Wednesday, February 2, 2011

Trailer" "Black Swan"

Distinção póstuma a Seara Cardoso releva “dimensão e qualidade” do teatro de marionetas


João Paulo Seara Cardoso fundou o Teatro de Marionetas do Porto em 1988 e o cenário que enquadra esta modalidade artística não voltou a ser o mesmo. A Associação Portuguesa de Críticos de Teatro (APCT) é desta opinião e, três meses após a morte do portuense, distingue-o com o Prémio da Crítica de 2010. O Festival Internacional de Marionetas de Lisboa (FIMFA), que conta já uma década, também é galardoado.

O prémio é dividido. O FIMFA merece por “dez anos de trabalho perseverante e continuado na apresentação, em Portugal, do que de mais interessante e importante existe no Teatro de Marionetas, Objectos e Formas Animadas”, informa a APCT, em comunicado.

A escolha é da responsabilidade de Alexandra Moreira da Silva, João Carneiro, Maria Helena Serôdio e Rui Pina Coelho, os quatro membros do júri que consideram que sem João Paulo Seara Cardoso, desaparecido a 29 de Outubro, na sequência de complicações motivadas por um cancro pulmonar, “o Teatro de Marionetas em Portugal não existiria na sua forma, dimensão e qualidade actuais”.

Na cerimónia de entrega destes prémios, que decorre na tarde de 12 de Março, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, a APCT vai ainda atribuir três menções honrosas: a Miguel Guilherme, “pelo brilho e excelência singular na composição” para O Senhor Puntila e o seu criado Matti; a Luís Castro, da companhia Karnart, “pela inspirada e brilhante teatralização do universo de Raúl Brandão”, em Húmus; e a Carla Miranda, Maria do Céu Ribeiro e Miguel Eloy, por “três interpretações justíssimas da partitura” de Howard Barker, em Mulheres Profundas/ Animais Superficiais, na qual “aliam rigor e instinto num trabalho de invulgar qualidade”.
Hugo Torres in "Público"

Temporada 2011 da Companhia Nacional de Bailado

"Sombras" de Ricardo Pais no Teatro Nacional São João


Sombras de Ricardo Pais é e não é teatro. Tem o seu coração no Fado e inclui composições originais de Mário Laginha, mas a lógica dramatúrgica não advém exclusivamente da música. Sombras assenta num apurado guião de textos onde Frei Luís de Sousa (1843) e Castro (1587) detêm um valor matricial, e que é atravessado pelos nossos fantasmas lendários, o gosto das pequenas histórias, a melancolia das variedades, a vigor do fandango, o prazer cénico de experimentar os opostos – e a força percussiva da mais alta literatura dramática. Após a assombrosa recepção em Novembro passado, e antecedendo a apresentação no Théâtre de la Ville (Paris), Sombras reaparece no seu palco originário. Três oportunidades para avaliar da materialidade destes assombramentos e incandescências da nossa natureza teimosa e paradoxal. A nossa alma é uma coisa concreta.

uma criação Ricardo Pais vídeo Fabio Iaquone, Luca Attilii música original e direcção musical Mário Laginha coreografia Paulo Ribeiro cenografia Nuno Lacerda Lopes figurinos Bernardo Monteiro desenho de luz Rui Simão desenho de som Francisco Leal voz e elocução João Henriques consultor musical (fados) Diogo Clemente encenação Ricardo Pais assistência de encenação Manuel Tur interpretação José Manuel Barreto, Raquel Tavares (fadistas); Emília Silvestre, Pedro Almendra, Pedro Frias (actores); Carla Ribeiro, Francisco Rousseau, Mário Franco (bailarinos); Mário Laginha, Carlos Piçarra Alves, Mário Franco, Miguel Amaral, Paulo Faria de Carvalho (músicos); Albano Jerónimo, António Durães, João Reis e Teresa Madruga (participação especial em vídeo) produção TNSJ em co-produção com Centro Cultural Vila Flor, Teatro Viriato, São Luiz Teatro Municipal colaboração OPART duração aproximada 1:45 classificação etária M/12 anos

