“A Barraca” participa em festival latino-americano em São Paulo

O grupo português "A Barraca" participa na Mostra Latino-Americana de Teatro, com a presença de 150 artistas de 11 companhias de sete países, entre os dias 05 a 11 de Maio, em São Paulo.

As companhias representam diferentes regiões da América hispânica, como o Teatro del Bardo (Argentina), Teatro en el Blanco (Chile), Teatro la Candelária (Colômbia), Teatro Malayerba (Equador) e Teatro la Rendija (México).

Do Brasil, participam os grupos Bagaceira (Ceará), Ícaros do Vale (Minas Gerais), Cia Senhas de Teatro (Paraná), Oigalê (Rio Grande do Sul) e Actores de Laura (Rio de Janeiro).

As companhias apresentarão as suas montagens e farão uma demonstração de trabalho, apresentando, de forma prática, os seus processos de criação.

"Trata-se, portanto, de uma oportunidade rara para o público conhecer montagens contemporâneas, colectivas e ao mesmo tempo autorais, que não possuem apelo comercial e dificilmente chegam aos palcos", salientaram os organizadores.

A programação inclui ainda debates sobre "Políticas Públicas para o Teatro em Países Latino-Americanos", "Relação entre Estética e Política na Prática Teatral" e "A Relação Dialéctica entre Forma e Conteúdo no Teatro Latino-Americano".
Lusa/Fim.

informações da organização da mostra:
III MOSTRA LATINO-AMERICANA DE TEATRO DE GRUPO

São Paulo receberá 150 artistas de 11 companhias de sete países em torno do tema Estética e Política na Prática Teatral

Espetáculos e atividades gratuitas entre 5 e 11 de maio no Centro Cultural São Paulo

Chega à terceira edição a Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, desta vez ainda mais abrangente, reunindo 11 companhias que representam as artes cênicas de sete países, entre os quais o Brasil, com cinco companhias regionais. O evento ocupa os espaços do Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, entre 5 e 11 de maio, de segunda a domingo. Todos os espetáculos são gratuitos. A realização é da Cooperativa Paulista de Teatro, com o patrocínio da Petrobras.

Entre os artistas presentes, estão dois veteranos do teatro politizado: o brasileiro João das Neves, que trabalhou com o histórico Teatro Opinião dos anos 60 e 70; e Santiago Garcia, que dirige desde 1966 o grupo colombiano La Candelária.

As companhias representam diferentes regiões da América hispânica, como Teatro del Bardo (da cidade de Paraná, na Argentina, com a montagem Amarillos Hijos), Teatro en el Blanco (de Santiago, Chile, com a peça Neva), Teatro la Candelária (de Bogotá, Colômbia, com El Paso), Teatro Malayerba (de Quito, Equador, com Bicicleta Lerux), Teatro la Rendija (Mérida, México, com Errores de lo Subjuntivo).

Pelo Brasil, os grupos também revelam o foco da Mostra: o recorte de um teatro mais próximo à realidade de seus locais de origem. Participam Grupo Bagaceira (Fortaleza, CE, com a peça O Realejo), Ícaros do Vale (Vale do Jequitinhonha, MG, com Maria Lira), Cia Senhas de Teatro (Curitiba, PR, com Antígona – Reduzida e Ampliada), Oigalê (Porto Alegre, RS, com Miséria, Servidor de Dois Estancieiros) e Atores de Laura (do Rio de Janeiro, RJ, com Ensaio de Mulheres).

Como convidado especial vem o grupo A Barraca, de Lisboa, o mais importante coletivo teatral de Portugal, já com 30 anos de atividades.

Além das peças, as companhias farão uma Demonstração de Trabalho, apresentando para o público e demais grupos, de forma prática, seus processos de criação.

Trata-se, portanto, de oportunidade rara para o público conhecer montagens contemporâneas, coletivas e ao mesmo tempo autorais, que não possuem apelo comercial e dificilmente chegam aos palcos da cidade.

