Tuesday, January 23, 2007

"Ana e Hanna" no D. Maria II




ANA E HANNA
NA SALA GARRETT DO TEATRO NACIONAL D. MARIA II
DE JOHN RETALLACK
PRODUÇÃO TEATRO NACIONAL D. MARIA II
DEZ 01 ’06 – MAR 27 ‘07

Em 2007 o espectáculo Ana e Hanna será apresentado
4ª feira às 11h, 5ª a Sáb às 18h00, Domingo às 19h30
Um drama cativante que reflecte sobre os problemas do exílio, da imigração e das diferenças culturais
O Teatro Nacional D. Maria II apresenta Ana e Hanna, uma encenação de António Feio com Rita Calçada Bastos e Vânia.
Um espectáculo para adolescentes que cruza a música e a dança e aborda o problema da exclusão dos refugiados na Europa. A história de duas raparigas de 16 anos em Tavira – a temperamental Ana, Portuguesa, e Hanna, exilada de Kosovo.
Ana tem 16 anos, vive em Tavira com a avó e abandonou os estudos. Hanna tem 16 anos, é albanesa, recém-chegada do Kosovo e procura asilo político. A vida destas duas adolescentes cruza-se no Verão de 1999, em Tavira, um encontro que as mudará numa troca de experiências e de emoções. Apesar das diferenças que as separam, Hanna, mesmo que proveniente de uma cultura diferente e, por isso, vítima de uma certa exclusão social, cedo acaba por conquistar a amizade de Ana que, curiosamente, nunca saiu do país. Será a paixão pela música pop o elo de ligação entre os dois mundos tão diferentes das duas personagens. Britney Spears, Kylie Minogue, Fatboy Slim, Natalie Imbruglia, entre outros, darão o mote. Primeiro para que ambas cantem em conjunto e depois para que partilhem as suas vidas e dessa partilha nasça uma verdadeira amizade, indestrutível até com a distância.

TRADUÇÃO ANA SAMPAIO
ENCENAÇÃO ANTÓNIO FEIO
CENOGRAFIA ERIC COSTA
FIGURINOS BARBARA GONZALES FEIO
MOVIMENTO OLGA RORIZ
DIRECÇÃO MUSICAL MUSICA INCIDENTAL RENATO JR

DIRECÇÃO VOCAL CARLOS COINCAS

DESENHO DE LUZ MANUEL ANTUNES
COM RITA CALÇADA BASTOS VÂNIA

"Scott Fields Ensemble" no D. Maria II


SCOTT FIELDS ENSEMBLE
NO ÁTRIO
DO TEATRO NACIONAL D. MARIA II
FEV 02
19H00
ENTRADA LIVRE
Scott Fields Ensemble – lançamento do novo album - “Beckett”

Scott Fields – guitarra Alípio C Neto – saxofone tenor Bem Stapp – Tuba João Lobo - bateria

Ao ritmo de Beckett

“O que poderá resultar do encontro de um guitarrista e compositor de jazz interessado nas soluções harmónicas da música contemporânea, e designadamente no sistema “pós-tonal” de Stephen Dembski, o qual permite a formulação de uma música sucedânea do dodecafonismo, politonal por condição, com um saxofonista e compositor que inspira os seus conceitos na linguística e nas técnicas rítmicas da poesia? É difícil de prever, mas ficaremos a sabê-lo quando ouvirmos Scott Fields a tocar com o pernambucano tornado alfacinha Alípio Carvalho Neto, suportados ambos pela secção rítmica constituída pelo californiano Bem Stapp (tuba) e pelo português João Lobo (bateria).

O encontro faz-se na altura em que o mais recente disco de Scott Fields, “Beckett” (Clean Feed), chega aos escaparates. À semelhança do anterior “Mamet”, no qual a música é uma derivação da escrita do dramaturgo David Mamet, o novo álbum baseia-se nas mais curtas peças do mestre do “non-sense” Samuel Beckett, cada “pitch” e cada ritmo correspondendo aos diálogos do irlandês. Alípio Carvalho Neto só podia ficar entusiasmado com tal abordagem, ele que estudou musicalmente os versos e a prosa de Jack Kerouac e Boris Vian. Algo de muito bom poderá surgir desta colaboração, é o que desde já se vaticina... “
imagem de José Manuel Castanheira

Seminário "As Pessoas e a Cultura"

Para a conversa do próximo domingo 28 de Janeiro, estão confirmadas as presenças em Águeda de:
Américo Rodrigues (programador e Director-geral do Teatro Municipal da Guarda)
Ana Pires (ex-Delegada Regional da Cultura do Centro)
António Pedro Pita (Delegado Regional da Cultura do Centro)
Carlos Seixas (programador do Festival de Músicas do Mundo – Sines)
Fernando Mendonça (Adjunto do Governo Civil de Aveiro; ex-Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Estarreja)
José António Jesus (Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Tondela)
José Rui Martins (actor e encenador; director da ACERT – Tondela)
José Pina (Director de Animação Cultural da Feira Viva/Imaginarius - Sta. Maria da Feira)
Maria da Luz Nolasco (Directora-geral do Teatro Aveirense)
Paula Abreu (socióloga do Centro de Estudos Sociais, Coimbra)
Pedro Fernandes (programador do Cine-Teatro de Estarreja)
Vasco Sacramento (programador dos festivais “Sons em Trânsito” - Aveiro e “Med” - Loulé)
Inúmeros outros convidados estão na calha para se juntar à conversa com o público, o final beneficiário das boas práticas que Águeda quer implementar na sua actividade cultural colectiva e inter-associativa, com o reforço a obter deste Seminário.
O Seminário d’Orfeu que abre o ano 2007, em parceria com Câmara Municipal de Águeda, pretende ser uma montra das boas práticas que o país cultural hoje conhece. Tire-se o retrato a casos bem sucedidos de investimento estratégico na Cultura, juntando à conversa programadores, gestores culturais, autarcas, artistas subsidiados e não subsidiados e ainda o mais alto poder institucional.Juntar gente que lida directamente com os bens culturais ou que decide sobre o apoio à Cultura é o objectivo desta acção que, no habitual formato de conversa dinâmica, coloca em debate experiências e visões que aportem novos rumos e antecipem conquistas para as comunidades que se implicam culturalmente. No caso, Águeda empenha-se a fundo para inovar e percorrer novos caminhos de vanguarda cultural, envolvendo-se e deixando-se envolver pelo país cultural.Estas acções com que a d’Orfeu costuma abrir o ano são encontros pelo prazer da conversa informal. Todos os Janeiros um tema cultural emergente faz juntar um grupo heterogéneo de convidados com as variadas perspectivas e, num domingo à tarde, o debate funde o que se conhece com as realidades e experiências que os convidados aportam. Num ano em que Águeda quer dar enfoque à emergência de sustentabilidade da prática cultural, a temática deste Seminário é a pedra de toque para a missão a que a d’Orfeu se obriga em Águeda, ao 12º ano de projecto associativo de Cultura.

SEMINÁRIO“As pessoas da Cultura e a cultura das Pessoas”

uma colecção de boas práticas de investimento cultural

Domingo 28 Janeiro 2007, 15:30Águeda, Fundação Dionísio Pinheiro

"A Herança Maldita" na Barraca




“A Herança Maldita” de Augusto Boal terá a sua estreia mundial pel’ A BARRACA no próximo dia 31 de Janeiro (quarta-feira), pelas 21h30, no TeatroCinearte.
A peça sobe ao palco pela primeira vez, pela mão da Companhia com quem o dramaturgo brasileiro e fundador do Teatro do Oprimido trabalhou nos primeiros anos.

No encerramento das comemorações dos 30 anos da BARRACA, Helder Costa encenou o espectáculo que é nas palavras de Augusto Boal “um boulevard macabro” que trata de famílias “nela a família genética é apenas metáfora que esconde e revela outras famílias”.
O espectáculo tem nos papéis principais Maria do Céu Guerra e João D'Ávila e conta ainda com Rita Fernandes, Pedro Borges, Ruben Garcia e Sérgio Moras.
“A Herança Maldita” estará em cena no TeatroCinearte de 5ª a Sábado às 21h30.
O preço dos bilhetes é de 12,5€ (10€ para estudantes, grupos, maiores 25 e maiores 65). A duração do espectáculo é de 1h30 sem intervalo.


