EGEAC manifesta "compreensão" pelas razões que levaram Diogo Infante a demitir-se da direcção do Maria Matos






A EGEAC manifestou hoje em comunicado "compreensão" pelos "propósitos" invocados pelo actor Diogo Infante para ser se demitir do cargo de director artístico do Teatro Maria Matos, que ocupa desde 2006.

No comunicado em que hoje anunciou publicamente a sua demissão, Infante alegou faltarem-lhe meios financeiros para prosseguir o projecto que criou naquele Teatro.

“Os constrangimentos orçamentais que a Câmara Municipal (CML) atravessa e que tiveram como resultado inevitável a aplicação de um corte no orçamento geral da EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural), na ordem dos 50 por cento, reflectem-se necessariamente nos seus equipamentos, onde se inclui o Teatro Municipal Maria Matos”, esclareceu Diogo Infante no comunicado.

“A falta de um posicionamento atempado, no sentido de viabilizar as condições mínimas para a continuidade do projecto artístico do Teatro Maria Matos nos moldes em que o criei e desenvolvi esteve na base desta minha decisão”, disse ainda.

Na reacção à demissão de Infante, a EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa) não faz qualquer referência ao "corte" no "orçamento geral" da empresa nem à "falta de um posicionamento atempado" que viabilizasse as "condições mínimas para a continuidade do projecto artístico do Maria Matos".

"A EGEAC informa que Diogo Infante comunicou formalmente hoje à Câmara Municipal de Lisboa a sua intenção de cessar funções como Director Artístico do Teatro Municipal Maria Matos. Subjacentes a esta decisão foram referidos motivos de ordem profissional, nomeadamente a disponibilidade para eventual aceitação de outros compromissos", lê-se no comunicado.

No parágrafo seguinte, dá-se conta de que Infante confirmou a sua disponibilidade para continuar à frente do Maria Matos até Setembro.

O comunicado termina com a EGEAC a manifestar a sua compreensão pelas razões invocadas pelo actor para cessar funções e a expressar "publicamente o seu apreço e agradecimento pela elevada qualidade do trabalho realizado nos últimos dois anos, como responsável artístico daquele espaço cultural".

Diogo Infante dirigia o Maria Matos desde 2006, ano em que o teatro reabriu depois de ter sido submetido a obras de renovação.

Quinta-feira, alguns jornais e rádios tinham avançado a notícia da sua demissão, que só agora o actor confirmou.

Infante enviou a 30 de Junho a carta de demissão ao conselho de administração da EGEAC, entidade com a qual tem uma relação contratual, e anunciou hoje a sua saída depois de uma reunião na CML com o presidente da Câmara, António Costa, os vereadores da Cultura e Finanças, Rosalia Vargas e Cardoso da Silva, o presidente do conselho de administração da EGEAC, Miguel Honrado, e a gestora do Teatro Maria Matos, Mónica Almeida.

Em Março de 2006, o actor e encenador declarara a intenção de criar um espaço de referência, com uma programação de qualidade sem ser elitista, para a qual dispôs inicialmente de 500 mil euros.

Diogo Infante manter-se-á na direcção artística do Maria Matos até ao final de Setembro, mês em que estreará o espectáculo musical “Cabaret”, do qual é encenador.
in LUSA

na RTP
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=353573&tema=32

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