De 17 a 19 de Fevereiro no Teatro Nacional São João

"Brilharetes" Artistas Unidos estreiam no Centro Cultural do Cartaxo





BRILHARETES de Antonio Tarantino
Tradução Tereza Bento Com João de Brito e Tiago Nogueira Cenário e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Fotografias Jorge Gonçalves Assistência Joana Barros Apoio à produção João Meireles Um espectáculo de João de Brito e Tiago Nogueira com a colaboração de Jorge Silva Melo Co-produção Artistas Unidos/ LAMA/ Molloy Associação Cultural M16
Estreia no Centro Cultural do Cartaxo a 25 de Março
6ª 25 e Sáb 26 às 21h30
Ensaios abertos:
Faro (CAPA), 6ª 11 e Sáb 12 de Fevereiro
Loulé (Casa da Cultura), 6ª 18 e Sáb 19 de Fevereiro
Setúbal (Teatro Estúdio FonteNova) 5ª 24 e 6ª 25 de Fevereiro
Montemor-o-Novo (Cine -Teatro Curvo Semedo), Sáb 26 de Fevereiro
Tavira (Teatro Al Masrah / Espaço da Corredoura), 6ª 4 e Sáb 5 de Março
Sintra (Teatro Reflexo), 6ª 11 e Sáb 12 de Março
Alcobaça (Armazém das Artes), 6ª 18 e Sáb 19 de Março

Programação Teatro no Inverno

A Escola da Noite acolhe Teatro Meridional em residência artística no TCSB




O Teatro Meridional estará em residência artística em Coimbra, no Teatro da Cerca de São Bernardo, entre 7 e 13 de Fevereiro. O programa inclui dois dos mais recentes espectáculos - “Contos em Viagem: Cabo Verde” e “1974” - , um recital de poesia, um workshop, uma exposição, um documentário e várias oportunidades de conversa com o público.

Recentemente distinguido com o Prémio Europa Novas Realidades Teatrais (entre vários outros prémios que recebeu ao longo dos anos) e com a mesma idade d'A Escola da Noite, o Teatro Meridional é uma das mais importantes companhias de teatro portuguesas. O seu original e consistente percurso artístico distingue-se no panorama nacional e internacional pela importância atribuída ao trabalho do actor e por três linhas essenciais de reportório: a encomenda de textos originais, a adaptação de textos não teatrais (com predominância para a literatura lusófona) e o cruzamento em palco de várias linguagens artísticas, criando espectáculos em que a palavra “não é a principal forma de comunicação cénica”.
Os espectáculos escolhidos para esta residência artística em Coimbra são dois belíssimos exemplares deste percurso: “Contos em Viagem” reúne textos (prosa e poesia) de mais de uma dezena de autores cabo-verdianos; “1974” é uma interpelação poética aos espectadores sobre o país em que vivem, a partir de três períodos essenciais do passado recente – a Ditadura, o 25 de Abril e o pós-revolução e a entrada de Portugal na Comunidade Europeia. Em termos cénicos, o espectáculo adopta “um ponto de vista sensorial”, destacando-se, perante a quase ausência de palavras, o rigoroso trabalho (corporal, coral) dos actores, a banda sonora original de José Mário Branco e o trabalho plástico (cenário e figurinos) de Marta Carreiras.
Ainda no âmbito da residência, a actriz e encenadora Natália Luíza (co-directora da Companhia) apresentará o recital “Portugal dos Poetas”, o director artístico Miguel Seabra dirigirá um workshop para jovens actores e estudantes do ensino artístico e serão exibidos um documentário e uma exposição fotográfica sobre a preparação do espectáculo “1974”.
Como é objectivo deste modelo de residências (desde 2009, o TCSB já acolheu assim o Teatro O Bando, Vera Mantero e Joana Providência), o público terá assim oportunidade de contactar com uma mostra alargada do trabalho e do percurso criativo da companhia, podendo inclusivamente aproveitar para trocar impressões e debater com os artistas em várias ocasiões – conferência de Miguel Seabra, conversas após os espectáculos, entre outras.
À excepção dos espectáculos “Contos em Viagem” e “1974” (para os quais é possível adquir bilhete conjunto em condições especiais) e do workshop (cujo número máximo de inscrições foi rapidamente atingido), todas as restantes iniciativas têm entrada livre.
Aceite o convite destes dois grupos e faça-nos companhia