Boal regressa à Barraca. Boal, um cavaleiro andante de boa memória, um artista criador e subvertor do Teatro, da comunicação, da acção social, cívica e política. Boal, o mestre com que a BARRACA teve a felicidade de aprender nos primeiros passos, um irmão mais velho que teve a ternura e a compreensão para o desejo de Risco e Descoberta do Novo desse grupo recém – nascido.
É um facto feliz que o nome Augusto Boal entre novamente no nosso repertório no ano em que comemoramos 30 anos. E é uma honra que nos tenha escolhido para fazer a estreia Mundial da sua ultima peça “A Herança Maldita”.
Boal dá o nome de “bulevar macabro” a este texto; corresponderá para o nosso vocabulário Europeu a “comédia negra”, ou seja “Black comedy” (pois, como Boal faz dizer a um dos seus personagens “hoje só se fala Inglês, acentos, parágrafos, etc., tudo é em Inglês”.
A história fala das relações actuais, familiares ou não, totalmente dominadas pelo dinheiro; digamos que se trata de um “close up” da ideologia económica neo-liberal que conduziu à globalização Universal.
A peça faz rir, faz rir muito. E também faz pensar. Como todos os espectáculos que A Barraca montou durante a sua já longa existência.
Foi um feliz reencontro com o nosso primeiro companheiro de viagem. Que ficará muito feliz por voltar a encontrar o público que o aplaudiu e adorou.
Helder Costa


A FAMÍLIA COMO METÁFORA
Esta peça trata de famílias: nela, a família genética é apenas metáfora que esconde e revela outras famílias – a que já foi pátria, tribo, etnia, cor, clube, bairro; a que teve um chefe, profeta, santo ou herói. O belo, na família, é que ela incorpora, une, amalgama – às vezes, algema! O feio: expulsa, afasta, repele, separa, condena.
A epidemia da Globalização, hoje – pior do que a peste Espanhola que matou milhões de pessoas pelo mundo afora, faz cem anos; pior que a cólera e outras pestes que devastaram a Europa na Idade Média; - a globalização infecta a parte maior da Humanidade e a divide em três grandes famílias: primeira, a daqueles que controlam o Mercado; segunda, a dos que nele estão inseridos; terceira, infeliz, que reza nos corredores da morte do desemprego e da fome: esta é a Humanidade descartável, vítima do moderno Holocausto. Esta Família Econômica se sobrepõe à
raça, ao credo e à cor, ao tempo e ao espaço. Seus vínculos sanguíneos são as ações das multinacionais; seu coração é a Bolsa.
Eu quis falar destas três Humanidades e desta pena: para que exista família, é necessária a exclusão; necessário expulsar aqueles que a ela não pertencem. E a mesma violência, necessária para excluir os outros, pode se voltar contra os próprios membros da mesma família!
Falei metaforicamente.
Augusto Boal
Rio de Janeiro, Fevereiro 2004


A PAIXÃO E A ARTE
[…] A arte pode ser entendida de muitas maneiras. Eu prefiro dizer que a Arte, qualquer arte, é sempre um conjunto de sistemas sensoriais que permitem aos seres humanos – e só a eles! – fazer representações do real!
[…] Mesmo os primeiros pintores rupestres que, nos tetos de suas cavernas, pintavam bisontes, leões e outros animais, mesmo eles sabiam que uma coisa é o real e outra, diferente, sua representação pictórica: sem medo, o pintor cavernícola se aproximava do chifre e do dente da fera, quando pintada, mas fugia assustado do seu modelo, solto no descampado.
As artes são representações do real, não são o real: mas, que real é este que elas representam? Existem artes, como a pintura, que organizam a forma e a cor, no espaço. E existem artes, como o teatro, que organizam ações humanas, no espaço e no tempo.
Se nisto consiste a Arte – na organização e na representação do real – e se o teatro representa ações humanas, quais destas ações serão dignas da representação teatral?
Evidentemente, só aquelas nas quais os seres humanos revelam suas paixões. Lope de Vega, escritor espanhol do Século de Ouro, costumava dizer que o essencial ao teatro são dois atores, um tablado e… uma paixão.
Mas… o que é a Paixão? A Paixão, como a Arte, pode ser definida de muitas maneiras; eu prefiro dizer que a paixão é cada um dos sentimentos extremos dos quais o ser humano é capaz. O amor e o ódio, a busca de um ideal e a solidariedade fraterna, a curiosidade científica e a realização esportiva podem ser paixões, se forem extremos. O artista, quando o é de verdade, é um apaixonado.
É preciso reabilitar a Paixão, restaurar seu sentido primeiro de força vital, danificado pela semântica que faz da palavra grega pathos a origem de paixão e patologia.
Paixão não é sofrimento, não é doença: é vida! A Paixão de Cristo não foram doze quedas, percalços no caminho do Calvário: Paixão era a sua determinação em realizar o desejo do Pai e salvar o ser humano do pecado original.
Quem vos fala não é um religioso: é um apaixonado! Sou um homem apaixonado pelas paixões, e juro que não são elas que causam meu sofrimento: são os obstáculos que entre mim e elas são erguidos.
Não é a paixão de Romeu e Julieta que os faz sofrer e lhes traz a morte: é o ódio voraz entre Montequios e Capuletos, suas famílias latifundiárias, seus sequazes e capangas, que lutam por mais terra e mais poder. O obstáculo faz sofrer: a paixão vivifica! Foi a paixão de Che Guevara que o levou à felicidade cubana; foram os obstáculos imperialistas que o levaram à morte boliviana. Foi a paixão do Tiradentes que o levou à Inconfidência Mineira; foi D.Maria, a Louca, que o levou à forca!
A paixão faz sofrer, é certo; não, porém, porque seja paixão, mas por ser libertária!
O ser humano, na sua luta inclemente contra a Natureza, luta pela sobrevivência e pelo gozo, pelo seu legítimo desejo de fruir a vida, que é tão fugaz – desejo que é nosso direito e dever!
Augusto Boal
in O Teatro como Arte Marcial


QUEM É AUGUSTO BOAL
Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro em 1931, estudou na School of Dramatic Arts da Universidade de Columbia nos Estados Unidos da América. Foi um dos fundadores do Teatro Arena de S. Paulo, experiência marcante para a Arte Teatral.
Em Fevereiro de 1971, Augusto Boal é preso, torturado e exilado. Passando a residir na Argentina, de 1971-1976, dirige o grupo “El Machete” de Buenos Aires e monta, de sua autoria, “O Grande Acordo Internacional do Tio Patinhas”, “Torquemada” (sobre a tortura no Brasil) e “Revolução na América do Sul”, iniciando intensas viagens por toda a América Latina, onde começa a desenvolver novas técnicas do “Teatro do Oprimido”: Teatro-Imagem, Teatro-Invisível e Teatro-Fórum.
Em 1976 muda-se para Lisboa, onde dirige o grupo “A Barraca”. Dois anos depois é convidado para lecionar na Université de la Sorbonne-Nouvelle. Em Paris, cria o Centre du Théatre de l´Opprimé-Augusto Boal, em 1979.
A convite do então Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, professor Darcy Ribeiro, Boal volta ao Brasil em 1986 para dirigir a FÁBRICA DE TEATRO POPULAR. O objetivo era tornar a linguagem teatral acessível a todos, como estímulo ao diálogo e à transformação da realidade social.
Em 1992, candidata-se e é eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo PT (Partido dos Trabalhadores), para fazer Teatro-Fórum e, a partir da intervenção dos espectadores, criar projetos de lei: é o Teatro Legislativo.
Sua mais recente pesquisa é a Estética do Oprimido, programa de formação estética que integra experiências com o SOM, PALAVRA, IMAGEM e ÉTICA. A Estética do Oprimido tem por fundamento a crença de que somos todos melhores do que pensamos ser, e capazes de fazer mais do que aquilo que efetivamente realizamos: todo ser humano é expansivo


FICHA ARTÍSTICA
Texto de Augusto Boal
Adaptação do Texto e Encenação: Helder Costa
Direcção Plástica: Maria do Céu Guerra
Adereços: Cecília Sousa, Luís Thomar
Assistência de Encenação: Susana Costa
Luminotecnia: Fernando Belo
Sonoplastia: Rui Mamede
Montagem: Mário Dias
Costureira: Inna Siryk
Apoio Técnico: José Carlos Pontes
Relações Públicas e Produção: Elsa Lourenço
Secretariado: Maria Navarro
Cartaz: Elsa Lourenço, José Carlos Pontes e Rita Lello,
Fotografias: Movimento de Expressão Fotográfica

Elenco por ordem de entrada em cena:
MARIA DO CÉU GUERRA - Maria Luiza
RITA FERNANDES - Maria Pia
SÉRGIO MORAS - Luiz António
PEDRO BORGES - Luiz Octávio
JOÃO D’ÁVILA - Esmeraldina
RUBEN GARCIA - Luiz Eugénio

30 Anos de "A Barraca"



texto fornecido pela companhia:

1. INTRODUÇÃO
Na sequência da nossa linha teatral amplamente exemplificada no livro comemorativo dos 25 anos, o nosso trabalho continuou a pautar–se pelos mesmos princípios:
1º Entender o Teatro como reflexo interpelador do seu tempo e do seu meio;
2º Promover através do Teatro um estímulo à curiosidade e por aí um caminho para o conhecimento das Artes e Culturas especialmente da Arte e Cultura Portuguesas;
3º Promover, regularmente, o intercâmbio com outras culturas de língua portuguesa;
4º Promover a diversificação dos públicos cruzando Capital e Província, Cidade e Campo, Mestres e Aprendizes, comprometendo-se com uma Arte para Todos, e evitando assim os circuitos fechados e autofágicos em que as Artes muitas vezes se deixam cair;
5º Promover através do Teatro uma educação pelo Divertimento.
Assim, A BARRACA procura:
1º Fazer, pelo menos, um espectáculo por ano cuja montagem lhe permita itinerar e actuar em espaços pequenos, populares e pouco equipados;
2º Trazer ao Teatro públicos novos através de parcerias e protocolos com o maior número possível de instituições e estabelecimentos de ensino;
3º Fazer pelo menos um espectáculo anual com texto da dramaturgia portuguesa contemporânea ou clássica;
4º Fazer pelo menos um espectáculo anual da dramaturgia universal contemporânea ou clássica;
5º Realizar espectáculos cultos que apesar da sua erudição:
a) dêem felicidade afectiva, inteligente e lúdica, ao público
b) não o intimidem pelo hermetismo dos seus códigos
c) não o afastem da atenção que é devida ao seu tempo com as suas contradições e especificidades.
Para que haja mais público, melhor público e melhor teatro.
Nos anos não historiados, no livro comemorativo dos 25 anos, a Barraca fez:
1. Regresso a Gil Vicente com um Ciclo comemorativo dos 500 anos da estreia da sua primeira obra: “Auto da Visitação” ou “Monólogo do Vaqueiro”, estreando as seguintes obras em 2002:
- “Comédia de Rubena”
- “O Velho da Horta”
- “A Farsa de Inês Pereira”
- “O Auto das Fadas”


2. Em 2003 estreámos “ A profissão da Srª Warren” de Bernard Shaw, um clássico do inicio do século XX incidindo sobre o tema da prostituição de “luxo”. Este espectáculo assinalou também a estreia de um jovem encenador, Guilherme Mendonça;
Seguiu-se a estreia de “Os Renascentistas”, texto e encenação de Helder Costa.
Peça que estabelece uma síntese de alguns antigos espectáculos da Barraca através de uma dramaturgia que coloca em cena 5 grandes vultos do nosso século XVI – Gil Vicente, Camões, Fernão Mendes Pinto, Damião de Góis e Chiado.
Ainda neste ano estreou “A Revolta dos Bonecos” de Maria Lúcia Veiga com encenação de Rita Lello, espectáculo no âmbito de “A Barraca dos Miúdos”, a nossa unidade dedicada ao teatro para a infância.
3. Em 2004, estreia de “O Incorruptível”, texto e encenação de Helder Costa, sátira referente aos tão conhecidos e impunes crimes de “colarinho branco”. Estreou na Póvoa de Lanhoso cumprindo o nosso desejo de itinerância pelo país.
“Ser e não Ser”, investigação, textos e encenação de Maria do Céu Guerra marcou outro ponto alto da vida da Barraca. Espectáculo com a duração de 6 horas fez desfilar perante o público a História do Teatro ocidental das origens até aos nossos dias.
“A Barraca dos Miúdos” apresentou “História Breve da Lua” de António Gedeão com encenação de Gil Filipe.
4. 2005 viu a estreia de João D’ Ávila como dramaturgo com “Mater” também encenada por ele. Parábola à volta de Fernando Pessoa, a mãe e os heterónimos Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares.
“A Princesa do Amor de Sal”, texto e encenação de Rita Lello estreou no âmbito de
“A Barraca dos Miúdos”.
No dia 19 de Outubro estreou “O Mistério da Camioneta Fantasma”, texto e encenação de Helder Costa referente aos crimes praticados nessa data em 1921.
Esse assassinato de figuras proeminentes da I República ficou conhecido pela “Noite Sangrenta” e foi ignorado e manipulado pela ditadura Salazarista, de forma a esconder os mandatários Monárquicos desses crimes.
5. Em 2006 estreámos “Felizmente Há Luar!”, de Luís de Sttau Monteiro com encenação de Helder Costa. Texto já considerado um clássico da dramaturgia portuguesa contemporânea, refere-se à execução de Gomes Freire de Andrade e outros patriotas que se revoltavam contra a ditadura Inglesa nos anos anteriores à Revolução Liberal de 1820.
“A Barraca dos Miúdos” estreou “O Conto da Ilha Desconhecida” de José Saramago com dramaturgia e encenação de Rita Lello.
Integrado nas comemorações dos nossos 30 anos surge o último texto de Augusto Boal, “A Herança Maldita”, “boulevard macabro sobre a globalização” segundo o autor, com encenação de Helder Costa. É um feliz e afectivo reencontro com um amigo e director que trabalhou connosco nos tempos longínquos do nosso aparecimento.


2. 30 ANOS DE CRIAÇÃO TEATRAL
a) Fundação: “A Cidade Dourada”, adaptação de A BARRACA de “La ciudad dorada”do grupo La Candelária de Bogotá-Colombia.
b) Augusto Boal: “Barraca conta Tiradentes”, “Ao qu’isto chegou!”, “ Zé do Telhado”
c) Temas da História e Cultura Portuguesas: “Zé do Telhado” de Helder Costa, “D. João VI” de Helder Costa, “Fernão, Mentes?” de Helder Costa (adaptação de “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto, “Um dia na capital do Império” dramaturgia de Helder Costa sobre a obra de António Ribeiro Chiado, “Um Homem é um Homem - Damião de Góis” de Helder Costa, “Diabinho da Mão Furada” de Helder Costa sobre conto setecentista por alguns atribuído a António José da Silva, “Margarida do Monte” de Marcelino Mesquita, “O Menino de sua Mãe” dramaturgia de Maria do Céu Guerra sobre as mulheres em Fernando Pessoa, “A Relíquia” de Eça de Queiroz, “Os Renascentistas” de Helder Costa, “Mater” de João D’Ávila, “O Mistério da Camioneta Fantasma” de Helder Costa, “Felizmente, há Luar!” de Luís Sttau Monteiro
d) Gil Vicente: “Histórias de Fidalgotes”, “É Menino ou Menina?”, “Uma Floresta de Enganos”, “O Pranto de Maria Parda”, Ciclo P’la Mão de Gil Vicente - “A Comédia de Rubena”, “O Velho da Horta”, “A Farsa de Inês Pereira”, “O Auto da Fadas”
e) Dario Fo: “Preto no Branco” (Morte Acidental de um Anarquista), “Que dia tão
estúpido” (Una giornata qualunque)
f) Conflitos Sociais Contemporâneos: Vários autores “Ao qu’isto chegou!” e “Tudo bem”, Brecht “Santa Joana dos Matadouros”, Fassbinder “Liberdade em Bremen”, “O Bode Expiatório”, Helder Costa “Mi Rival”, Carson McCullers e Edward Albee “Balada do Café Triste”, Fernando Augusto “Pastéis de Nata para a Avó”, Francisco Pestana “Não há nada que se coma?”, Anthony Shaffer “Xeque-Mate”, Maria do Céu Guerra “Agosto”, Charles Mac Arthur e Ben Hecht “Primeira Página”, Bernard Shaw “A Profissão da Srª Warren”, Maria Judite Carvalho “Havemos de Rir”
g) O Absurdo: Mrozeck “Os Polícias”, Swift /Helder Costa “Gulliver”, Ionesco “A Cantora Careca”, “Macbett”, “Rinoceronte”, Topor “Um Inverno debaixo da Mesa”
h) O Cómico: Woody Allen “Play it again, Sam”, Molière “O Avarento”, Helder Costa “Queres ser Ministro?”, “O Incorruptível”
i) Mitologia Contemporânea: Helder Costa e Maria do Céu Guerra “Calamity Jane”, Helder Costa “Marilyn, Meu Amor”
j) Guerras e ditaduras do século XX :
Guerra Civil de Espanha - “Viva la vida!”, Helder Costa
O Nazismo Alemão - “O Príncipe de Spandau”, Helder Costa
O Fascismo Italiano - “Um Dia Inesquecível”, Ettore Scola
O Fascismo Português - “O Baile” e “Abril em Portugal”, Helder Costa
A guerra nos Balcãs - “Parabéns a Você!”, Helder Costa
A Herança Maldita A BARRACA 2007 13
l) Dramaturgia Brasileira:
Augusto Boal/Guarnieri /A Barraca- “Barraca conta Tiradentes”, Maria Adelaide Amaral “De Braços Abertos”, Carlos Queiroz Telles /Maria do Céu Guerra “Marly - A Vampira de Ourinhos”, Josué Montello/Maria do Céu Guerra “O Último Baile do Império”, Augusto Boal “A Herança Maldita”
m) História do Teatro Universal
“Ser e não Ser” (ou estórias da História do Teatro), pesquisa, dramaturgia, e
encenação de Maria do Céu Guerra
n) A Barraca dos Miúdos
- “Nós Temos os Pés Grandes Porque Somos Muito Altas”, de Carlos Santiago
- “A Revolta dos Bonecos”, de Maria Lúcia Veiga
- “História Breve da Lua”, de António Gedeão
- “A Princesa do Amor de Sal”, de Rita Lello
- “O Conto da Ilha Desconhecida”, de José Saramago


