Wednesday, July 31, 2013

Teatro Rápido em Agosto


PARA ONDE O SOL ME LEVAR

Agosto é sinónimo de praia, férias, sol e calor, também de viagens, emoções ao rubro, reencontros e revisitações. Viagens metafóricas; o sol como elemento de esperança. O Teatro Rápido não vai de férias, mantém-se de portas abertas, sendo uma boa opção cultural para o mês de Agosto.

Em Agosto assinalamos as estreias no TR de Alexandre Tavares, que encena Diogo Tavares, num texto de Armando Nascimento Rosa; Duarte Grilo, que já tem pisado o palco do TR BAR com Café Improv, faz a sua estreia em Sala com encenação de José Carlos Garcia. Anna Carvalho está de regresso ao TR ao lado de Marta Prieto e ainda a estreia absoluta no TR de Igor Sampaio ao lado de Isabel Damatta, pela mão de Fernarndo Gomes.
Pelo palco do TR Bar teremos o regresso de Eduardo Gaspar com o hilariante trabalho de “Elas Sou Eu” e ainda a continuidade do PFShortsFest.

Em Agosto o TR interrompe a Programação para a Infância, regressando em Setembro!

De 1 a 31 de Agosto -  de 5ª a 2ª


SALA 1 – Cigano de Lisboa
Horário das sessões: 18h00 | 18h30 | 19h00 | 19h30 | 20h00
quinta a segunda | M/12 | 3€

Texto: Armando Nascimento Rosa
Encenação e Cenografia:  Alexandre Tavares
Interpretação: Diogo Tavares
Produção: João Pires

Sinopse: 
Um “cigano” que não é cigano. Um rapaz cuja alcunha caracteriza um estilo de vida imposto desde muito cedo na sua existência. O seu avô, um bailarino reformado, e o último dos seus familiares vivo, ao descobrir a existência do neto, fez todos os possíveis para assegurar o seu futuro e ajudá-lo a cumprir o seu sonho de se tornar escritor, acolhendo-o quando mais ninguém o faria. No entanto, o jovem vê-se de novo na solidão, confrontando-se com a morte deste avô pouco tempo depois de o conhecer – e com ele, morre a recém-nascida esperança na sua triste vida.


SALA 2 – Belo, Feio e Assim Assim
Horário das sessões: 18h05 | 18h35 | 19h05 | 19h35 | 20h05
quinta a segunda | M/12 | 3€

Texto: Adriano Teixeira
Encenação: José Carlos Garcia
Interpretação: Duarte Grilo
Cenografia e Grafismo:  Pedro Vercesi
Fotografia de Cena:  Luciana Coelho

Sinopse: 
Amar e perder e depois escrever sobre isso, talvez seja essa a ordem natural das coisas. É tão difícil amar enquanto adulto, quando eu era um miúdo o amor era um coração toscamente recortado em papel de lustro, e agora, todos estes anos depois, não tenho uma melhor ideia do que ele é, apenas sei um pouco mais sobre o vazio que deixa quando morre.


SALA 3 – Barbona
Horário das sessões: 18h15 | 18h45 | 19h15 | 19h45 | 20h15
quinta a segunda | M/16 | 3€

Texto: Marta Prieto
Encenação e Interpretação: Anna Carvalho e Marta Prieto
Imagem Gráfica, Cenografia e Produção: António Proença Azevedo
Assistência de Produção: Rita Borreccio  e Ana Bicker

Espetáculo disponível em Português; Inglês e Italiano mediante reserva antecipada para grupos através do 213 479 138 ou tr@teatrorapido.com

Sinopse: 
Barbona (Mendiga em Italiano) é violada repetidamente pelo tio em criança. O pai não acredita. Acha que ela inventa todas aquelas histórias, até porque o tio é bom para a família. 
Barbona pegou numa mochila com algumas coisas e numa roda da sua bicicleta. Fugiu do seu país sem mais nada. Caminhou em direção ao Sol, como nos filmes. Caminhou todos os dias até chegar a Bolonha, cidade que, desde então, escolheu para ser a sua casa. Pelo caminho perdeu a razão.
Enlouqueceu de dor e de cansaço. Foi para onde o Sol a levou... para sempre.