"Despedida de Solteiro" pela Utopia Teatro



Quatro homens.
Um quarto de motel.
Uma stripper.
Um fim de noite surpreendente...
Eles são quatro motoristas de transportes públicos. Dois são irmãos: o mais novo, ainda a recuperar de um “estranho colapso nervoso”, vai casar-se para a semana; o mais velho decidiu organizar uma despedida de solteiro para concretizar a sua mais delirante fantasia sexual. Cada um convida o seu melhor amigo. Todos colegas de profissão. Um deles conhece a moça certa; o outro, o espaço certo. Quatro homens num quarto escuro à espera. E ainda o recepcionista da obscura pensão, intermediário voyeur entre o serviço e os clientes. Mas um deles esconde ainda um último segredo para a ocasião. Só falta chegar a “cereja no topo do bolo”: o que acontecerá quando aparecer "Lou Lou"?

Quando?
3 a 26 de Fevereiro
Quinta a Sábado, 21h30

Onde?
Casa de Teatro de Sintra
(Rua Veiga da Cunha, nº 20)

Bilheteira
Normal: 10€
Menores de 25 anos, maiores de 65 anos e Cartão Amigos Chão de Oliva: 7,5€
Grupos (5 ou mais pessoas): 5€
RESERVAS: ligue 96 624 79 34 ou escreva para geral@utopiateatro.com

Classificação etária:
Maiores de 18 anos (aguarda confirmação)
ADVERTÊNCIA: este espectáculo contém linguagem explícita e cenas passíveis de chocar alguns espectadores

Ficha Técnica e Artística
Texto e encenação: Nuno Vicente
Cenografia e Guarda-Roupa: Joana Mendão (com André Sobral)
Montagem: Nuno Teixeira
Fotografia: Francisco Gomes, Paulo Martins
Interpretação: André Sobral, FIiipe Araújo, João Mais, Paulo Campos dos Reis, Paulo Martins, Ricardo Soares e... "Lou Lou"
Produção: Rui Braz
Agradecimentos: Flávio Tomé
Media Partners: Jornal de Sintra, Jornal da Região, Correio de Sintra, Cidade Viva, Actual Sintra
Apoio: Câmara Municipal de Sintra, Café-Bar 2 ao Quadrado, Chão de Oliva - Centro de Difusão Cultural em Sintra

F. Murray Abraham em Theater Talk

"Auto da Barca do Inferno" no Theatro Circo




"Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente

7 a 9 de Fevereiro – 11h/15h
10 de Fevereiro – 15h/21h30
Sala Principal do Theatro Circo

Indo de encontro aos desejos do público, nomeadamente das escolas, a CTB – Companhia de Teatro de Braga repõe Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, na Sala Principal do Theatro Circo, em Fevereiro. A peça, com duas sessões diárias, será apresentada dias 7, 8 e 9, às 11h e às 15h; e no dia 10, às 15h e às 21h30. Com as restantes sessões especialmente dirigidas ao público escolar mediante marcação, a sessão nocturna do dia 10 é aberta ao público em geral.

Partindo do texto original e preservando o português da época, o espectáculo sobre a nossa memória identitária, numa encenação de Rui Madeira, explora num tom realista e contemporâneo os sentidos mais profundos de Gil Vicente.


