Thursday, January 22, 2009

Prémio FAD Sebastià Gasch 2008 para João Garcia Miguel






O encenador João Garcia Miguel foi galardoado com o Prémio FAD Sebastià Gasch atribuído pelo espectáculo “Burgher King Lear”, estreado em Portugal em 2006.

O prémio foi criado na Catalunha em 1976, pela FAD (Foment de les artes i del disseny), sendo atribuído em colaboração directa com a Generalitat da Catalunya, o Instituto da Cultura e a Câmara Municipal de Barcelona.

O galardão tem como objectivo distinguir anualmente o evento performativo que mais se destacou na temporada, assim como reconhecer e incentivar os criadores no desenvolvimento de projectos diferentes e inovadores do mundo do espectáculo. Em anteriores edições foram distinguidos artistas e colectivos como Fura dels Baus, Tricicle, Els Comediants e Carles Santos, entre outros.

O Prémio que representa, desde há 30 anos, a mais importante distinção no circuito das Artes Performativas da Catalunha foi entregue no dia 22 de Dezembro de 2008, em Barcelona, numa cerimónia onde estiveram presentes o encenador João Garcia Miguel e o actor Miguel Borges.
Na opinião do júri do prémio, o espectáculo, estreado em Portugal em 2006, oferece "um novo olhar, atrevido e de impacto do `Rei Lear`", sendo "um `fast food` agridoce, hilariante e muito comovedor".

O júri era constituído por Roger Bernat, Daniel Cid, Beth Gali, Emili Gasch, Maria Guell, Jordi Jané, Isabel Olesti, Ricard Panadès e Margarida Troquet.

Nascido em Lisboa em 1961, licenciado em Pintura com pós-graduação em comunicação, cultura e tecnologias de informação, João Garcia Miguel é professor na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e foi recentemente nomeado director artístico do Cine-Teatro de Torres Vedras, cargo de que deverá tomar posse ainda este mês.

Ligado ao teatro, essencialmente como actor e encenador, trabalhou no Balletteatro, no Centro Português de Design e no Fórum Dança.

Entre outras peças, pôs em cena "As criadas", de Jean Genet, co-criou com Clara Andermatt e Michael Margotta "As Ondas", a partir do romance homónimo de Virginia Woolf, escreveu e encenou "Especial Nada/Special Nothing", sobre os diários de Andy Warhol, e "A História de um Mentiroso", inspirado em "Peer Gynt" de Henrik Ibsen.

Depois de Burgher King Lear, em 2006, encenou em 2007, com Miguel Borges, a peça "Fazer bom uso da morte", sobre textos de Pier Paolo Pasolini.

Como pintor, tem actualmente trabalhos da sua autoria em exposição da Galeria Perve, em Lisboa.

Monday, January 19, 2009

A Memória de Pinter #3






Continuando o Dossier que o Guia dos Teatros tem vindo a dedicar ao dramaturgo Harold Pinter (ver link) aqui ficam mais alguns textos e uma detalhada filmografia feita quando o autor foi homenageado em 2006 pelo FamaFest em Vila Nova de Famalicão e que foram publicados no blog do festival.

A MORTE DE HAROL PINTER
Dia 25 de Dezembro de 2008, morreu Harold Pinter, com 78 anos, prémio Nobel da Literatura de 2005, e um dos mais importantes escritores, dramaturgos, intelectuais europeus. Em 2006 foi homenageado no Famafest - Festival de Famalicão - Cinema e Literatura. Aqui deixamos alguns dos textos então publicados no programa do festival, onde se destaca uma filmografia de Harold Pinter como escritor (adaptado), argumentista, realizador e actor.

O QUE NÃO DIZ
"Harold Pinter é alguém atento ao quotidiano do nosso tempo. A sua obra é um espelho de uma situação que não é necessariamente simples", diz João Barrento

Ouviram-se aplausos, ontem, em Estocolmo, quando o secretário da Academia Sueca anunciou a decisão de atribuir o Prémio Nobel da Literatura de 2005 ao dramaturgo inglês Harold Pinter. O galardão surge meses depois de Pinter ter anunciado que não iria escrever mais teatro e pouco tempo antes de estar agendado o seu regresso aos palcos, enquanto actor, para representar uma peça de Samuel Beckett no Royal Court Theatre, em Londres.
Aos 75 anos, Harold Pinter é o décimo autor britânico, e o segundo em cinco anos, a ser distinguido com o mais prestigiante e lucrativo prémio das letras, no valor de 1,1 milhões de euros. É também o segundo dramaturgo premiado na história recente do Nobel, depois do italiano Dario Fo, em 1999. Em relação a Fo, Pinter representa "uma subida de escalão", segundo declarou à Lusa Ricardo Pais, director do Teatro de S. João. A Academia justifica a escolha pelo facto de Pinter ser "o principal representante da dramaturgia britânica da segunda metade do século XX" e de ter recriado o teatro como forma de arte. Um autor que fez uma síntese inovadora das principais correntes do teatro - clássico e contemporâneo -, criando "uma atmosfera e ambiência específicas" que o próprio baptizou com um adjectivo adaptado do seu nome "pintaresco". Nas suas obras típica - e para citar mais uma vez a Academia - "encontramos pessoas que se defendem de intrusões estranhas ou das suas próprias pulsões, refugiando-se numa existência reduzida e controlada".
São palavras de quem tem necessidade de classificar uma obra. Sobre ela, o autor diz apenas "Não consigo resumir nenhuma das minhas peças. Não consigo descrever nenhuma. O que sei dizer: foi assim que se passou, foi isto o que disseram, isto o que fizeram."
A "auto-apreciação" encaixa no que sobre ele João Barrento, o catedrático que assinou, em 1964, uma tese precisamente sobre o teatro de Harold Pinter "É alguém atento ao quotidiano do nosso tempo, que ia beber informação aos autocarros de Londres. A sua obra é um espelho de uma situação que não é necessariamente simples, ainda que os problemas de que fala possam ser os vividos por qualquer um de nós." Um teatro onde o não dito é mais importante do que o que se diz. "Ele consegue, entre duas frases comuns, criar uma rede e fazer vir o perigo. No que apaga revela o mundo", declarou também o encenador Jorge Silva Melo, mostrando-se bastante satisfeito com a escolha: "O teatro quase não entra nas páginas literárias da actualidade. É interessante que um autor de teatro seja consagrado com o Nobel. Neste caso, um autor que tem marcado a uma posição contrária à actual política mundial."
O nome de Harold Pinter constava da longa "lista" dos candidatos ao Nobel deste ano, que incluía ainda os escritores norte-americanos Philip Roth e Joyce Carol Oates, o poeta sueco Thomas Transtromer, o checo Milan Kundera ou o poeta sul-coreano Ko Un. Embora o favoritismo recaísse sobre o turco Orhan Pamuk ou o poeta sírio Adonis (cujo nome verdadeiro é Ali Ahmad Said), não se pode dizer que o anúncio do nome de Pinter como vencedor deste ano tivesse causado tanta surpresa como a que provocou Elfriede Jelinek, a escritora austríaca que ganhou o Nobel em 2004.
Natural de Hackney, Londres, onde nasceu a 10 de Outubro de 1930, filho de imigrantes judeus, Harold Pinter frequentou a Real Academia de Artes Dramáticas e publicou os primeiros poemas em 1950. A sua carreira no teatro começou nos palcos, como actor. Em 1957, estreia-se como dramaturgo, com a peça “The Room”, mas só se afirmaria como autor em 1960 com aquela que é considerada uma "obra-prima do absurdo", “The Caretaker” (peça que os Artistas Unidos produziram em 2002, com o título “O Encarregado”).
Foi o princípio de um percurso onde se contabilizam mais de trinta peças teatrais, mas também obras para rádio, televisão e cinema. Numas e noutras, destacam-se as marcas do mestre. A começar por aquilo a que o realizador de cinema Alberto Seixas Santos chama de a incerteza do sentido", num artigo que escreveu sobre a obra de Pinter no n.º 8 da revista Artistas Unidos. "Nunca sabemos exactamente qual o grau de veracidade, de 'realismo', por assim dizer, que ali há, e o que ali há é fruto de estratégias de competitividade e de poder (...) No fundo do trabalho dele está sempre a questão do poder. E o poder é sempre violência", afirmou Seixas Santos numa altura em que projectava encenar “Comemorações”, de Harold Pinter, para os Artistas Unidos (2004).
"Imprensa: Senhor ministro, antes de ser Ministro da Cultura, creio que o senhor foi chefe da Polícia Secreta. Ministro: Correcto. Imprensa: vê alguma contradição entre estes dois papéis? Ministro: Absolutamente nenhuma."
Este é o início do último texto de Harold Pinter levado à cena em Portugal, no Teatro D. Maria II, numa produção dos Artistas Unidos. Foi em Junho deste ano. Em Março, Pinter anunciara a intenção de abandonar a escrita para teatro, três anos depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro no esófago. Foi um período em que ficou conhecido, sobretudo, pelas suas posições políticas. Crítico acérrimo da Administração Bush e de Tony Blair, manifestou-se contra a intervenção no Iraque. Uma oposição que deixou registada em poema. A sua intervenção política estendeu-se a Portugal. Em 2002, dirigiu um telegrama a Pedro Santana Lopes, então presidente da Câmara de Lisboa, contestando a decisão de retirar os Artistas Unidos do espaço A Capital.
Agora, diz que quer dedicar-se apenas à poesia. Ao saber que tinha vencido o Nobel da Literatura declarou "Estou estupefacto. (...) tenho de parar de me sentir assim quando chegar a Estocolmo."
Isabel Lucas, in DN