A Mostra editará diariamente uma publicação com críticas dos espetáculos do dia anterior, uma em espanhol e outra em português, e também notas e informações sobre o evento.

Em 5 de maio, a partir das 10h, haverá um café da manhã reunindo todos os grupos, imprensa e produtores culturais, com a apresentação musical do grupo de maracatu Baque Bolado.

No mesmo dia, às 17h, será realizado debate entre gestores governamentais sobre Políticas Públicas para o Teatro em Países Latino-Americanos. Confirmaram presença Celso Frateschi, presidente da Funarte (Fundação Nacional das Artes), do Ministério da Cultura do Brasil; Raul Branbilla, presidente do Instituto Nacional de Teatro da Argentina; Gilsela Cerdeira, vice-presidente do Conselho de Artes Cênicas de Cuba, além de representantes de México, Equador, Colômbia e Chile.

Espaços para reflexão – Para Ney Piacentini, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, a 3ª Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo vai provocar reflexões sobre determinados temas, como a relação entre o apuro estético e o teor político nas artes cênicas.

“Muitas vezes, o que vemos é um teatro politizado de baixa potência estética, como também avanços estéticos despolitizados. Algumas presenças da edição 2008 contribuem nesse sentido. Por exemplo, temos grupos históricos, como La Candelaria, de Bogotá, com 40 anos de atividades e que conta com o mestre Santiago Garcia. E o coletivo Malayerba, de Quito, coordenado pelo reconhecido diretor e dramaturgo Aristides Vargas. Também estamos trazendo João das Neves, que foi diretor nos Centros Populares de Cultura (CPCs), dos anos 60, acabou de fazer o premiado "Besouro, cordão de ouro" e hoje atua Brasil afora como agora com a Ícaros do Vale”, avalia Ney.

O tema Relação entre Estética e Política na Prática Teatral será debatido na mesa-redonda com João das Neves (Grupo Opinião – décadas de 60 e 70) e Santiago Garcia (La Candelária – desde 1966), sob mediação de Beatriz Rizk.

Outra mesa-redonda discute A Relação Dialética entre Forma e Conteúdo no Teatro Latino-Americano e conta com Marco Antônio Rodrigues (diretor do Folias D’Arte de São Paulo) e Aristides Vargas (diretor do grupo equatoriano Malayerba). A mediação é de Kil Abreu.

Todas as atividades da Mostra são gratuitas.


A Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo – 2008 dá continuidade ao trabalho realizado pela Cooperativa Paulista de Teatro, desde 1997 com a 1a Mostra Brasileira de Teatro de Grupos, seguida da 2a Mostra Brasileira de Teatro de Grupo, em 1998, e que ganhou nova dimensão com as Mostras realizadas em 2006 e 2007, com o patrocínio da Petrobras.

Créditos da Mostra: Realização - Cooperativa Paulista de Teatro
Patrocínio - Petrobras. Lei Federal de Incentivo do Ministério da Cultura
Centro Cultural São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo.

5/5, segunda-feira, 20h – Teatro la Candelaria - Espetáculo: El Paso - Sala Adoniran Barbosa - Duração: 90 minutos

O coletivo Teatro La Candelaria, de Bogotá, Colômbia, foi fundado em 1966 por artistas e intelectuais saídos do teatro experimental e de outros movimentos de vanguarda. Desde o início, a proposta era favorecer o acesso do público ao teatro e valorizar a produção colombiana. O repertório sempre procurou alternar montagens clássicas com criações coletivas do grupo. Com o tempo, a incursão por temas míticos e por situações do próprio país fez com que o La Candelária ganhasse projeção nacional e passasse a influenciar todo o movimento teatral colombiano. Ainda hoje, a manutenção de um repertório, a experimentação e o debate são os eixos que pautam a criação artística do grupo. A obra El Paso, escrita e dirigida pelo veterano Santiago García, é a mais conhecida do grupo. Em 20 anos, foram centenas de encenações em diferentes partes do mundo.

