"A Verdadeira Treta" no Algarve






A peça «A Verdadeira Treta» encheu o Teatro das Figuras três dias seguidos e volta à região em Março, com Lagos e Lagoa a receber três sessões.

Às vezes, é preciso recorrer a conversa da treta para dizer umas verdades e «pôr o dedo na ferida». É exactamente a esta tarefa, por vezes inglória, que os actores António Feio e José Pedro Gomes se propõem, ao levar os trabalhos da família «Conversa da Treta» a todo o país, à televisão e até ao cinema.

Desta vez, os dois actores estão em digressão com a peça «A Verdadeira Treta» e encontraram em Faro um público verdadeiramente devoto.

As duas sessões originalmente previstas transformaram-se em três, devido à forte solicitação e só não houve mais por impossibilidade dos artistas, que, no sábado, depois de três dias seguidos a actuar no Teatro das Figuras, subiram ao palco no Seixal. Em Faro, todas as sessões esgotaram.

Para os algarvios que não conseguiram bilhete para os espectáculos da semana passada e não o querem perder, há boas notícias. «A Verdadeira Treta» volta à região em Março.

Nos dias 13 e 14, estará no Centro Cultural de Lagos, e no dia 15 vai subir ao palco do Auditório Municipal de Lagoa.

O «barlavento» falou com José Pedro Gomes e António Feio, já na pele de Zézé e Toni (no último caso, é mesmo de pôr a pele que se trata), momentos antes de actuarem, pela terceira vez, para um Teatro das Figuras repleto.

Embora já estivessem dentro das personagens, a conversa foi bem séria.

«Tem sido uma experiência muito boa, pois andamos pelo país todo. Aliás, a ideia, no início, era tentar perceber o que se fazia, ou não se fazia, de teatro em Portugal. Então, montámos um espectáculo que fosse o mais simples possível», revelou José Pedro Gomes.

É precisamente pela sua componente logística leve que este espectáculo pode ir a qualquer sala do país. «Fizemos este espectáculo em salas com muito poucas condições. Há onze anos trazíamos sempre connosco duas torres laterais e meia dúzia de projectores, pois nem sempre havia onde os pendurar. Mais duas cadeirinhas e o cinzeiro e pronto», diz, a rir, António Feio.

«Ao longo dos anos, melhoraram drasticamente as condições de trabalho para nós e de assistência, para o público», revelou. Mas os dois actores depararam-se com situações caricatas, para o bem e para o mal.

«Uma vez estivemos num centro paroquial em que o palco tinha azulejos de casa-de-banho com metro e meio de altura e uma janela ao fundo. Até tinha um tecto falso», recordam, com um sorriso.

Mas também chegaram a ficar espantados com as condições que encontraram, em alguns sítios. «Fomos actuar a uma terra chamada Lavra, perto de Matosinhos, da qual nunca tínhamos ouvido falar. Mas encontrámos uma sala com 700 lugares com bancos à maneira, construída por um tipo que era um benemérito lá da zona. Isto numa aldeia!», exemplificam.

Estas experiências e as muitas horas de palco levaram a que a peça se transformasse num autêntico fenómeno e num sucesso duradouro. «A primeira tournée durou mais de três anos», recordaram.

Daí que tenha chegado não apenas à televisão, mas também ao cinema, com «O Filme da Treta», assinado pelos dois actores portugueses.

Aquilo que é hoje o fenómeno Treta não seria possível sem a cumplicidade que José Pedro Gomes e António Feio demonstram ter, nesta e noutras peças. No caso da «Conversa da Treta», este factor é muito importante, pois o improviso faz parte do espectáculo.

«Na maioria das peças, uma pessoa mantém-se fiel ao texto, até por respeito pelos outros actores. No máximo, mudamos a forma de dizer esta ou aquela deixa. A Treta é que nos permite improvisar porque, desde o início, essa era uma premissa do projecto, à semelhança de andar por todo o país», disseram.
Hugo Rodrigues in "Barlavento Online"

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