PINTER, O RETICENTE
As peças de Harold Pinter cultivam uma fascinante noção de economia. Como em “Old Times” (1971), jogo de memórias e confrontos que nos deixa muito poucas certezas mas que capta com inteligência uma inegável nebulosidade nos nossos afectos e lembranças. O dramaturgo inglês é um realista com um domínio da linguagem que ultrapassa o simples naturalismo, de tão cuidada (mas não artificial), de tão atenta aos ritmos, repetições, pausas, saltos lógicos, banalidades. Como escreve Martin Esslin num estudo clássico, se em teatro o diálogo é acção, então nas peças pinterianas as situações concretas com pessoas concretas existem acima de tudo através dos diálogos lacónicos mas extremamente precisos. (...) (ver restante dossier e filmografia completa aqui)

Sunday, January 18, 2009

"CALE-se" apresenta nove companhias






Começa este sábado, às 22 horas, na Associação Recreativa de Canidelo, a terceira edição do CALE-se, festival de teatro amador que levará a Gaia nove espectáculos por companhias de vários pontos do país. Decorre até 21 de Março.

Da responsabilidade do Cale-Estúdio Teatro, o evento arranca com a exibição da peça "A birra do morto", de Vicente Sanchez, interpretada pelo Kaspiadas, Grupo Cénico da Casa do Povo de Pontével, no Cartaxo.

Seguir-se-ão "O albergue", drama a partir de "O albergue nocturno", de Máximo Gorki, a levar à cena pelos Plebeus Avintenses, no próximo sábado. No dia 31, será exibida a peça "Nem tudo começa com um beijo", uma tragicomédia de Jorge Araújo, interpretada pelo grupo Pelo Sol d'Alma, de Ovar.

A 7 de Fevereiro, será a vez de "Camila Baker", uma comédia de Emílio Boechat, representada pelo Loucomotiva, do Taveiro, em Coimbra. No dia 21, "A bengala", pela Cem Soldos, de Tomar, e, a 28, "Quando o amor é uma perdição", pela Oficina de Teatro de Favaios, de Alijó, subirão ao palco.

Em Março, o festival decorrerá com a exibição das peças "Do ocidental para lusitana", no dia 7, pela Ajitar, de Idanha-a-Nova; "Os outros", pela Cegada de Alverca, acontece a 14 e o festival encerra, no dia 21, com a exibição de "O auto da alma", o drama de Gil Vicente, que será interpretado por Contacto-Companhia de Teatro Água Corrente, de Ovar.

O CALE-se, cuja edição deste ano tem como patrono a actriz Margarida Carpinteiro, é um festival de carácter competitivo, o único em Portugal organizado por um grupo de teatro não profissional, estando a concurso nove prémios, nomeadamente para as me-lhores interpretações feminina e masculina.
Agostinho Santos in JN

La Féria: "Parar um mês é um pesadelo"






Filipe La Féria diz que realização do Fantasporto no Rivoli vai significar um prejuízo "bastante grande". Paragem dos seus musicais é neste ano mais complicada, porque o festival de cinema vai decorrer entre produções

Filipe La Féria pretende estrear no Porto, em Abril ou Maio, o espectáculo "A gaiola das loucas", musical baseado na comédia "La cage aux folles", de Jerry Herman e Harvey Fierstein.


O produtor e encenador, que permanece no Rivoli-Teatro Municipal como convidado, admite que a paragem durante o mês de Fevereiro, devido à realização do Fantasporto, significará um prejuízo "bastante grande". E até aponta uma solução diferente para o festival de cinema: a emblemática sala do Batalha.

Reuniu recentemente com a Câmara do Porto. Há alguma novidade em relação à sua permanência no Rivoli?
A Câmara Municipal do Porto tem o desejo de nós continuarmos. Agora, depende de nós arranjarmos ou não patrocínios, nesta época em que a gente bate à porta das empresas e só se fala da crise. O mês de Fevereiro vai ser de pré-produção, a ver se arranjamos meios para fazer uma grande produção, como é "A gaiola das loucas".