RESUMINDO:
Neste longo período montámos textos, dramaturgias e peças de:
La Candelária (Colômbia), Virgílio Martinho, Gil Vicente, Ruzante, Dário Fo, Hélder Costa, Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, Bernardo Santareno, Artur Semedo, José Gomes Ferreira, Carlos Coutinho, Luís Francisco Rebello, Maria Velho da Costa, Francisco Nicholson, Fernão Mendes Pinto, Chiado, Brecht, Maria do Céu Guerra, Fernando Assis Pacheco, Mrozeck, António José da Silva, Fernando Pessoa, Marcelino Mesquita, Fassbinder, Maria Adelaide Amaral, Woody Allen, Ralph Talbot, Ionesco, Charles MacArthur e Ben Hecht, Fernando Augusto, Carlos Queiroz Telles, Pestana, Molière, Josué Montelo, César Oliveira, Anthony Shaffer, Swift, Ettore Scola, Eça de Queiroz, Carson McCullers e Edward Albee, Topor, Maria Judite Carvalho, Carlos Santiago, Maria Lúcia Veiga, Bernard Shaw, excertos de vários clássicos para “Ser e não Ser”, António Gedeão, João D’Ávila, José Saramago, Luís de Sttau Monteiro

Encenações de:
A Barraca, Helder Costa, Maria do Céu Guerra, Augusto Boal, Fernanda Lapa, Rui Luís Brás, Rita Lello, Guilherme Mendonça, Gil Filipe, João D’Ávila

Músicas e poemas de:
José Carlos Ary dos Santos, Samuel, José Manuel Osório, Fernando Tordo, Luís Pedro Faro, Carlos Alberto Moniz, Maria do Amparo, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, Fernando Lopes Graça, José Afonso, Vitorino, Orlando Costa, Fausto, António Victorino de Almeida, António Cardoso, Janita Salomé, José Mário Branco, Carlos Moisés, Laurent Filipe, João Maria Pinto, Carlos Veiga, Alberto Fernandes, Michel, José Pato

Cenografias, Adereços, Figurinos e Grafismo de:
Mário Alberto, Nuno Carinhas, José Froufe, João Brites, Rui Pimentel, João Paulo Bessa, Jasmim, Jorge Sacadura, José Carretas, Maria do Céu Guerra, Francisco Pereira, Carlos Martins Pereira, Carlos Ramalho, António Belart, José Manuel Costa Reis, Victor Sá Machado, António, Norberto Barroca, Mário Dias Garcia, Nuno Alão, Miguel Figueiredo, Maria Gonzaga, Luís Thomar, José Manuel Castanheira, Mário Dias, Sónia Benite, Sandra Pereira, Manoel Ribeiro, Victor Belém, Pedro Massano, Susana Marques, Bárbara Gonzalez Feio

Actores e técnicos
São muitas dezenas os que passaram pela BARRACA. Hoje podemos constatar com alegria que muitos construíram belas carreiras e alguns fundaram grupos que continuam a espalhar e reproduzir o nosso projecto artístico e cultural. Desde a primeira hora a actriz Maria do Céu Guerra ligou a sua à carreira da Companhia, fazendo parte do elenco da maioria dos espectáculos.

CONTACTOS
Largo de Santos, 2
1200-808 Lisboa
Tel: 213965360 / 21395275
968792495
Fax: 213955845
e-mail: barraca@mail.telepac.pt
http://www.abarraca.com

Monday, January 22, 2007

Opinião - "O Principezinho"

O PRINCIPEZINHO no Teatro Politeama


por Lauro António

Um jovem aviador passa pelos céus de um deserto, quando o avião perde altitude e abocanha a areia. O aviador sai íleso, mas descobre-se perdido. Adormece na areia.

“E foi assim que, nessa noite, adormeci deitado na areia, a milhares de milhas de qualquer local habitado. Sentia-me mais isolado do que um náufrago numa jangada no meio do oceano. Podem, portanto, imaginar qual não foi a minha surpresa quando, ao nascer do dia, fui acordado por uma vozinha que dizia:
-Se faz favor... desenha-me uma ovelha!
-O quê?
-Desenha-me uma ovelha...
Pus-me de pé de um salto, como se tivesse sido atingido por um raio. Esfreguei os olhos energicamente. Olhei com toda a atenção. E vi um menino verdadeiramente espantoso, que me observava com um ar muito sério… “

1.
No programa que autografa à entrada do Teatro Politeama, dedicando-o “aos meninos que vão assistir ao seu espectáculo”, Filipe La Feria tem um texto onde explica as razões que o levaram a esta encenação: “Li "O Principezinho" quando tinha a tua idade e nunca mais esqueci. Ele ensinou-me a ver com os olhos do coração. Sempre desejei convidar-te para vires ao meu Teatro, ao meu planeta, para te apresentar o meu Principezinho. Tenho a certeza que nunca o irás esquecer e que ele te irá acompanhar durante toda a viagem maravilhosa da tua vida.”
No espectáculo, o Principezinho ouve a Raposa explicar que o essencial não é “o que se vê”, mas “o que se sente com o coração”. Esta frase julgo ser a razão principal do sucesso desta obra. Este apelo ao mais íntimo e ao mais secreto da compreensão humana, onde se esconde a poesia e o amor. Ora Filipe La Féria não consegue restituir toda a poesia e toda a envolvência da obra de Antoine de Saint-Exupéry, muito embora toda a sua boa vontade e a qualidade que este espectáculo apresenta.
Diga-se que tudo leva a crer que o relativo fracasso se deve a duas questões. Primeira: para tornar o espectáculo não muito longo, La Feria condensou o texto, e retira-lhe alguma poesia, para apresentar dele um quase esqueleto. Descarnado. Segundo: as apetências tecnológicas, sobretudo o vídeo de que se socorre vezes em demasia, tiram secreta magia ao que se devia pressentir e não “ver”. Ou seja: “vê-se” demasiado e “sente-se” pouco.
Mas abstraindo isso, há bons momentos neste espectáculo: tudo o que se passa somente entre o Aviador (Hugo Rendas) e o Principezinho (Martin Penedo ou Ruben Silva) é comovente e sedutor e decorre num bom cenário com a assinatura de Rita Torrão. Algumas das tradicionais figuras que povoam o universo de Saint-Exupéry são bem defendidas, como a Raposa (Hugo Goepp), o Vaidoso (Daniel Gorjão), o Bêbado (Tiago Martins), o Homem de Negócios (Tiago Isidro), o Acendedor de Candeeiros e Geógrafo (Sérgio Moreno), a Serpente (Andrea Gaipo) ou a Vendedora de Comprimidos (Sofia Cruz). No vídeo aparecem a Flor (Sara Cabeleira), e o Rei (Joaquim Barros). A tradução especialmente executada para o efeito é escorreita e clara.

2.
Uma nota á margem. Antes do espectáculo se iniciar, à porta do Politeama centenas de jovens aguardavam a entrada. Uns com país e familiares, outros com professores. Cinquenta e tal eram alunos de uma escola, putos com quinze anos, mais coisa menos coisa, e a berraria era intensa. Pensei: vai ser bonito com “estes selvagens todos lá dentro”. Enganei-me redondamente. Os “selvagens” não se ouviram. O silêncio foi total, as palmas e os aplausos os exigidos no sítio certo. O que quer dizer que quando a magia existe, “os selvagens” deixam de o ser. No teatro, se calhar nas salas de aula. Uma lição de pedagogia. E “O Principezinho” não é a “Floribela”.


3.
Quem foi Antoine de Saint-Exupéry?

Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger de Saint-Exupéry, nascido a 29 de Junho de 1900, em Lyon, foi escritor, ilustrador e piloto durante a II Guerra Mundial. Passou a infância em casa de uma tia, perto de Ambérieu, estudou em Sainte-Croix-du-Mans, na Suíça e em Paris, onde se preparou para entrar na Escola Naval. Reprovado na oral do exame de admissão, resolve ingressar em Belas-Artes. Em 1921, começou a cumprir o serviço militar em Estrasburgo, no ramo da Aviação, o que lhe traça o destino. Depois de sair da tropa, em 1923, tem vários empregos. Começa a escrever e, em 1925, publica a sua primeira narrativa cuja acção se situa no mundo da aviação. Em 1926, Saint-Exupéry entra, como piloto, para a companhia Latéc transporte do correio entre Toulouse e Dacar. Seguidamente, é nomeado chefe de escala do porto de Juby, no Rio do Ouro. É nessa época que escreve “Courrier Sud” (“Correio do Sul”) (1929).


