O Dia das Mentiras no Trindade


O Dia das mentiras
TEXTO Rui Mendes a partir de “Falar verdade a mentir” e “O noivado do Dafundo” de Almeida Garrett
ENCENAÇÃO E CENOGRAFIA Fernando Gomes
MUSICA João Paulo Soares
FIGURINOS Rafaela Mapril
DESENHO de LUZ Paulo Sabino
PRODUÇÃO INATEL/Teatro da Trindade

Interpretação:
Ângela Pinto - Ana Máxima
Bruno Batista - Paquete
Elsa Galvão - Joaquina
Igor Sampaio - General Lemos
Joana Brandão - Amália
João Braz - Ezequiel
João Didelet - José Félix Antunes
Luís Mascarenhas - Pantaleão
Rogério Vieira - Brás Ferreira
Rui Santos - Augusto Batista da Silva Leitão
Sofia Petinga - Adélia
Tonan Quito - Duarte Guedes
Vozes locutor de rádio: Rui Mendes, Fernando Gomes

SALA PRINCIPAL DO TEATRO DA TRINDADE
21 de Fevereiro a 27 de Abril 5ª-f a Sáb. 21h30 e Dom. 16h

Duração 2 Horas (com intervalo)
Classificação etária M/12

Preços 10€ a 15€

Descontos
20% - Jovens c/ - 25 anos, Seniores e Sócios FNAC, Pin Cultura, Profissionais Espectáculo
30% - Grupos + 10 pax, Sócios INATEL

Condições para Grupos de Escolas
Preço único: 5€
Datas: 13 Março, 3 Abril, 10 Abril, 17 Abril e 24 Abril às 14h30 (sob marcação)
Público-Alvo: 2/3º Ciclo e Secundário

O DIA DAS MENTIRAS
Foi com grande entusiasmo que aceitei o convite do Rui Sérgio para encenar “O Dia das mentiras”, que me veio proporcionar o meu primeiro trabalho no lindíssimo Teatro da Trindade, e um reencontro com Almeida Garrett, o autor do Frei Luís de Sousa”, “Viagens na minha terra” e “Folhas caídas”, obras que me serviram de base para três encenações na KlássiKus: “A Tragédia”, que estreou no Teatro da Comuna em 1996, “Romeiro … Romeiro, quem és tu?!... Ninguém”, No Teatro da Luz em 2004 e em 2005 “Garrett no coração”, apresentado no Salão Nobre do Teatro Nacional. Este último espectáculo tinha música ao vivo, dirigida por João Paulo Soares, um amigo e excelente compositor, com quem tenho o prazer de voltar a trabalhar neste “Dia das Mentiras”. Também, mais uma vez, posso contar com a criatividade da Rafaela Mapril, nos figurinos e do Paulo Sabino, na luz, uma dupla que, sem qualquer dúvida, em tudo contribui para valorizar a encenação. E embora a ideia do cenário seja minha, ele nunca teria tido o brilho quem tem, sem a preciosa colaboração da Sara Machado. Junte-se a esta belíssima equipa de criativos o entusiasmo de doze excelentes actores e, naturalmente, o trabalho de encenação só pode ter sido… um prazer!

“Falar verdade a mentir” e “O noivado do Dafundo” são duas peças de Garrett que o Rui Mendes adaptou. Acrescentou-lhes ingredientes de humor, transformou José Félix num “servidor de dois amos” e chamou ao espectáculo “O DIA DAS MENTIRAS”. Um projecto que simpaticamente colocou nas minhas mãos para encenar. Estou-lhe grato pela confiança e pela liberdade que me deu para transformar a sua adaptação numa versão musical.

A acção de “O DIA DAS MENTIRAS”, ao contrário do que possam pensar, não se passa no 1º de Abril, mas sim no dia 5 de Julho, no longínquo ano de 1932, que por certo poucas pessoas terão na memória.

Que teria pois acontecido nesse tal 5 de Julho de 1932 para agora ser chamado de “O Dia das mentiras”?

É isso mesmo que vão ficar a saber com esta comédia, que para além de doze divertidas personagens, conta ainda com a presença ao vivo do senhor Almeida Garrett, o grande homenageado nesta noite de Teatro.

Fernando Gomes
(Encenador)


Almeida Garrett(1799-1854)
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu em 1799 no Porto e faleceu em Lisboa em 1854 .É provavelmente o escritor português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários.Foi o introdutor do Romantismo em Portugal com o poema "Camões", 1825, desenvolveu o teatro (criando o Teatro Nacional e escrevendo obras de repertório, entre as quais se conta a obra-prima (Frei Luís de Sousa, 1843), cultivou o romance histórico (O Arco de Sant'Ana, 1845) e foi um notável poeta do amor e das suas contradições, da sensualidade e da mulher.


A vida
Na infância recebeu uma formação religiosa e clássica. Concluiu o curso de Direito em Coimbra, onde aderiu aos ideais do liberalismo. Em 1823, após a subida ao poder dos absolutistas, é obrigado a exilar-se em Inglaterra onde inicia o estudo do romantismo (inglês), movimento artístico-literário então já dominante na Europa.Regressa em 1826 e passa a participar na vida política; mas tem de exilar-se novamente em Inglaterra em 1828, depois da contra-revolução de D. Miguel. Em 1832, na Ilha Terceira, incorpora-se no exército liberal de D. Pedro IV e participa no cerco do Porto. Exerceu funções diplomáticas em Londres, em Paris e em Bruxelas. Após a Revolução de Setembro (1836) foi Inspector Geral dos Teatros e fundou o Conservatório de Arte Dramática e o Teatro Nacional.
Com a ditadura cabralista (1842), Garrett é posto à margem da política e inicia o período mais fecundo da sua produção literária. Durante a Regeneração (1851) recebe o título de visconde e é nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros.


A obra
Tem o grande mérito de ser o introdutor do Romantismo em Portugal ao nível da criação textual - processo que iniciou com os poemas Camões (1825) e D. Branca (1826).Ainda no domínio da poesia são de destacar o Romanceiro (recolha de poesias de tradição popular cujo 1.º volume sai em 1843), Flores sem Fruto (1845) e a obra-prima da poesia romântica portuguesa Folhas Caídas (1853) que nos dá um novo lirismo amoroso.Na prosa, saliente-se O Arco de Sant'Ana (1.º vol. em 1845 e 2.º em 1851), romance histórico, e principalmente as suas célebres Viagens na Minha Terra (1846). Com este livro, a crítica considera iniciada a prosa moderna em Portugal.E quanto ao teatro, deve mencionar-se Um Auto de Gil Vicente (1838), O Alfageme de Santarém (1841), o famoso drama Frei Luís de Sousa (1844), Falar verdade a Mentir (1846) e O Noivado do Dafundo (1848).

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