Crinabel teatro estreia "Romeo loves Juliet" com Albano Jerónimo em Lisboa na quinta



Um exercício de contaminação é como Marco Paiva define "Romeo loves Juliet", um texto de Cláudia Lucas Chéu a partir de "Romeu e Julieta", que se estreia na quinta-feira pelo Crinabel teatro no Teatro Ibérico, em Lisboa.

Esta é a segunda peça da trilogia "Poder, amor e fim" -- iniciada em abril de 2018 com a encenação de "Tito -- Um ensaio sobre o poder", um texto da mesma dramaturga a partir de "Tito Andrónico" - que encerrará com "Rei Lear" ainda sem data marcada e que continua a contar com Albano Jerónimo no elenco, disse à agência Lusa Marco Paiva, diretor do Crinabel teatro.

"Aquilo que propusemos à Cláudia foi que olhasse para a companhia, para dentro do grupo Crinabel teatro, que estivesse connosco, percebesse os nossos atores, aquilo que lhes interessa, o que é que os move artisticamente e depois à imagem disso reescrevesse os clássicos do Shakespeare", explicou Marco Paiva.

"Pretendemos também trazer pessoas de linguagens diferentes para trabalhar este projeto e foi assim que trabalhámos com o coletivo Digitópia, uma plataforma de música digital com sede na Casa da Música, no 'Tito andrónico', e com quem voltaremos a trabalhar no 'Rei Lear'", disse ainda Marco Paiva.

Para Marco Paiva, esta peça "é um grande desafio para os atores da Crinabel", uma vez que montar um texto clássico exige uma série de regras normativas e de escrita que não as mesmas com que é hábito o grupo de teatro da Crinabel trabalhar, frisou.

"O espetáculo acaba, por isso, por ser um grande desafio à norma, àquilo que nós consideramos que é a forma justa de fazer e que é um bocadinho a regra que acompanha o nosso trabalho desde sempre", explicou Marco Paiva.

Este espetáculo serve também, segundo o diretor do grupo de Teatro da Crinabel, para rebentar com os cânones. E mesmo correndo o risco de transgressão, de errar, tentam procurar sempre alternativas que não sejam as mais convencionais, enfatizou.

Marco Paiva disse ainda que para esta peça levaram "uma série de resquícios de outros espetáculos", o que faz com que seja "uma espécie de grande puzzle".

"Nesta construção cénica fomos apropriar-nos de outros espetáculos nossos, de modo que esta trilogia acaba também por ser uma espécie de trilogia fantasma das coisas que nos vão acompanhando ao longo dos tempos e das quais não nos conseguimos libertar", afirmou.

A peça está em cena entre quinta-feira e sábado, às 21:30, e, no domingo, às 16:00.

Interpretam "Romes loves Juliet" Albano Jerónimo, António Coutinho, Andreia Farinha, Ana Rosa, Ana Tomás, Carolina Sousa Mendes, Carlos Jorge, Filipe Madeira, Hugo Fernandes, João Pedro Conceição, Joana Honório e Rui Fonseca.

O desenho de luz é de Nuno Samora, a fotografia de Mariana C. Silva e a produção do Crinabel teatro.

O grupo Crinabel teatro, que faz parte da cooperativa com estatuto de utilidade pública que trabalha na reabilitação de crianças e jovens com atraso no desenvolvimento, celebrou 30 anos em 2016.
Lusa

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