SALA 4 – Sol-Ida-Mente… Juntos!
Horário das sessões: 18h20 | 18h50 | 19h20 | 19h50 | 20h25
quinta a segunda | M/12 | 3€

Autor: Tom Lis
Encenação: Fernando Gomes
Interpretação: Igor Sampaio e Isabel Damatta

Sinopse:
Tomé e Lis são um casal, como tantos outros, que já gastaram as palavras, já deixaram de se ouvir e apenas estão habituados a co-existir.
O medo da solidão, leva-os a irem vivendo cada dia sem prazer de ser, de estar ou mesmo de conviver, com os outros, e menos ainda, um com o outro.
Sentem a mente vazia de desejo. A ida a qualquer lado, é uma fuga para lado nenhum. Só o Sol consegue iluminar um pouco os seus dias “carregados de escuridão”.
Por isso, num dia de Sol, Lis pensa numa ida a qualquer lado, mas, rapidamente, perante a recusa de Tomé, a mente “abre asas” e começam a discutir, sem saberem muito bem porquê. 
Depois de alguma (des)conversa, palavras que apenas se juntam para formarem frases, que têm mais a intenção de atingir e magoar do que, interagir e (re)aproximar, acabam por exprimir o que lhes vai na alma e, no fim,  saem de mãos dadas para, finalmente, conversarem e apanharem Sol, solidamente juntos!


TR BAR
Sáb. dia 3 e Sáb. dia 24
Elas sou eu (o que a gente não faz para pagar a renda)
Café-Teatro
M/16 | 22h
ENTRADA: 7,50€ 
com oferta de 1,50€ em consumo TR BAR (não reembonsável)

Texto e Interpretação: Eduardo Gaspar
Encenação: Hugo Sovelas
Sinopse:
“Elas Sou Eu (o que a gente não faz para pagar a renda)” é uma comédia, ambientada no Brasil, que conta a história de quatro mulheres que têm um objectivo comum: ser bem sucedidas, seja emocional, social ou profissionalmente.
Lucy Neyde é uma perigosa empregada doméstica que faz de tudo para realizar o seu sonho de se transformar numa actriz famosa e reconquistar o seu antigo amor, um grande cantor da música romântica do Brasil.
Berenice, por sua vez, é uma fogosa baiana que procura a felicidade depois de um casamento frustrado e descobre os prazeres da vida através dos filmes pornográficos e do encontro com o mundo, um muito bem constituído nativo de Benguela. 
Yolanda é uma mulher da alta sociedade que se divide entre o amor à filha mais velha (Maria  Cleide), a repulsa pela filha mais nova (Maria Cláudia), a relação sobrenatural com o marido, Otacílio, e a falsa amizade com uma emigrante portuguesa. Gasta todo o seu tempo na harmonização de conflitos quando, na verdade, tudo o que quer são cinco minutos para beber sua flute de champanhe em paz. 
Por fim, a misteriosa irmã Bondade, religiosa não por vocação, mas pelo desígnio do próprio nome, que vive, segundo consta, pois nunca foi vista por ninguém, enclausurada num convento, algures em alguma parte do país. Sabe-se apenas que guarda consigo um segredo que está tão bem escondido como o seu verdadeiro objectivo de vida.


5ª dia 8 e 5ª dia 22
PFShortsFest
21h30
ENTRADA: 3,00€ com oferta de 1 imperial
O Portugal Fantástico junta-se ao Teatro Rápido para levar o cinema nacional ao Chiado. A partir de Junho, mensalmente, na segunda e última 5ª Feira de cada mês, às 21h30, serão exibidas várias curtas-metragens nacionais no magnífico espaço do TR BAR do Teatro Rápido.
As mostras serão exibidas no âmbito do "PFShortsFest" onde, em cada sessão, uma das curtas-metragens será escolhida pelo público como a melhor da sessão. Trimestralmente, as seis curtas-metragens escolhidas como melhores em cada sessão, estarão presentes numa mostra final onde será selecionada a vencedora à qual será atribuído um prémio.

