Aniversário do Teatro Experimental do Porto - 60 anos



TEP foi pioneiro no Porto do teatro moderno em Portugal

O Teatro Experimental do Porto (TEP), a comemorar 60 anos de representações, teve na sua primeira década na vanguarda das artes cénicas e contou, ao longo dos anos, com a participação de nomes cruciais do teatro português.
Se a primeira representação da companhia foi em 1953, a história do Círculo de Cultura Teatral -- TEP começou algures numa noite chuvosa de novembro de 1959 em que, por convocatória oral, Manuel Breda Simões, um professor da Escola Comercial Oliveira Martins, conseguiu reunir um conjunto de cidadãos interessados no teatro.

Era uma iniciativa que surgia a par das atividades de outras instituições como o Cine Clube do Porto, a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto ou o Círculo de Cultura Musical, que através da cultura procuravam alimentar a oposição ao regime fascista.

Os estatutos da nova associação acabaram por ser aprovados em 1951 e, depois de vencidos vários problemas legais, é em 1953 que os dirigentes da associação conseguem convencer António Pedro a aceitar ser professor e encenador dos jovens artistas que militavam no TEP.

"A gota de mel", "Nau Catrineta" e "Um pedido de casamento" foi o tríptico estreado em 18 de junho de 1953, no Teatro Sá da Bandeira, com um sucesso que levou a que o espetáculo fosse levando em digressão.

"Quem a ele assistiu, embora tivesse aderido sem reservas, embora o tivesse aplaudido com entusiasmo, não se terá apercebido, é quase certo, do facto de se tratar de um acontecimento histórico, como foi o caso. Na realidade, o Teatro em Portugal não voltou a ser o mesmo, depois desta estreia", escreveu Carlos Porto na obra "O TEP e o teatro em Portugal".

O TEP nascia numa altura em que o teatro em Portugal se resumia ao teatro comercial e a um D. Maria envelhecido, pelo que Júlio Gago, o atual diretor, não tem dúvidas em afirmar que nele se viveu, nesses anos, "a única revolução estética do teatro português, introduzindo a encenação moderna e o sentido da unidade do espetáculo".

O diretor lembra que o grupo foi "criado quando se começava a falar na Europa dos teatros experimentais, da sua importância, do novo tipo de salas que esses teatros precisavam. Foi logo no início da aventura, nos anos 50, que o TEP teve o primeiro teatro de bolso construído na Península Ibérica". O pequeno teatro na rua do Ateneu Comercial do Porto, que se chegou a chamar teatro António Pedro, acabaria por ser alienado em 1980.

Ao longo da sua história muitos foram os atores e encenadores de relevo que pisaram o palco do TEP como João Guedes, Dalila Rocha, Sinde Filipe, Paulo Renato, Ruy de Carvalho, Rogério Paulo, Carlos Avilez, Fernanda Alves ou Isabel de Castro. O mesmo aconteceu com os artistas que colaboraram com a companhia como José Rodrigues, Ângelo Sousa, Armando Alves ou António Quadros.

Na década 1990, o TEP conheceria muitas dificuldades que levariam à sua transferência para Gaia, mas a prova da sua importância para a história do teatro em Portugal está patente no facto de, "nos últimos dez anos, cerca de 50 teses de mestrado e doutoramento se cruzaram no itinerário do TEP", afirma Júlio Gago. Em outubro vai mesmo realizar-se um colóquio em que participarão alguns destes investigadores e mesas redondas com antigos encenadores e cenógrafos.
in Lusa

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