E quanto ao futuro?
O 'estranho caso do teatro Rivoli' ainda não foi resolvido nos tribunais. A minha situação aqui é sempre de convidado peça a peça. Agora, somos convidados para fazer 'A gaiola' e vou propor uma peça infanto-juvenil para acompanhar, que provavelmente será 'O feiticeiro de Oz'.

Que balanço faz de 'Um violino no telhado'?
'Um violino no telhado' está há nove meses em cena e bateu todos os recordes, foi a minha peça mais vista, mais do que 'Jesus Cristo Superstar' ou 'Música no Coração'. Ultrapassou os 250 mil espectadores, o que foi o meu recorde, e ultrapassou largamente os outros musicais também em permanência e até em lotações esgotadas. E vai agora sair de cena.

Com a realização do Fantasporto, fica parado durante um mês?
Sim, um mês... Mas parar um dia, para um teatro, como parar um dia, para um jornal, já é terrível. Porque, tal como um jornal vende todos os dias, nós também temos de fazer teatro todos os dias.

No ano passado, já houve essa paragem...
Mas no ano passado nós estávamos a meio de uma peça, o 'Música no Coração', que sofreu uma queda com a interrupção. O musical tinha estreado no Natal e continuou depois do Fantasporto. Neste ano, não fazemos isso, porque estamos em cena há nove meses, é preciso uma nova produção. 'O violino no telhado' fica até 31 de Janeiro.

O problema maior é não poder ensaiar durante o Fantasporto?
Não é só a questão de ensaiar, é também a questão de montar. Uma nova produção implica a desmontagem de uma superprodução e a montagem de uma nova, com outro cenário. No ano passado, não desmontámos, foi só a interrupção. Neste ano, é mais complicado.

Então, o prejuízo será maior?
O prejuízo é bastante grande. Parar um dia é terrível, parar um mês é um pesadelo, com tudo o que isso acarreta até para os actores. O teatro é um microcosmos integrado na sociedade. Com a carga fiscal, que duplicou ou triplicou, neste ano tudo se torna mais difícil, até para pedir patrocínios às empresas. E vemos todos os dias que as empresas estão a despedir dezenas de empregados.

Terá necessidade de fazer isso?
Não sei. Dependemos única e exclusivamente do público, não temos um único subsídio. E aqui pagamos 5% à Câmara, o que diariamente são 15% da bilheteira, por serem três sessões.

Tem tempo para preparar tudo durante o mês de Março?
Vou tentar. Tenho fama de trabalhar muito e de exigir muito às pessoas que trabalham comigo. Tudo farei para estrear 'A gaiola' em Abril ou Maio, devido à interrupção.

Parece-lhe que poderia haver alternativa para o Fantasporto?
Sim. Não tenho nada contra o 'Fantas', mas acho que o Batalha é um autêntico 'ex libris' da cidade. O Batalha é um cinema que devia ser o equivalente ao que o S. Jorge se transformou em Lisboa. É um edifício arquitectonicamente muito nobre, lindíssimo, e é um sítio onde nunca se poderá fazer teatro, nunca, porque o palco tem umas dimensões diminutas. Aquilo foi feito só para cinema e é um sítio muito pouco aproveitado. É um sítio com uma enorme nobreza.
Isabel Peixoto in JN



Saturday, January 17, 2009

Filipe La Féria não sabe se continua no Teatro Rivoli







Segundo entrevista dada ao Rádio Clube, Filipe La Féria ainda não sabe se vai continuar no Teatro Rivoli depois do FantasPorto previsto para Fevereiro. O encenador diz que já apresentou uma proposta para outro espectáculo, mas ainda não recebeu resposta da parte da Câmara do Porto.

O musical "Um Violino no Telhado" completa 200 representações no Teatro Rivoli, o que equivale a cerca de 250 mil espectadores, um êxito que La Féria nunca tinha conseguido no Porto, nem com o também muito visto "Passa por mim no Rossio".

Um Violino no Telhado está em cartaz, no Rivoli, até ao fim do mês. Para ouvir a entrevista de Filipe La Féria carregue aqui.

"Tue e Eu" em cena no Teatro Aberto






O Teatro Aberto estreou dia 14 de Janeiro a peça "Tu e Eu", do alemão F.K. Waechter, sobre dois amigos que se confrontam com a coragem e o medo de partir à descoberta do mundo.

"O ponto de partida desta peça são dois seres, dois homens, dois pássaros, duas vidas, que não conhecem o mundo. Na verdade, um que não conhece o mundo e nasceu para voar mas só tem coragem de o fazer com um amigo. E, portanto, sonha com o nascimento do amigo e tenta convencê-lo a ir para o mundo", disse à Lusa a encenadora, Sofia de Portugal.

Na sua opinião, esta peça de Friedrich Karl Waechter (1937-2005), que, além de dramaturgo, foi ilustrador e autor de Banda Desenhada, "é muito o confronto entre a coragem e o medo... e o motor para fazer as coisas acontecerem, que é o amor, a amizade, o sonho".

Em palco, a encarnar as três personagens da peça - Tuninho, Garceu e Nikel - estarão os actores Adriano Carvalho, André Patrício e Pedro Carraca.

A versão e dramaturgia, de João Lourenço, José Fanha e Vera San Payo de Lemos, são de 1985, ano em que o Novo Grupo de Teatro a levou à cena pela primeira vez, com encenação de João Lourenço.

Partiu do Teatro Aberto o convite a Sofia de Portugal para encená-la desta vez e esta é a sua primeira experiência "como encenadora só a fazer a encenação".

"Claro que isso me liberta muito, criativamente falando (...) e é uma experiência maravilhosa", admitiu, já que em projectos anteriores tinha encenado mas também produzido e participado como actriz.

"É uma peça magnífica. A primeira sensação que tive quando a li é que me devolvia um lado meu muito puro, como quando lemos uma poesia inspirada e nos sintoniza com as coisas importantes (...) com o que nós somos, questiona isso: o que é que nós somos, o que é que nós queremos", defendeu.

A encenadora, que não acredita "que uma peça de teatro se cumpra" se não "modificar alguma coisa no espectador ou se não o tocar de alguma maneira", deixou ao público um convite: "Venham ver esta peça e deixem-se encantar".

"Tu e Eu" estará em cena na sala vermelha do Teatro Aberto até 01 de Março, de quarta-feira a sábado às 21:30 e domingo às 16:00.

Teatro Aberto - Pç. Espanha
Tel: 213880089
15€ (público em geral), 12€ (mais 65 anos) e 7,5€ (até 25 anos).
Com Adriano Carvalho, André Patrício, Pedro Carraca
Encenação de Sofia de Portugal


História de Portugal ensinada através do Teatro





"É uma lição, uma aula viva e uma aula de memória, para todas as idades", disse Nuno Miguel Henriques, de 34 anos.

O objectivo destas co-produções dos dois grupos teatrais é "desmistificar a história do país, tornando-a acessível, cativante e interessante", indicam um comunicado dos organizadores da iniciativa.