REGULAMENTO: http://www.portugalfantastico.com/pfshortsfest/

Programa Dia 8
A Ceia
De Duarte Guedes
Sinopse: Um homem amargo está perdido e sem memória, será que se vai encontrar, será que quer ser encontrado?...
Classificação Etária: M/12

A Estrela Mais Brilhante
De Joana Santos
Sinopse: Vasco e o seu pai tentam ultrapassar a morte recente da mãe – Francisco, explica o
desaparecimento da mãe ao filho dizendo-lhe que a sua mãe está entre as estrelas, no céu.
Vasco decide traçar um plano para ir em busca da mãe ao espaço - constrói uma nave espacial
com destino às estrelas tendo como missão o seu resgate.
É uma história sobre a procura por algo que desapareceu, sobre o ultrapassar a ausência de
alguém e sobre a imaginação de uma criança.
Classificação Etária: M/12

Alabote
De João Garcia
Sinopse: Os pais de António partiram e deixaram-no com a avó materna. António sonha reencontrar os pais e vive num mundo de fantasia que lhe é proporcionado pela avó que tenta deste modo esconder a verdade. Há uma vizinha, que entre sopas e caldinhos, vai tentado abrir os olhos de António para a verdade. A verdade escondida dentro de um velho baú.
Classificação Etária: M/12

De Mim
De Carlos Melim
Sinopse: "De mim" é uma curta metragem independente, escrita e realizada por Carlos Melim, um jovem realizador madeirense. É um filme autobiográfico que acompanha o autor através dos sentimentos de perda e solidão. Trata-se de uma carta de despedida, escrita num momento limite, repleta de dúvidas existenciais… Durante seis minutos, acompanhamos os pensamentos do autor enquanto ele se questiona acerca das suas escolhas… Até decidir o caminho que pretende percorrer, revê as situações que lhe causam tanta dor… a perda de amigos, as saudades da família, os desgostos de amor…
"De mim" é a mensagem do realizador para todos aqueles que nos momentos mais sombrios já se questionaram sobre o sentido da vida… É sobre aquele momento particular em que nos sentimos tão deslocados, tão revoltados e tão sós que temos de fugir do mundo para nos reencontrarmos.
Classificação Etária: M/12

Tsintty
De Rui Pedro Sousa
Sinopse: Conta a história do desmoronar de uma relação amorosa, através do ponto de vista de 3 casais diferentes, e a solução para os problemas de quem é maltratado durante a mesma.
Classificação Etária: M/12


Programa dia 22
Clarisse
De Erick Loyola Sazo
Sinopse: "Por vezes a dor pode fazer-nos perder a noção da realidade, o passado misturar-se com o presente e tudo tornar-se incerto.
E é nessa incerteza que se encontra Clarisse (Francisca Figueiredo), uma jovem mulher perdida no tempo que aos poucos acaba por descobrir uma nova realidade que poderá mudar o rumo da sua vida."
Classificação Etária: M/12

Fogo & Prata
De Afonso Nunes
Sinopse: Ignis, uma jovem afável e bem-disposta, sente-se isolada perante a comunidade da aldeia: carrancudos e cabisbaixos, contrastando com a jovem.
Para fugir a esta realidade, a nossa heroína refugia-se no seu lugar especial: uma colina onde vê as estrelas e fala para os céus.
Certo dia, a caminho deste lugar, numa torre em ruínas onde os locais não se atrevem a chegar, conhece um rapaz jovial, que afirma conhecê-la bem.
Diz chamar-se Argentum embora os habitantes do mundo de Ignis se referem a ele sobre o nome de lua...
Classificação Etária: M/12
O Cheiro das Velas
De Adriana Silva
Sinopse: Uma festa surpresa ao contrário. Um filme sobre a infância, a distância e a paradoxalidade das emoções humanas.
Classificação Etária: M/12

Porque Tu Respiras
De Pedro Almeida
Sinopse: "Cada vez é mais difícil ter consciência do tempo ideal em que devemos parar. Conseguir fazê-lo parece por vezes impossível mas é essencial para seguir em frente."
Classificação Etária: M/12

R.I.G.I.D.
De Bruno Simões
Sinopse: The Earth has been invaded and most living beings have been abducted. One last survivor sees his hopes restored when he meets a scientist who has discovered an antidote against the abductions, but she's abducted before she can take him to the lab, so it's now up to him to get there and find the antidote.
Classificação Etária: M/12


O Artistas Unidos em Setubal em Agosto



UM PRECIPÍCIO NO MAR de Simon Stephens 

Tradução Hélia Correia Com João Meireles Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Fotografia Nuno Morais Encenação Jorge Silva Melo M12

Na Festa de Teatro (Setúbal), 4ª28 de Agosto

Lá porque não sabemos, não quer dizer que não venhamos a saber. Nós só não sabemos por agora. Mas acho que um dia saberemos. Acho que sim.