Acompanhado por Mermonz e Guillamet, parte para a América do Sul, a fim de estudar a possibilidade de criação de novas linhas aéreas nesse continente. Em 1931, publica “Vol de Nuit” (“Voo Nocturno”), que alcança um sucesso bastante considerável. Entretanto, a companhia Latécoère abre falência e Saint-Exupéry tenta, em vão, em 1935 e ao serviço da Air France, bater o recorde aéreo Paris-Saigão. Em 1939, tenta fazer a ligação aérea de Nova Iorque à Nova Terra do Fogo: gravemente ferido, passa largos meses de convalescença em Nova Iorque. É então que publica “Terre des Hommes” (“Terra dos Homens”). Durante a II Guerra Mundial, faz parte do Exército de Libertação, mas devido à sua idade, é proibido de pilotar. Não obstante, insiste para que lhe sejam atribuídas missões: a 31 de Julho de 1944, levanta voo de Borgo, na Córsega. Desaparecido em combate, no Mar Mediterrâneo, durante uma missão de reconhecimento sobre as cidades de Grenoble e Annecy, este facto acrescenta à sua lendária fama de escritor, uma mítica e romântica auréola. A 3 de Novembro de 44, em homenagem póstuma, recebeu as maiores honras do exército. Porém, o seu corpo e os escombros do avião nunca foram encontrados. Durante a II GM, publicou três obras: “Pilote de Guerre” (“Piloto de Guerra”), “Lettre à un Otage” (“Carta de um Refém”) e “Le Petit Prince” (“O Principezinho”), em 1943.
As suas obras apresentam características muito próprias e obsessões visíveis, como a aviação, a guerra, a solidão do protagonista. Também escreveu artigos para várias revistas e jornais de França e outros países, sobre a guerra civil espanhola ou a ocupação alemã da França.

"O Principezinho" (1942) é unanimemente considerada a sua obra-prima. Foi escrito durante o exílio nos Estados Unidos1943 - onde o autor se tinha refugiado desde a invasão da França pelos nazis, na 2ª Guerra Mundial -, tendo sido aí publicado no ano seguinte. Posteriormente foi considerado o livro francês mais vendido em todo o mundo (cerca de 80 milhões de exemplares), com 400 a 500 edições. Segundo o jornal francês "L'Express", "Le Petit Prince" é a obra literária mais traduzida no mundo, a seguir à Bíblia, tendo sido publicado em 160 línguas ou dialectos, incluindo o aranês, o amazigh e o xhosa, uma das 11 línguas oficiais da África do Sul. No Japão existe até um museu para a personagem principal do livro, um jovem sonhador de cabelos louros e cachecol vermelho, "O Principezinho". Em resposta à questão "Qual é o livro do século?" colocada pela "Sondagem do Século" do jornal "Le Parisien-Aujourd'hui" de Novembro de 1999, foi eleito o livro "O Principezinho"!

4.
Um excerto de “O Principezinho”

XXI
Foi então que apareceu a raposa.
- Bom dia! - disse a raposa.
-Bom dia! – respondeu, educadamente, o principezinho, que se voltou para trás, mas não viu nada.
-Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És muito bonita…
- Sou uma raposa – respondeu a raposa.
- Anda brincar comigo – pediu o principezinho. - Estou tão triste…
- Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. - Ninguém foi capaz de me cativar…
-Ah, desculpa! – disse o principezinho.
Mas, depois de ficar pensativo durante um bom bocado, acabou por perguntar:
- O que quer dizer “cativar"?
-Tu não és daqui – disse a raposa. - De que é que andas à procura?
- Ando à procura dos homens – respondeu o principezinho. - O que quer dizer “cativar"?
- Os homens – continuou a raposa – têm espingardas e passam a vida a caçar. É muito chato! Também fazem criação de galinhas. É o seu único aspecto interessante. Andas à procura de galinhas?
-Não – disse o principezinho. – Ando à procura de amigos. O que quer dizer “cativar"?
- É uma coisa que já caiu no esquecimento – respondeu a raposa. – Quer dizer “criar laços..."
-Criar laços?
- Isso mesmo – disse a raposa. - Para mim, por enquanto, tu não passas de um rapazinho igual, sem tirar nem pôr, a cem mil rapazinhos. E não me fazes qualquer falta. E tu não sentes também a minha falta. Para ti eu não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas se tu me cativares, passaremos a sentir a falta um do outro. Para mim passarás a ser único no mundo. E para ti eu também serei única no mundo...
- Começo a perceber – disse o principezinho. - Há uma flor… eu acho que ela me cativou...
- É muito possível – disse a raposa. - Vê-se de tudo, ao cimo da Terra...
-Oh! Mas não é na Terra – disse o principezinho.
A raposa pareceu muito intrigada:
- Noutro planeta, então?
-Sim.
- E nesse planeta há caçadores?
-Não.
- Isso sim, isso é interessante! E galinhas?
-Não.
-Não há nada perfeito – suspirou a raposa.
E imediatamente retomou a sua ideia:
- A minha vida é uma monotonia. Caço galinhas e os homens caçam-me a mim. Todas as galinhas são semelhantes entre si e todos os homens são semelhantes entre eles. Portanto, aborreço-me um bocado. Mas se tu me cativares, será como se o sol entrasse na minha vida. Reconhecerei um ruído de passos de entre todos os outros passos. Os outros passos far-me-ão fugir para debaixo de terra. Os teus far-me-ão sair para fora da toca, como se fossem música. E depois, repara: estás a ver lá ao fundo, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é, portanto, inútil. Os campos de trigo não me fazem lembrar nada. E isso é uma tristeza! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Portanto, depois de me cativares, vai ser maravilhoso! O trigo, que é dourado, há-de fazer-me pensar em ti. E então hei-de gostar do som do vento no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho:
- Por favor... cativa-me! - implorou, por fim.
- Eu gostava muito – respondeu o principezinho –, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e muitas coisas para conhecer.
- Só conhecemos o que cativamos – disse a raposa. - Os homens já não têm tempo para conhecer o que quer que seja. Compram tudo feito, nas lojas. Mas como não existem lojas de amizade, os homens já não têm amigos. Se queres ter um amigo, cativa-me!
- O que é que tenho de fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter imensa paciência – respondeu a raposa. – Para começar, sentas-te, um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu espreito-te pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, a cada dia que passa, poderás sentar-te um pouco mais perto...
No dia seguinte, o principezinho regressou.
- Era melhor vires sempre à mesma hora – explicou a raposa. - Se tu vieres, por exemplo, às quatro da tarde, eu começo a ficar feliz logo às três horas. À medida que o tempo passa, vou ficando cada vez mais feliz. Às quatro horas estarei já inquieta e agitada; descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vieres a uma hora qualquer, nunca saberei quando é que hei-de começar a embelezar o meu coração… os rituais são indispensáveis.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- É uma coisa que, infelizmente, também caiu no esquecimento – respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros, uma hora diferente das outras. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual. Às quintas-feiras vão dançar com as raparigas da aldeia. Por isso a quinta-feira é um dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores fossem dançar num dia qualquer, todos os dias seriam iguais e eu não teria férias.
E foi assim que o principezinho cativou a raposa. E, quando se aproximou a hora da partida:
-Ah! – suspirou a raposa... - Vou chorar.
- A culpa é tua – disse o principezinho. - Eu não te queria fazer mal, mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Pois quis – concordou a raposa.
- Mas agora vais chorar! - disse o principezinho.
- É claro que sim – respondeu a raposa.
- Então não ganhas nada com isso!
- Ganho – afirmou a raposa. - Por causa da cor do trigo…
Depois acrescentou:
- Vai ver as rosas mais uma vez. Vais perceber que a tua é única em todo o mundo. Depois volta aqui para me dizer adeus e eu vou ter um presente para te oferecer: um segredo.
O principezinho foi, uma vez mais, ver as rosas.
-Vocês não se parecem absolutamente nada com a minha rosa, vocês ainda não são nada – disse-lhes ele. - Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. Vocês são tal e qual como era a minha raposa. Não passava de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas eu fiz dela uma amiga e agora ela é única em todo o mundo.
E as rosas ficaram todas abespinhadas.
- Vocês são muito bonitas, mas são vazias – disse ele ainda. - Não se pode morrer por vocês. É claro que um transeunte desprevenido poderá confundir a minha rosa convosco. Mas ela, sozinha, é mais importante do que vocês todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que eu coloquei debaixo da redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi por ela que eu matei as lagartas (excepto duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu ouvi lamentar-se, vangloriar-se, ou mesmo, uma vez por outra, calar-se. Porque ela é que é a minha rosa.
E o principezinho regressou para junto da raposa:
- Adeus – disse ele...
- Adeus – disse a raposa. – Agora vou contar-te o meu segredo. Um segredo muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais esquecer.
- Foi o tempo que tu dedicaste à tua rosa que fez com que ela seja tão importante.
- Foi o tempo que eu dediquei à minha rosa... – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens esqueceram esta verdade – disse a raposa. - Mas tu não podes esquecer. Tu tornaste-te responsável para sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
(Tradução de Maria Eduarda Colares).

in "Lauro António Apresenta"

www.lauroantónioapresenta.blogspot.com


O Principezinho
Um espectáculo de Filipe La Féria, segundo "Le Petit Prince" de Antoine Saint-Exupéry, Editions Gallimard, 1946 (Tradução: Maria Eduarda Colares); Adaptação, figurinos e encenação de: Filipe La Féria; Música de: António Leal e Telmo Lopes; Vídeos: Pedro Alegria, Ricardo Fernandes e Rui Fernandes; Ilustrações de vídeo: Gonçalo Viana; Coreografia e assistência de encenação: Inna Lisniak; Direcção de cena: Sérgio Moreno; Adereços: Luís Stoffel, Nuno Elias e Rita Torrão; Cenário: Rita Torrão; Guarda-roupa: Helena Brandão, Catita Soares e Helena Resende; Desenho de luz: Jorge Carvalho; Direcção de montagem: Fernando Mendes
Intérpretes: Hugo Rendas, Martin Penedo ou Ruben Silva, Hugo Goepp, Daniel Gorjão, Tiago Martins, Tiago Isidro, Sérgio Moreno, Andrea Gaipo, Sofia Cruz, Sara Cabeleira, Joaquim Barros.
De 2ª a 6ª, às 11h00 e 15h00 (para escolas mediante reserva prévia); Sábados, Domingos e Feriados às 15h00