El Paso, interpretada por 13 atores do Teatro La Candelaria, é considerada uma grande metáfora da realidade colombiana. A montagem foi elogiada pela crítica pelo rigor estético e seu compromisso sensorial e intelectual. A trama é ambientada em um restaurante instalado em lugar ermo, onde o dia-a-dia é marcado pela monotonia e a solidão. Mas a chegada repentina de dois homens poderosos e armados instala o clima de medo. Murmúrios, silêncios, olhares e mensagens em código constroem a densidade cênica sobre as tensões do lugar e de seus personagens. Ao mesmo tempo, a peça remete ao enfrentamento do passado bucólico da Colômbia e suas canções nostálgicas com o presente de terror e violência.

Elenco: Hernando Forero, Libardo Florez, César Badillo, Francisco Martínez, Nora Ayala, Alexandra Escobar, Fabio Velasco, Patricia Ariza, Rafael Giraldo, Fernando Mendoza, Carmiña Martínez, Santiago García, Nora González, Shirley Martinez.
Ficha técnica: Autoria: Criação coletiva / Direção: Santiago García / Música: Ignacio Rodríguez / Luz: Carlos Robledo / Cenografia: Jorge Ardila.


6/5, terça-feira, 21h – Atores de Laura - Espetáculo: Ensaios de Mulheres - Sala Jardel Filho - Recomendação etária: para maiores de 12 anos - Duração: 90 minutos

A companhia Atores de Laura, da cidade do Rio de Janeiro, se formou em 1993 sob direção artística de Susanna Kruger e Daniel Herz. Entre seus espetáculos premiados, estão Romeu e Isolda, que representou o Brasil na 11ª Biennale Theatre Jeunes Publics, em Lyon, França; Decote; A Casa Bem Assombrada; e A Flauta Mágica. Em nove anos, o grupo montou 11 textos inéditos, consagrando-se como uma das companhias mais estáveis do Rio de Janeiro. Em 2002, As Artimanhas de Scapino, de Molière, obteve sucesso de público e crítica. Em seguida, o grupo encenou O Conto do Inverno, de Shakespeare. Em 2006, realizou a criação coletiva N. I. S. E. Desde 2000, a companhia dirige o Teatro Miguel Falabella, no NorteShopping, onde leva projeto de formação de público na Zona Norte do Rio. Ensaios de Mulheres é seu trabalho mais recente.

Ensaios de Mulheres é adaptação da sofisticada comédia L’orchestre, do francês Jean Anouilh, do século 20, considerado genuíno herdeiro da tradição de Molière. Cumplicidades e desavenças, amizades intensas e traições e mais o que elas dizem dos homens traduzem-se nas harmoniosas e dissonantes relações das mulheres que tocam numa decadente orquestra de café-concerto. Curiosidade: as mulheres da orquestra são interpretadas por atores homens.

Elenco: Anderson Mello, Charles Fricks, Felipe Mônaco, Leandro Castilho, Luiz André Alvim, Marcio Fonseca, Paulo Hamilton, Leiza Maria.
Ficha técnica: Texto: Jean Anouilh / Adaptação: Atores de Laura / Direção: Daniel Herz / Cenografia: Ronald Teixeira / Figurino: Marcelo Marques / Iluminação: Aurélio de Simoni / Direção de movimento: Marcia Rubin / Trilha Sonora: Carlos Cardoso / Coreografia de Volúpia em Cuba: Édio Nunes e Márcia Rubin / Fotografia: Dalton Valério / Visagismo: Ricardo Moreno / Cenógrafos-assistentes: George Bravo, Leobruno Gama e Luciana Craveiro Vilanova / Assistente de figurino: Ana Paula Secco / Assistente de iluminação: Luiz André Alvim / Produção Executiva: Sylvia Morgado / Consultoria de Projeto: Márcia Dias / Direção artística: Susanna Kruger e Daniel Herz.


