Carlos Fragateiro à frente do Nacional desde 2006






Quem é e o que fez o ainda director do D. Maria
O Teatro da Trindade foi a sua grande escola em termos de direcção artística e admnistrativa de um teatro. Em 2006, Isabel Pires de Lima nomeou-o director do D. Maria e reconduziu-o no cargo no ano seguinte, quando o Nacional adquiriu o estatuto de empresa pública, num mandato de três anos.

À frente dos destinos do Teatro da Trindade, propriedade do INATEL (do qual foi vice-presidente entre 1996 e 1999) e tutelado pelo Ministério do Trabalho e Segurança Social, Carlos Fragateiro evidenciou-se pela capacidade de voltar a levar o público para uma das salas mais emblemáticas da cidade de Lisboa. Cem mil espectadores assistiram a espectáculos no Trindade só na última temporada por si programada. Por lá passaram variadíssimos criadores, do teatro à dança e à música. Com uma ligação muito forte ao público infantil, durante a sua direcção, o Trindade solidificou um serviço educativo e apostou ainda na formação. As digressões nacionais foram outra marca deixada por Fragateiro naquele teatro, bem como o início de várias parcerias com Festivais, de onde se destaca o Festival de Almada.

Homem próximo do PS, desde os tempos de Ferro Rodrigues no Ministério do Trabalho e Segurança Social foi eleito pela ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima para chefiar o Teatro Nacional D. Maria II em 2006. Uma nomeação polémica no meio, por Fragateiro não ser considerado um "verdadeiro intelectual" do teatro, mas sim um homem de perfil mais popular. De resto a sua programação para o Trindade nunca deixou de acentuar essa vertente a quem também muitos chamam "comercial". No entanto, quando o D. Maria adquiriu a personalidade jurídica de empresa pública voltou a ser reconduzido, assumindo por um mandato de três anos os cargos de director artístico e presidente do Conselho de Administração, órgão que até dia 4 contava ainda com o cenógrafo José Manuel Castanheira, e que hoje, após a demissão deste, é constituído apenas por mais Amadeu Basto Lima.

No maior teatro do país, Carlos Fragateiro apostou numa programação eclética, privilegiando a dramaturgia portuguesa, mas criando também espaço para os clássicos e contemporâneos mais destacados a nível internacional. Voltou a realizar digressões. Chegou a levar espectáculos do D. Maria ao Brasil, a França e Espanha, colaborando com encenadores de outras nacionalidades. No entanto, o trabalho a que a sua imagem à frente daquela casa está mais associada é à sua dispersão pela cidade. Para além das duas salas do edifício do Rossio, Fragateiro passou a gerir através do Nacional também o Teatro Villaret e a programar espectáculos em salas com o Teatro da Politécnica. Do seu lado continua a ter o número de espectadores. Em 2007 o balanço que apresentava contava com 100 mil "visitantes".

Carlos Fragateiro nasceu no Porto há 57 anos, fez o curso superior de teatro do Conservatório Nacional e especializou-se mais tarde em expressão dramática na Universidade de Montréal, Canadá. É doutorado em Ciências e Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro, cidade onde dirigiu a Efémero - Companhia de Teatro de Aveiro, depois de ter passado pelo Teatro Experimental de Leiria.

Continuando incontactável até hoje, o ainda director do Teatro Nacional D. Maria II aguarda uma comunicação do Ministério da Cultura sobre o seu futuro no cargo.
Alexandra Carita in Expresso (10 de Jul de 2008)
Foto de Luiz Carvalho

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