Opinião - "O Que Diz Molero"

por Lauro António

No Teatro Nacional de D. Maria II, “O Que Diz Molero”, o festejado romance de Dinis Machado, lançado há 30 anos, serve de base a um magnífico espectáculo de teatro, num excitante trabalho de adaptação do encenador brasileiro Aderbal Freire-Filho. E digo “adaptação” para marcar desde já uma posição.
Aderbal Freire-Filho é conhecido por introduzir um conceito novo, o de “romance-em-cena”, conceito criado no início da década de 90, quando decidiu pôr em palco uma obra literária sem mudar uma palavra do texto original. O romance chamava-se “A Mulher Carioca aos 22 anos”, de João de Minas, e foi a primeira experiência, a que se seguiram outras, como “O Púcaro Búlgaro”, de Campos de Carvalho, ou este ““O Que Diz Molero”, diálogo entre duas personagens que lêem um relatório sobre “um rapaz” que nunca é referido pelo nome próprio, e que é o centro de uma picaresca aventura que, partindo de um popular bairro de Lisboa, extravasa pela imaginação para cenários de todo o mundo.
Aderbal Freire-Filho afirma agora que “se tivesse encenado este romance há mais tempo seria tentado a fazê-lo com apenas dois actores.”O que vemos em cena inicialmente são dois actores que começam a ler o relatório, mas passando a palavra a outros quatro que vão reinventando personagens, dezenas e dezenas de figuras que revivem no palco as situações descritas por Dinis Machado. O efeito é notável, de imaginação, de humor, de invenção, de inteligência. Para o que concorre também o belíssimo e eficaz cenário de José Manuel Castanheira, director artístico adjunto do D. Maria II, que já trabalhou com mais de 60 encenadores, e que, em 1999, conheceu em Madrid este director cearense, com quem, desde então, tem feito vários trabalhos no Brasil. O cenário amontoa de forma orgânica dezenas de arquivos de metal, com gavetas que escondem adereços de cena e acendem luzes e definem espaços e locais. Excelente, como excelente é o desenho de luzes que rasgam a penumbra geral.

“O romance-em-cena só existe para dizer que o que está posto no palco não é a adaptação de um romance, é o próprio (romance)”, explicou o encenador. Ora a verdade é que, sendo embora o romance que está em cena, não é o romance que está em cena. É o romance, sim, palavra por palavra (enfim, com muitos cortes: “Fizemos uma versão para preguiçosos e pessoas que sofriam da coluna...”, ironizou o encenador), mas é o romance numa nova linguagem, “lido” por alguém, “interpretado” por um elenco, encenado, “adaptado”.
Depois de dois anos em cena em várias cidades brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, festivais de teatro, etc.) e de ter sido apresentada no Uruguai e na Holanda, este espectáculo de Aderbal Freire-Filho que chega agora a Lisboa, demonstra bem o entusiasmo do encenador pelo livro de Dinis Machado há mais de 25 anos. Explica: “Abri o livro e fiquei absolutamente deslumbrado com as primeiras páginas. Apaixonei-me pelo livro nessa época”. A representação tinha, inicialmente, cerca de cinco horas, e está agora reduzida a metade, mas o que vemos é um preciso trabalho de encenação que merece inteiramente a atenção e o carinho do público português. O magnífico elenco mostra-se coeso e divertido na forma como joga com as palavras e as situações, como usa todos os artifícios da arte cénica para levar a água ao seu moinho. Como cita e dispersa referências literárias, teatrais, cinematográficas.
O romance de Dinis Machado já tinha sido representado, em teatro, em Portugal, em 1994, numa adaptação teatral de Nuno Artur Silva, com interpretação de José Pedro Gomes e António Feio, com encenação deste último.

Dinis Machado nasceu em 1930, em Lisboa. Apesar de ser inicialmente um jornalista ligado sobretudo ao desporto, fez crítica cinematográfica, além de ter participado das comissões organizadores de diversos festivais e ciclos cinematográficos para a Casa da Imprensa de Lisboa. Dedicou-se também à edição de banda desenhada, tendo sido chefe de redacção das revistas “Tintin” e “Spirou”. Escreveu três livros policiais sob o pseudónimo de Dennis McShade: "Mão Direita do Diabo", "Mulher e Arma com Guitarra Espanhola" e "Réquiem Para D. Quixote". Além de "O Que Diz Molero", escreveu: "Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Márquez", "Reduto Quase Final" e “Gráfico de Vendas com Orquídea”
“O Que Diz Molero” é um dos maiores êxitos editoriais portugueses, com mais de cem mil exemplares vendidos, e traduzido para francês, alemão, espanhol, romeno e búlgaro.

in "Lauro António Apresenta..."
www.lauroantónioapresenta.blogspot.com

Encenação: Aderbal Freire-Filho
Actores: Gilray Coutinho, Thelmo Fernandes, Isio Guelman, Rachel Iantas, Savio Moll, Cláudio Mendes.
A peça ficará em cartaz, de terça-feira a domingo, até 4 de Fevereiro, no Teatro Nacional de D. Maria II.

Thursday, January 18, 2007

PEQUENOS CRIMES CONJUGAIS no D. MARIA II


JAN 30 – ABR 01
3ª a SÁB. às 21h30 DOM. às 16h30

PEQUENOS CRIMES CONJUGAIS

NO SALÃO NOBRE DO TEATRO NACIONAL D. MARIA II

DE ERIC-EMMANUEL SCHMITT
Tradução LUIZ FRANCISCO REBELLO
PRODUÇÃO TEATRO NACIONAL D. MARIA II

Paulo Pires e Margarida Marinho num espectáculo de José Fonseca e Costa

O Teatro Nacional D. Maria II estreia, no dia 30 de Janeiro, a primeira encenação do realizador José Fonseca e Costa. A partir de uma peça do conceituado autor francês Eric-Emmanuel Schmitt, traduzida por Luiz Francisco Rebello, Paulo Pires e Margarida Marinho interpretam um casal que enfrenta uma situação insólita. Na sequência de um misterioso acidente doméstico, Jaime fica amnésico. Ao fim de quinze dias no hospital, regressa a casa, para junto da mulher, Luísa, que vai procurar reconstruir, a pouco e pouco, toda a sua história em comum. Pelo seu diálogo passam todos os grandes temas da vida em conjunto: a fidelidade, o desejo, o envelhecimento, a paixão e, finalmente, o amor. Numa sucessão de revelações, a verdade esconde-se nas entrelinhas e terá de ser decifrada.

A peça, que tem conhecido montagens um pouco por todo o mundo, estreou originalmente em Paris, numa interpretação de Charlotte Rampling.

encenação JOSÉ FONSECA E COSTA
cenografia JOSÉ MANUEL CASTANHEIRA
figurinos MANUEL ALVES JOSÉ MANUEL GONÇALVES
desenho de luz DANIEL WORM D’ASSUMPÇÃO
assistente de encenação FRANÇOISE FILIPE

com
MARGARIDA MARINHO PAULO PIRES

Companhia Nacional de Bailado - Programação Jan/Jul


Sunday, January 14, 2007

100 Representações de "Música no Coração"



Foi na passagem de 2006 para 2007 que a companhia do Teatro Politeama celebrou a 100ª representação do grande sucesso que é “Música no Coração”. Foi no Salão Nobre do Politeama, cheio actores, técnicos, amigos e público em geral que Filipe La Féria descerrou uma placa que marcará para sempre a presença deste grande musical no palco do Teatro Politeama na Rua das Portas de Santo Antão.

A história de Maria tem vindo a ser aplaudida pelo público e pela critica neste grande espectáculo em cena no palco do Politeama tendo estado sempre esgotado e com várias sessões durante o ano de 2007 já esgotadas também. A história da Família von Trapp e de Maria que passa de freira a preceptora e depois a mãe numa época que os nazis assolavam o mundo, tem apaixonado os portugueses assim como já o fizera quando o filme estreou nos cinemas onde esteve três anos em cartaz.

Após esta celebração das 100 Representações, a companhia do Teatro Politeama continua com este grande espectáculo e ainda com “Principezinho”, a partir do livro de Antoine Saint-Exupéry, ambos com encenação de Filipe La Féria.

“Música no Coração”, letra e música de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II texto de Howard Lindsay e Russel Crouse; encenação, cenografia e figurinos de Filipe La Féria; Um grande elenco de mais de cinquenta actores, bailarinos e músicos, entre eles Anabela, Carlos Quintas e Lúcia Moniz ao lado de Vera Mónica, Joel Branco, Helena Rocha, Tiago Diogo, Sérgio Moreno, Lia Altavilla, Helena Vieira, Helena Afonso, Helena Montez, Hugo Rendas e Tiago Isidro, entre outros.