Sinopse:
Será que a maledicência, o orgulho, a usura, a concupiscência, a venalidade, a petulância, o fundamentalismo, a inveja, a mesquinhez, o falso moralismo cristão… têm entrada directa no Paraíso? Ou terão de passar pelo Purgatório? Ou vão directamente ao Inferno? E a pé, de pulo ou voo?
Aliás, onde fica e como designamos o Lugar onde estamos? E que paraíso buscamos?
Uma revisão da CTB, em demanda da modernidade sobre o texto Vicentino e o prazer do jogo teatral.
Rui Madeira

Ficha Artística:
autor: Gil Vicente
encenador: Rui Madeira
actores: Alexandre Sá, André Laires, Carlos Feio, Jaime Soares, Lina Nóbrega, Rogério Boane, Solange Sá
figurinos: Sílvia Alves
desenho de luz: Fred Rompante
espaço cénico: Rui Madeira
desenho de som: Pedro Pinto
Fotografia: Manuel Correia, Paulo Nogueira
Grafismo: Carlos Sampaio

Dramaturgia Viva no TNDMII

Noite de Reis

Laginha na reabertura do Cine-Teatro Louletano




“Mongrel” é o nome do espectáculo que Mário Laginha Trio apresenta, hoje, pelas 21h30, no Cine-Teatro Louletano, no dia em que esta casa de espectáculos abre as portas após obras de remodelação.

Ao piano, Mário Laginha, faz-se acompanhar por Bernardo Moreira, no contrabaixo, e Alexandre Frazão, na bateria, num trabalho concebido para assinalar o bicentenário do nascimento de Frédéric Chopin (1810-49).
«Durante o espaço de tempo em que escolhi as peças de Chopin que queria incluir neste disco, fui relembrando que a profusão de melodias e a riqueza harmónica são uma constante em toda a sua música. No Scherzo, na Balada, na Fantasia e até nos Nocturnos, só utilizei parte dessas melodias (por vezes uma só). Tomei muitas liberdades. Mudei compassos, tempos, modifiquei algumas harmonias - até mesmo melodias - criei espaço para a improvisação, enfim, nunca me abstive de alterar aquilo que me pareceu necessário para aproximar a música de Chopin do meu universo musical. Tinha que o fazer. Ironicamente, embirro solenemente com versões de temas clássicos em que lhes acrescentam um ritmo de jazz ou pop. Nunca o faria. Quis deixar reconhecível a fonte musical, mas fiz os possíveis por não ter uma deferência tal que me inibisse de transformar o que quer que fosse.
Este disco é uma espécie de heresia a transbordar respeito pelo compositor. E parece-me quase um dever homenagear um dos maiores improvisadores de todos os tempos com uma música que tem na sua matriz a improvisação.
Uma última nota sobre o nome do CD. A música que aqui está não é exactamente a que Chopin escreveu, está contaminada por outras. Nesse sentido é uma música mestiça. Como para o imaginário português a palavra mestiço remete muito para África, fui à procura de outra, noutra língua, que tendo o mesmo significado, não sugerisse uma relação (que neste caso não existe) com esse universo. Encontrei. É "Mongrel"» (Mário Laginha).

Sobre Mário Laginha

A sua carreira tem sido construída ao lado de outros músicos, de uma forma constante e intensa. E com raras excepções: o primeiro disco a solo, “Canções e Fugas”, é editado em 2006.
Para Mário Laginha, fazer música é sobretudo um acto de partilha. E tem-no feito com personalidades musicais fortes.
O duo privilegiado com a cantora Maria João resulta num dos casos mais consistentes e originais da actual música portuguesa. A parceria de Mário Laginha com Maria João resultou numa dezena de discos e na participação em alguns dos mais importantes festivais de Jazz do mundo: Festival de Jazz de Montreux, Festival do Mar do Norte, Festival de Jazz de San Sebastian, Festival de Jazz de Montreal...
Com Bernardo Sassetti é partilhado o mesmo instrumento: uma formação pouco frequente na área do jazz, que ganha com o facto de ambos construírem um universo único, à volta das suas próprias composições. Com muito em comum, e também com acentuadas diferenças, conseguem um equilíbrio invulgar. Juntaram-se pela primeira vez em 1998 e gravaram desde então dois álbuns.
Pedro Burmester (com quem também tem um disco gravado) tem sido a sua principal ponte com a música clássica, desde finais dos anos 80. Laginha leva a sua bagagem musical para um repertório do século XX, oferecendo-lhe um forte sentido rítmico.
Criou o Trio de Mário Laginha com o contrabaixista Bernardo Moreira e o baterista Alexandre Frazão. Esta é talvez a formação que mais próxima está do jazz, ainda que não com um estilo convencional, donde resultou muito recentemente um disco gravado em estúdio, “Espaço”.
A sua carreira leva mais de 20 anos: foi um dos fundadores, em 1984, do Sexteto de Jazz de Lisboa e criou o Decateto de Mário Laginha (1987). A sua personalidade musical era já muito evidente no disco “Hoje” (1994) – o primeiro que assinou com o seu nome.