Monólogo perfeito de quarenta e poucos minutos, parece a história trivial de um jovem amor, da paternidade e da família, mas com a ratoeira de uma tragédia sem sentido. Pode ser Deus responsável pela beleza da vida e também pela crueldade inexplicável?
Jorge Silva Melo  


A ESTALAJADEIRA de Carlo Goldoni 

Tradução Jorge Silva Melo Com Américo Silva, António Simão, Catarina Wallenstein, Elmano Sancho, Rúben Gomes, Maria João Falcão, Maria João Pinho, João Delgado, Tiago Nogueira Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Fotografias Jorge Gonçalves Luz Pedro Domingos Assistência Leonor Carpinteiro e João Delgado Encenação Jorge Silva Melo Co-produção AU/ TNSJ/ Centro Cultural de Belém com o apoio do Centro Cultural do Cartaxo M12

Na Festa de Teatro (Setúbal), 5ª 29 Agosto

E vós, senhores, aproveitai de tudo o que vistes para vantagem e segurança dos vossos corações. E se alguma vez estiverdes numa ocasião de duvidar, quase a ceder, pensai nos artifícios que vistes. E lembrai-vos da Estalajadeira!
Carlo Goldoni, A Estajaladeira

O texto está publicado no Teatro Escolhido de Carlo Goldoni nos Livros Cotovia.

"Cada Sopro" na Politecnica



CADA SOPRO de Benedict Andrews

Tradução Jorge Silva Melo Com Ana Bustorff, Cleia Almeida, João Vaz, Pedro Gabriel Marques e Sisley Dias Desenho de luz Daniel Worm d'Assumpção Espaço sonoro Daniel Romero Espaço cénico John Romão Colaboração de figurinos Damara Inglês Assistência de produção Mónica Talina Fotografia Susana Paiva Encenação John Romão e Paulo Castro uma co-produção Colectivo 84 & StoneCastro M16

No Teatro da Politécnica até 3 de Agosto
ATENÇÃO AOS HORÁRIOS: de 3ªf a Sáb às 21h30
RESERVAS | 961960281 (3ªf a 6ªf das 17h00 e Sáb. das 15h00 até ao final do espectáculo)

OLIVER ... tu tipo adormeces e há uma merda qualquer. Acordas meio tonto, sem saber onde estás. Reparas que há tipo uma porta que não devia estar aberta ou que uma vidraça está estilhaçada. E tu entras e vais chekar tudo e estamos tipo todos mortos. Um massacre

Benedict Andrews, Cada Sopro

O Regresso de "Broadway Baby"


"Broadway Baby - A História do Musical Americano" de volta a Lisboa para celebrar 1 ano em cena no Teatro Armando Cortez - Casa do Artista

Na zona oeste de Nova Iorque, sensivelmente a partir da rua 42 e quase até Central Park, os teatros sucedem-se, feéricos com os seus cartazes luminosos – são mais de 20, mais de 30, mais de 40 – é a Broadway.  Foi nestes teatros que ganhou forma o Musical Americano. 
A cantar, o Henrique Feist conta-nos como tudo se passou. Porque é que os teatros se instalaram nesta zona da cidade? Quem foram os primeiros autores? E os primeiros compositores? Que têm de tão especial as canções? Que sonho é este chamado Broadway?
Na verdade, a Broadway existe cada vez que uma qualquer pessoa em qualquer parte da terra assobia o “Night and Day” ou trauteia “I’ve Got You Under My Skin”. A Broadway existe quando vemos filmes como  o “West Side Story” , o “Hair” ou o “Dreamgirls”. A Broadway existe quando vemos séries como “Will and Grace” e “Glee”. A Broadway existe em muitos dos discos da Ella Fitzgerald, do Frank Sinatra, da Barbra Streisand ou da Liza MInelli. A Broadway existe porque há sonhos que de tão grandes que são não cabem em mais lado nenhum. A Broadway, mais que uma zona da cidade de Nova Iorque, é um estado de espírito.
Henrique Feist, sobretudo através de canções de cinco dos maiores compositores da Broadway de sempre – Cole Porter, George Gershwin, Irving Berlin, Jerome Kern e Richard Rodgers –,  mas não esquecendo todos os outros, faz-nos comungar desse estado de espírito. 
Neste espectáculo, Henrique Feist é acompanhado ao piano pelo seu irmão Nuno Feist, no ano em que os dois irmãos celebram os seus 31 anos de carreira.
Pelo mesmo espectáculo, o actor, cantor e director artístico, Henrique Feist, ganha o Globo de Ouro 2013 – Melhor Actor de Teatro de 2012.