"Se nós não conhecermos as raízes do nosso país, as raízes da nossa história, como é que vamos conseguir compreender o presente e interpretar o futuro?", interroga-se Nuno Miguel Henriques.

A peça "História de Portugal em uma hora" abrange "desde o tempo dos visigodos, bascos, suevos e lusitanos até à fundação da nacionalidade, com D. Afonso Henriques, após a Batalha de São Mamede", "as lutas com Castela, a reconquista cristã e o rei D. Dinis como poeta português", segundo o texto.

A morte de Inês de Castro, a Batalha de Aljubarrota, a conquista de Ceuta, a chegada de Vasco da Gama à Índia e o domínio filipino são outros momentos da história portuguesa abordados no espectáculo.

Também a restauração da independência, o Marquês de Pombal, o terramoto de 1755, as invasões francesas, as lutas de poder entre os irmãos D. Miguel e D. Pedro, a implantação da República, a Primeira Guerra Mundial, o Estado Novo, a Guerra Colonial e o 25 de Abril merecem destaque nesta peça.

Apesar de durar apenas uma hora, há ainda tempo para referências à entrada de Portugal na CEE, Expo98, Euro 2004, tomada de posse do Governo de José Sócrates, eleição de Cavaco Silva como Presidente da República, assinatura do Tratado de Lisboa e Cimeira Europa-África.

Por sua vez, "História do 25 de Abril" é um espectáculo interactivo, que relata os acontecimentos que antecederam a Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974, em Portugal, abrangendo o período "desde o Marcelismo até ao pleno funcionamento da Democracia e a entrada em vigor da nova Constituição de 1976", de acordo com o comunicado.

"Se é português, ou gosta de Portugal, tem de conhecer a nossa essência, tem de conhecer a nossa história", sublinhou o autor, instado a fazer um convite ao público para assistir a estas peças.

"História de Portugal em uma hora" e "História do 25 de Abril" estarão em cena a 21 de Janeiro no Porto, no auditório do Colégio Luso-Francês, a 22 em Viseu, no Teatro Mirita Casimiro, a 26, 27 e 28 novamente no Porto, no Teatro de Paranhos, e a 30 em Gondomar, no âmbito de uma digressão que passará nos meses seguintes também por Lisboa, Coimbra e Faro, entre outras cidades.

in Público On Line

Último dia de Bizarrías na Cornucópia





LAS BIZARRÍAS DE BELISA
de Lope de Vega

Compañia Nacional de Teatro Clásico de España
De 16 a 18 de Janeiro de 2009
Teatro do Bairro Alto, Lisboa
sexta e sábado às 21:30h. Domingo às 16:30h

Versão e Direcção Eduardo Vasco
Desenho de luz Miguel Ángel Camacho
Cenário Carolina González
Figurinos Lorenzo Caprile
Daniel Worm D’Assumpção
Elenco Eva Rufo, Rebeca Hernando, Mónica Buiza, Isabel Rodes, Maria Benito, Javier Lara, Alexandro Saá, Iñigo Rodriguez, Rafael Ortíz, David Boceta, José Juan Rodríguez, Cristina Bernal, David Lázaro.
Piano Ángel Galán

Trata-se de uma comédia urbana, madrilena, sobre amores juvenis, escrita com as regras típicas da comédia da época e com um tema frequente em Lope: o amor como destino definitivo, como força incendiária de que não se pode escapar. É uma das comédias mais ortodoxas do autor, escrita sem concessões, de acordo com o cânone do género e por isso exemplo típico do teatro do século de ouro, mas contém alguns dos momentos mais belos e poéticos do seu teatro. Já houve quem lhe chamasse “um maravilhoso canto do cisne”. É um texto escrito a partir do ponto de vista de um velho que observa como tudo à sua volta está a mudar.

Há dois anos a Cornucópia recebia o espectáculo desta Companhia Viaje del Parnaso de Cervantes que foi acolhido com grande entusiasmo. A iniciativa repete-se, mas agora é a Jovem Companhia do Teatro Clássico que trará a Lisboa esta peça de Lope de Vega. Trata-se de um grupo constituído todo por muito jovens actores escolhidos pelo director Eduardo Vasco de entre quase 400 candidaturas e oferecendo-lhes dois anos de preparação técnica, numa iniciativa exemplar de criação de oportunidades para os jovens profissionais. O próprio director encena o espectáculo e escolheu levar à cena uma das últimas peças do grande e prolixo autor do século XVII espanhol, escrita em 1634, um ano antes de morrer. E durante os anos em que Portugal foi província de Espanha.

Muito poucas vezes nos é dado ver representadas as peças desta época de esplendor do teatro em verso em Espanha. Mas é quase só a este teatro que ao longo de muitos anos esta Companhia Nacional se tem dedicado. São os jovens especialistas desta dramaturgia que, a convite da Cornucópia, estarão em cena 3 dias em Lisboa.

"Viva La Vida" adiado no Casino Lisboa por gravidez






A peça de teatro «Vida La Vida – Frida Kahlo», com temporada agendada para o auditório dos Oceanos do Casino Lisboa entre 18 de Fevereiro e 15 de Março, foi adiada devido à gravidez da protagonista, Fernanda Serrano. A data de estreia ainda está por confirmar.
A protagonista da peça encenada por António Feio encontra-se em pleno período de gestação e necessita de repouso absoluto por indicação médica.
As pessoas que já compraram bilhete deverão reivindicar o reembolso no mesmo local em que realizaram a compra, informou em comunicado a Uau, produtora do espectáculo

Musical Theatre Is A Matter Of Taste





A revista Standpoint de Agosto publicou um artigo de Minette Marin intitulado O Teatro Musical é Uma Questão de Gosto". O Guia dos Teatros decidiu transcrever o texto na integra, no entanto fica também aqui a nota de que a Standpoint é sem dúvida uma das publicações actuais mais interessantes a merecer uma visita (é só carregar em cima do nome).


Musical Theatre Is A Matter Of Taste
de Minette Marin
West End theatre may not enjoy the most discerning of critical acclaim, but it is in the middle of a boom. The Society for Theatre Research counted 13.5m attendances at West End theatres last year, with ticket revenue of £470m; that amounts to more people than attended a premier league football match, and it was the best year since records began. And two-thirds of those West End theatregoers went not to stage plays, but to musicals. Can 9m people really be wrong, as my scripture teacher used to ask? What is it about musical theatre that makes it so -wildly popular, expensive though it is?

