Os Lobos" (1998)
"Camilo na Prisão" (1998)
"As Aventuras do Camilo (1997)
"Roseira Brava" (1996)
"Os Malucos do Riso (1995)
"Os Andrades (1994)
"Sozinhos em Casa" (1993)
"Ai Life" (1989)
“Guerra de Mirandum” (1984)
"Origens" (1983)
“Incendiário, O (1982)
“A Vida É Bela?!” (1982)
“Histoires extraordinaires: La lettre volée” (1981)
“Antes a Sorte Que Tal Morte” (1981)
“A Carta Roubada” (1981)
“A Santa Aliança” (1980)
“Amor de Perdição” (1979)
“Malteses, Burgueses e às Vezes...” (1974)
“O Passado e o Presente” (1972)
“Nem Amantes, Nem Amigos” (1970)
“Uma Vontade Maior” (1967)

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