7/5, quarta-feira, 12h – Oigalê - Espetáculo: Miséria, Servidor de Dois Estancieiros – Passarela do Metrô Vergueiro - Duração: 60 minutos

O grupo Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais, de Porto Alegre (RS), vê no teatro de rua uma atitude política, instrumento de reflexão e de promoção da cidadania e da resistência cultural. Atua desde 1999 nas ruas de Porto Alegre, onde desenvolve trabalho específico para o espaço aberto, resgatando a cultura regional através de música e vestimentas. O repertorio do grupo inclui as peças Deus e o Diabo na Terra de Miséria, O Negrinho do Pastoreio, Uma Aventura Farroupilha e este Miséria Servidor de Dois Estancieiros, que está estreando em 2008. No total, já realizou mais de mil apresentações em ruas, praças e escolas pelo Brasil e mesmo no exterior. O grupo gravou CD com a trilha sonora de alguns de seus espetáculos sobre lendas gaúchas.

Miséria Servidor de Dois Estancieiros é baseado no texto do italiano Carlo Goldoni, do século 18. Mostra a continuidade da saga do personagem Miséria, que, depois de sua suposta morte, não pode entrar no céu nem no inferno. Vagando pelo Pampa, decide ir para Porto Alegre no final do século 19, a partir de quando a miséria se espalha pela cidade. O personagem trabalha como carregador, mas ganha pouco. Passa, então, a servir dois estancieiros que chegam do interior. No espetáculo, chamam a atenção as vestimentas típicas do século 19, mescladas com figurinos da commedia del’arte, e a música pontuando os acontecimentos.

Elenco: Carla Costa, Fernando Pecoits, Giancarlo Carlomagno, Juliana Kersting, Paulo Brasil, Roberta Darkiewicz.
Ficha técnica: Dramaturgia: Carlo Goldoni / Adaptação: Hamilton Leite e Juliana Kersting / Direção: Hamilton Leite / Preparação para commedia del’arte: Claudia Sachs / Trilha sonora: Matheus Mapa e Simone Rasllan / Preparação musical: Simone Rasllan / Figurinos: Alexandre Silva / Cenário e adereços: Paulo Balardim / Produção: Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais.

7/5, quarta-feira, 21h – Teatro la Rendija – Espetáculo: Errores de lo Subjuntivo – Sala Jardel Filho - Duração: 60 minutos

O grupo Teatro de La Rendija, de Mérida, México, foi fundado em 1988 por 11 pessoas oriundas da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Nacional Autônoma do México. O coletivo dedicou-se então a estudar e aplicar a teoria teatral do antropólogo mexicano Gabriel Weisz, mas o grupo sofreu dissidências. A partir de 1993, Raquel Araujo, Mauricio Rodríguez e Omar Valdés redirecionaram os trabalhos, ocupando espaços alternativos e buscando romper as barreiras entre a performance e as artes visuais. Outros membros que também escrevem e dirigem se juntam ao La Rendija, ao passo que Raquel Araujo se consolidou como diretora do grupo e o cineasta e escultor Oscar Urrutia assumiu a cenografia e a iluminação. Além do México, já se apresentam nos Estados Unidos, Argentina, Japão e Indonésia com diferentes montagens, entre as quais a presente Los Errores del Subjuntivo.

Los Errores del Subjuntivo combina teatro, dança, canto e vídeo. As imagens em movimento recriam paisagens emblemáticas da região de Mérida (Estado de Yucatán) vista pela janela de um trem, nos anos 30. Os passageiros contam suas histórias usando o tempo verbal do passado do subjuntivo, expressando derrota e descrença. A viagem é conduzida por uma mestiça yucateca.