I have wondered very much. For one thing, I have never been to a musical, or hadn't until this last month. Admittedly I went to West Side Story with my mother as a child, but for various reasons I don't count that. Nor did my mother; she would not have dreamt of taking me to what she considered a musical. I admit too that I went to an amateur production of Brigadoon in a garage in Henley-on-Thames as a child, with a former nanny, which hardly counts either. It's furthermore true that I have seen Porgy and Bess in the cinema and The Wizard of Oz on video (several times), and that in a fairly normal life it's also impossible to avoid seeing clips of this and that or hearing various hit songs. We had an au pair who used to play LPs of horrible musicals, like Make Me an Offer, The King and I, Salad Days and South Pacific, all of which I hated. And I went years ago to a production of Hello -Dolly!, which quickly flopped, with some friends who had invested in it; I loathed that too.

Meanwhile, however, I have come to love opera, which, after all, is a form of musical theatre too. Perhaps the differences are not so very great. Perhaps, unless one hates all popular music, it is merely snobbish to assume that musicals are not worth going to. In any case, I though it was time to confront my prejudices. I went first to Chicago, the very long-running Broadway musical, which has won countless awards and was choreographed by the legendary American Bob Fosse. Then I went to see Les Miserables, the world's -longest-running musical, now in its 23rd year, which is based on Victor Hugo's novel of that name. Les Mis is not American: its composer and original lyricist are largely French, the English lyricist is South African, with help from the English poet James Fenton, and it was directed by the legendary Englishman Trevor Nunn. Most people would agree that these are forms of musical theatre at its best.


Oh dear. Both productions had outstanding merits, within their idiom. But the idiom is all wrong. To generalise from the particulars listed above, musicals are very much too loud. At times I longed for earplugs. The -music is unmemorable, manipulative and repetitive, and sometimes very derivative; the beat is oppressively heavy and unsubtle, and there's a superfluity of vulgar oompah. Many performers seemed to me to be singing slightly flat, as lots of crooners do; it's clearly deliberate, but it doesn't appeal to me, and I really don't know why it's considered a good idea. The singers are miked-up, possibly because their voices are often weak: surprisingly few of the stars had really exceptional voices, and some of the women had voices that were painful to hear.

The way that women musical theatre singers produce their notes sounds ugly to me; it seems forced, strained and chesty. I realise that this is deliberate, and I don't like it. It's entirely different from operatic voice production; compared to the best and clearest of operatic voices - which are, in Lotte Lenya's expression, fleischlos or fleshless - this seems to me to be an all-too-fleshly abuse of the singer's vocal chords and of the listener's ear. Of course, for the "can belto" songs and the comic female bruiser numbers, it's fine. But for the lyrical sentimental solos, it can be genuinely horrible. Add to that a cute little Cinderella-girl singing a lame melody childishly flat and you have something which confirms all my prejudices.



Both productions had, admittedly, outstanding qualities, and the audiences absolutely loved them. I saw Les Mis next to a chauffeur from Merthyr Tydfil, bringing the Mayor up to London for a palace garden party, who was there for the fifth time, and knows the music by heart. Buoyed up by the enthusiasm of the man from Merthyr, I did love some aspects of it. The star, Drew Sarich, has a beautiful voice, and a very commanding presence musically and theatrically; he made the show moving at times. And as theatre it was hugely slick and magnificent, with inspired direction and sets throughout, especially in the lowlife crowd scenes (which classic opera usually does abysmally badly), particularly in some heart-stopping Géricault-like moments of death and blood on the people's barricades.


As for Chicago, it was equally slick and professional, but in the American style. The dancing is technically superb. Yet as my neighbour the horticulturalist from Northants said, she didn't fancy a single man. For all the exquisitely choreographed bump and grind - and this show is about sexual display: lap-dancing for the respectable - Chicago was completely sexless, as in coldly, unfeelingly professional. I found the music unpleasant. But the show did begin to intrigue me as a postmodern gender-bending exercise. The leading women were carrying on like female impersonators, and I kept asking the lady horticulturalist if this one or that one was a man; in the end it turned out that one actually was and had been singing falsetto throughout as a newspaper sob sister, so I wasn't entirely wrong. It is so difficult to know, in an unfamiliar idiom. However, musical theatre is an idiom that I think I intend to keep unfamiliar.

A Memória de Pinter







O London Theatre Blog faz uma evocação da memória de Harold Pinter que o Guia dos Teatros aqui transcreve na integra, bem como a inclusão de uma extensa reportagem de Charlie Rose com entrevistaa ao autor e excertos de várias participações, a não perder.


Goodbye Mr Pinter
There was a sense of clarity in London today, heightened by a cold wind and a crisp silence. No streams of traffic, no hustle and bustle, nothing but a chance to see this city in its naked splendour. I stopped by St Paul’s on a whim, part of me hoping to see the tomb of William Blake. The crypt was closed, but on leaving, a miniature nativity scene caught my eye; a delicate depiction of Mary, Joseph, shepherds and wise men, wrapped in golden light, rapt at the birth of a child.

Outside on the steps of St Paul’s I gave a quick compulsive glance at my phone. I happened across a stranger’s twitter message that read: “Sad about Pinter. What an amazing man.” The BBC’s website soon confirmed the rest and once again I found myself contemplating nature’s old duality of life and death. Christ is born and Pinter is dead.

I followed the Thames for a while, thinking how gray the National Theatre looks by day, then up past Middle Temple towards the Royal Courts of Justice. Turning the corner of the Strand, I saw a young man asleep in a shop doorway. There was a bright red box by his side, a gift that he’d yet to lay eyes on. “Justice” read the Royal Courts’ plaque across the street. I passed on by, but the young man’s face continued to prey on my mind.

He got me thinking of Harold Pinter, of an article I’d read in the Scotsman about a production of The Caretaker at the Citizen’s Theatre in Glasgow. The director Philip Breen spoke in the article of Pinter’s ‘affinity with the character of the vagrant’ (Davies); underlining the fact that at the time of writing the play, Pinter ‘was living in poverty, in rented rooms, with his new wife, Vivien Merchant, and with his baby son, Daniel, at his feet.’ Connections were beginning to form and I remembered the words of Horace Engdahl, Chairman of the Swedish Academy who spoke of Pinter uncovering ‘the precipice of everyday prattle’ in his plays. It struck me how frequently we stand at such fault lines and how infrequently we respond to our dismay. The theatre has been the great mouthpiece of dismay and yet too few of its proponents carry their bile beyond the comfort of its four walls.

Later that evening, I read through some of the early obituaries and eulogies pouring in from around the Web. Under this cascade of memory and accolade I thought about the extent to which Pinter’s work had left marks on the landscape of my own theatre experience. From recent productions I’d seen to past readings and academic interventions, it is Pinter’s pen turned scapel that attracted me to his work. Through language and its absence, it was his ability to carve incisions into the humanity right there at home and to reveal unnerving, chilling and often laughable insights, but never without an underlying sense of morality. For any student, professional or afficionado of theatre, Pinter’s influence is undeniable, indelible, and his legacy will be treasured.