Ademar Dias in "Algarve Notícias"

João Lagarto e Vítor Norte em Alcochete apresentam recital no Forum Cultural


Os actores João Lagarto e Vítor Norte são os protagonistas do recital que vai acontecer no Fórum Cultural no próximo sábado, 5 de Fevereiro, às 21h30, um evento integrado na programação da CultRede, numa parceria com o Município de Alcochete.
Este espectáculo humorístico, que envolve poesia e teatro, transforma-se num recital de ritmo avassalador, que rompe com o silêncio numa viagem de sessenta minutos por textos de autores consagrados.

Imagine-se a mudar constantemente de posto de rádio, apanhando fragmentos dos programas mais diversos e não estará muito longe deste espectáculo que se vai realizar em Alcochete.
Com interpretação dos dois famosos artistas, este recital produzido por António Gonçalves Pereira é dirigido a maiores de 12 anos com ingressos a €7,50 e desconto de 20% para menores de 18 anos.
Com uma vasta experiência no mundo do teatro e cinema, João Lagarto nasceu em Lisboa em 1954 e estreou-se no teatro de revista após a conclusão do Curso de Formação de Actores no Conservatório Nacional, em 1974.
No seu currículo consta a participação em numerosos grupos de teatro, desde o Centro Dramático de Évora, Os Bonecreiros, Os Saltitões, o Teatro Maizum, A Comuna, o Teatro da Malaposta ao Teatro Nacional D. Maria II.
A sua entrada no cinema teve início em 1978 com o filme Histórias Selvagens de António Campos, depois foi dirigido por vários realizadores portugueses conceituados em mais de 30 películas, das quais destaca No Dia dos Meus Anos de João Botelho (1992) e Adeus Pai de Luís Filipe Rocha. Tem também uma extensa carreira na televisão como apresentador de programas e actor de séries e novelas como A Banqueira do Povo (1993), Polícias (1996), Os Lobos (1998), Esquadra de Polícia (1999), A Febre do Ouro Negro (1999), O Processo dos Távoras, Alves dos Reis um Criado ao seu dispor (2001), Baía das Mulheres (2004), O Regresso da Sizalinda (2006), Resistirei (2007), Damas e Valetes e Um lugar para viver (2009).
Vítor Norte instalou-se em Lisboa aos 17 anos, onde teve aulas de ballet e frequentou oficinas de mímica e pantomima na Fundação Calouste Gulbenkian. Estreou-se como actor na Casa da Comédia.
Da sua carreira no teatro, salienta a participação em peças como Ay Carmela no Teatro Ibérico, Volpone de Ben Johnson no Teatro Aberto, Às Seis o Mais Tardar de M. Perrier no Instituto Franco Português, entre outras.
Estreou-se na televisão em Vila Faia (1982), a que seguirá a participação em numerosas séries e mini-séries, entre as quais Rua Sésamo (1990), Cluedo (1995), Alentejo Sem Lei (1990), Os Melhores Anos (1990), O Bairro da Fonte (SIC, 2000) ou Capitão Roby (SIC, 2000); telefilmes - Mustang de Leonel Vieira e Monsanto de Ruy Guerra; novelas (2007 - Ilha dos Amores, 2005 - Ninguém como Tu, 2003 - Queridas Feras, 2001 - Ganância, 1995 - Desencontros, 1994 - Na Paz dos Anjos).
No cinema tem uma presença regular com destaque para a sua participação em A Vida é Bela, Cinco Dias, Cinco Noites, A Mulher do Próximo, Os Cornos de Cronos, No dia dos Meus Anos, Sapatos Pretos, Ao Sul, A Mulher Polícia, entre muitos outros.