Direcção Artística e Interprete | Henrique Feist
Direcção Musical e Arranjos | Nuno Feist
Assistente de Encenação | Ricardo Spínola
Director Técnico e Desenho de Luz | Paulo Santos
Desenho de Som | Ricardo Figueiredo
Direcção de Produção | Duarte Nuno Vasconcellos
Produção Executiva | Bruno Coelho
Assistente de Produção | Ricardo Diniz
Produção | Buzico! Produções Artísticas

fotos de Alfredo Matos 


Espectáculo extra dia 3 de Agosto nas Aguncheiras


The Lisbon Players em risco...

Câmara de Lisboa disposta a encontrar solução para a The Lisbon Players

A Câmara de Lisboa reconhece o "elevado interesse cultural" da The Lisbon Players e mostra-se disponível para encontrar uma solução que permita viabilizar a actividade da Associação de Teatro Inglês, que terá de abandonar as actuais instalações.

A companhia inglesa está sediada no Estrela Hall, sala de teatro perto da Basílica da Estrela, desde 1947, mas o quarteirão que alberga o espaço foi vendido pelo Governo inglês a privados, obrigando à saída da associação, que se opõe à venda.

Em resposta escrita enviada à agência Lusa, nesta terça-feira, a embaixada britânica em Portugal refere que assinou o contrato de venda no passado dia 18. Esclareceu que, em 2010, os tribunais portugueses decidiram que o Governo Britânico era o legítimo proprietário dos terrenos e que "tinha o direito de os vender".

Numa nota assinada pela vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, enviada à direcção da Associação de Teatro Inglês - The Lisbon Players, e a que a Lusa teve acesso, Catarina Vaz Pinto reconhece "o trabalho e o elevado interesse cultural" da companhia e manifesta "a disponibilidade para contribuir para a obtenção de uma solução que permita viabilizar a manutenção da actividade da The Lisbon Players nos actuais moldes de funcionamento".

O Governo britânico justificou a venda dos terrenos – que incluem o ex-Hospital Britânico, o Royal British Club, o ex-British Parsonage, o cemitério Judeu e o espaço da The Lisbon Players –, com "a estratégia que tem vindo a ser seguida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, de alienar as propriedades no estrangeiro que não estejam relacionadas com a sua actividade diplomática."

O Governo britânico reclamou a posse de toda a área por usucapião (lei portuguesa que permite reclamar a posse de uma propriedade em função dos anos de ocupação), em 2009, acrescentando que a "maioria dos stakeholders (partes interessadas) concordaram que os terrenos fossem vendidos em bloco".

Contudo, a The Lisbon Players contestou a situação em tribunal, mas a decisão judicial seria favorável ao Governo britânico.

A companhia teatral denuncia também que "o local foi abandonado há cerca de 40 anos", e, desde aí, a The Lisbon Players "assumiu a responsabilidade de cuidar, recuperar, conservar e converter a sala de teatro às suas custas, não tendo imputado quaisquer custos aos contribuintes, portugueses ou britânicos".

Jonathan Weightman, director da The Lisbon Players, disse que os terrenos foram vendidos por 3,2 milhões de euros a um empresário, o qual "pretende construir uma clínica médica e estética".

A embaixada escusou-se a fazer comentários sobre o valor e os projectos em vista, mas esclareceu que "não irá receber nada em resultado da venda, mas apenas pelos custos com o processo de venda".

Na resposta enviada à Lusa, a embaixada britânica em Portugal acrescentou que "foi dada à The Lisbon Players tempo para procurar um local alternativo para transferir a sua actividade, e que foi acordado entre todos os interessados que a companhia receberia 2,8% dos resultados líquidos partilhados".

Jonathan Weightman confirmou as alternativas apresentadas pelos britânicos, mas frisou que os espaços "não tinham as condições necessárias". O responsável adiantou que já contactou o novo proprietário dos terrenos.

"Estamos a aguardar uma resposta para ver se podemos continuar com nosso trabalho aqui", avançou Jonathan Weightman, que, caso a companhia tenha de sair do Estrela Hall "corre o risco de chegar ao seu fim", apesar "de já estar a preparar seis peças para a próxima temporada".