To end these thoughts on this cold, clear day in London, I’m attaching two videos that provide windows onto this playwright’s great oeuvre. The first is an interview from 2006 with the North American broadcast journalist Charlie Rose, discussing Pinter’s performance of Samuel Beckett’s Krapp’s Last Tape at the Royal Court Theatre in 2006. The second is a recording of Pinter’s much celebrated Nobel Prize speech entitled ‘Art, Truth and Politics’.
in London Theatre Blog

Prémios de Teatro Guia dos Teatros 2008 Spot

Friday, January 16, 2009

Elevator Repair Service apresentam "The Sound and the Fury", a partir de Faulkner







A companhia teatral nova-iorquina Elevator Repair Service apresenta entre sexta-feira e domingo na Culturgest, em Lisboa, o espectáculo "The Sound and the Fury", que transpõe para o palco o primeiro capítulo do romance homónimo de William Faulkner.

Escrito em 1929, "O Som e a Fúria" conta o declínio da família Compson, que habita no condado ficcional de Yoknapatawpha, no Estado norte-americano do Mississipi.

Trata-se de um clã descendente de um herói da Guerra Civil que padece daqueles que Faulkner considerava serem os problemas do Sul reconstruído: racismo, ganância e egoísmo.

No romance, considerado o melhor de Faulkner (1897-1962) - que obteve o prémio Nobel da Literatura em 1949 e dois prémios Pulitzer, em 1955 e 1963 (a título póstumo) - o autor pretendia mostrar que os ideais e a vida do velho Sul eram insustentáveis depois da Guerra Civil.

A primeira parte do romance, intitulada "Sete de Abril, 1928" e que se centra em incidentes ocorridos em 17 dias diferentes, entre um funeral em 1898 e a véspera da Páscoa de 1928, é narrada da perspectiva de Benjy Compson, que é mudo e tem a idade mental de uma criança.

Este espectáculo, encenado por John Collins e estreado em Nova Iorque em Abril do ano passado, surge na sequência de outros trabalhos do género produzidos pela companhia Elevator Repair Service, fundada em 1991.

Em 2007, a companhia apresentou também na Culturgest "Gatz", uma encenação-maratona do texto integral de "O Grande Gatsby", de Scott Fitzgerald, e costuma combinar nas suas produções comédia, cenários de alta e baixa tecnologia, textos literários ou "found-texts", objectos encontrados e mobília deitada fora, bem como uma vertente coreográfica particularmente cuidada.

Falado em inglês e legendado em português, este "The Sound and the Fury" estará em cena na Culturgest sexta-feira e sábado às 21:30 e domingo às 17:00.
Lusa

Maestrina Joana Carneiro é a nova directora musical da Orquestra Sinfónica de Berkeley






Joana Carneiro nasceu em Lisboa e recebeu o diploma de maestrina da Academia Nacional Superior de Orquestra. Obteve um "master" em direcção de orquestra na Northwestern University, como aluna de Victor Yampolsky e Mallory Thompson, prosseguindo os seus estudos de doutoramento na Universidade do Michigan, onde trabalhou com Kenneth Kieser.

A reputação de Joana Carneiro cresceu rapidamente nos Estados Unidos e na Europa. Nos últimos anos dirigiu as mais prestigiadas orquestras mundiais, entre elas, a Orquestra Filarmónica de Los Angeles, a Sinfónica de Grant Park, a Sinfónica de Phoenix, a Orquestra do Instituto Mancini e a Sinfónica Kitchner-Waterloo.

Em 2004, tornou-se maestrina assistente na Filarmónica de Los Angeles e foi agraciada pelo Presidente da República de então, Jorge Sampaio, com a Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique. Em Setembro de 2006, passou a ser maestrina convidada da Orquestra Gulbenkian e em 2008 dirigiu a ópera de Chicago.

Joana Carneiro foi também escolhida para participar na Allizanz Cultural Foundation International Conductors Academy de Londres, em 2003, e, a convite do maestro Kurt Masur, dirigiu o concerto final do prestigiado concurso internacional de violoncelo Pablo Casals.

CETA: 50 anos a fazer do teatro uma história de referência







Pelas mãos de um grupo de jovens pertencente ao corpo redactorial do Vae Victis - Suplemento literário juvenil de "O Litoral", o CETA - Círculo Experimental de Teatro de Aveiro nascia em 1959.

Nesse mesmo ano, o CETA mostra para que veio ao mundo. O primeiro espectáculo, as peças "O Urso", de Anton Tcheckov, "O Dia Seguinte", de Luiz Francisco Rebelo e um entreacto de poesia de Carlos Morais, é proibido de ser apresentado pela Pide. A justificação da censura apontava para o texto de apresentação das peças escrito por Mário Sacramento.

O espectáculo só foi possível após ser eliminado na totalidade o referido texto e substituído por outro, da autoria de David Christo. O CETA nunca mais parou. Levou à cena cerca de 80 peças, sem contar com os diversos espectáculos de rua, proporcionou formação a muitas crianças e jovens em todos os domínios cénicos, despoletou o bichinho do teatro em muitos outros, organizou palestras e colóquios, editou uma revista de poesia e livros de teatro, trouxe a Aveiro um conjunto diversificado de grupos nacionais e estrangeiros, quer ligados ao teatro quer a muitas outras vertentes culturais (da música à dança, ao folclore, ao cinema, à poesia).



Este ano o CETA comemora 50 anos de vida e quer voltar a ser História.

Quis o destino que os 50 anos do CETA fossem comemorados pelo presidente da associação António Morais, actor por paixão, professor de matemática, filósofo, sindicalista e engenheiro agrónomo por… destino.
Natural da Venezuela, cedo veio estudar para Fermentelos, a terra paterna. Regressou à América do Sul e daí para Barcelona. Entre as licenciaturas de Filosofia e engenharia Agrónoma, o teatro foi-lhe crescendo nas veias. Chegou ao CETA em 2002, feito actor numa peça para a infância. Ficou com um enorme sorriso. Até hoje.

O que é que o teatro tem que cativou o engenheiro agrónomo, o filósofo, o professor de matemática e o sindicalista António Morais?
[risos] O teatro tem qualquer coisa de mágico, de extraordinário, que muitas vezes nem se sabe explicar bem o porquê de ser tão cativante. Os gregos achavam que o teatro era catártico. E é mesmo. É uma actividade que me compensa de alguma frustração, de algum desespero e de algum stress da minha vida profissional. Vestir a pele de outras pessoas, encarnar personagens e sair de mim próprio é uma coisa fabulosa. E depois, os momentos mágicos de comunhão com o público são algo de extraordinário. Quando entramos em sintonia com o público – nem que seja apenas por breves momentos – sente-se um poder absoluto em palco e o público faz exactamente o que queremos. Temos o poder de silenciar o público por ele estar perfeitamente embevecido com as nossas palavras e com os nossos gestos… Essa simbiose é uma coisa extraordinária quase impossível de descrever.