Para mais informações e aquisição de bilhetes para o recital contactar o Fórum Cultural de Alcochete através do 212 349 640 ou do endereço electrónico forum.cultural@cm-alcochete.pt.

"Estamos sempre a lamentar-nos em vez de trabalharmos com o que temos"


No Teatro Nacional de São Carlos, o maestro britânico Martin André tem aprendido a gerir por antecipação escassos recursos financeiros. Pretende captar novos públicos e fazer alternar o grande repertório operático com produções mais leves no Salão Nobre, incluindo criações portuguesas do passado e do presente. E já comprou um cravo.

O maestro britânico Martin André mudou-se para Lisboa e assumiu as funções de director artístico do Teatro Nacional de São Carlos há seis meses e ainda está a "arrumar a casa", pois sem essa base é difícil servir o público e os artistas. A organização interna do teatro, tornando a comunicação e a gestão das tarefas mais ágil e permitindo-lhe estar permanentemente a par do que se passa, foi a sua prioridade inicial. Gostava que o trabalho decorresse "como numa colmeia", em direcção a um "objectivo comum", ainda que o caminho tenha de ser feito "milímetro a milímetro", tendo em conta a escassez de recursos financeiros.

Como sucessor do alemão Christoph Dammann, cujo contrato foi rescindido pelo Ministério da Cultura em Abril do ano passado, Martin André teve de concluir a presente temporada em tempo recorde e numa conjuntura difícil a partir de planificações herdadas e dos elementos novos possíveis de agendar rapidamente. Está agora a planificar a próxima, mas o facto de não contar com um orçamento a dois ou três anos, como sucede na generalidade dos teatros europeus, dificulta muito a tarefa: há que planear "a lápis e não a caneta", pois tudo pode mudar. Mas prefere não assumir uma postura negativa, que considera típica dos portugueses e também dos seus compatriotas britânicos: "Estamos sempre a lamentar-nos em vez de trabalharmos com o que temos."

A ópera tem sido uma das linhas de força da carreira - foi maestro residente da Welsh National Opera e trabalhou na Royal Opera House, na English National Opera e na Opera Nothern Ireland, entre outras - mas é a primeira vez que assume a direcção artística de um teatro. Não esquece, porém, a sua condição de músico, pelo que optou de imediato por mudar o seu gabinete (antes num corredor afastado) para o centro do edifício do São Carlos, ficando num ponto nevrálgico no que diz respeito quer à circulação de artistas residentes e convidados, quer às várias secções de produção e administração. Foi nesse novo espaço funcional, desprovido do aparato dos gabinetes dos anteriores directores artísticos, que recebeu o P2 na semana passada, ainda antes da demissão de Jorge Salavisa, presidente do Opart - Organismo de Produção Artística, entidade que gere o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado.

Tem dirigido muita ópera ao longo da sua carreira, mas é a primeira ver que é director artístico de um teatro. Quais têm sido os maiores desafios do novo cargo?

Encontrei um teatro cheio de pessoas com muita experiência, qualidades humanas e energia, mas sem uma coordenação definida. Por isso, a primeira coisa que fiz foi comprar esta mesa! [aponta para uma grande mesa oval]. Comecei a organizar reuniões com todos os chefes de gabinete (da orquestra, do coro, da secção técnica, da produção, dos artistas convidados, da pesquisa e documentação, dos estudos musicais) e percebi que nunca se tinham sentado todos à mesma mesa. As coisas funcionam melhor através do contacto pessoal. Não faz sentido estar a comunicar por e-mail dentro do próprio teatro, quando temos pessoas com quem podemos falar. O correio electrónico impõe uma certa distância, torna mais fácil dizer que não. Só com diálogo e organização podemos caminhar na mesma direcção. Esta é a minha filosofia.

Pretende tornar mais ágil o trabalho de equipa...