Para mais informações vá ao site do Teatro Politeama.




ZAPPING no Viriato a 19 de Janeiro

ESTREIA ABSOLUTA Música ZAPPING – TRIBUTO A FRANK ZAPPA
Por Drumming Grupo de Percussão
Direcção Artística Miquel Bernat
Sexta, 19 e Sábado, 20 Jan. 21h30
Todos os públicos 90 min. aprox. 7,5 a 15€
Preço Jovem 5 €

O início de temporada no Teatro Viriato está mais vibrante do que nunca. Os melhores percussionistas da actualidade estão em Viseu para apresentar o resultado de um desafio único. Um concerto imperdível que revisita o controverso, genial, pioneiro e vanguardista Frank Zappa.
Uma viagem intensa pelo mundo Zappa, criada por Carlos Azevedo, Nuno Rebelo, Vítor Rua, Rui Rodrigues, Javier Árias Bal, Óscar Bianchi e o colectivo @c , e conduzida por uma das referências no panorama musical nacional: Drumming – Grupo de Percussão. É esta a essência de Zapping – Um tributo a Frank Zappa, em ESTREIA ABSOLUTA na abertura de temporada do Teatro Viriato.
O desafio de criação deste espectáculo foi lançado há quase um ano pelo director geral e de programação do Teatro Viriato, Paulo Ribeiro a Miquel Bernat, director artístico do Drumming - Grupo de Percussão e um dos mais destacados nomes internacionais da percussão, para a criação de um projecto dedicado ao músico norte-americano, Francis Vincent Zappa (1940 -1993).
O projecto foi beber inspiração e partiu do legado deixado por Zappa, sobretudo, nos seus discos, e da vitalidade da percussão, assinalada por Edgard Varèse - o compositor que mais influenciou Zappa.
Assim, nascem as fontes deste tributo e novo projecto do Drumming - Grupo de Percussão que convidou vários compositores, como Carlos Azevedo, Nuno Rebelo, Vítor Rua, Rui Rodrigues, Javier Árias Bal, Óscar Bianchi e o colectivo @c (de Pedro Tudela e Miguel Carvalhais) a plasmarem para peças de percussão as suas próprias visões do músico norteamericano,
para serem apreciadas numa soirée de ‘zapping’. Criações que, em palco, são misturadas com a genialidade de Drumming – Grupo de Percussão que, sob a direcção de Miquel Bernat, imprimem a cada concerto uma poética irrepetível.
Considerado uma referência no panorama musical nacional, o colectivo Drumming – Grupo de Percussão tem vindo a sintetizar a evolução da percussão erudita em Portugal e na própria cultura ocidental. Ganhou rapidamente a simpatia do público e das críticas, obtendo no seu currículo dezenas de actuações em todas as principais salas portuguesas e também fora do país.
Além da divulgação de grandes peças contemporâneas, o colectivo vai formando o seu próprio repertório incentivando dezenas de compositores nacionais e internacionais a escreverem obras, especialmente, para o grupo. Através do repertório que apresenta, Drumming consegue explorar as mais diversas e imaginativas formas de exprimir a percussão. Foi grupo residente da programação de música da Capital Europeia da Cultura– Porto 2001 e parte do seu repertório é tocado em conjunto com outras estruturas como a Orquestra Gulbenkian, o Ictus Ensemble, o Remix Ensemble, a Orquestra Nacional do Porto, o Ballet Gulbenkian, a Companhia de Dança Kobalt Works de Bruxellas, entre outras formações.
O director geral e de programação do Teatro Viriato, Paulo Ribeiro é peremptório ao afirmar que este “concerto promete porque é um Zappa só percussivo, sendo utilizada também uma série de componentes como a própria voz do músico”, tornando este concerto um momento único e de excelência.
Trata-se de uma enérgica incursão pelo controverso, genial, pioneiro e vanguardista Frank Zappa, influente músico que marcou a diferença. Amado e odiado por muitos, devido ao seu carácter interventivo, que o levou a candidatar-se à presidência dos Estados Unidos da América, as suas composições valeram-lhe o reconhecimento como explorador insaciável dos mais variados estilos musicais. Às gerações futuras deixou um legado contagiante preenchido de rasgos de genialidade, muitos deles usados na época pela juventude como hinos em conflitos políticos.
Fortemente influenciado pela música contemporânea, foi admirador de John Cage, Igor Stravinsky e Anton Webern, destacando-se a influência de Edgard Varèse, notória na similitude entre o trabalho orquestral de ambos e no uso da percussão, sobreposta ao resto da orquestra numa forte construção rítmica e métricas complexas. Recusava ser considerado um instrumentista virtuoso e preferia auto-intitular-se de compositor, destacou-se pelo domínio da guitarra e na notável execução técnica. Direcção Artística Miquel Bernat Percussão Miquel Bernat, Rui Rodrigues, João Cunha, Nuno Aroso, Pedro Oliveira, João Tiago e Juca Monteiro Composição Carlos Azevedo, Nuno Rebelo, Vítor Rua, Rui Rodrigues, Javier Árias Bal, Òscar Bianchi e o colectivo @c Arranjo/composição Telmo Marques Produção Vidairada Produções Musicais Co-produção Teatro Viriato

Biografias
Miquel Bernat (Benisanó – Valência)
É um dos mais destacados vultos internacionais da percussão. Estudou nos conservatórios de Valência, Madrid, Bruxelas e Roterdão e frequentou o Aspen Summer Music Course, nos Estados Unidos.
Entre outros foi laureado com o "Prémio Extraordinario Final de Curso" dos conservatórios de Madrid e de Bruxelas, com Prémio Especial de Percussão no concurso GAUDEAMUS, Holanda, 1993 e com o segundo prémio de interpretação de Música Contemporânea no mesmo certame, com o Rotterdam Percussive, bem como com o segundo prémio do Aspen Nakamichi Competition (EUA), como solista.
Músico de grande versatilidade, tocou com a Orquestra Ciutat de Barcelona (1988-1991) e com Royal Concertgebouw Orchestra de Amsterdam entre outras, e com os grupos de música contemporânea ICTUS Ensemble, Quarteto ICTUS de Bruxelas, Duo Contemporain de Rotterdam, etc.
Solista em incontáveis recitais, destaca-se a estreia mundial do Concerto para Marimba e 15 Instrumentos de David del Puerto no Festival ARS MUSICA, de Bruxelas e ENSEMS de Valência, e o concerto Campos Magnéticos de César Camarero estreada com a Orquestra Nacional do Porto.
Professor nos Conservatórios Superiores de Música de Roterdão e Bruxelas, Miquel Bernat tem desenvolvido um intenso trabalho pedagógico na Escola Superior de Música do Porto, Escola Profissional de Música de Espinho, tendo sido recentemente convidado para leccionar na Universidade de Aveiro e na Escola Superior de Música da Catalunha.
Fundador, no Porto do “DRUMMING – GRUPO DE PERCUSSÃO”, agrupamento residente do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, com o qual dirigiu numerosos concertos em Portugal, França, Alemanha, Brasil e Espanha.
Preconizando o tratamento de cada espectáculo musical em função de uma poética irrepetível, tem vindo a desenvolver um conceito inovador de concerto onde a presença em palco, cenografia e desenho de luzes ou o tratamento escultórico são valorizados ao mesmo nível da prestação musical. Surgem, nesta linha, espectáculos com coreografia de Anne Teresa de Keesrmaeker como Just Before, com a Companhia das Rosas, Natural Strange Days, com o coreógrafo Roberto Olivan, e ainda Drumming Live, Rain ou April Me.
Noutra área, estreou em 2003 no IRCAM Centre George Pompidou, Paris, Mantis Walk in a Metal Space de Javier Alvarez, uma peça para Steel Drums solista, com grupo instrumental e electrónica, desenvolvendo uma outra vertente como instrumentista, a de trazer para primeiro o plano solístico instrumentos exóticos que raramente ascendem a um lugar de destaque na nossa cultura.
Apaixonado pela criação contemporânea, colabora estreitamente com numerosos compositores, tendo dezenas de obras que lhe foram dedicadas.

Drumming - Grupo de Percussão
Emergiu no Porto, em 1999. O grupo tem vindo a sintetizar a evolução da percussão erudita em Portugal e na própria cultura ocidental. Ganhou rapidamente a simpatia do público e das críticas, constituindo na actualidade uma referência na vida musical de Portugal, obtendo no seu currículo dezenas de actuações em todas as principais salas portuguesas e também fora do país.
Foi grupo residente da programação de música da Capital Europeia da Cultura–Porto 2001, ajudando a contribuir para a divulgação de grandes peças contemporâneas ao mesmo tempo que vai formando o seu próprio repertório incentivando dezenas de compositores nacionais e internacionais a escreverem obras, especialmente, para o grupo. Através do repertório que apresenta, o grupo consegue explorar as mais diversas e imaginativas formas de exprimir a percussão. Parte do seu repertório é tocado em conjunto com outras estruturas como a Orquestra Gulbenkian, o Ictus Ensemble, o Remix Ensemble, a Orquestra Nacional do Porto, o Ballet Gulbenkian, a Companhia de Dança Kobalt Works de Bruxellas, entre outras formações.
Actualmente, o Drumming prepara a publicação de três discos: Monográfico, de Franco
Donatoni, Unreal: Drumming + Sassetti, de e com o pianista Bernardo Sassetti e também um disco com o grupo de música improvisada electrónica @c.
Em breve iniciará o projecto de alargar o seu nome em países de expressão portuguesa com a criação do Drumming Br (formação de um grupo de Percussão no Brasil) e a formação de uma banda de percussão e timbilas moçambicanas. Prepara também neste momento as actuações agendadas no Festival Paralelo 25.44º em Nova Iorque e outras cidades dos Estados Unidos assim como no Festival Nou Sons de Barcelona e no Festival des Arts de Bruxelles.