O exercício de humildade que é preciso para o actor se colocar na pele duma personagem choca com uma certa arrogância que pode advir do poder que o actor tem perante o público?
Eu não lhe chamaria arrogância. O poder a que me refiro é o da comunhão com o público. É nessa relação com o público que o levamos para onde queremos, que se consegue extasiá-lo e extasiarmo-nos com o encantamento dos outros. Em relação ao colocarmo-nos no papel do outro, isso permite-nos sentir o que muitas vezes na nossa vida quotidiana nunca sentiríamos. Ou seja, ter outros sentimentos e outras emoções, pois normalmente fazemos personagens que são extremas: a prostituta, o bêbado, o louco… São personagens que nos trazem sensações que, em princípio, na nossa vida normal não experimentamos. Mas em palco, se formos suficientemente verdadeiros a representar aquela personagem, fazemos quase um exercício esquizofrénico através do qual se sentem outras coisas.

Que personagem encarnou que seja um verdadeiro extremo do António Morais?
Houve personagens que encarnei e que me afectaram bastante psicologicamente. Há uns anos atrás, no Efémero [em Aveiro] fiz a peça do Pirandello intitulada "Assim é se lhe parece". Nela interpretava um marido que tinha rasgos de loucura. Mas nunca se chega a perceber se esse marido é doido ou se é a sogra que é doida. Há um jogo em que o autor brinca com o público num jogo dicotómico.

Outra personagem muito forte foi o Sr. Silva, em "Os marginais e a revolução", uma peça do Bernardo Santareno. Fazia de um indivíduo revoltado antes do 25 de Abril. Era um ser que não estava em consonância com o fascismo mas que nunca teve a capacidade de manifestar essa revolta interior. E quando chega o momento da libertação ele sente que a festa não é dele por se ter acomodado covardemente à não expressão da sua revolta. Foi uma personagem complicada porque me foi comovente viver aquele cobarde que não mostrou a sua revolta, que não lutou activamente quando a sua vontade interior era essa.
Outra personagem que me tocou foi a de um indivíduo alemão, que era comunista no tempo do nazismo. Este indivíduo abandona a mulher judia e o filho para se dedicar por inteiro à luta contra o nazismo. Descobre entretanto que a luta dele é inglória porque Hitler assina um pacto com Estaline. Nesse momento a sua luta, que para ele que era tão sagrada a ponto de sacrificar a família, perde todo o sentido. Quando regressa a casa descobre que a família tinha sido levada para um campo de concentração.

Três vidas em eminente implosão…
São peças extremamente fortes. Vai-se até há raiz do sofrimento da pessoa humana.

Essas vidas deixaram-lhe repercussões?
Tudo vai enriquecendo a pessoa humana. Por isso hoje já não sou tão leviano a julgar os outros pelos comportamentos que têm porque sinto que estas pessoas, as das personagens, por exemplo, não poderiam ser julgadas de ânimo leve porque não expressam exactamente o que sentem. Portanto, o julgamento do comportamento que fazemos rapidamente do outro é bastante leviano porque não vai ao fundo e ao sofrimento que, eventualmente, a pessoa leva por dentro. O teatro também tem esta componente de tolerância para com os outros.

O CETA nasceu em pleno Estado Novo. Pretendeu a associação ser uma lufada de ar revolucionário em Aveiro?
Eu não estive na origem do CETA por isso não posso falar com certezas. Mas havia uma inquietação nos jovens que fizeram o CETA nascer de fazer qualquer coisa pela cultura mas, eventualmente, também, de terem um papel activo na sociedade e, de alguma forma, de resistir contra o regime que imperava. E eles canalizaram as suas energias para o teatro e isso foi muito importante para muita gente de Aveiro e da Região. Criou-se aqui um pólo cultural mas também de resistência política.

A cultura pode incomodar os poderes instituídos?
Acho que a cultura tem sempre qualquer coisa de resistência e de subversivo para qualquer poder. E para aquele poder que não admite o contrário, nem que haja opiniões contrárias, a cultura pode ser muito mais subversiva e muito mais intimidante.

Tanto assim foi que o CETA teve peças censuradas.
Houve peças censuradas. Temos alguns documentos com peças riscadas com o lápis da censura.

O CETA já não é um centro de encontro de alguns oposicionistas…
… passaram por aqui muitas pessoas que actualmente são eminentes políticos, escritores, poetas e actores que estão a fazer teatro em Lisboa… Há muita gente que passou pelo CETA que é assim como um forno que vai dando um pão muito saboroso comestível pelo país inteiro. E esta é a casa de todas essas pessoas.

Quais são hoje as lutas do CETA?
A luta principal é trazer as pessoas ao teatro. Ou então, tentar intervir saindo do próprio espaço do CETA e fazendo teatro ou intervenções de rua. O CETA bate-se por continuar, porque tem uma função cultural fundamental e porque o CETA é uma associação emblemática de Aveiro.

Apoios em falta

Como vai o CETA dar a volta por cima num momento em que os públicos parecem andar entretidos com outros palcos menos culturais?
O CETA vai apostar em vários campos. Mas se dêmos a volta por cima até aqui, estou convencido de que daremos a volta durante muito tempo e que esta associação nunca há-de acabar como ponto cultural importante de Aveiro.

Os apoios ao CETA têm funcionado?
Ao nível dos apoios é evidente que tínhamos algum, e continuamos a contar com ele, da parte da Câmara de Aveiro. Sabemos que a situação financeira da autarquia não é boa e portanto o seu apoio não tem sido aquele que era até há algum tempo atrás. Da parte da Junta de Freguesia da Vera-Cruz temos tido todo o apoio. Entretanto estamos a procurar soluções ao nível de parcerias, de mecenas, de empresas privadas… O momento não é muito propício para isso, visto que há uma crise financeira no país, mas haveremos de dar a volta. Logicamente que as peças não se pagam por si próprias. Mas reciclamos muitos cenários, muito vestuário. Os actores não são pagos. A única pessoa que é paga é o encenador. E temos tido sempre encenadores profissionais e de alto gabarito.
Texto de Pedro Farias
in O Aveiro

‘Mamma Mia!’ vem a Lisboa em Junho






O musical ‘Mamma Mia!’, um dos mais populares em todo o Mundo, regressa a Portugal no próximo mês de Junho, para apenas cinco espectáculos, nos dias 25, 26, 27 (dois) e 28.

As representações de ‘Mamma Mia!’ terão por palco o Pavilhão Atlântico, que em 2005 esgotou nas 12 apresentações do musical. Desta feita, a capacidade do recinto vai ser reduzida a apenas quatro mil lugares, de modo a recriar-se um verdadeiro teatro do West End de Londres, aproximando o público dos actores.

O regresso a Lisboa deste musical acontece pouco depois do grandioso sucesso conseguido pelo filme com o mesmo título, com Meryl Streep e Pierce Brosnan. ‘Mamma Mia!’ é o filme mais popular de sempre em Portugal, desde que há registos de bilheteira, tendo sido visto por quase 900 mil pessoas. Curiosamente, a versão cinematográfica de ‘Mamma Mia!’ é da responsabilidade das criadoras do musical: a produtora Judy Craymer, a guionista Catherine Johnson e a realizadora Phyllida Lloyd.