Quero que todos percebam quais são as linhas de ligação, porque antes trabalhava-se intensamente, mas ninguém trabalhava ao mesmo ritmo. Fiz este documento [mostra um organograma] com todos os departamentos. A direcção artística tem dois braços, que são a orquestra e o coro, e os restantes gabinetes estão noutro plano, mas tudo forma uma pirâmide e todas as secções remetem para mim. É como uma colmeia, a organização do trabalho é muito clara e percebe-se facilmente quem depende de quem. Sou muito organizado na minha vida, por isso dou a mesma organização ao teatro. Também não havia um mapa global, semana a semana, com todas as salas de ensaio e todas as actividades. Aqui [mostra o mapa] temos toda a informação do teatro numa única peça de papel. Algo muito lógico, mas que não existia. Queremos sempre correr, mas as coisas fazem-se lentamente. É como um comboio, o arranque é um pouco pesado, mas se as carruagens forem todas no mesmo sentido ele avança.Além da organização, quais são as suas outras prioridades?

O público. Somos uma instituição pública - sem público o nosso trabalho não tem sentido. Pretendo recuperar o público que se foi perdendo nos últimos anos. Estou contente porque a assistência aos concertos do Salão Nobre tem crescido bastante e o próximo espectáculo, com as óperas Gianni Schicchi, de Puccini, e Blue Monday, de Gershwin, está a vender bem. O nosso corpo precisa de comer, beber, dormir, senão ficamos cansados e enfraquecidos. Com um teatro é a mesma coisa, é preciso fazer espectáculos com regularidade e qualidade senão enfraquece. A publicidade com mais poder não são os cartazes e os anúncios, é a publicidade de boca a boca. Se as pessoas passam a palavra depois torna-se uma bola de neve.

Tem projectos concretos para captar novos públicos?

Vamos passo a passo, ou melhor, milímetro a milímetro. Preciso de ver como corre este ano, mas era importante adicionar um gabinete de educação. É preciso abrir as portas, mas não é suficiente as escolas virem aqui assistir a ensaios. Temos uma orquestra com mais de 90 pessoas e um coro com 60. Pequenos grupos de cantores e instrumentistas poderiam também deslocar-se às escolas para haver um contacto mais directo, mais físico. É muito importante, pois os jovens são o público do futuro.

Esta é uma temporada de transição, mas suponho que já está a trabalhar na próxima...

Sim, mas antes da próxima temporada preciso de um orçamento do vosso Governo. Sem isso, não posso fazer nada.

Ainda não sabe qual é o orçamento para o próximo ano?

Para o próximo ano? Para este ano. Estamos em Janeiro, a próxima temporada corresponde a 2011-2012 [começa em Setembro].

Perante isso, como realiza o seu trabalho? Os artistas internacionais têm agendas programadas a dois, três anos, às vezes mais...

Exacto. Tenho uns 20 ou 30 e-mails para responder, a perguntar se é possível confirmar este concerto, este cantor ou aquele maestro... E tenho de responder, "desculpe", "lamento", "pode dar-me mais uma semana?".

O que é que o Ministério da Cultura diz?

Eu não estou contra o Ministério da Cultura, temos boas relações. Sei que não estou sozinho. A situação não é fácil, os problemas financeiros existem em todas as áreas: escolas, hospitais, transportes... Daí que estou a tentar antecipar, prever as hipóteses de programação o mais possível, para depois quando tivermos luz verde ser mais rápido. Algo como carregar num botão. Mas não quero assumir uma postura negativa. Temos a base: um belo teatro, o palco, a orquestra, o coro. E tenho bons contactos com colegas músicos a nível internacional. Há duas possibilidades. A mais simples é dizer: é impossível fazer alguma coisa, vou-me embora, obrigado e adeus. A outra é: temos só um pequeno orçamento, o que podemos fazer com mais ou menos nada ou perto de nada? Para a próxima temporada já tenho organizada uma ópera de Mozart, outra de Puccini e outra de Verdi. Já o tinha dito, mas temos de trabalhar um dia de cada vez, organizar as coisas, mas a lápis, não com caneta.Mozart, Puccini e Verdi são grandes pilares do repertório. E em relação a áreas como a ópera portuguesa ou a ópera contemporânea, qual vai ser a sua estratégia?