Elenco: Ligia Aguilar, Pablo Herrero, Silvia Káter, Raquel Araujo, Eglé Mendiburu, Juan de Dios Rath, Abigail Coral, Graciela Ruíz.
Ficha técnica: Texto, direção e figurino: Raquel Araújo / Cenografia, música, vídeo, iluminação e produção: Oscar Urrutia / Assistente de direção: Aarón Méndez / Assistente de iluminação: Daniel Szhiper / Coreografias: David Lizarraga, Ligia Aguilar / Coordenador técnico: Miguel Canto / Realização coletiva: Teatro la Rendija.

8/5, quinta-feira, 18h – Teatro en el Blanco – Espetáculo: Neva – Espaço Cênico Ademar Guerra - Duração: 70 minutos

O Teatro en el Blanco é uma companhia de Santiago, Chile, criada em 2004 por quatro experientes atores. Desde o início, geram os próprios recursos, o que lhes garante liberdade política e estética. O grupo começou experimentando linguagens, exercício que deu as bases para diretrizes do que definem como poética teatral: criar textos próprios buscando novos pontos de vista sobre a dramaturgia, abordar temáticas políticas e sociais que devolvam ao artista seu papel social e usar recursos mínimos visando buscar na simplicidade novos potenciais criativos, entre outros pontos. Um dos projetos atuais do grupo é adaptar a montagem Neva para o cinema.

O espetáculo Neva é ambientado em São Petersburgo, Rússia, durante uma tarde de inverno de 1905. Enquanto as tropas reprimem operários que se manifestam por melhores condições de vida, duas atrizes e um ator ensaiam uma peça diante do rio Neva. Uma delas é Olga Knipper, viúva do consagrado Anton Chekov, que se sente culpada por se dedicar ao teatro em Moscou enquanto o marido morria em sanatório na Alemanha. Ao mesmo tempo, Olga age com arrogância e desprezo pelos colegas de palco. Misturando personagens e casos reais e fictícios, situações cômicas e dramáticas, o espetáculo propõe uma reflexão sobre a repressão, o teatro, os atores e suas limitações diante da morte.

Elenco: Trinidad González, Paula Zúñiga, Jorge Becker.
Ficha técnica: Direção e dramaturgia: Guillermo Calderón / Trilha musical: José Tomas Gonzalez / Produtora: Jenny Romero / Criação coletiva do grupo Teatro em el Blanco / Atores: Trinidad Gonzalez, Paula Zuñiga, Jorge Becker



8/5, terça-feira, 21h – Grupo Bagaceira – Espetáculo: O Realejo – Sala Jardel Filho - Recomendação etária: para maiores de 12 anos - Duração: 70 minutos.

O Grupo Bagaceira, de Fortaleza (CE), começou no ano 2000 já participando do Festival de Esquetes da capital cearense com os quadros Papoula, Solange Mulher e Sabonete Cabeludo, todos com texto e direção de Yuri Yamamoto. No mesmo ano, montou o esquete Giz. No ano seguinte, veio o primeiro espetáculo, Papoula e o Sabonete Cabeludo, levado para o Festival de Teatro de Fortaleza. Em 2002, estreou no circuito infantil. Mantendo a tradição, o grupo vem criando esquetes e espetáculos obtendo repercussão crescente. A peça Lesados é um de seus maiores sucessos, com 21 prêmios regionais e nacionais. O Realejo, de 2005, já foi encenado em diversos Estados, além do Festival Internacional de Teatro de Londrina. Nos últimos anos, vieram ainda outros espetáculos, sendo PornoGráficos o mais recente.

O Realejo propõe um clima de delicadeza e poesia. O cenário é o da cidade pequena, com pracinha, pôr-do-sol, amor proibido, mar e realejo. A bela Marina é prometida em casamento ao homem mais afortunado e poderoso da região. Vê, porém, crescer sua paixão por um jovem, gerando assim a aflição e a desordem. Os fatos são nostalgicamente enlaçados pelo Homem do Realejo, que presencia a história de amor. Entre outros elementos, tem-se domínio da rima, uma refinada concepção cênica, fluidez e sutileza das atuações, unindo graça, gravidade e poesia.