Com uma banda sonora constituída por canções dos Abba, como ‘Waterloo’, ‘Dancing Queen’ e ‘Super Trouper’, ‘Mamma Mia!’ conta a história de uma jovem que convida para o seu casamento três homens, sabendo que um deles é o seu pai que nunca viu. Dezenas de actores e dançarinos integram o elenco do musical, que tem actualmente em cena nove produções, duas das quais itinerantes e com passagem garantida por Lisboa.

Os bilhetes, já à venda nos locais habituais, custam 40 euros (Balcão 1), 50 (Balcão 0), 60 (Plateia A) e 70 (para a Plateia Vip).
Luis Figueiredo Silva
in Correio da Manhã

Crítica francesa aplaude Paulo Ribeiro






White Feeling e Organic Beat, peças remontadas pelo coreógrafo português para o Ballet de Lorraine, já têm novas datas de apresentação

“Notável” e um “marco de sucesso” são algumas das expressões usadas pela crítica francesa para descrever a noite dedicada pelo Ballet de Lorraine (Nancy, França) ao coreógrafo português Paulo Ribeiro que, no ano passado, foi convidado pela companhia francesa para remontar Organic Beat, depois de ter feito o mesmo com White Feeling, em 2006. As duas coreografias, originalmente criadas para o extinto Ballet Gulbenkian, foram apresentadas a 18 de Dezembro na Ópera Nacional de Lorraine, num programa dedicado apenas a este coreógrafo e com a participação ao vivo dos grupos Danças Ocultas (em White Feeling) e Percussões de Estrasburgo (em Organic Beat). Programme Ribeiro: une danse total esteve em cena durante quatro dias.

Paulo Ribeiro arrecadou rasgados elogios da crítica que classificou a sua linguagem como “uma escrita coreográfica original, ritmada, enérgica e sensual”, escreve Didier Hemardinquer no jornal L’Est Républicain, de 19 de Dezembro de 2008. O mesmo crítico acrescenta que “Paulo Ribeiro é um verdadeiro poeta que sabe bem escandir os versos e os bailarinos são excelentes narradores que souberam transmitir esta mensagem de fraternidade universal referida desde o início da Humanidade”. Já Raphaël de Gubernatis defende no jornal Nouvel Obs, de 19 de Dezembro, que “é tão raro descobrir um trabalho que tenha carácter que, esta noite de Ribeiro é um marco de sucesso. E de carácter, as duas obras apresentadas (…) na Ópera de Nancy, estão repletas”.

No mesmo artigo de Raphaël de Gubernatis pode ainda ler-se uma análise pormenorizada sobre cada uma das obras apresentadas. “A primeira White Feeling (…) exclusivamente dançada por homens, uma dezena, vestidos de negro e meios nus, é de uma tonicidade extraordinária. O trabalho manifestamente gráfico de Ribeiro revela um sentido de espaço, tanto mais interessante quanto generoso. (…) Descobrimos sobretudo um belo trabalho de encenação, ritmos vigorosos e uma espécie de jubilação que torna a obra cativante. Certamente é mais o encenador, o arquitecto do espaço, do que o coreógrafo propriamente dito que seduz em Paulo Ribeiro”, acrescenta o crítico. Raphaël de Gubernatis estende ainda a sua apreciação à segunda obra, Organic Beat para afirmar que “também aqui o sentido de espaço do coreógrafo está em pleno, e os trinta bailarinos presentes fazem o efeito de uma multidão considerável. (…) Foi a primeira vez, com este ballet, que Ribeiro trabalhou com um grupo de bailarinos tão considerável. Ele domina tão bem os grandes conjuntos, que ora os lança em belas cavalgadas épicas, ora os paralisa numa diagonal espectacular, duplicada por uma projecção sobre um ecrã gigante, que acreditaríamos erradamente que as grandes composições sempre estiveram no seu repertório”.

Nos últimos dois anos - desde a sua remontagem – White Feeling tem circulado com o CCN – Ballet de Lorraine que, dado o sucesso alcançado, a irá manter no seu repertório, pelo menos, durante os próximos dois anos. O mesmo aconteceu com Organic Beat que passou a fazer parte do repertório da companhia francesa.

A companhia tem já novas datas de apresentação das duas obras: no Théâtre Jean Lurcat (Aubusson) a 28 de Janeiro; no Centre Culturel Jean Moulin (Limoges) a 30 de Janeiro; em La Rotonde (Epinal) a 03 de Fevereiro e ainda a confirmar em Nanterre a 11 de Maio. Entre outras datas e locais, em 2010, as peças deverão ser apresentadas também em Paris e Cannes.

Criadas em 2004 e 2005, respectivamente, White Feeling e Organic Beat foram as duas únicas peças criadas por Paulo Ribeiro para o repertório do Ballet Gulbenkian enquanto director artístico e também das últimas apresentadas por este colectivo, que foi extinto em Julho de 2005. Esta homenagem ao trabalho de Paulo Ribeiro não só prestigia o coreógrafo e a sua companhia, mas também é o reconhecimento público de que o repertório criado para o Ballet Gulbenkian continua a integrar o património coreográfico e cultural europeu.

"Belas Atrozes" no Teatro da Vilarinha






A V+ Companhia de Teatro estreia no dia 15 de Janeiro, às 21h30, "Belas Atrozes", da dramaturga mexicana Elena Guiochíns, no Teatro da Vilarinha.
"Belas Atrozes" é um espectáculo que explora a amizade romântica e amor entre mulheres desde a época Vitoriana até aos nossos dias. "Belas Atrozes" oferece uma interpretação peculiar da identidade e imagem feminina; aquele tipo de mulher que tanto inquieta a sociedade, em oposição à mulher natural (esposa - mãe). Uma mulher em busca da sua identidade desdobra-se em três mulheres distintas. Eva, Maria e Lilith encarnam as origens e as circunstâncias da sexofobia, numa trama de emoções contraditórias e polarizadas, que oscilam entre o fascínio e o aborrecimento, entre a atracção sexual e o pânico do abismo, sem uma visível solução de continuidade.

O espectáculo fica em cena até 31 de Janeiro, às quintas, sextas e sábados, pelas 21h30.

Texto Elena Guiochíns
Tradução Viriato Morais
Encenação Viriato Morais
Elenco Isabel Queirós Marta Carvalho Olinda Rocha Susana Oliveira
Figurinos Alex de Brito
Cenografia Viriato Morais Alex de Brito
Desenho de luz / concepção sonora Igor Pittella e Carlos Valente
Responsável artístico Viriato Morais
Direcção de produção Ana Carolina Avilez


Informações e reservas: vmaisteatro@gmail.com
telm. 917098315