Depende de muitas coisas, mas convém não esquecer que esta temporada tem três óperas portuguesas. É muito. O normal será uma por temporada. Em 2012 comemoram-se os 250 anos do nascimento de Marcos Portugal e eu pretendo fazer uma das suas obras, mas ainda estou a estudar a questão. Este projecto e outros poderão ser feitos fora do grande palco. No actual panorama financeiro, não faz sentido investir numa grande encenação só para fazer cinco vezes. Poderá ser uma produção mais simples no Salão Nobre, fica mais barato e se é mais barato significa que podemos fazer mais. Tenho também um projecto de encomendas a cinco jovens compositores portugueses, para escreverem pequenas óperas de dez minutos sobre um tema a designar. A ideia surgiu numa conversa com o compositor João Madureira. Ter grandes óperas como as de Verdi ou Puccini no palco da sala principal e produções mais leves nos Salão Nobre parece-me um bom equilíbrio.

Qual vai ser a sua filosofia em relação aos cantores nacionais e internacionais?

Somos um teatro internacional. É necessário ter um equilíbrio entre vozes internacionais e cantores portugueses, mais jovens e menos jovens. Aliás, para os jovens é bom partilhar o palco com cantores mais experientes.

Vem de uma tradição, como é o caso do Reino Unido, que contempla vários estúdios de ópera que funcionam a alto nível. O que pretende fazer em relação ao Estúdio de Ópera do São Carlos?

Não sei ainda. É algo que vai ter de ser discutido, precisamos de ter um projecto, mas ainda não é claro qual. Em Inglaterra, normalmente os estúdios de ópera são estruturas separadas e há financiamento através de mecenato privado. Na Holanda, Inglaterra e França, o balanço entre os mecenas privados e o Estado é mais ou menos 50 por cento, mas aqui em Portugal é o Estado que paga 90 por cento. Com os cortes nos dinheiros públicos, ficamos numa situação muito difícil. São precisos mais apoios. Estou em funções apenas há seis meses, em relação ao estúdio de ópera precisamos de repensar as possibilidades, tem de ser algo bom para o teatro e para os cantores. Quando um país tem apenas um teatro de ópera, a expectativa é muito grande, mas não é possível fazer tudo.

Que planos tem a nível de co-produções internacionais?

Tenho muitos contactos, as possibilidades são muitas, mas voltamos sempre à mesma situação. Se não temos dinheiro, não posso assinar contratos. Muitas vezes vou a teatros de ópera no estrangeiro e perguntam-me: "Quando queres fazer uma co-produção?" Eu respondo 2012 e eles dizem que não é possível, só em 2014. Mas a data de 2014 não existe na minha cabeça, para isso teria de ter um orçamento para três anos, que é o normal lá fora. Tornaria tudo muito mais simples. Por exemplo, está em aberto a participação numa produção incrível com mais três grandes teatros, que já está organizada. Nós pagaríamos apenas 15 por cento, mas seria preciso pagar já e não tenho essa possibilidade.Programar a três anos diminuiria muito os custos...

Claro, mas tem de dizer isso ao vosso Governo. É algo semelhante ao que se passou com o cravo. Quando cheguei reparei que precisávamos de um cravo para os concertos de Bach e Haydn e para algumas óperas. Uma semana de aluguer custa mais ou menos 900 euros. Um cravo custa 15.000 euros, ora, esse valor corresponde a menos do que 20 semanas de aluguer. Com o dinheiro que íamos gastar em dois anos, pagamos o instrumento. Mas conseguir esta coisa tão simples demorou imenso tempo e teve imensos entraves burocráticos. Finalmente comprei o cravo, é muito bom e é do teatro para sempre.

E a sua carreira internacional como maestro, consegue conciliá-la com a direcção artística do teatro?

Neste momento está em suspenso. Às vezes vou para Londres ou Amesterdão dirigir um ou outro concerto, mas muito pouco. Procuro dedicar-me o máximo possível ao São Carlos.
in "Público" entrevista por Cristina Fernandes