Elenco: Samya de Lavor, Edivaldo Batista, Ricardo Tabosa, Tatiana Amorim, Paula Yemanja, Rafael Martins, Rogerio Mesquita e Fabio Vieira.
Ficha técnica: Texto: Rafael Martins / Direção, cenários, figurinos, sonoplastia: Yuri Yamamoto / Contra-regra: Fabio Vieira / Música original: Ayrton Cézar e Rafael Martins / Iluminação: Démick Lopes, Yuri Yamamoto e Rogério Mesquita / Operação de Luz: Démick Lopes / Produção: Rogério Mesquita e Paula Yemanja.


9/5, sexta-feira, 18h – CiaSenhas de Teatro – Espetáculo: Antígona Reduzida e Ampliada – Sala Jardel Filho - Recomendação etária: para maiores de 14 anos - Duração: 60 minutos

A CiaSenhas de Teatro atua em Curitiba desde 1999. Desde o começo, o grupo procura manter um trabalho continuado valorizando o ator-criador e a identidade brasileira, levando teatro a diferentes platéias e promovendo o fortalecimento estético e político do teatro de grupo. A direção artística da companhia é de Sueli Araujo, que também assina a dramaturgia, elaborada em conjunto com os atores. O grupo realizou oito espetáculos, entre os quais Tartufo e A Farsa de Mary Help, ambos inspirado em Moliére.
Nessa trajetória, a companhia sistematizou pesquisas sobre os preceitos do Teatro Oriental, as teorias de Bertolt Brecht e as propostas de Denis Guenoun. Antígona – Reduzida e Ampliada é seu trabalho mais recente.
Antígona – Reduzida e Ampliada é uma releitura da tragédia do grego Sófocles, de 450 a.C. O texto original serviu de inspiração para o grupo, que, durante nove meses desenvolveu intenso trabalho de treinamento, leituras, discussões e improvisações culminando num espetáculo criado entre direção e atores. A montagem dá voz às personagens femininas Antígona, Ismene e Eurídice, mulheres que não entendem a guerra e não são ouvidas, suscitando reflexões sobre os direitos da mulher e também sobre a guerra ao longo dos tempos. A história original está fragmentada, fazendo com que personagens de Sófocles dialoguem com outros contemporâneos.

Elenco: Anne Celli, Luiz Bertazzo, Neto Machado, Patrícia Saravy.
Ficha técnica: Criação compartilhada de Anne Celli, Luiz Bertazzo, Neto Machado, Patrícia Saravy, Roger Dörl e Sueli Araújo / Texto e encenação: Sueli Araújo / Assistente: Roger Dörl / Preparação corporal: Cinthia Kunifas e Rosemeri Rocha / Preparação vocal: Viviana Mena / Cenário: Fernando Marés / Figurino: Cristine Conde / Iluminação: Fábia Regina / Composição musical e sonoplastia: Ary Giordani / Direção de produção e maquiagem: Marcia Moraes / Assistente de cenografia: Fernanda Zamoner / Fotografia: Elenize Dezgeniski / Vídeos: Marlon Toledo / Realização: CiaSenhas de Teatro.