Os terrenos da polémica foram, originalmente, oferecidos, no século XVIII, pela coroa portuguesa, para benefício cultural das comunidades estrangeiras residentes em Portugal, maioritariamente ingleses, holandeses e judeus.
Lusa

A petição está a ser assinada aqui: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=SOSlisbonplayers




Opinião | "O Menino de Sua Avó" n'A Barraca


“Menino de Sua Avó”, de Armando Nascimento Rosa, é uma boa surpresa. Escrita propositadamente para ser interpretada por Maria do Céu Guerra, que ao subir ao palco de “A Barraca” se faz acompanhar pelo actor Adérito Lopes, a peça divaga sobre uma possível relação muito estreita entre Fernando Pessoa e a sua avó Dionísia Estrela Seabra, que existiu de verdade, mas de que se não sabe, por ciência exacta, se manteve ou não com o poeta o tipo de relacionamento que a peça imagina. Para o caso não é importante. A avó Dionísia era louca, teve épocas passadas em Rilhafoles, e não será muito estranho que o poeta tenha sentido por essa personagem afecto e admiração. A primeira parte da obra é de uma grande coerência e interesse, com as conversas de Fernando Pessoa e Dionísia, em vida de ambos. Pessoa é ainda jovem, descobre a poesia e a vida, e anda ainda emerso no seu primeiro heterónimo, Alexander Search, que escrevia em inglês.
Menos conseguida é a segunda parte, sobretudo o início, quando Dionísia morre, o seu fantasma aparece a Fernando Pessoa, este se vai multiplicando em heterónimos e pseudónimos, prosseguindo o diálogo entre ambas as figuras, já depois da morte do poeta, mesmo depois da transladação dos seus restos mortais para os Jerónimos, e culminando na actualidade. O final é muito bem desenredado, com os actores a deixarem o palco e a instalarem-se na plateia para assistirem à peça que vai terminar para nós, espectadores mortais (e iniciar-se para eles).
O diálogo é inteligente e divertido, mesmo tendo em conta as situações referidas, o que, de certo modo, conduz a obra pelos terrenos de um discreto humor negro.
Portanto, a peça vale a pena. É uma boa revelação portuguesa, o que diga-se de passagem, é muito raro. Passemos à sua concretização em palco. Minimalista, sim, mas extremamente eficaz, sem deslumbramentos vanguardistas que muitas vezes resultam penosos. José Costa Reis assina a realização plástica e os respectivos figurinos, tudo de bom gosto e sobretudo de eficácia cénica. António Victorino d'Almeida compôs e interpretou temas originais para a banda sonora que se colam muito bem ao desenrolar do espectáculo, o que não é de espantar no maestro. Finalmente, falemos da interpretação. Adérito Lopes compõe Fernando Pessoa e derivados com graça e justeza. Não é fácil o seu trabalho, necessita de registos diversos, as mutações são discretas e sábio o resultado final. Maria do Céu Guerra está magnífica. Ela é, indiscutivelmente, uma das grandes actrizes da cena portuguesa, e aqui encontra-se no seu elemento natural, sensível e ligeiramente irónica, saboreando com graça e uma desenvoltura muito sua a loucura desta avó que faria as delícias de qualquer neto. Na primeira parte ela chega a ser sublime. Sabem aquela sensação que por vezes se tem, quando estamos sentados numa plateia, e nos apetece saltar para o palco e abraçar os actores? Pois bem, tive de esperar pelo final, para não parecer mal.
A peça terminou hoje a sua carreira n’ A Barraca, mas não desesperem, creio que vai voltar lá para Setembro. Merece-o.
Lauro António
in "Lauro António Apresenta"


O MENINO DE SUA AVÓ

Texto inédito de Armando Nascimento Rosa; Criação de Maria do Céu Guerra (em Dionísia Seabra Pessoa) e Adérito Lopes (em Fernando Pessoa); Encenação Partilhada; Apoio Rita Lello; Música original António Victorino d'Almeida; Harpa Ana Dias; Cenografia e figurinos José Costa Reis; Aderecista Marta Fernandes da Silva; Mestra Costureira Alda Cabrita; Montagem Mário Dias; Assistência Marta Soares; Vídeo Paulo Vargues; Sonoplastia Ricardo Santos; Iluminação Fernando Belo; Produção Executiva Paula Coelho e Inês Costa.