Frank Zappa
O compositor, Frank Zappa, que nos deixou há mais de dez anos, vem do mundo do rock, mas apresenta algumas particularidades. Fortemente influenciado pela música contemporânea, foi um admirador de John Cage, Igor Stravinsky e Anton Webern, mas, sobretudo, é de salientar a influência de Edgard Varèse. Uma influência notada na similitude entre o trabalho orquestral de ambos e no uso da percussão, sobreposta ao resto da orquestra numa forte construção rítmica, e métricas complexas.
Líder da sua banda, The Mothers of Invention, criador e explorador insaciável nos mais
variados campos e estilos.

Thursday, January 11, 2007



Livros no Nacional

12 de Janeiro às 19 horas
no Átrio do Teatro Nacional D. Maria II

LANÇAMENTO DO LIVRO
“A Roda Do Tempo, O Calendário Folclórico E Litúrgico No Teatro De Gil Vicente” de Maria José Palla

No próximo dia 12 de Janeiro, às 19h, é lançado no átrio do TNDM II o livro “A Roda do Tempo, o Calendário Folclórico e Litúrgico no Teatro de Gil Vicente” publicação do Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa, é o segundo livro de uma trilogia dedicada a Gil Vicente por Maria José Palla especialista deste autor com um doutoramento em Paris sobre o traje vicentino com o especialista Paul Teyssier.
Este livro estuda a data de representação das peças vicentinas, muitas delas ligadas ao folclore, às estações do ano e ao tempo litúrgico. O momento do Carnaval foi muito muito fértil em Gil Vicente o que nos leva a uma nova leitura da sua obra, como por exemplo «O Pranto de Maria Parda» uma peça de Quaresma que tem sido interpretada de uma maneira diferente.
No livro foi estudado um círculo de tempo com as suas cerimónias cíclicas que voltam sempre a acontecer, é o tempo do eterno retorno.

A apresentação desta obra será feita pelo Professor Artur Anselmo.

Amor de Perdição no Nacional

AMOR DE PERDIÇÃO
ou good bye my love good bye as long as you remember me I’ll never be too far

NO ÁTRIO
DO TEATRO NACIONAL D. MARIA II

espectáculo d’As Entranhas a partir do romance homónimo de CAMILO CASTELO BRANCO

PRODUÇÃO TEATRO NACIONAL D. MARIA II
JAN 18 – MAR 17
5ª a SÁB. 24H00 DOM. 19H00

Camilo Castelo Branco revisto por uma nova geração de criadores

O Teatro Nacional D. Maria II apresenta, a partir de 18 de Janeiro, no átrio, uma versão original do clássico de Camilo Castelo Branco. A releitura do romance Amor de Perdição, pelo grupo d’As Entranhas, usa as palavras do romancista misturando-as com a música, a dança e o vídeo, num espectáculo que se assume como um musical e que tem um tema imortal: o amor.

Simão Botelho e Teresa de Albuquerque apaixonam-se mas os seus amores são desde logo contrariados pois as respectivas famílias são rivais de há longa data. Tadeu de Albuquerque jura casar Teresa com o primo Baltasar, ou, se ela recusar, encerrá-la num convento. O pai de Simão, por seu lado, manda o filho para Coimbra, para concluir os estudos e esquecer os devaneios amorosos.

O par começa a corresponder-se e até consegue encontrar-se, mas é descoberto. Teresa irá para o convento de Monchique, Simão defronta-se com Baltasar e acaba por atingi-lo com um tiro mortal. É condenado ao degredo, na Índia, durante dez anos. Ao embarcar, avista o convento onde a amada morre. Ele não sobrevive muito mais tempo, morrendo de febre durante a viagem.


encenação texto dramaturgia RICARDO MOURA VERA PAZ
movimento MARIA JOÃO PEREIRA
desenho de luz CELESTINO VERDADES
edição de som sonoplastia PAULO LÁZARO
imagem vídeo SUSANA GOMES
fotografia MÁRIO MARTINS
banda sonora espaço cénico figurinos adereços d’AS ENTRANHAS

COM
MARIA JOÃO PEREIRA MÓNICA GARCEZ PATRÍCIA FAUSTINO VERA PAZ LUÍS HIPÓLITO PAULO LÁZARO RICARDO MOURA RUI LACERDA SÉRGIO GRILO

Tuesday, January 9, 2007

Destaque #2 - Misantropo na Comuna

"O MISANTROPO" de Molíere
Encenação de Alvaro Correia
Elenco: Àlvaro Correia, João Tempera, Miguel Sermão, Lucinda Loureiro, Rogério Vieira, Sara Cipriano, Sandra Faleiro e Victor Soares.

ESTREIA A 2 FEVEREIRO

Quarta a Sabado às 21h30 // Domingos às 16h00
Preço Bilhetes- 10 Euros / 7,5 Euros / 5 Euros
Maiores de 12 Anos

SINOPSE
Rompeu com o mundo, tal é a vontade de Alceste. Castigava pela hipocrisia e pela frivolidade da sociedade montana, ele reenvindica um ideal de honestidade e transparências dos corações.
Um ideal um pouco anacrónico aos olhos de uma nobreza que aprendeu a escamotear o seu orgulho e a vergar-se aos compromissos da vida na corte…Alceste goza com isso: Fustiga Oronte, o mau poeta, sem se preocupar com as conveniências.
Mas para sua grande desgraça, ele está também ciosamente apaixonado por Celimène, a jovem e coquette viúva, rainha dos salões, que adora dizer mal dos seus semelhantes. Desta situação paradoxal nasce a comédia de enganos em catadupa, onde o ridículo não tarda a baralhar este misantropo excessivo, entregue e desesperadamente apaixonado….

Sunday, January 7, 2007

Destaque #1 - Macbeth no Trindade

MACBETH
de William Shakespeare (1564-1616)

Sala Principal
23 Janeiro a 15 Março 2007 4ª a sábado às 21h30 e domingo às 16h00

Sinopse
Três bruxas encontram-se com Macbeth e Banquo, generais escoceses, que regressam vitoriosos a casa. Ao exaltarem Macbeth com promessas de grandeza e revelações proféticas, as bruxas despertam nele uma ambição destemperada. As forças malignas e encorajamento de Lady Macbeth levam-no a matar o rei enquanto este dorme hospedado em sua casa. Este acto brutal é o primeiro de uma série de assassínios, que incluem a mulher e filhos do nobre Macduff. Na sequência destes crimes Macduff destrói Macbeth, reorienta o poder, e avançando com a armada escondida pelas árvores, símbolos de vida, passa o poder para o seu legítimo sucessor e futuro rei. “Macbeth” é um retrato de um homem cujo declínio faustiano faz dele vítima de si próprio e vitimizador de todos os que se lhe opõem. A sua verdadeira tragédia é a incapacidade do protagonista voltar atrás, refazer o seu percurso e consciente desta incapacidade, submerge a honra até que o seu fim sangrento o liberta na morte. “Macbeth” é um retrato um homem cujo declínio faustiano faz dele vítima de si próprio e vitimizador de todos os que se lhe opõem. A sua verdadeira tragédia é a incapacidade do protagonista voltar atrás, refazer o seu percurso e consciente desta incapacidade, submerge a honra até que o seu fim sangrento o liberta na morte.


Ficha Artística
Texto: William Shakespeare
Encenação: Bruno Bravo
Tradução e adaptação: Fernando Villas-Boas
Cenário: Stephane Alberto
Figurinos: Paulo Mosqueteiro
Música: Sérgio Delgado
Desenho de Luz: José Manuel Rodrigues
Interpretação: Anabela Brígida, António Rama, Bruno Simões, Cristina Carvalhal, Diogo Dória, João Lagarto, Sérgio Praia e Valerie Braddell
Co-Produção: INATEL /Teatro da Trindade e Produções Teatrais Próspero


Preços: 10€ a 15€
Descontos:
20% - Jovens c/ – 25 anos, +65 anos, Pin Cultura, Profissionais do Espectáculo e Cartão FNAC
30% - Grupos + 10 pax e Sócios INATEL

Sessões para Escolas (sob marcação)
Datas: 25 Janeiro, 8 e 22 Fevereiro e 8 Março às 14h30
Preço único: 5€

Classificação etária: M/12
Duração: 120 minutos (sem intervalo)