9/5, sexta-feira, 22h – Ícaros do Vale – Espetáculo: Maria Lira – Centro - Duração: 75 minutos

A Cia. de Teatro Ícaros do Vale surgiu em 1996 em Araçuaí, no médio Jequitinhonha, Minas Gerais. Interessados em um teatro popular e social, o grupo estreou com um trabalho baseado em cordel, resgatando cantigas e tradições e fazendo crítica irreverente. O espetáculo A Filha que Bateu na Mãe Sexta-Feira da Paixão e Virou Cachorra ganhou ruas e praças do Vale. Desde então, a companhia mantém o objetivo de integrar a cultura e a realidade político-social da região em seus trabalhos. Em seus quadros está João das Neves, artista premiado do teatro brasileiro, tendo trabalhado no histórico grupo Opinião, dos anos 70, e depois em projetos populares no Acre. Alguns outros trabalhos do coletivo são Os Olhos Mansos, baseado em Guimarães Rosa; e História de Pescadores, amparada por canções de Dorival Caymmi, até esta Maria Lira, que representa o grupo na Mostra.

A peça Maria Lira conta a vida da pesquisadora, cantora e artesã Maria Lira Marques, expoente da cultura popular no Vale do Jequitinhonha, através de momentos marcantes de sua trajetória, como em sua relação com os pais, o encontro com Frei Chico e a formação do Coral Trovadores do Vale. Através de canções recolhidas na região, o espetáculo valoriza a rotina e os costumes do Vale.

Elenco: Alberto Santos, Anderson Costa, Angela Freire, Anna Esteves, Cleidilane Ferreira, Eslane Santos, Jailson Mendes, Lenita Luiz, Lorenza Rodrigues, Luciano Silveira, Niuxa Drago, Vanisa Silva, Walquíria Araújo.
Ficha técnica: Direção e iluminação: João das Neves / Texto: João da Neves e Luciano Silveira sobre depoimentos de Maria Lira Marques / Cenário: João das Neves sobre pinturas de Maria Lira Marques / Figurino: Rodrigo Cohen / Visagismo: Anna Esteves / Direção musical: Luciano Silveira / Arranjos vocais de Tirana da Rosa e Incelença: Titane / Arranjos instrumentais: Dener Peter e Luciano Amaral / Confecção de mamulengos: Joana Lyra / Programação visual: Neilton Lima / Direção de produção: Luciano Silveira e Niuxa Drago / Produção executiva: Ícaros do Vale / Assistente de palco: Weber Pereira / Confecção de objetos: Cooperativa Dedo de Gente / Operador de luz: Euler Souza / Pintura em tecido: Ernani Calazans / Músicos: Luciano Amaral, Dener Peter (violão) e Ademir Ferreira (percussão).


10/5, sábado, 18h – Teatro del Bardo – Espetáculo: Amarillos Hijos – Espaço Cênico Ademar Guerra - Duração: 60 minutos

Formado em 1999, o grupo argentino Teatro del Bardo, de Paraná, Entre Rios, tem como proposta desenvolver espetáculos, educar através da arte, atuar de modo pedagógico e construir circuitos alternativos. Com outros gestores culturais e grupos de teatro, a companhia organizou encontros pedagógicos com importantes mestres de diferentes linhas e tradições, como o diretor Eugenio Barba, o teórico Franco Ruffini, o compositor Bruno Bert e o dramaturgo César Brie, entre outros, além de grupos internacionais, a exemplo do dinamarquês Odin Teatret, do boliviano Teatro de los Andes e do italiano Teatro dei Naviganti. Entre as montagens do grupo, está a trilogia Resistência Trágica, da qual faz parte o espetáculo Amarillos Hijos.

Amarillos Hijos é a segunda parte da trilogia Resistência Trágica, que enfoca a mitologia grega em geral e o papel da mulher em particular, e tem em uma versão de Antígona, de Sófocles, sua primeira parte. O segundo espetáculo é uma versão livre de Electras, dos gregos Eurípides, Sófocles e Esquilo. Trata-se de uma história em que duas pessoas maquinam um assassinato. Elas concordam em relação ao motivo, o método e em outros pontos, mas uma pergunta permanece sem resposta: quem será a vitima?

Elenco: Juan Kohner, Gabriela Trevisani.
Ficha técnica: Texto: Valeria Folini / Cenografia: Juan Kohner e Gustavo Bendersky / Direção geral: Valeria Folini e Gustavo Bendersky.

10/05, sábado, 21h – A Barraca – Espetáculo: Felizmente há luar! – Sala Jardel Filho - Duração: 90 minutos

Com mais de 30 anos de atividades, o grupo A Barraca, a mais importante companhia estável de Portugal, já encenou dezenas de peças de autores clássicos e contemporâneos, incluindo brasileiros, como Boal, Guarnieri e Maria Adelaide Amaral. O nome do grupo homenageia o de García-Lorca (La Barraca), com quem partilham o gosto pelo teatro itinerante. Felizmente Há Luar! é uma das montagens mais recentes, encenada mais de cem vezes para cerca de 20 mil pessoas.

Para o grupo A Barraca, a peça Felizmente Há Luar! já é um texto clássico da literatura dramática portuguesa, à medida que contribuiu para inaugurar um teatro narrativo de influência bretchiana. Além disso, o texto foi censurado pela ditadura de Salazar. Embora aborde acontecimentos do século 19, quando Dom João VI vivia no Brasil e o reino português se encontrava sob domínio inglês, é evidente a crítica do autor Luís de Sttau Monteiro ao governo totalitário no início dos anos 60 do século 20, quando escreveu, sendo então perseguido, censurado e preso por Salazar.

Elenco: Maria do Céu Guerra, Jorge Gomes Ribeiro, Luis Thomar, Pedro Borges, Rita Fernandes, Adérito Lopes, Sérgio Moras, Sérgio Moura Afonso, Susana Costa.
Ficha técnica: Encenação: Helder Costa / Figurinos: Maria do Céu Guerra / Adereços: Luís Thomar / Luminotecnia: Fernando Belo / Sonoplastia: Rui Mamede / Apoio técnico: José Carlos Pontes / Produção: Elsa Lourenço / Costureira: Inna Siryk / Montagem: Mário Dias.


11/5, domingo, 20h – Teatro Malayerba – Espetáculo: Bicicleta Lerux – Sala Jardel Filho - Duração: 90 minutos

O grupo Malayerba, de Quito, Equador, foi fundado em 1980 e reúne artistas de diferentes nacionalidades e históricos profissionais. Após mais de 20 montagens, trabalhos para a TV e para o cinema, além de premiações, o grupo tem como uma de suas marcas a criatividade e a exposição da diversidade cultural que o sustenta. Em 1996, comprou um antigo teatro e o transformou em sua sede como também em um dos principais pontos de referência para encenações e para formação de atores na capital equatoriana. Bicicleta Lerux é um dos trabalhos mais recentes.

O espetáculo Bicicleta Lerux mostra um Ulisses doméstico que jamais sai de casa, “viajando” apenas entre a sala, a cozinha e o banheiro, enquanto sua Penélope escancara essa intimidade de solidão. Mas Ulisses sonha com sua odisséia. Ela está em sua memória, enquanto Lerux surge como elemento que detona a viagem, sem que saibamos do que se trata, se é uma pessoa, um lugar ou uma idéia. Mas em nenhum momento o espetáculo pretende recriar o mito da Odisséia de Homero.

Elenco: Diego Bolaños, Manuela Romoleroux, María del Rosario Francés, Gerson Guerra, Cristina Marchán, José Rosales, Daysi Sánchez, Joselino Suntaxi, Arístides Vargas.
Ficha técnica: Direção e dramaturgia: Arístides Vargas / Figurino e cenografia: José Rosales / Coreografia: Carolina Váscones / Iluminação, desenho gráfico e fotografia: Elena Vargas.

III Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo
De 5 a 11 de maio de 2008
Centro Cultural São Paulo (http://www.centrocultural.sp.gov.br)
Rua Vergueiro, 1.000 - Paraíso - CEP 01504-000 - São Paulo – SP

Comments

Popular Posts